Capítulo 7



– Acho que agora é uma boa hora para você voltar pra casa, amor – comentei.

– Agora você quer que eu vá, né? – perguntou Alexis mantendo sua sobrancelha arqueada.

– Bem – falei –, recebi uma proposta de emprego e eu aceitei. Irei ficar longe por um tempo.

Na realidade, o líder dos agentes secretos, Rony de Paula, me informou que encontrou um grupo que trabalha para o governo e que assaltam bancos. Eles tem com quase toda a certeza um apoio de Oscar e isso é um motivo para dizer que sim, há um emprego, sem precisar pensar.

– E você ia esperar o natal chegar pra me contar? – perguntou Alexis com desdém.

– Bem, amor, me desculpe, na hora eu percebi que era uma proposta irrecusável e meu fundo de garantia está acabando. Vou precisar de dinheiro a qualquer momento e não terei.

– Ah, seu fundo de garantia está acabando? É, faz sentido, dinheiro não dá em árvore e aqui no condomínio quase não tem.

– Claro que está!

– Bem, talvez seja realmente a hora de eu voltar pra minha casa. Assim você vai ter tempo de plantar pelo menos umas cinquenta árvores! – disse Alexis batendo a palma da mão sobre a mesa e se levantando.

– Calma, amor...

– Mas quem está se exaltando aqui é você. Mas não faz mal não... Não faz mesmo. Ainda mais agora que você não precisa de mim, né, docinho? – falou ironicamente, enquanto dava de ombros para a minha presença.

Alexis andou apressada até o nosso quarto, pegou a minha toalha e entrou no banheiro para tomar banho. Foi na verdade o banho mais rápido que uma mulher pode ter tomado, não durou nem dez minutos e ela estava saindo do banheiro enrolada na toalha. Tentei pegar no ponto fraco dela e me encaminhei para o quarto. Ao chegar na porta, abri-a lentamente e sem que ela percebesse eu fui entrando. Ela vestiu uma calcinha preta e com detalhes rendados que eu havia dado pra ela no nosso décimo terceiro mês juntos. Pôs uma calça jeans e se virou para pegar o sutiã, e então me viu.

– Amor... – falei colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.

Ela me deu um tapa na mão e me empurrou para o lado e continuou se vestindo. Colocou uma camisa enquanto estava de costas para mim. Lentamente fui me aproximando dela e quando cheguei bem próximo, beijei sua nuca, pude sentir na mesma hora seu pelos se eriçarem. Ela adorava isso e não resistia. Peguei na sua cintura e a virei para mim me aproximando de seus lábios, e quando eu a beijei, ela me empurrou para trás com força e deu um tapa no meu rosto.

– Você vai superar, já vivia sozinho antes de mim. Quem sempre viveu na solidão, mesmo que um dia arrume companhia, no fundo ainda sabe viver só.



Aquelas palavras acabaram no mesmo instante com qualquer tipo de pensamento de que tudo ia ficar bem. Alguns minutos depois Alexis saiu do meu apartamento batendo a porta com força depois de ter dito alto e claro.

– Adeus!

Depois do pesadelo que eu tive com o homem que me perseguiu na última vez, fiquei mais preocupado em ter Alexis morando no meu apartamento. Sei que já se passaram bastante tempo desde que ela veio para cá, porém, se ainda continuar aqui, pode ficar pior. Se ela continuar aqui, pode acontecer o que aconteceu no meu pesadelo e isso seria fatal. Isso com certeza traria mais mortes para a minha vida, inclusive a minha.

– Brigou com a namorada Nick? – perguntou a filha da minha vizinha, Alice, ao me ver sair do

apartamento.


- Deu pra ouvir é? – perguntei sorrindo.

- Ah vai, não fica assim. – disse Alice se aproximando. – Ela não te merece, Nick – Alisou meu braço –, você merece alguém que cuide bem de você. – falou tirando o pirulito que estava na boca e me dando um beijo no rosto.

– Pode deixar que vou procurar alguém melhor – falei e sorri segurando levemente seus braços –, e de preferência, bem longe daqui. – pisquei para ela e fui para a rua chamando um taxi. Quando um parou, eu entrei e pude ver que a Alice, ficou me olhando com um olhar de decepcionada e com um pouco de raiva, por eu nunca dar uma chance a ela. Deveria desistir, pois nunca terá essa chance.

