Floresta Vermelha – Parte 2

- Ma... Mãe...! – a garota apontou para mim e tentou falar gaguejando de boca aberta, abraçada à mãe no canto da cabana. A pouca luz mostrava apenas que ambas estavam só com a roupa do corpo.

A menina estava com uma roupa um pouco mais pesada, cheia de peles e uma boina maior que a cabeça dela, essa que ficava caída para trás, e em seu pescoço estava enrolado um cachecol muito bem feito e trançado, alternando entre roxo e branco. A mulher estava perplexa e não iria conseguir falar uma palavra enquanto a filha tremia em seus braços.

- Senhora – falei para ela tentando passar um tom de voz que não assustasse.

A mulher engoliu em seco e a menina parou de tremer.

- Pelo visto me entende – voltei a falar .– Não vou machucar a senhora, e nem a sua filha – falei para ela, de pé na frente das duas.

- Ah… – falou a garota me olhando praticamente sem piscar.

- Eu... – começou a faltar as palavras devagar a mulher – Obrigado... senhor...? – tentou falar ela.

Lobo... Tire-as daqui de dentro... Eu lhe peço...” Ouvi em minha mente.

- Então... – tentei puxar assunto – Por que as moças estão aqui dentro...?

- Nós... estávamos fugindo da vila que moramos... – começou a falar a mulher, mais calma.

- Meu pai morreu... – falou a menina largando da roupa da mãe – Estávamos fugindo da vila para ir a outro vilarejo... Encontrar o meu irmão que estava lá casa de minha tia... – a garota se aproximou de mim, tocando o pelo negro de meu corpo que ficava exposto por usar apenas uma calça e uma jaqueta verde.

- Mãe! – exclamou a menina ao me tocar. - Ele é um Lobo mesmo! – falou ela com um sorriso no rosto.

- Faz anos que não se vê um lobo nessa floresta... Mesmo um que... – relutou por um instante mas falou mais tranquila – Ande sobre duas pernas. Ou patas – disse a mulher sem saber o que fazer.

- Entendo – falo para ambas com um sorriso discreto para não mostrar os dentes.

Em seguida a cabana tremeu levemente, sem que as mulheres percebessem.

- Desculpem-me... mas acho que as moças sabem do perigo lá fora... certo? – pergunto olhando para a mulher e fazendo uma leve caricia na menina que perdeu o sorriso.

- Sim... corremos para esta cabana por que não conseguimos sair mais cedo do vilarejo... – comentou a mulher em voz de tristeza – Foram eles que destruíram a nossa vila... E mataram o meu marido, junto com outros homens...

Segurei a alça da minha mochila no meu ombro por um instante enquanto penso, sendo chamado pela mulher.

- Senhor... Lobo – me chama a mulher.

Eu a olho, vendo um brilho de esperança em seus olhos.

- Sim? – respondo a ela.

Minha mãe sempre me disse que lobos são animais especiais da natureza, capazes de viverem sozinhos ou juntos, mas que cada um tem o seu tempo para ambas as coisas... – ela fez uma pausa e voltou a falar – Eu olhando para o senhor... lembro-me de minha falecida mãe... e confiei nela, sempre... – fez outra pausa - Por favor... cuide de minha filha! E a leve para o outro vilarejo em segurança! – exclamou ela para mim em pedido.

CONTINUA NA PARTE 3
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