Capítulo 9 (penúltimo capítulo)



Tudo indicava que Fillipe Burton Cartney, o pai de Alexis, era um alvo difícil de ser eliminado pelo próprio Oscar Fragoso, meu maior inimigo. A questão toda era, porque Oscar estava armando para o pai da Alexis? O que ele queria com esses assaltos? Tínhamos em mente essa possibilidade como fator principal de que poderia nos levar ao caminho certo. Ao caminho que nos daria um belo encontro com o Oscar Fragoso e então, eu poderia fazer o que eu vim proposto para tal. Matá-lo.

- Todos estão por dentro do que está acontecendo, certo? – perguntou Rony de Paula para todos os agentes presentes.

Robbie na verdade, era o único dentre os agentes que não estava presente, pois estava infiltrado no governo para conseguir informações sobre Oscar Fragoso e nos deixar sempre por dentro das ações dele. Parecia tudo muito fácil, até porque tendo um agente infiltrado no governo de Oscar, era como se tivéssemos um olho e um ouvido na vida dele e isso era de suma importância.

Passaram-se dois dias em que só analisamos questões sobre Oscar e sobre seu possível planejamento, até que finalmente foi chegada a hora de entrarmos de cabeça em uma nova missão.

- Hoje será o dia de ganharmos um corpo nessa investigação. – comentou Rony de Paula.

- E então, qual é o plano? – perguntou Mia.



- O plano é o seguinte... – disse Rony nos olhando e deixando um tempo em total silêncio. Ficamos ali encarando ele por um tempo que parecia ter sido de um minuto no mínimo, porém, deveríamos tê-lo encarado por no máximo dez segundos. Ficamos fitando seu olhar e aumentando a nossa tensão pela curiosidade de saber qual era o plano, até que então, Rony de Paula nos disse:

- O plano é com vocês.

- Como assim “com vocês”? – perguntei.

- Vocês devem ir até o círculo mais próximo onde Oscar costuma passar mais tempo de sua vida e então, desenvolverem sozinhos planos para conseguir informações concretas sobre quem ele é e como ele age. Temos que ter provas em mãos já que iremos lutar de certa forma contra o nosso próprio governo.

- Você está pedindo para que, simplesmente, nós todos vamos para onde quer que seja esse lugar ou a proximidade dele, em qualquer circunstância, sem nenhum plano de ação ou de recuo? – indagou Lucas.

- Sim... – respondeu Rony.



- O que você está achando que somos? – questionou Lucas em um tom mais alto.

- Primeiro eu sou o seu líder, segundo eu sou a voz maior aqui, então pode abaixando esse tom para falar comigo.

Lucas se mostrou tão furioso e acabou ficando impaciente. Pude perceber que ele mordeu sua boca disfarçadamente para não dizer ou fazer nenhuma outra bobagem.



- Rony... Tem certeza de que essa ideia pode funcionar? – perguntou Jasmine.

- Não. Eu não tenho ideia e nem preciso. São vocês que devem ter e criar ideias. São vocês que estarão na linha de fogo, não eu. Eu só preciso de informações para ajuda-los a pegar o nosso criminoso em especial e depois disso podemos voltar à ativa juntamente com o governo.

- Tem mudado assim tão de repente, Rony? – questionou Lucas, novamente.

Rony olhou dentro dos olhos de Lucas e tornou a falar.

- Vocês irão em grupo. Todos juntos, porém, depois de dois dias trabalhando em equipe, vocês terão que se separar. Ficará então uma dupla e um trio, conforme os números de agentes nessa missão. Analisando as habilidades de cada um, aconselho que a dupla formada seja de Pedro e Jasmine, e o trio seja composto por Lucas, Mia e Nicholas. Porém, cabe a vocês decidirem. Isso é só um conselho.

- E os armamentos? – perguntou Jasmine.

- Creio que cada um sabe onde fica. Vocês tem toda liberdade para pegarem o que quiserem. Contanto que não usem em desperdício. Estamos por conta própria, tudo é mais difícil quando estamos sozinhos e esse é o nosso caso agora.