Pedi para que o taxista me levasse até a cidade alta, chamada Clavarral, onde eu havia deixado meu carro para despistar o meu perseguidor. Ao chegar no parque, onde eu havia deixado meu carro, pude ver que ele estava destruído em meio a um bairro nobre. Com certeza foram os amigos do meu perseguidor. Fui até o meu carro destravando o alarme, pedi ao taxista para que me aguardar um pouco, pois eu voltaria para o taxi. Ao chegar no carro, olhei pela janela se as rosas estavam ali e estavam, porém toda despedaçada.

- Me leve para Mercur, por favor! – pedi ao taxista que com prontidão respondeu que sim e me levou imediatamente para Mercur, lugar onde os agentes secretos estavam escondidos observando tudo e todos, inclusive o meu querido inimigo, Oscar Fragoso.

Três horas depois de sair de Clavarral, eu havia chegado em Mercur e pedi ao taxista que parasse uns dois quarteirões antes do esconderijo dos agentes. Desci do taxi e paguei ao taxista, agradeci e peguei um cartão dele, para o caso de eu precisar novamente dos seus serviços.

Andei por alguns minutos até que finalmente, cheguei na nossa base secreta. Entrei e de cara vi o Lucas jantando sozinho na cozinha.

– Boa noite. – falei, cumprimentando-o.

– E aí, Nicholas, tudo bem?



– Tudo sim. Onde estão os outros? – perguntei.

– Sei não, quer comer alguma coisa? Aproveita que ainda está quente. – disse Lucas apontando para o fogão que continha três panelas.

- Com certeza, estou cheio da fome.

Me sentei ao lado de Lucas para jantar e começamos a conversar sobre coisas que nunca mais tinha parado para falar, desde... Nem sei qual foi a última vez que toquei nesses assuntos. Alguns minutos depois chegaram Mia e Rony na base secreta e assim que Rony me viu, acenou e apontou com a cabeça para o escritório dele, indicando que eu deveria ir lá para conversarmos em particular.

Terminei minha refeição e então fui até o escritório do Rony para conversarmos.

– Boa noite Nicholas.

– Boa noite Rony.

– Como eu havia lhe dito, descobrimos coisas que podem nos levar até o Oscar.



– Sim, um grupo que age para fazer assaltos, mas Oscar agiria de uma forma tão baixa assim? – perguntei.

– É o que estamos desconfiando. Deve ter alguma coisa por trás desses assaltos.

– E o que poderia ser, você tem algo em mente?

– Não ainda. – disse Rony coçando o queixo. – São só essas as informações que temos. Que esses ladrões tem algum envolvimento com o Oscar, mas isso não nos dá uma ideia sequer do que o Oscar estaria planejando fazer com essas atitudes.

Parei e analisei. Oscar sempre pagou assassinos para matar seus adversários em questões de poder. Sempre limpou a parte boa do governo para que ninguém entrasse no seu caminho. Isso descartaria a possibilidade de que ele está roubando para aumentar seu patrimônio, pois, dentro do governo, ele é o poder. Pode muito bem burlar qualquer tipo de movimentação de dinheiro para a sua conta, sem que ninguém perceba ou o impeça de realizar tal desvio. Outro fator importante é que ele poderia roubar os bancos sem fazer nenhum alvoroço, simplesmente ir lá e pegar o dinheiro do banco que o seu governo, tem domínio. Ele não precisa de fazer assalto e muito menos chamar a atenção das pessoas. A grande questão é...

– Para que o Oscar está roubando dinheiro dos bancos? – perguntei para mim mesmo.

Minutos depois criando variados tipos de possibilidades, me veio a pergunta.

– Alguém sabe que o Oscar tem algum envolvimento com esses assaltos?

– Não, essa informação é extremamente confidencial. Foi um dos nossos que conseguiu essa informação e, mesmo assim, porque se infiltrou no governo disfarçadamente.

– Quantos bancos sofreram assaltos por esse grupo?

– Três. – respondeu Rony tentando imaginar o que eu estaria pensando.

– Qual o nome do banco do centro da cidade? – perguntei olhando fixamente para Rony.

- Banco Central. – respondeu Rony sem entender nada.

A cidade de Truly não é muito velha, então provavelmente o dono do Banco Central seria descendente do fundador deste patrimônio. Poderia ainda estar vivo, e isso me fazia pensar em uma possibilidade de que tal pessoa poderia estar sendo jogada em uma armadilha suja de Oscar. Mas o pior seria se Oscar usasse a filha do descendente do fundador de tal patrimônio, para chantagear ou matar, como um sinal de que as coisas poderiam piorar.

– E quem é o fundador deste banco central?

– Fillipi Burton Cartney – disse ele.

Não pode ser, pensei. Esse é o pai de Alexis.
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