Devo me adaptar bem a esta cidade. Afinal de contas, a novidade - pelo visto - aqui, sou eu. Truly? Nome esquisito para um lugar, mas enfim. Fica longe de quem quero distância e longe de quem pode me trazer problemas. Pelo menos assim eu espero.

-Alexis ─ pensei... Alexis do que mesmo? Ah, não importa.
Ao chegar em meu apartamento, feito pelas mãos da Alexis não sei o que, fiz o que é de costume. Tirei minha blusa branca apertada e liguei o aquecedor. Gostava de sentir calor, não suportava o frio. Talvez porque antes, eu só sentia o frio. Afinal, onde eu morava era um tanto gelado. A máxima lá deveria chegar aos 9°c. E isso me deixava aflito com os dias de verão gelados.

Liguei a TV e fiquei pensando no que poderia fazer de noite. Chamar Alexis para sair tão depressa não seria elegante, e gosto e quero cativar todos os que eu conhecer aqui. Quero ter uma nova vida, para que se algum dia alguém souber o que eu já fui, possa não ter medo de mim, e sim reconhecer que sou um novo homem, até porque, nunca quis ser ou fazer o que eu fiz nos últimos anos.

ASSASSINO, sussurrava uma voz em meus ouvidos. Depois do primeiro, eu comecei a ouvir essas coisas. Talvez meu subconsciente estivesse tentando me mostrar no que eu tinha me transformado, ou talvez eu já tivesse ouvido alguém me chamar disso, só que não dei muita atenção.

Não. Não é possível eu ter ouvido alguém dizer isto para mim, mesmo que fosse em um sussurro. Nunca deixei um alvo escapar, nunca os acertei em algum lugar aberto e nunca tinha alguma testemunha. Posso ter feito o pior da vida, mas fiz do melhor jeito possível. Já fui alguém respeitado e temível, hoje sou um fugitivo. Não dos bons, mas sim dos maus. Eles me querem do seu lado, já que não tem ninguém tão perfeito a ponto de realizar suas matanças com o maior sucesso e pagarem em notas que para eles, não valem nada.

─ E ai Samuel! – falei ao atender meu celular.

Samuel é um amigo que mora na minha cidade natal, na realidade, eu não tenho muito contato com ele, mas de todos os que eu conheço, ele é o único que eu ainda converso. Meu telefone é programado para atender apenas alguns números e mesmo assim, é totalmente protegido contra os satélites de qualquer país. Troco ele de mês em mês para que ninguém possa me encontrar, mas o pior é que ele pode me encontrar.

─ Alô? – Atendi ao telefone do meu apartamento, que estava apenas protegido contra rastreamento.

─ Ora Nicholas, que prazer em ouvir sua voz. – Falou o homem que eu mais odiava, do outro lado da linha.

─ O que você quer? – Perguntei em um tom seco e furioso.

─ Bem meu caro amigo, - Falou, fez uma pausa e deu um suspiro, e então voltou a falar – eu quero lhe entregar o seu último alvo... Como o combinado, lembra? – Terminou com uma pergunta em tom de ironia.

─ Lembro. – Falei secamente.

─ Olhe, não precisa ficar furioso, eu lhe pagarei adiantado. – Ele parou de falar e a campainha do meu apartamento tocou. – Oh, pelo visto já chegou.

Ainda te mato Oscar, pensei.

─ E lembre-se, ─ Disse Oscar agora falando sério e com a voz seca, e grossa. – nem pense em me matar. – E desligou o telefone.

Eu não queria chegar perto da mala cheia de dinheiro, armas e informações sobre quem eu deveria matar que me aguardava na porta, mas se alguém visse aquilo lá fora, ia por água a baixo todo o meu plano de voltar a ter uma vida normal e pacata.

Fui direto para a porta de meu apartamento e peguei a mal grande, e pesada que se encontrava estática a minha espera. Entrei e tranquei a porta. Deixei a mala em um canto qualquer da sala e fui verificar as janelas disfarçadamente para ver se conseguia perceber alguma presença estranha. Ao terminar de verificar as janelas, voltei até a sala e peguei a mala, fui até meu quarto, e abri o closet.

Um closet como o meu não existia, até porque ele foi desenhado para ter um bom espaço, só que eu pedi para que ele fosse construído com madeira e que nada mais fosse acrescentado. Assim ficou fácil para que eu quebrasse uma parte da parede feita apenas de madeira e criasse ali dentro, um lugar onde somente eu saberia como entrar, e por onde entrar. Dentro do closet e mais dentro do closet, eu tinha o meu esconderijo secreto.

