RENEGADOS


Capítulo 9


O psicopata entra novamente em ação




Tentei conversar com o meu grupo no mesmo dia, só que não deu, então resolvi deixar para a manhã do dia seguinte para ai então, falar com todos de uma única vez. Enquanto eu tentava dormir um pouco, fiquei pensando nos três dias que passei naquele barraco, no plano que eu inventei na hora, no incêndio que eu causei, na morte de Patrick e no reencontro com a Karen. Eu nunca iria imaginar reencontrar ela ali, aquilo me pegou de surpresa e creio que a ela também.
Pensei também na Lavigne. Era como se eu e ela já tivéssemos algo e apesar de um forte clima ter rolado há alguns minutos atrás, eu tinha a minha certeza de que éramos apenas amigos. Eu estava confuso e fiquei me perguntando o tempo todo, a causa dos meus sentimentos terem ficado daquele jeito. Meu coração parecia ter encontrado algo, pois eu sentia que ele queria pular pra fora do meu peito. Foi muito intenso.
No dia seguinte, de manhã bem cedo, eu fui direto para o refeitório tomar um café da manhã reforçado. Pedi ao meu grupo que me encontrassem no meu quarto em trinta minutos, e assim foi feito.
- Tenho uma notícia a dar a vocês. – comentei.
- Espero que seja boa. – disse Lavigne.
- Você vai amar. – falei sorrindo.
- Diz logo Marcos. – pediu Jacob.




- Ok, como queiram. – comecei. – Ontem, eu encontrei uma amiga. Muito amiga mesmo. Lavigne a conhece, só que o restante não sabe quem é.
- Eu conheço? – perguntou Lavigne pensativa.
- Sim, conhece. – disse. – Nós nos esbarramos no local onde ficamos presos cercados por berrantes. Por sorte dela e azar o nosso ela só chegou depois que acabamos com


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todos os berrantes. Ela me deu o carro dela cheio de suprimentos e disse que era pra gente encontrar com ela amanhã, na estrada de lama do pico. – falei e então olhei para Lavigne. – Lavigne, era a Karen. Ela vai nos encontrar junto com o nosso grupo antigo. 



- Karen? – perguntou Lavigne incrédula. Ela abriu a boca e a tapou com as duas mãos, seus olhos brilhavam intensamente e ela se movia para trás como se não tivesse medo de cair em algum buraco.
- É. – falei. - Nós vamos reencontrar a todos.

- E nós? – perguntou Deanna.

- Então, é sobre isso que eu vim falar com vocês. – comecei. – Eu quero que vocês venham conosco.

- E eles vão nos aceitar? – perguntou Jacob.

- Claro! – falei dando certeza. – Serão aceitos numa boa, inclusive, temos mais dois no nosso pequeno grupo. Ellen e James. Também irão conosco.

Eles cumprimentaram James e Ellen já que ainda não se conheciam, mas um imprevisto aconteceu. Um desagradável imprevisto.

- Ué, então quer dizer que você vai fugir é mariquinha? – perguntou Thomas implicando com Lucca. Seu hálito de cerveja estava bastante forte, já dava para se imaginar o porquê estava implicando com o Lucca.

- Relaxa. – sussurrei para o Lucca que já estava bufando de raiva.




- Haha! É espanhol! Você ta certo, tem que fugir mesmo! Foge! Foge! – gritava Thomas.

- Olha... – Lucca tentou falar, mas eu tapei sua boca antes que falasse alguma coisa. Já que iríamos sair dali, que saíssemos sem causar nenhum problema. Era a última vez que ele teria de aturar aquele maluco, então uma ultima vez não faria mal a ele.

- SEU MERDA! – berrou Thomas e foi ai que eu não consegui conter o Lucca.

Lucca me empurrou para o lado e eu bati contra a parede. Sei que ele não queria me machucar, mas aquilo havia doido. Lucca ia jogando o corpo pra frente bem posicionado para bater a qualquer momento e quando chegou perto de Thomas ele o socou no olho. Thomas cambaleou para trás e ao contrário de todas às vezes agora ele estava rangendo de tanta raiva. Thomas tentou um golpe, mas foi sem sucesso. Lucca o empurrou para trás e chutou sua barriga. Thomas ficou de joelhos com as mãos


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sobre a barriga tentando recuperar seu ar, mas antes que ele fizesse isso, Lucca deu três socos no seu rosto que o fez cair.
Lucca estava cuspindo fogo de tanto ódio que estava do Thomas e o Thomas sentia a mesma coisa em relação ao Lucca.

Creio que o Lucca ia continuar socando Thomas, só que por sorte James o segurou e o conteve. Lucca se acalmou e então recuou deixando Thomas caído no chão sobre sangue cuspido pela sua boca. Lucca coçava sua cabeça constantemente, deveria estar pensando no que ele tinha acabado de fazer, quando nós ouvimos.

BANG! BANG!

Dois tiros, um acerto. Thomas tinha se arrastado até a parede e se levantado se apoiando nela. Ninguém viu, mas ele carregava uma pistola na cintura e atirou no Lucca. Por sorte ele estava tão bêbado que um tiro foi na parede e o outro pegou no braço esquerdo de Lucca. Só assim Thomas caiu em si do que tinha feito, mas para quem acha que ele largou a arma e saiu correndo, vocês estão enganados.

Thomas pegou sua arma e saiu correndo, só que atirando e para todos os lados.

- Esse cara está maluco! – grita alguém no corredor principal.

