Depois de longas horas dirigindo, sim, porque morava bem no interior de Truly em uma mansão planejada detalhadamente por meus antepassados. Cuja extensão era larga o bastante para tomar um quarteirão inteiro. Continha algumas plantações, mas em sua maioria o belíssimo gramado que meu pai costumava namorar ao amanhecer era coberto de flores de todos os tipos. Cheguei a casa.

Desci do carro e entreguei as chaves ao Alfred, era mordomo de nossa família há anos e alguém que eu confiava mais que a mim. Pra ser sincera, a única coisa recente éramos eu e meu automóvel. Retirei os sapatos e caminhei pela grama extremamente congelada vagarosamente, gostava do frio e essa era a única época do ano em que podia deliciar-me com toda essa temperatura magnífica.


Papai não estava em casa, como de costume. Subi as escadas o mais rápido que pude e basicamente voei para meu quarto. Estava fedendo a cigarro e por mais que gostasse, já estava enjoada. Soltei o par de sapatos num canto qualquer e a bolsa em cima da cama. Pousei as mãos na cintura e bufei pensando que não havia nada mais a ser feito pelo restante do dia. Na verdade havia, mas hoje eu não estava no clima. Virei-me para o espelho, ajeitei o cabelo e comecei a abrir o feixe do vestido. Apenas de roupa íntima, caminhei até a porta central que havia em minha suíte e empurrei-a para o lado. Guardei o vestido no cesto de roupas sujas e liguei o rádio, precisava abstrair o arranhado em meu retrovisor e esquecer aquele par de orbes azul. Havia esquecido um CD dentro e não fazia ideia de qual poderia ser.

O Box encontrava-se entre aberto, primeiramente estiquei-me para abrir o chuveiro e em seguida retirei as peças íntimas que faltavam. Coloquei-as no cesto e pude ouvir o inicio da música que começava a tocar:


“Is it getting better or do you feel the same? Will it make it easier on you now? You got someone to blame...”.
Esbocei um sorriso bobo e segui para dentro do Box. Ao perceber que uma das partes que mais gostava se aproximava, segurei uma garrafa de Shampoo e acabei-me cantando One.

“You say one love, one life (one life) It's one need in the night. One love (one love), get to share it. Leaves you darling, if you don't care for this. Did I disappoint you? Or leave a bad taste in your mouth? You act like you never had love and you want me to go without.”

Depois de algum tempo, a música já havia terminado e o CD agora seguia com uma trilha sonora branda, e extasiante. Sequei-me no banheiro mesmo e caminhei de volta para o quarto enrolada na toalha. Troquei-me rapidamente e sentei-me na cama. Senti o cabelo respingar em minha roupa e tratei de penteá-lo, e secá-lo mais uma vez. Logo voltei para a cama, desforrei-a e deitei-me. Pensei um pouco no que faria no dia seguinte. Alguns esboços para levar para o escritório, algumas casas no centro de Truly para visitar e um jantar de negócios. Ótimo, estarei suficientemente ocupada para não pensar em nada, ou melhor, em ninguém.  

Depois de recapitular o que faria, deitei-me em minha cama e aconcheguei-me nas almofadas de pena de ganso que havia recebido como herança de minha mãe. Aliás, eu sinto tanto com a morte dela. Até hoje não me conformo, não pude ver o enterro de minha própria mãe.  Quando me dei conta estava tomada por um nó na garganta imensurável e os olhos cheios d’água. Aparei as lágrimas que teimavam em cair e acabei adormecendo. 



Um tempo depois me peguei acordada fitando o teto e um tanto atordoada, mas evidentemente não o suficiente para não perceber que havia esquecido minhas chaves no ultimo apartamento que havia decorado. Pensei um pouco e lembrei-me. NICHOLAS! Eu havia esquecido em algum lugar no chão de seu closet. Era tarde demais para importuná-lo. Além do mais depois da batida, creio que não tenha ido muito com a minha cara. Por outro lado precisava da chave e temia por não acha-la. Teria de mandar um chaveiro em meu escritório logo de manhã cedo e isso atrasaria todos os meus planos para o resto do dia. Sem mais rodeios corri até a cama e enviei-lhe uma mensagem.
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Mensagem de texto
Boa Noite Nicholas, desculpe estar te incomodando a essa hora, mas é que eu percebi ter esquecido as chaves de meu escritório em seu apartamento. Eu acho que caiu dentro do seu closet quando estava acompanhando o trabalho de minha equipe. Gostaria de saber se amanhã bem cedo posso dar um pulo em seu apartamento para pegá-las. Espero que leia a mensagem! Passar bem, beijo.

                                                                                     Alexis _________________________________________________________________
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