O plano foi separado em grupo como deu pra entender, mas o local onde ficaríamos, nós não havíamos decidido com o Rony por perto. Quando saímos do nosso esconderijo conversamos sobre a nossa missão que parecia mais um suicídio, só que antes, esperamos o Lucas por pra fora toda a sua raiva, xingando o Rony de todo o tipo de palavrão que alguém possa imaginar. Depois de ele ter extravasado e se livrado de uma boa parte de sua raiva, nós começamos definitivamente a colocar estruturas no plano para que o mesmo desse certo.

- Oscar não mora longe do seu local de trabalho e esse pode ser o maior o perigo. – comentei.

- Como assim esse pode ser o maior perigo? Ter ele por perto não nos facilita as coisas? – perguntou Jasmine.



- Bem - comecei a esclarecer –, tê-lo por perto com certeza é muito bom, mas, com isso, temos os homens que trabalham para o Oscar na cola dele e isso sim é um enorme problema.

Parecia que pensar nessas coisas pra mim era muito mais fácil, talvez pelo modo de como eu agia antes de tudo isso, de como eu me infiltrava para eliminar um alvo qualquer e de como eu saia sem deixar rastro. Pensei também nos cuidados que eu tomava para não falhar em nenhuma missão dada a mim. Eles não pareciam pensar como eu, apenas ligavam fatos, mas não se imaginavam em cena em nenhuma ocasião, não presumiam algum imprevisto ou algum erro que eles mesmo poderiam cometer. Isso não era uma missão para todos e sim para alguém como eu. Eles não poderiam participar disso, é do Oscar que estamos falando e isso não pode dar errado. A primeira oportunidade que tivermos, temos que agarrar com unhas e dentes sem nem mesmo pensar duas vezes. É matar o Oscar ou matar o Oscar.

Passaram-se algumas horas até que finalmente chegamos no centro da cidade e lá resolvemos onde íamos ficar.

- Pois bem, se formos olhar melhor para o plano, o certo seria ficarmos todos totalmente separados, mas isso continuaria a ser um problema, já que estamos lidando com mais de uma pessoa. – comentou Lucas.

- Então o que você sugere Nick? – perguntou Mia olhando diretamente nos meus olhos.

- O que eu sugiro? – perguntei e logo em seguida, depois de ter visto que não havia mais jeito, eu falei. – Não temos que rodear o Oscar, temos que segui-lo em linha reta, ou seja, um grupo próximo dele e o outro distante o bastante para ver, aonde o Oscar pode estar indo. A cidade Central toda é o lar do Oscar. Qualquer lugar é colocado em sua posse, ele é um poder fenomenal por aqui e todos os cidadãos sabem disso. Temos apenas que seguir a sua trajetória, pois só vamos conseguir pega-lo, quando ele deixar que o peguemos.

- Ou seja, precisamos de uma brecha. – completou Lucas.

- Isso. Precisamos de uma brecha. Uma brecha que só mesmo o Oscar pode nos dar. – finalizei.



Decidimos então que Pedro e Jasmine ficariam em algum lugar mais próximo do Oscar, pois dois espiões poderiam chamar menos atenção, ainda mais sendo um homem e uma mulher, que poderiam fazer de conta que são um casal. Sobrou para Lucas, Mia e eu ficarmos com a parte distante, checando as rotas de saída do Oscar e esperando uma brecha dada por ele mesmo para o pegarmos. Foi assim durante dois meses. Apenas espionando, procurando saber o que Oscar está de fato, tramando para cima do pai da Alexis e procurando informações sobre alguma pessoa que possa estar fazendo esse jogo sujo, juntamente com ele.

- E então, vamos tomar café? – perguntou Mia.

- Vamos sim. – respondi deixando o notebook de lado e me levantando para ir tomar café com ela.

