Capítulo 5


- Você tem certeza que vai sair com outro cara? – perguntei em um tom suave.

- Ainda não tenho nada que me prenda aqui para eu não querer sair. – respondeu Alexis mordendo meu lábio inferior.

- Então eu vou de dar um motivo. – falei, pegando-a pela cintura e a abraçando forte. Alexis envolveu suas pernas em mim e a levei para o nosso quarto.

Deitei por cima dela em nossa pequena cama e fui tirando tudo que ela havia colocado em seu corpo. Depois de uns minutos já nos víamos suados e em meios a suspiros longos e profundos. Alexis já estava toda descabelada, o que eu gostava e minhas costas, pareciam ter sido pista pra corrida de cachorros de tantos arranhões. Depois de um pouco mais de uma hora de puro amor, eu fiquei deitado apenas olhando para ela e ela fazendo o mesmo.

- Porque chegou tão tarde ontem? – perguntou Alexis.



- Se eu te contasse, não acreditaria em mim. – falei abaixando os olhos.

- E porque não tenta?

- Não posso, amor.

- Estava com outra? Percebi quando eu disse que eu iria sair, o seu ciúmes. Pensei que fosse fazer alguma loucura ou algo do tipo.

- Não, - falei franzindo a testa. – Eu não estava com outra amor. Só fui fazer umas coisas.

- Tipo... O quê? – perguntou Alexis se mostrando um pouco triste.

- Tipo... Coisas, amor.

- Você não me ama mais, então?

- Eu te amo, amor, e não precisa duvidar disso. – falei e acariciei seu rosto.

Continuamos quietos, apenas olhando um ao outro pelo silêncio daquela tardezinha pacata. Ela foi a primeira a fechar os olhos e consequentemente a primeira a dormir, mas eu não. Eu demorei um bom tempo para dormir. Isso não foi um problema porque ficar olhando aquele belo rostinho, bem próximo ao meu, era incrível. Era mágico, tudo perfeito. Ela era perfeita, mas eu não podia contar a ela o verdadeiro motivo de eu ter chegado tarde em casa. Ela acreditaria em mim, pelo menos eu acho que sim, mas eu poderia deixá-la com medo e poderia ser ruim para ela. Quero dizer, com certeza seria ruim, quem gostaria de viver com medo? Mais o pior de tudo, ela poderia querer me deixar, só pra não correr mais perigo.

Porque estou me atormentando com isso? Não houve nada, pensei.

Comecei a lembrar daquele cara me espionando em frente a floricultura. Melhor dizendo, me encarando, porque aquilo não era espionagem, ele parecia realmente querer me mostrar que eu estava sendo vigiado. Parecia querer me intimidar ou sei lá, me dar algum aviso. Só que aquela perseguição... Eu não me importei em saber se ele morreu ou não, mas eu estou começando a ficar mole demais com os sentimentos. Estou deixando eles me dominarem. Eles não querem sair de mim, ou pior, eles estão aumentando cada vez mais. Eu aprendi a não ter fraqueza, eu aprendi a não ter medo, raiva, alegria, esperança, fé, coragem, eu só era um robô humano nas mãos de uns miseráveis que me enviavam para assassinar pessoas que nem sempre era ruins, e sim...

Inocentes, pensei enquanto limpava o meu suor. Eu estava todo suado, meu coração estava totalmente acelerado e eu não sabia o que era aquilo ou aquele... Aquele sentimento que estava me dominando, aquele sentimento que estava me deixando com o peito dolorido de tanto receber fortes batidas.

Me levantei e fui ao banheiro lavar o rosto. Olhei no espelho a face de um homem desesperado e sem saber o que fazer.

- Você tem algo a perder. – falei me encarando no espelho.

Eu tenho algo a perder. Finalmente agora eu tenho uma vida boa, tenho um lar, um lugar para todo dia eu voltar, tenho um colo todas as noites para deitar, tenho uma boca todos os dias para beijar, tenho uma amiga que em tudo eu posso confiar, tenho um amor que me faz querer cada dia mais ser melhor, tenho uma namorada que é a mulher com quem eu quero me casar.

- Vá salvá-la. – disse o meu reflexo... Ou eu. Agora eu estava ficando um pouco assustado. Eu posso garantir que não abri a boca, mas o meu reflexo disse algo. Disse para eu ir...



PLAT!

Arregalei os olhos ao ouvir um barulho estranho passando pela sala. Abri a gaveta do armário que tem no banheiro, procurei por alguma coisa com que eu pudesse nos defender, mas eu não encontrava nada. Pente, escova de dente, creme dental, papel higiênico... Não tem nada...

- Vai ser com você mesmo. – falei olhando a toalha da Alexis que ela havia deixado no boxe.

