Parecidos, não iguais
de FelipeWolf

Naquela dia eu estava andando pela cidade, estava voltando de uma passei pelo transporte em massa sobre trilhos. Eu gosto deles, são muito interessantes ao meu ponto de visão.

Eu estava vestido de uma maneira muito popular naquele dia. Camiseta regata e solta, branca com uma listra apenas de cima a baixo e preta. Uma calça estilo de sarja e preta, com um tênis (sim, um tênis, coisa que eu, neste mundo, não uso) branco. Com meu cabelo cortado e os meus óculos de sempre (tortos na minha cara) olhando tudo a volta.

Nesse dia em especial, eu havia ido ver um amigo ou colega (as pessoas mudam o jeito de se tratar e eu apesar de entender, não gosto disso), e estava voltando para o meu local de descanso.

Resolvi então que deveria fazer um caminho confiável, já que neste dia, o transporte sobre trilhos estava, quase todo, em manutenção. Isso não me afligiu mas eu queria evitar multidões de pessoas que estivessem elas, muito nervosas ou em grande quantidade, não me deixava muito à vontade.

- Coisa chata... – reclamei comigo mesmo enquanto caminhava pela estação. Eu precisava ir ao banheiro e ver algum funcionário do local para ter informações atualizadas sobre a situação do transporte, para que eu pudesse decidir sobre qual o caminho fazer.

Logo que virei a passarela e entrei na estação, apressei o passo para o banheiro e para a minha sorte, havia um funcionário próximo do banheiro.

Fui tirando o meu fone branco e pequeno do ouvido para falar com o funcionário e quando cheguei mais perto dele, próximo o suficiente eu percebi nele, o que ele tinha.

- Licença... – falei de modo reprimido com o funcionário, me senti como se estivesse falando com a pessoa que mais amo.

- Pois não? – respondeu singelamente o funcionário. Apesar dele estar fardado com o uniforme da segurança, consegui olhar ele bem. Moreno, de cabelos curtos e estavam com gel, pois estava arrepiado e firme apesar de não estar grande, seu corpo parecia bem trabalhado (ele devia fazer algum exercício físico mas não academia).

- Gostaria de saber se o transporte voltou ao normal – perguntei a ele, tentando não parecer tímido com a sua presença que muito me deixava feliz.

Sorte minha neste mundo não ter rabo ou orelhas, pois estaria muito eufórico e tímido ao mesmo tempo.

- Ah sim senhor. – Me respondeu ele com um leve sorriso e relaxando a postura de segurança.

- Mas sem falhas ou paradas excessivas? Está circulando pelas duas vias? – perguntei, agora olhei os olhos dele, eu vi exatamente os olhos que vejo na pessoa que amo.

Eram semelhantes de alma.

- Sim senhor, está tudo normal – me respondeu ele, logo emendando – o transportes estão com intervalo normal para o dia e circulando pelas duas vias senhor. – Terminou de dizer ele tranquilo e com aquele leve sorriso com aparelhos.

- Está bem então. – Respondi agora animadamente – Obrigado! – terminei de dizer meio eufórico e alegre. Sou péssimo pra disfarçar quando gosto de alguém, e corri virando para o lado e entrando no banheiro apressado para tentar disfarçar qualquer coisa.

***

Sai do banheiro e evitei olhar o segurança (não sei se foi o certo mas achei melhor fazer), segui pelo caminho de volta. Desci as escadas que tinha e eu estava na plataforma simples do transporte.

Vi logo que estava cheio então, não passou o transporte faz algum tempo.

Peguei o meu fone, coloquei nas orelhas. Encaixei de volta o pino no meu aparelho de celular e coloquei para tocar a música de forma aleatória.

E esperei o transporte chegar, pensando no segurança.

Minha vontade era de voltar lá e dar uma analisada completa naquela pessoa.

Eu sempre pensei que nunca veria ninguém semelhante a quem amo, mas vi.

Realmente vi.

- Realmente vi... – falei enquanto batia o meu pé no chão de cimento com o rock nos ouvidos.

Levantei o rosto, pois estava justamente olhando o chão e passei a contemplar o rio (sujo) que passava ao lado da estação.

“Sempre me disseram que neste mundo há muito mais do que podemos ver....” sim, eu sempre percebi como era verdadeira essa frase.

“Sempre me disseram que neste mundo, tudo é possível...” E eu sempre me esqueço que isso é verdade.

Peguei o meu celular enquanto colocava a música para repetir, e olhava a foto de quem amo. Pra mim, ele é lindo.

“Sim, Ele é lindo” é o que sempre vejo dos dois jeito que posso vê-lo.

- Te amo “mô” ... – falei pra mim e pra ele na foto baixinho para que ninguém me ouvisse enquanto terminava de ouvir o mesmo rock com o vento forte passando por mim.

Era o transporte chegando rápido e parando na estação para todos que iriam entrar e sair.

Ele parou e entrei.

