RENEGADOS


Capítulo 8


Promessa




Levamos cerca de seis horas para chegarmos ao prédio, ou seja, voltamos no dia certo.
- Lar doce lar. – disse James em um tom irônico.
Não era tão ruim de morar ali e afinal de contas, já que ele iria ir embora comigo, logo sairia dali. Não tinha o que reclamar. Adam saiu pela porta da frente do prédio e foi abrir a grade para que entrássemos com o carro.
- Estamos cheios. – comentou James.
- Isso é bom. – falou Adam.




Nós saímos do carro e logo ele percebeu que algo tinha dado errado, mas preferiu ficar quieto no momento. Abrimos a porta malas do Civic e ele ficou admirado com o que via. Creio que ele nunca deve ter pegado tanto em apenas uma busca de três dias. Daniel foi o primeiro a entrar e ele também não estava falando com ninguém. Ele ficou quieto a viagem toda e parecia que ia ficar assim por mais algum tempo.
- Ellen, - disse Adam. – na minha sala em trinta minutos.
- Ok. – respondeu Ellen.
Ele deveria fazer as perguntas a ela, como por exemplo, cadê o Patrick? Ela apenas para o Adam que ia junto comigo e com o James levando os suprimentos para dentro.
Já dentro do prédio, Adam pediu a uma menina para anotar tudo o que estava chegando, conferir tudo e então enviar as folhas com as anotações para ele. Ao terminar de por tudo para dentro, James pediu para que eu não se esquecer de chama-lo quando fosse à hora de partir. Eu disse para ele ficar tranquilo que logo eu iria conversar com ele e com a Ellen sobre isso, mas que antes eu tinha algo a resolver.
- Daniel! – chamei batendo na porta do quarto dele.
Daniel não me atendeu, mas eu tinha a certeza de que ele estava ali. Em um momento como este nós procuramos sempre o nosso canto e o nosso canto sempre costuma ser o lugar onde dormimos, porque é lá que construímos a nossa segurança. Tentei abrir a porta e por sorte, Daniel não havia trancado ela.



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- Ei cara. – falei.



- Só quero ficar sozinho. – disse ele.

- Eu entendo. – falei indo até ele.

- Então porque não vai embora? – ele berra.

- Porque você não precisa de palavras, - falei abraçando ele. – mas sim de um abraço.

Daniel mergulhou no choro. Ele sentia muito a perda de Patrick que era um amigo seu, mas eu sentia que era mais do que isso. O motivo de tanta angustia não era só seu amigo Patrick, mas sim todos os seus amigos e todos os seus familiares que morreram. Havia se passando um pouco mais de um ano desde que tudo começou e já perdemos tanto. Às vezes as perdas não estão ligadas a mortes, pois há separações. Momentos fugindo de berrantes ou de algo de ruim fazem com que as pessoas se separem pelo desespero de encontrar um abrigo para se proteger, mas no final quase sempre estávamos sozinhos.

- Estou completamente sozinho Marcos. – disse Daniel. – Todos se foram. Perdi minha família e meus amigos. Patrick foi o único no qual confiei durante esse tempo todo. Nós tínhamos uma banda de rock. Ele tocava bateria e era muito barulhento. Perdoe ele, não foi de propósito quando ele bateu a porta do carro forte.

- Tudo bem, - falei. – não têm o porquê o culparmos pelo barulho, os berrantes já estavam lá de qualquer jeito.

- Pois é.

- Olhe, - falei enquanto caminhava até a porta. – nos dias de hoje, nós morremos porque viramos comida de gente morta. Daniel, ele morreu, mas pelo menos morreu de uma forma rápida. Não virou comida ou sentiu dor. Ele apenas se foi. Eu sei que isso é horrível, mas agora somos apenas nós que temos problemas. Ele finalmente esta seguro e pode descansar em paz.

Eu poderia ter sido um pouco frio ao dizer tudo isso, mas creio que ele entendeu a mensagem. Patrick ter ido de uma forma grotesca, mas bem rápida e sem dor, foi como ter ganhado algo de bom. Algo que o livrasse dos sentimentos ruins. Acabou para ele o medo, a dor, a insônia, a insegurança... Simplesmente acabou.

- Cheguei. – falei enquanto entrava no quarto onde meu grupo ficava.





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- Marcos! – falou Lucca apertando minha mão e me dando um abraço. – Bom te ver amigo.

- Bom te ver também Lucca. – respondi.
Falei com Deanna e com Jacob também, mas Lavigne não estava ali. Eles me perguntaram como foi e eu contei tudo, mas sem muitos detalhes, e sem contar sobre o meu plano. Resumi tudo e escondi as loucuras e deixei bem claro que teríamos uma conversa séria assim que eu encontrasse a Lavigne. Deanna disse que ela estava no térreo e então eu fui diretamente para lá.
- Oi. – falei fechando a porta do térreo e andando na direção dela.
- Marcos! – disse Lavigne me olhando e me abraçando.
- É... – eu ia falar alguma coisa, perguntar como ela estava ou como foram seus dias enquanto eu estive ausente, mas ela me abraçava com tanta força que eu preferi ficar ali, sentindo seu abraço. Era incrível. Ela era incrível.
- Achei que nunca mais ia te ver. – comentou Lavigne alisando minha nuca e segurando firme meu cabelo. Eu a abracei de volta, senti seu coração acelerado quase tocar o meu. Entreguei-me em seus braços e encostei meu rosto no dela. Pude sentir seu cheiro doce e seu calor. Pus minha mão na nuca dela, assim como ela colocava a dela sobre a minha. Fechei meus olhos e me senti renovado. Era como se o perigo fosse mais perigoso, era como se a aventura me desse medo, era como qualquer coisa me fizesse pensar duas vezes antes de eu fazer algo que poderia me fazer perder.
- Não te deixaria sozinha. – falei escorregando meu rosto no dela e encaminhando meus olhos para encontrar os dela.
- Não? – perguntou Lavigne abrindo seus olhos e encontrando os meus. Olho no olho. Isso era algo que me impedia de mentir. Esse era o meu registro marcado. Se eu olhasse nos olhos de uma pessoa e dissesse algo, pode dar a vida em troca, mas a verdade seria minha. Isso me impossibilitava de dizer qualquer mentira.
- Não. – sussurrei fechando os olhos. Eu estava com medo, me assustei da forma como o coração estava. Parecia algo diferente, algo que me confrontava um sentimento que ia ao contrario dos meus, ou melhor, um sentimento que me dominava sem eu nem saber o que era.
- Promete? – perguntou Lavigne.

- Eu - senti seu calor percorrer meu corpo, senti seu ar ser trocado pelo meu. Eu não podia evitar. Abri meus olhos e a poucos centímetros de sua linda boca, eu disse. – prometo.





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