Tempo de Uma Amizade (parte 1)

“Quanto tempo dura um... “dar um tempo” em uma relação? ... eu descobri que o tempo nessa situação... é irrelevante e não tem prazo pra acabar...”.

Aqui continuava eu, dentro deste ônibus nesta cidade.

- Cidades grandes são sempre tão sujas... – falei comigo mesmo. O ônibus estava praticamente vazio.

O sol entrava pelas janelas transparentes enquanto tentava passar pelas grossas nuvens. Eu estava indo para trabalhar em uma sexta-feira à tarde, aparentemente normal.

- Normal demais... – A tranquilidade, aquela energia "parada" que havia no ambiente, dentro e fora, do ônibus.

Olhei para fora e ficava pensando se meu amigo Anjo havia recebido a minha carta, aquela claridade do dia, mais branco, e mais claro, me fazendo cerrar os olhos.

Ah sim, lá estava eu, sentado na poltrona enquanto olhava o mensageiro descer do céu. Ele parecia um carteiro, do tamanho de um adulto de 1,90 de altura e bem magro, com uma bolsa do estilo que se carrega cartaz. Ele olhava para mim e sorria. Eu sorri de volta.

- Pois não? - perguntei sem mexer a boca, apenas olhando para ele.

- Lhe trago algo. – respondeu, mostrando um sorriso em sua face sem expressão e logo mexendo na bolsa. Não demorou e ele puxou as duas mãos brancas para fora segurando-as um pouco abertas. Mostrava-me uma massa bruta de energia que se assemelhava uma pedra do tamanho de uma bola de baseball.

- Para mim? – voltei os olhos para o mensageiro. – Tem certeza?.

- Sim, senhor – respondeu ele prontamente e emendou: – Foi mandado para o senhor, por que o senhor tomaria a melhor decisão de como usar uma dessas.

Abri minhas mãos e recebi o que me foi enviado.

- Ahm... isto é o que estou achando...? – perguntei para ele, que já estava se afastando.

- Sim, senhor, uma realização de desejo sem esforço – responde-me e sumiu próximo da luz do céu.

O ônibus parou no farol. Uma música forte começou a tocar em meus ouvidos de meu celular, minhas mãos abertas em meu colo, uma visão no mínimo estranha para quem não podia ver aquilo emanando próprio calor em mim.

O ônibus voltou a andar, e ninguém entrava ou saia dele.

“Uma pedra capaz de transformar um desejo em realidade me foi entregue sem motivo aparente... Qualquer desejo em realidade... O que faço...?”

Os pensamentos caíam feito raios dentro de minha cabeça, eu precisava tomar uma decisão. A minha cabeça foi abaixando e novamente, notei outra música forte tocar em meu celular, o que me puxou de volta para fora de meus pensamentos. Aquela batida forte, aquele som e aquela voz feminina, gritando por liberdade dentro de uma música.

“Já sei” Pensei comigo fechando os olhos, me concentrando naquela música e também fechando as mãos na pedra. Um som de mensagem em meu celular se misturou com a música.

“Não perder o foco” Pensei sem ligar para a mensagem que chegava. Mesmo com os olhos fechados, eu me concentrava. “Se isto inteiro pode realizar um desejo...” Pensava eu enquanto prensava a minha energia em volta, “Eu vou quebrar isso em partes para que cada parte possa influenciar no desejo de algumas pessoas, mas sem tirar o esforço necessário da pessoa para realiza-lo”.

Logo após o meu pensamento se concluir, ouvi algo se quebrando. Minhas mãos continuavam paradas, segurando cinco pedaços de energia em seu meio.

“Pedaço um vai para...” Ele sumiu e se desfez. Senti algumas fisgadas pelo meu corpo, e o som dos carros que agora parecia muito mais alto que antes, eu ouvia com violência.

“Pedaço dois...” Fisgadas em meus dedos, e se foi. Meus olhos tremiam para se manterem fechados.

“Pedaço Três...” Tremeu na minha mão e se foi também.

Meu corpo se viu sendo jogando para o lado, batendo levemente no vidro. Minhas mãos se fecharam e os pedaços foram guardados dentro de uma pulseira, a minha. Abri os olhos, aparentava cansado e respirando ofegante.

Automaticamente peguei o celular para ver a mensagem que havia recebido, remetente:

- Anjo.

CONTINUA NA PARTE 2
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