***

“Ah... Aquele ar condicionado me fazia bem e mal ao mesmo tempo... Mas fazer o que” é sempre o meu pensamento ao entrar dentro dele.

Mas novamente me peguei pensando naquele segurança. Os olhos dele.

Pensava eu enquanto olhava o sol bater no rio.

Eram tão escuros, como do meu amor. Mas por um momento, vi aqueles olhos negros, quase sem luz.
Um arrepio rápido me subiu a espinha. Algo dentro do trem estava me “influenciando” a pensar nesse assunto, que costumo deixar bem guardado ou de lado (para não ficar paranoico tão cedo).

Algo dentro do transporte.

“Algo”.

Algo que para mim, nesse momento foi traduzido como “pessoa”.

Meus olhos por trás dos óculos se mexiam em volta olhando as pessoas em pé. E algumas sentadas.

“Alguém aqui” Era o meu pensamento fixo na mente. Das pessoas em pé, nenhuma possuía o que eu estava sentindo. Comecei a olhar as sentadas. Vi alguém, um homem, aparentemente jovem, devia ter uns 27 anos de idade, moreno e de regata preta. Me chamava a atenção por ser do estilo de pessoa que me chama a atenção, homem e moreno. Estava rindo de um bebê no colo do pai a sua frente e gostei do sorriso dele.

- Ai... – resmunguei baixinho ao sentir uma pontada de dor de cabeça e voltei a olhar quem estava sentado.
Bem na minha frente. Sentado de lado sem poder me ver e de costas para mim.

“Eram dois” Eu havia achado.

Dois jovens vestidos de preto.

Um, o mais próximo, era mais branco, com uma bandana preta amarrada no pulso direito que apoiava a cabeça. Boné azul e óculos também.

Esses óculos... Sempre disfarçam” Eu pensava enquanto olhava, quase que de forma grosseira.

O outro estava sentado ao lado dele. Aparentemente um ano mais jovem (se o mais branco aparentava ter 17, esse devia fazer 17 em breve).  Vestido de preto, tinha uma, não, várias tatuagens pelo braço esquerdo e moreno que estava meio escondido pela posição que estava sentado. Um pequeno alargador preto, bem pequeno, semelhante a um brinco (mas ainda era um alargador).

Depois de algum instante parado, ausente da própria música pensando sobre os dois de uma maneira louca.

Pessoas, energia, influencia, futuro, poder, desejo, ser, fazer, preciso, quero”.

Começo a suar um pouco e o garoto que estava mais próximo de mim se vira um pouco em minha direção e me olha.

Agora eu estava olhando para frente, com ênfase no outro garoto.

A energia desse garoto da bandana... ele está sentindo a minha energia” Sim a minha energia estava focada nos dois ao pontos dele se incomodarem comigo estando perto.

Quando a música do meu aparelho de celular mudou, tocou uma que conheço muito bem notei um detalhe que não havia visto antes no garoto com alargador. A camiseta dele. Regata e preta, tinha o nome de uma banda que eu conhecia muito bem. O nome da banda que estava tocando agora no meu aparelho.

- Heh... – fiz comigo abrindo um sorriso, estranho.

***

O meu sorriso cheio de dentes pontudos, mandíbula de lobo sorrindo, assustador a uma pessoa. Eu me via naquela situação. Naquele lugar. A minha forma de lobo que estava sentindo a energia deles dois. Ao ver aquele nome se sentiu plenamente acordada.

A energia suja porem comum dos ambientes da cidade.

Misturados de sentimentos e desejos.

Eu não os sentia mais.

Tinha olhos de lobos e garras apenas para os dois humanos.

Minhas garras que se mexiam em direção aos dois. Lançando “algo” sobre eles.

- Aquilo que sinto deles.... – Eu falava naquele mundo que o meu corpo não estava em forme de gente. – Eu sinto que eu devo fazer algo por quem é semelhante a mim também.

De dentro de minha pata, luz se fez em forma de pequenas estrelas brilhantes iluminaram o ambiente sujo de energia pobre que pairava no ar.

- Ah vocês eu dou o que tenho, a possibilidade de ser feliz… – falei vendo as pequenas luzes se misturarem a seus respectivos objetos de uso preciosos – Desculpem poder fazer apenas isso.

***

“Atenção senhores passageiros, próxima estação a frente.”

Me virei para o outro lado, para ir pra saída sem olhar mais para eles, mas com um sorriso nítido no meu rosto normal agora.

- Heh... – Aquele sorriso em meu rosto e aquela música obscura nos meus ouvidos. Tudo me fazia sorrir.

Tudo estava tão agradável para mim.

- Heh... – eu estava me sentindo um pouco “dopado” por causa do que houve.

O sinal sonoro da porta automática soou e ela abriu. Sai rapidamente e segui meu caminho pelo resto do caminho.

“Heh... Coisas interessante hoje...” Era o meu pensamento com aquele sorriso de dentes pontudos a mostra.
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