Ficamos em um café-bar bem próximo de onde estávamos hospedados. Lucas ainda dormia, pois havia ficado de olho nas notificações que Pedro e Jasmine mandava para nós, por e-mail, e então ele tirou o dia para ficar descansando. Mia era uma mulher de muitas feições e de uma beleza deslumbrante. Ao entrarmos no café-bar todos os homens, sem exceção, pararam para dar uma boa olhada para ela.

- Um café puro e um sanduíche natural, por favor. – disse Mia, fazendo o pedido dela a garçonete.

- Uma mulher tão bonita e elegante como você, fazendo um pedido tão simples pro café da manhã? – perguntei sorrindo.

- Pra você ver - disse com a sua sobrancelha direita arqueada –, como os homens são incapazes de nos entender. – disse e sorriu de lado.

- Hum. Quero um café puro e dois mistos quente, por favor. – falei enquanto a garçonete anotava o meu pedido.

- Ué. Um homem como você, pedindo misto quente? – perguntou Mia em um tom de ironia.

- Pra você ver, como as mulheres só pensam que entendem os homens. – respondi e automaticamente, o sorriso dela que estava de lado, se abriu por completo e me mostrou algo que eu realmente admiro em um rosto feminino.

- Você tem um lindo sorriso. – comentei.

- Você tem um olhar muito sedutor. – comentou Mia.

- Está insinuando que eu te seduzi? – perguntei com um sorriso no rosto.

Ela olhou para mim e arqueou as duas sobrancelhas, fazendo um careta que parecia me perguntar, “Será?”.

Alguns minutos se passaram, nos deliciamos com o nosso café da manhã, mas antes mesmo de acabar, algo inesperado aconteceu.

PAH!

- ISSO É UM ASSALTO! – berrou o ladrão. – TODO MUNDO COM AS MÃOS PARA O ALTO!

Entraram três homens mascarados aos berros no café-bar que estávamos. Deveria ser umas dez horas da manhã e o local já estava com uma boa clientela. No momento eu me perguntei o que bandidos queriam assaltando um café-bar pela manhã. O primeiro assaltante que chegou anunciando que era um assalto era alto e forte. Percebia isso por causa da regata que ele estava usando. O segundo assaltante, era magro e parecia ter usado drogas a poucos instantes, percebia isso pelos seus movimentos. Ele entrou apontando uma pistola na cabeça dos clientes que ali estavam, para causar pânico neles. O terceiro assaltante entrou e fez o mesmo, mas quando o primeiro assaltante mandou o caixa a passar todo o dinheiro que tinha ali, ele foi para a porta, ficar vigiando.

- Esses gostam de trabalhar cedo. – sussurrei para Mia e ela soltou um risinho. O segundo assaltando ouviu.

- Você tá rindo do que, dona? – perguntou ele se aproximando.

- Desculpa. – disse Mia.

- Você não tem medo de morrer não? Sua vadia!

- Ela já pediu desculpas. – falei.

- E você? É o Clark Kent por acaso? – perguntou.

- Pelo menos você não é como a maioria que só sabe falar Super Homem, você já... – ele me puxou pela gola da camisa e me levantou do meu assento. Naquele mesmo instante meu sangue ferveu, mas tentei controlar a situação.

- Calma ai amigo, só tentei dizer que você é inteligente. – falei calmamente.

- Eu sou sim muito inteligente! – disse ele se movimentando para um lado e para o outro. – ANDA LOGO COM ISSO AI, MERDA! – berrou para o primeiro assaltante.

- FICA CALMINHO AI! – berrou o primeiro assaltante de volta.

Olhei para a Mia e indiquei que eu ia pegar a arma do segundo assaltante, mas logo ela fez que não e me indicou a câmera de segurança que havia no local. No mesmo instante eu virei para o outro lado e me sentei novamente.

Droga, pensei. Se a câmera me pegar, o Oscar pode saber que eu estou por perto.

- TÁ TUDO CERTO, JÁ ESTAMOS INDO EMBORA, SÓ VÃO PASSANDO A GRANA PRA MIM O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL E NINGUÉM SAIRA MACHUCADO DAQUI! – berrou o primeiro assaltante para todos que ali estavam.