Despejei a mala em cima da cama e peguei de primeira as informações que eu tinha sobre o meu próximo alvo. Elisabeth era seu nome. Tinha uma aparência boa. Era negra do cabelo encaracolado e com sobrancelhas largas. Sua boca era enorme, mas não desfazia do seu chame negro. Era uma pena, mas para eu ficar livre, devia matá-la. Peguei meu notebook e comecei a pesquisar no mapa da cidade de Truly onde ficavam os lugares que meu alvo mais frequentava ultimamente. Por sorte Oscar me enviava tudo o que eu precisava e para analisar os alvos eu não precisava de muito tempo, apenas algumas horas.

Acho que sei bem aonde irei encontra-la, pensei.

Algumas horas se passaram enquanto eu analisava o que me foi enviado. Avaliei as armas que Oscar me disponibilizou e verifiquei se eu não havia deixado passar alguma coisa importante sobre o meu alvo.

A noite estava fria e eu não iria fazer nada naquele momento, deixaria para o dia seguinte o meu assassinato, então resolvi sair um pouco e acabei parando em um boteco que não ficava muito distante do meu apartamento para o caso de eu querer ou precisar voltar logo para casa.

─ Um refrigerante, por favor! – pedi ao rapaz que estava próximo ao balcão do boteco.

─ Que bom, - falou entre um sorriso. – poucos compram refrigerantes por aqui e precisamos vendê-los.

─ Botecos... – falei sorrindo.

Ele me entregou o refrigerante e foi atender um cliente que estava ao meu lado. Tomei meu refrigerante em paz, até que o rapaz que estava ao meu lado saiu e deu espaço para que eu visualizasse uma bela mulher.

─ Olá! ─ Falei olhando diretamente para a moça que estava a poucos metros de mim.

─ Oi. ─ Disse ela.





─ Tudo bem? – Perguntei.

─ Tudo ótimo e você?

─ Ótimo também. – Falei e bebi mais um pouco do meu refrigerante.

─ Valeu Tommy. – Disse ela agradecendo ao rapaz que me serviu um refrigerante e que agora eu já sabia o seu nome.

─ Frequenta este lugar? – Perguntei.

─ Sim, – Falou em um sorriso. – conheço todos daqui. – Disse e deu uma pausa, em seguida me olhou com uma das sobrancelhas erguidas e perguntou:

─ Você é novo por aqui?

─ Sim. – respondi. – Cheguei faz dois dias.

─ Ah sim... Gostando da cidade?

─ É, até que pra alguém que busca ficar isolado e um pouco de sossego, este lugar é ideal. – falei sorrindo.

─ É sim. – falou rindo. – Já que é novo por aqui, deixa eu te apresentar o Tommy.

Tommy chegou próximo de nós dois e ela me apresentou a ele. Filho do dono do boteco. Um tal de Sr Plínio que deve ser um alcoólatra qualquer e sem nenhuma expectativa de vida. Pelo menos seu filho não me aparenta ser alguém de má índole. Parece que trabalha aqui por causa do pai, mas sua vontade não é ter este emprego.

─ Tem quantos anos Tommy? – Perguntei.

─ 20 anos. – Respondeu e saiu correndo para atender outro cliente que acabava de chegar.

Continuei tomando meu refrigerante e conversando com a mulher que agora, já se encontrava ao meu lado. O papo estava bom, mas eu precisava confirmar uma coisa.

BEP!

─ Desculpa, é uma mensagem. – Falei pegando meu celular e vendo de quem era a mensagem de texto.

Mensagem de texto        
 

                                                       Alexis Burton


                                                       Ler     -     Sair

O que ela quer agora? Depois eu leio, pensei

─ Olha, o papo está ótimo, mas eu não posso ficar mais aqui. – Disse a mulher que eu presumira saber quem era.

─ Bom, eu não farei perder seu tempo comigo, pode ir. – Falei e sorri de lado.

─ Ah, não fique triste, sei que minha presença é muito boa, mas eu realmente preciso ir.

─ Eu entendo. – Falei sorrindo e fazendo que sim com a cabeça.

─ Ah, - disse ela enquanto se levantava. – Qual é o seu nome mesmo?

─ Nicholas Forbes. – respondi. – E o seu?

─ Elisabeth Bazzoni, mas pode me chamar de Elisa.


Negra, altura de mais ou menos um metro e setenta e cinco centímetros, magra, cabelos encaracolados, sobrancelhas largas, e lábios enormes, mas mesmo assim, o seu charme não saia de forma alguma de si mesma. Elisabeth Bazzoni ou Elisa como ela quer que eu a chame. Meu último alvo.
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