RENEGADOS
Capítulo 10
A invasão dos berrantes
de Lucas Gomes

Os berrantes entraram no prédio, mas ainda encontravam uma dificuldade para subir. Por sorte estava de dia, e pro nosso azar, isso não clareava muito as coisas dentro do prédio, o que fazia com que os berrantes não fossem tão lerdos assim.

- Para onde nós iremos? – perguntou uma mulher saindo do seu quarto.

Cadê o Adam, droga, pensei

- Estamos encurralados, - disse Adam finalmente aparecendo e infelizmente trazendo uma ótima notícia. – só temos como opção o terraço.

- Como assim o terraço? – perguntou um senhor.

- A parte de trás do prédio, é quase colada no outro prédio que está atrás daqui. Ele estava sendo construído, mas a parte próxima ao prédio já está pronta, então dá para irmos por lá e sair por trás. A cerca protege aquela área, para eles nos alcançarem, terão de ser espertos o bastante para dar a volta e fortes o bastante para derrubar aquela cerca a tempo.

- Parece que não temos alternativa. – comentei.

Pegamos o que deu para pegar em menos de cinco minutos. Todas as pessoas que estavam ali foram correndo para o terraço. Ao certo, o número de pessoas ali, eram quarenta e oito, mas como James foi embora há pouco tempo, creio que eram no total, quarenta e sete, ou seja, muita gente.

- Pessoal, vamos ir juntos para o terraço. Pode ser? – perguntei.

- Por mim tudo bem. – disse Ellen.

Todos concordaram, então esperamos um pouco a maioria passar pela escada e então a subimos. Ellen, Lucca, Deanna, Jacob, Lavigne e eu. Esse era o grupo formado para sair e encontrar os outros. Subimos a escada correndo, Lucca apesar do ferimento ainda estar cicatrizando, não me parecia afetado a indisposição. Muito pelo contrário, Lucca estava muito bem com a sua recuperação.

Ao chegar ao terraço, fomos direto para a parte de trás dele. Passamos por uma porta em uma grade, que eu nunca tinha visto ali. Foi então que eu vi pela primeira vez o prédio que estava sendo construído na parte de trás e era como o Adam havia dito. A parte do prédio que ficava próxima ao nosso prédio estava pronta, só o outro lado que ainda estava em construção, mas com a situação de berrantes a solta, a construção deve ter parado há um ano ou um pouco menos.

Fomos para a beirada do prédio e vimos à ponte improvisada que Adam havia feito. Era de ferro e continha umas barras que ajudava a evitar que uma pessoa caísse. Dava apenas para passar um de cada vez. Preferimos deixar os mais velhos passarem primeiro e a decisão, por sorte foi bem aceita, mas como sempre ele tinha que aparecer para atrapalhar em alguma coisa.

- Thomas, não! – berrou Adam.

Thomas passou pela ponte juntamente com um senhor de mais ou menos setenta e cinco anos. A ponte improvisada não suportava muito peso, afinal de contas, ela era um improviso e um improviso feito às pressas.

Por sorte a ponte não quebrou, mas um parafuso soltou o que fez com que as pessoas tivessem medo de passar por ela.

- Passa você primeiro Lucca. – sugeri.

- Ok. – disse Lucca indo passar pela ponte improvisada.

Lucca caminhou cautelosamente, mas conseguiu chegar ao outro lado. O mesmo fez Lavigne e Ellen e a Deanna. Do nosso grupo apenas eu e Jacob ficamos. Adam estava ordenando que um por um passasse de pressa e o pessoal aceitou isso.

- Com calma, - disse Adam há uma jovem que estava tão tremula, que a própria ponte tremia por conta disso. – vai andando.

- Estou com medo. – falou a menina.

- Calma, vai dar tudo... – disse Adam sendo impedido de continuar falando, pois teve que se esticar todo para tentar alcançar a menina que estava caindo junto com a ponte.

- SOCORRO! SOCORRO! – berrava a menina em um enorme desespero.

Entre os dois prédios havia um espaço onde era fechado com cercas em cada ponta, e dentro destas cercas, havia um bom número de berrantes, que agora, estavam olhando diretamente para a menina que berrava com muito medo de cair e virar comida de berrantes.

- TE PEGUEI! – berrou Adam entrando em desespero por conta da situação.

- Eu te ajudo. – falei esticando a minha mão para que a menina pegasse.


Pegamos a menina e a trouxemos de volta para o terraço, onde estaria a salva apenas por alguns minutos. Ela chorava muito e algumas pessoas choravam junto com ela. Alguns a abraçava e alguns apenas alisava seu cabelo e saiam de perto. Muitos começaram a perguntar como iríamos passar para o outro lado agora que estávamos sem a ponte. Adam olhou para mim, olhou para os outros e abaixou a cabeça. Ele não sabia como salvaria aquelas pessoas e pela primeira vez eu vi Adam chorar. Agora eu estava começando a entender o porquê ele era tão durão e parecia ser tão sem sentimentos. Ele tinha vidas em suas mãos todos os dias. Ele prometeu e fez de tudo para proteger os que eram seu. Adam não saia para as missões, porque ele não confiava em ninguém para tomar conta de seus hóspedes. Adam tinha um peso enorme sobre as costas e ninguém nunca deu ideia para isso. Ninguém nunca o agradeceu por isso.

- Temos que dar um jeito nisso. – falei estendendo a mão para o Adam.

Ele estava de cabeça baixa, chorando friamente até que percebeu minha mão próxima a ele. Adam olhou para cima e me olhou nos olhos. Abaixou novamente a cabeça, mas lentamente ele levantou sua mão e pegou a minha.

- Estou contigo Adam. – falei o ajudando a levantar. – Todos nós estamos contigo.

Realmente todos estavam com ele ali. Todos. Até os que choravam em desespero perceberam que nada era tão medonho quanto o que Adam estava passando. Todos olharam para o Adam e silencio mostrando que eles estavam ali também para proteger ele. Que eles eram uma família e que o Adam havia construído ela.
Adam se levantou e de pé finalmente ficou. Ele soltou a minha mão e deu duas tapinhas no meu ombro se mostrando agradecido. Adam sorriu para sua família e disse:

- Só temos como tentar pular. – disse Adam. – Infelizmente a ponte caiu e não temos mais nada que nos ligue ao outro lado. Preciso que vocês tenham coragem para tentar pular, porque os berrantes estão nos alcançando.



Todos ficaram de cabeça baixa, algumas mulheres até choraram baixinho com medo. Era certo ter medo naquela situação e a coragem nunca tinha feito parte de muitos que ali estavam.

- Eu infelizmente, não posso fazer muita coisa por vocês. – comentou Adam voltando a chorar. – A única coisa que eu posso fazer, é enfrentar os berrantes para atrasa-los e dar mais tempo a vocês para pularem para o outro lado.

Adam estava propondo sua morte para salvar os outros. Esse gesto um tanto maluco, era a única esperança e o último ato que ele poderia dar e fazer pelos outros.

- Eu te ajudo, não precisa se matar para isso. – falei.

- Pois bem. – disse Adam sorrindo. Provavelmente deveria estar pensando o mesmo que eu.


Vamos matar uns berrantes, pensei.
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