Peguei a toalha e a enrolei dando várias voltas nela própria e segurei cada ponta com uma das mãos. Aquilo seria a única maneira de uma suposta defesa. Eu simplesmente poderia enforcar quem quer que esteja invadindo a nossa casa.

Abri lentamente a porta do banheiro deixando uma brecha para que eu pudesse olhar. Não vi ninguém ali então continuei abrindo devagar a porta. Quando eu a abri quase que por completo eu recebi um chute no meio do peito que me fez cair no chão quase que imediatamente.

- Vá pegar ela enquanto eu pego esse aqui. – disse o cara com uma máscara cobrindo o seu rosto.

O outro passou logo atrás dele, também com o rosto coberto por uma máscara e indo em direção ao meu quarto. Indo em direção a Alexis.

- ALEXIS, CORRE! – berrei enquanto eu me levantava e atacava o miserável.

Não ouvi ela me responder ou se quer algum sinal de que ela havia acordado, mas aquele cara não me deixou perder o foco nele, nem por um segundo.

- Está achando que vai conseguir me bater? – perguntou o homem mascarado me socando no rosto. Eu caí e me levantei novamente tentando um golpe de sorte. Atirei minha mão direita com toda a força no rosto dele, mas ele conseguiu esquivar. Eu nunca me senti tão lerdo na minha vida. Eu estava fora de forma e muito fraco. Levei um soco na barriga que me fez cuspir sangue, mas o pior não foi isso.

- NICHOLAAAAAS! – berrou Alexis do quarto. – AAAAAAAAAAH!

- AMOR, NÃO! – berrei enquanto eu me levantava e empurra o homem contra a parede. Finalmente eu parecia ter ganho uma. Consegui chegar até o corredor e pude ver o outro homem puxando a Alexis pelos cabelos. Ela estendia as mãos para mim e eu estiquei as minhas mãos para ela.

- Nick... – disse Alexis em prantos e desistindo de se soltar das mãos daquele desgraçado.

Eu recebi um soco no rosto, e só pude ouvir um berro da Alexis dizendo não. Quase perdi os sentidos por completo e desmaiei. Acho que faltou pouco para isso, mas eu me encontrava no chão com um rasgo um pouco acima do meu olho direito, com que me fazia enxergar ainda menos.

- Não tenha medo, amor - sussurrei para a Alexis com dificuldade.

Recebi um chute na barriga e pude sentir minha boca colocando sangue pra fora. Me senti sendo levantado, e então um soco na minha boca, e o chão voltou a ser meu companheiro de dor. Senti minha cabeça sendo pressionada contra o chão e ao perceber, era o homem com máscara pisando na minha cabeça.

Tentei me levantar e dessa vez eu não fui impedido, mas também não tinha forças para lutar. Olhei para o homem que estava segurando a Alexis. Olhei para a Alexis, que estava de joelhos soluçando de tanto chorar e tapando os seios, pois fora arrancada da cama sem mais nem menos. Só estava vestida na parte de baixo, e isso me fulminou com mais ódio ainda.

- Você vai morrer por ter visto ela nua. – falei enquanto eu tentava não rir.

- Eu também a vi nua. – falou o homem que estava a minha frente.

- Então você também vai morrer. – falei em um tom tão sério que ele tentou me socar imediatamente tentando me atordoar novamente, só que desta vez eu consegui desviar e logo em seguida, dei uma cabeçada nele. Só que ambos sentimos dor, e logo depois ele me socou o estomago e segurou minha cabeça, batendo-a contra a parede, mas não me soltou.

Ele me olhou fixamente nos olhos e tirou a máscara do seu rosto. Era o mesmo cara que estava na floricultura me encarando... Mas aquilo era impossível. Ele deveria ter morrido ou pelo menos estar muito machucado e ele não aparenta ter nenhum arranhão.

- Você achou mesmo que iria ficar em paz e ter uma vida bonita e duradoura? Achou mesmo que nós íamos te deixar em paz? Achou? – disse e novamente me socou no rosto. – Seu monte de merda, você é um burro!

- Só de... Deixe ela em paz... Por... Por favor.

- Deixar quem em paz? Ela? HAHAHAHAHA.

Enquanto ele gargalhava a Alexis ficava ainda mais amedrontada. Olhei para ela e ela me olhou. Pude perceber o medo que ela sentia em seus olhos. Pude ver a dor que ela sentia em seu pavoroso medo saindo pelos seus lindos olhos. Suas lágrimas, suas incontáveis lágrimas me faziam querer desistir da vida para que eu não pudesse ver aquele sofrimento. Eu não queria e não podia vê-la sofrer.