- Está tudo bem Lucca? – perguntei.


- Ai! Está tudo bem sim, ai! – responde Lucca em meio a gemidos.

- Ai meu Deus! Irmão! – berra Deanna.


- Não se preocupe, ele esta bem. – diz Ellen. – A bala pegou no braço e não atingiu nenhum ponto vital.




- Você é médica? – perguntei.

- Tinha um consultório próprio. Era a minha vida. – respondeu Ellen demonstrando tristeza ao lembrar-se do passado.

- Me deixe ajudar. – disse Lavigne.

Ellen e Lavigne ficaram ali cuidando do braço do Lucca. Deanna estava um tanto nervosa, mas Jacob estava conseguindo acalma-la. O problema agora seria conversar civilizadamente com Adam. Ele com certeza não ira gostar de nada disso e talvez não isso não fosse nada bom.

- QUE MERDA É ESSA? – berrou Adam, entrando na sala para saber o que houve.


- Seu amigo psicopata! – disse James. – Você sempre o defendeu e olhe só o que ele fez!


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- Como... – falou Adam encarando James. Ele parecia não acreditar na forma como James falou com ele. – Como você tem coragem de falar nesse tom comigo? 

- Se está esperando por um pedido de desculpas, esqueça!

- Muito bem senhor James. – falou Adam. – O senhor pode sair deste lugar, imediatamente. – terminou de dizer em um tom tranquilo e um tanto ameaçador.




Adam olhou para o estado do Lucca e se virou. Deu-nos as costas mais uma vez e se foi para algum lugar do prédio. Deveria estar muito furioso já que foi confrontado e isso Adam não suportava. Com ele tinha que ser tudo no maior e total respeito. Ele queria ser um rei onde seus súditos não reclamassem quando ele fosse manda-los fazer algo estúpido. Queria ter poder sobre todos, mas seu reino estava despencando e ele mal estava preparado para isto.

James foi expulso do prédio. Ele me perguntou como faria para me encontrar do lado de fora e eu achei melhor dizer aonde meu grupo irá nos aguardar. Ele então saiu do prédio e foi direto para lá e isso seria bom, pois se nós nos atrasássemos ele saberia explicar o motivo.

- Irmão, você vai ficar bem. – falou Deanna acariciando o rosto do Lucca.




Ele estava bem, só sentia muita dor já que a Ellen teve de tirar a bala que ficou alojada em seu braço. Esse foi o motivo de ter dado febre nele e tanto suor. Com certeza esses sintomas seriam os mesmo em qualquer um que tivesse uma bala alojada em seu corpo e tivesse de tira-la dali sem alguma anestesia. Deveria ser uma dor e tanto pra derrubar o Lucca daquele jeito.

- A febre só esta aumentando, ele precisa de remédios. – comentou Ellen.

- Vou falar com o Adam. – falei.

Fui atrás de Adam. Não foi difícil de encontra-lo, afinal de contas ele sempre fica no seu canto escondido. Seu escritório, o seu lar especial. Adam estava com cara de poucos amigos. Alisava os lábios enquanto viajava pensando em algo. Quando me viu, apenas ergueu um de suas sobrancelhas e me olhou. Com uma mão disse para que eu me sentasse e então começou a conversar comigo sobre o que havia acontecido. Contei tudo e ele pareceu entender. Continuou com a ideia de proteger Thomas e que deveríamos tomar cuidado. Perguntou se Lucca havia o confrontado em algum momento, o que eu achei ridículo. O cara levou um tiro de um psicopata. Ele nem deveria ter uma arma ali dentro. Como ele me pergunta se o Lucca o confrontou?

- Só se autodefesa for confrontar alguém. – disse.


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Adam continuou olhando para o nada e pensando em algo. A minha paciência já estava se esgotando e então eu pedi os remédios. Ele finalmente se libertou da estátua que havia criado de si próprio e levantou da cadeira. Pegou os remédios e me deu.
Fui correndo até a sala onde os outros estavam. Lucca estava sentando com as pernas esticadas sobre o sofá e a Ellen enfiando uma agulha em seu braço. Lavigne parecia um pouco perdida com a Ellen ali, afinal de contas, ela era apenas uma enfermeira e ainda estava estudando e a Ellen já era bem experiente, tinha seu próprio consultório o que fez Lavigne ficar um pouco insegura de suas ações.
- Trouxe os remédios. – disse.
Lavigne pegou os remédios, deu uma boa olhada e perguntou se era um que ela estava olhando, o remédio certo para abaixar a febre do Lucca.
- Este mesmo querida. – respondeu Ellen. Lavigne sorriu e deu o remédio ao Lucca que poucos minutos depois adormeceu.
Do lado de fora do prédio estava um movimentação grande. Berrantes por todos os lados e alguns tentando entrar pela cerca. Provavelmente o barulho dos tiros disparado por Thomas, os chamou a atenção. No dia seguinte, dia em que eu deveria encontrar o meu grupo, houve um desastre e por sorte, Lucca já havia acordado e sem febre.
- Os berrantes estão conseguindo entrar. – falou uma mulher na sala chorando. – Nós vamos morrer! – berrou.
- Vamos morrer? – perguntou uma senhora incrédula.
- Não vamos morrer. O Adam vai nos proteger. – falou um jovem tentando amenizar os problemas.
- É... O Adam vai fazer alguma coisa... – falei temendo estar errado. E poucos minutos depois de eu dizer isso...




- BERRANTES! – gritou alguém subindo as escadas.

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Reações: