Capítulo 3


Já era quase noite quando cheguei em Truly, parei em frente à minha casa e vi que tudo estava escuro, pensei em ligar para a Alexis perguntando se ela dormiria aqui de novo, mas eu acho que eu já sabia a resposta. Se em quase dois anos ela está dormindo aqui, porque hoje seria diferente?
- Boa tarde senhor Forbes. – falou me cumprimentando a filha da vizinha, Alice, jogando um olhar com ar de sedução.



- Boa tarde querida Alice. – cumprimentei em um simples sorriso, ignorando por completo o seu olhar sedutor.
- Hum... Que sexy. – disse Alice mordendo os lábios e me encarando.
- Minha mulher sempre diz isso. – falei e sorri.
Dei as costas e subi as escadas para entrar no apartamento. Ao chegar no meu apartamento, joguei as chaves do carro em cima da mesa da sala e fui direto para o quarto. Entrei no meu closet e entrei para o meu escritório secreto. Adicionei algumas coisas a minha lista de mistérios e escrevi no meu diário como foi ter conhecido esse grupo secreto. Sim, tenho um diário que poderia ser chamado o diário de um espião. Contém todas as informações de assassinatos que eu já fiz e de quem me pagou para assassinar. Adicionei os nomes dos integrantes do grupo de espionagem a uma nova lista, somente para esse caso. O que quer que fosse, um dia meu diário poderá ser encontrado, eu só espero que caia nas mãos certas, porque se cair na errada, tudo pode estar perdido.

Alexis, pensei.

Eu e Alexis estávamos tão próximos e eu queria mudar mais para que ela ficasse mais contente comigo. Teve uma vez em que fomos ao cinema ver um filme de terror e eu gritava mais que ela, e eu não largava e não parava de apertar aquelas mãos macias. Quem vê assim não imagina que eu já matei alguém. Só que quando eu estou com ela, eu quero a proteger e ser protegido. Não meço esforços em agrada-la e não consigo ser duro perto dela, eu sou totalmente aberto. Tudo o que eu vivo com ela é intenso. Até nossas fotos eu fico olhando o tempo todo e não me canso de vê-las. Não mesmo, porque nelas estão contidas o sorriso mais lindo desse planeta.
Voltei para o meu quarto e abri a janela para ver se Alexis estaria chegando ou não. Felizmente ela não estava por ali, então eu resolvi sair para comprar algo para ela. Fazia tempo que eu não a presenteava.
Peguei as chaves do carro e novamente sai de casa. Fui até o centro da cidade em uma floricultura que tinha por ali. Era pequena, mas bastante arrumada e a flor que Alexis mais gostava era a que mais cheirava naquele lugar.
- Boa tarde Tom! – cumprimentei o senhor que era o dono da floricultura. Nos conhecemos a quase dois anos, quando comecei a comprar as lindas turquesas que a Alexis gostava tanto. Ele me parou uma vez e disse que a jovem que conquistou o meu coração, me mudou para melhor.
- Olha só meu querido Nicholas, quanto tempo! Como você está? – falou me cumprimentando o senhor Tom.
- Estou ótimo. Vim comprar uma turquesa para a Alexis como de costume.
- Ora, demorou a vim aqui de novo. Achei que tivesse perdido o encanto.
Eu sorri e ele deu um tapa em minhas costas.
- Não foi isso, ela não para de me encantar. Foi... Falta de tempo.
- Huhum, eu sei muito bem da sua falta de tempo. – falou enquanto ia atrás do balcão pegar um pedaço de papel para enrolar em uma turquesa. – Quando você entrou por aquela porta, pela primeira vez, eu me perguntei o que você estava fazendo aqui. Pois sua feição era pior do que a feição de alguém que vem comprar flores para levar a um túmulo de um ente querido. – continuou caminhando até aonde estavam as turquesas. – Mas da segunda vez que você veio aqui, eu notei algo diferente, porém, só na terceira vez eu pude perceber. Você havia encontrado a felicidade. A jovem que tirou aquela feição de você, te curou de um mal muito grande meu jovem. – eu apenas assenti enquanto ele enrolava o papel na turquesa e em seguida, me entregou. – Peça ela em casamento logo!
Eu olhei sério para ele buscando saber se ele estava ou não brincando comigo, mas quando eu percebi que ele falava sério, eu não consegui fazer outra coisa a não ser sorrir e dizer:
- Claro.