Ele foi recolhendo todo o dinheiro, enquanto o segundo assaltante ficava com a arma apontando para a cabeça de cada um que estava ali e o terceiro assaltante continuava vigiando a porta.

Tirei da carteira uma nota de cem reais e dei a ele, mas pelo visto ele não se contentou com aquilo e pediu o meu celular e relógio. Tirei o relógio do pulso e entreguei a ele. Peguei o meu celular e vi que eu ainda não havia trocado a foto do meu papel de parede. Ainda era eu abraçando a Alexis por trás em uma ponte sobre um lago que costumávamos ir, para fazermos o piquenique que a Alexis tanto amava.

- Não vai dar pra você levar o celular não. – comentei.

- Nicholas? – perguntou Mia enquanto me chutava por debaixo da mesa.

- Como é que é? – perguntou o primeiro assaltante.

- Não dá, cara, sinto muito. – falei.

- Você tá tirando uma com a minha cara né? – perguntou o primeiro assaltante. – PASSA ESSA MERDA PRA CÁ! – berrou e apontou a arma na minha cabeça, na mesma hora eu imobilizei a mão que ele segurava o gatilho e a girei fazendo com que ele soltasse ela na mesa.

Quando ele soltou a arma eu o chutei na barriga, na direção do segundo assaltante e peguei a arma que estava na mesa e apontei para o segundo assaltante. O terceiro assaltante virou imediatamente para a minha direção, puxando o gatilho da doze que ele segurava. Quando ele ergueu o braço direito para mirar em mim, eu atirei no ombro direito dele e depois no joelho e voltei a apontar para o segundo assaltante.

- Pegue as suas coisas e saia daqui. – falei.

- Vem cá, sua vagabunda! – disse o segundo assaltante puxando uma cliente do café-bar e a abraçando por trás, apontando a arma na cabeça dela. – E agora? Hein! Vamos lá Clark Kent!

- Você é realmente inteligente. – falei.

O terceiro assaltante realmente iria atirar em mim, mas o segundo não faria isso. Entrou naquele local apresentando uma movimentação muito ativa, ou seja, usou algum remédio para dar a ele a adrenalina necessária para encarar esse desafio, sem contar que gritava muito com os outros, sem motivo nenhum, apenas tentando intimida-los, para não perceberem o quanto ele estava nervoso e com medo. E um detalhe interessante, foi o que eu percebi de última hora.

BANG!

- Você esqueceu de destravar a arma, Lex Luthor. – comentei depois de ter dado um tiro no pé dele e depois um na coxa.

Só me restava atirar no primeiro assaltante, mas as pessoas já estavam desesperadas e a polícia chegaria a qualquer momento. O primeiro assaltante pegou as coisas deles e foi embora, deixando os outros dois sangrando no chão.

Todos começaram a correr dali e Mia e eu fizemos o mesmo.

- Que inteligente você! – disse Mia. – Agora estamos correndo sérios riscos de sermos vistos e a missão dar errado.

- Ele apontou uma arma na minha cabeça e eu já estava estressado. Fui treinado para eliminar um alvo, não para convencer ele a não fazer o que é errado. – respondi.

Mia parou e puxou o meu braço para que eu parasse também. Estávamos quase no nosso hotel quando ela fez isso. Parou e me encarou, olhando nos meus olhos.

- Eu me preocupei com você - e me deu um tapa no rosto. – Seu idiota!

- Não acredito que você fez isso...

- Me desculpa. – disse ela.

- Somos treinados para lidar com pessoas mil vezes piores que aqueles assaltantes, acha mesmo que eu não sabia o que estava fazendo? – perguntei acariciando o meu rosto.

Mia alisou a minha mão que acariciava o meu rosto e depois a apertou se aproximando de mim e me beijando.

- O que foi isso? – perguntei.



- Vocês realmente não entendem uma mulher. – disse enquanto voltava a me beijar.
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