- Olhe só para você Nicholas Forbes. – falou me soltando o homem que estava me perseguindo. – Está fraco. Fora de forma. Entregue aos seus sentimentos e olha só... Você tem uma fraqueza e é uma fraqueza bem bonita, vamos concordar. – disse olhando para Alexis e ele estava certo. Ela era a minha fraqueza.

- Deixe... Ela. – falei de novo.

- Nicholas, lembra quando começamos a fazer esses trabalhos... Como eu posso dizer... Eliminadores de alvos? É, gosto desse nome. Então, você lembra que antes de começarmos a eliminar os nossos alvos, nós fomos treinados para não sentirmos nada, porque não podíamos ter uma fraqueza. – disse puxando minha cabeça para trás para que eu pudesse olhar nos olhos dele. – Então como é que você vem me pedir para deixar ela ir? ELA É A SUA FRAQUEZA!

- Nick... – sussurrou Alexis esticando novamente as mãos para mim.

- Você sabia que o seu amor é um assassino de aluguel? Foi ele quem matou sua melhor amiga! – disse o meu perseguidor para a Alexis. – Ele aceitou ficar com você para tentar desfazer isso, mas ele sempre soube que isso era impossível e que mais cedo ou mais tarde, você estaria em perigo por causa dele.

A Alexis me olhou com os olhos arregalados. Parecia me perguntar o que ele queria dizer com aquilo tudo. E ele continuava a dizer todas as coisas que eu já havia feito e então eu pude ver uma certa decepção em seus olhos.

- É verdade isso Nick... Você matou... Você matou a Elisa? – perguntou a Alexis me olhando com os olhos ainda arregalados e incrédula com o que estava ouvindo.

- Amor...

- Matou ou não matou? – perguntou me olhando séria.

- Eu fui... Eu fui obrigado. – respondi tentando conter as lágrimas que estavam prestes a rolar.

- Como assim você a matou, Nicholas? Como você teve essa coragem? Como você pode ter ficado comigo mesmo sabendo que eles iriam vir atrás de você? O que você queria comigo? Me matar? Porque você ficou comigo? Porque entrou na minha vida Nicholas? Porque você me deixou te amar? Quem iria querer amar alguém como você? ME DIZ!?

Eu não sabia o que dizer e não tinha mais forças para conter minhas lágrimas.

- Me perdoa... Me perdoa...

- Eu não te perdoo! Eu nunca vou te perdoar! Eu te odeio Nicholas, eu te odeio!

- Você está vendo o que você fez, Nicholas Forbes? – perguntou o homem que me perseguia e provavelmente é um assassino mandado pelo Oscar. – Sabe o porquê eu estou aqui Nicholas?

- Porque? – perguntei em prantos.

- Porque você não pode ter uma fraqueza. – falou ele com um ar mistério.

- O que você vai... – tentei falar, mas ele me impediu tapando minha boca e fazendo sinal de silêncio com a mão.

- Alexis, você se tornou a fraqueza dele e ele não pode ter fraqueza. Você vai ter que morrer. – falou para Alexis. – Você me entende, não entende?

- Eu não quero morrer... – falou enquanto chorava.

- Mas vai ter minha querida. O culpado foi ele. Somente ele.

- Tudo bem, mas eu quero que ele veja. – falou Alexis.

O homem que a segurava a colocou de joelhos na minha frente, face a face comigo. Eu estava sentado no chão encostado na parede, sem forças para fazer mais nada e chorando feito um bebê e ela ajoelhada olhando nos meus olhos e por incrível que parece, não estava mais chorando. Seus olhos me diziam o quanto ela me odiava e depois eu pude ouvir isso.

- Eu te odeio. – disse Alexis olhando dentro dos meus olhos.

- Aprenda com isso Nicholas, que você sempre será um assassino.

Ele colocou a arma na cabeça dela e eu tentava me mover, mas era impossível. Parecia que eu estava amarrado em alguma coisa e meus braços não se moviam de forma alguma. Alexis começou a berrar dizendo:

- Isso é sua culpa! Minha morte é sua culpa! Minha morte é sua culpa! Minha morte é sua culpa!

BANG!

- NÃÃÃOOOOOOOOO! – berrei ao ver ela cair no chão, morta e então eu fechei os olhos.

- Amor? Acorda amor! – sussurrou alguém que eu não conseguia saber quem era.

Eu abri os olhos lentamente e vi o rosto da Alexis bem a minha frente, ela acariciava o meu rosto e tentava me acalmar. Quando percebi, pude ver que aquilo era um pesadelo, e que ela estava viva. Eu a abracei tão forte, mas tão forte que ela mesma estranhou e então eu a beijei.

Beijei-a intensamente e logo após eu disse:

- Eu te amo e prometo te proteger de tudo de ruim que vier aparecer em nossas vidas. Eu estarei do seu lado pra sempre amor, porque você é o meu primeiro e único amor.



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