Ao sair da floricultura, parei na porta do meu carro e observei um homem do outro lado da calçada. Ele usava uma camisa social branca com gravata e calça social preta e como complemento ele tirou um óculos escuro do bolso da camisa e pôs no rosto.
Entrei no carro e continuei observando ele que continuava parado olhando fixamente para dentro do meu carro. Peguei meu celular e disquei o número de Alexis, mas foi em vão, caiu direto na secretária e então não tive outra alternativa, a não ser ligar para o Rony e perguntar se ele havia mandado alguém me vigiar.
- Não, porque eu faria isso? – perguntou Rony indignado.
- Tudo bem, não quis te acusar de nada. Só quero saber o que aquele fantasma está fazendo parado olhando diretamente pra mim?
- Nos dias de hoje, ele pode ter gostado de ficar te olhando. – comentou.



- Não. Ele está me seguindo.
Desliguei imediatamente o celular, ligando o carro e engatando a primeira marcha. Acelerei o suficiente para mostrar que eu estava suspeitando de estar sendo seguido. Pelo retrovisor, pude ver ele pegando um celular e entrando em um carro do outro lado da rua e ao olhar para minha frente, um carro apareceu do nada e parou. Foi num piscar de olhos e por muito pouco, mas eu consegui desviar dele. Acelerei mais ainda e quando dei por mim, eu já estava a mais de 80 quilômetros por hora em uma rua com velocidade máxima para 60 quilômetros por hora.
Se eu for pra casa eu ponho a vida da Alexis em perigo, pensei. Tenho que despista-los.
Peguei a quinta avenida e acelerei ainda mais. No fim da avenida, pelo retrovisor eu pude ver o carro com o mesmo cara que me encarava em frente a floricultura. Ultrapassei alguns carros e bem a minha frente tinha um caminhão bem alto, se aproximando estava o meu perseguidor. Eu precisava de uma arma, mas não tinha nenhuma.
- É hora de ação. – falei.
O homem que me perseguia, colou seu carro no meu. A nossa frente estava o grande caminhão, e a pista ao lado era contra mão. Ele tentou me jogar na pista contrária, mas eu consegui reverter a situação e em um estilo bem ousado, eu abaixei o vidro do carona e olhei bem nos olhos dele. Sorri e acenei.
- Até, otário! – falei bem alto e sorri.

Freei girando o meu carro em cento e oitenta graus, fazendo com que a traseira do meu carro desse um impulso ainda maior no carro do perseguidor, automaticamente, dando a ele a traseira do caminhão para dar um beijo e eu vi tudo, pelo meu retrovisor.

Sai da cidade e isso já era mais de sete horas. Deixei o meu carro em um parque, em uma cidade alta chamada Clavarral. De lá tive que pegar um ônibus de volta para casa. Dia cansativo e tanto. Peguei meu celular e disquei o número da Alexis, mas dessa vez meu celular descarregou. Nem deu tempo de tocar uma vez para mostrar a ela que eu tentei ligar e avisar que chegaria um pouco mais tarde hoje. Apesar de não querer nem chegar em casa.
- Ponto final senhor! – disse o cobrador me chamando para que eu acordasse.
Dormi por algumas horas e pelo visto, passei do meu ponto. Terei que andar alguns minutos até em casa, mas tudo bem, o pior já passou, ou pelo menos parece que passou.

Quarenta minutos depois eu já podia avistar minha casa, com a luz da sala acesa, com certeza era Alexis vendo filmes e me esperando. Foi ai que eu lembrei que havia esquecido algo dentro do carro.

As turquesas, pensei.

Abri silenciosamente a porta de casa, e lá estava ela deitada no sofá em um sono profundo enrolada na coberta. Fui direto para o banheiro e tomei um bom banho. Aproveitei para fazer a barba, pois já estava crescendo e isso incomodava a Alexis um pouco. Fiquei olhando meu rosto no espelho e analisei minha feição. O dono da floricultura, o senhor Tom, tinha razão. Meu rosto não tinha vida e depois que eu conheci a Alexis, minha feição mudou completamente.
Sai do banheiro e voltei para a sala. Desliguei a televisão e acariciei o rosto de Alexis. Passei meus braços por baixo dela e a peguei no colo e então, a levei para o nosso quarto. Coloquei Alexis na cama e deitei ao lado dela. Abracei ela por trás e colei meu rosto no dela. Alexis passou a mão no meu rosto para sentir se estava com barba ou não, e então eu a beijei e apaguei colado ao seu corpo.
Reações: