RENEGADOS


Capítulo 6


O plano




Bem ou mal, nem todos os berrantes ficaram por ali. Alguns continuaram sua caminhada, e outros ficaram pelo nosso cheiro. Fazia três dias que estávamos entocados dentro daquele barraco e não tínhamos conseguido nenhum lugar para pegar suprimentos o que me preocupava um pouco. Essa busca deveria de ser de três a cinco dias e três dias já haviam se passado. Mais dois dias e os que estão no prédio vão começar a ficar preocupados com agente.

- Tenho um plano, - comentei. – mas é bem perigoso.

- Contanto que saiamos daqui. – disse Ellen.

- Temos cinco pessoas aqui dentro, sendo três com armas barulhentas e dois com armas silenciosas. – falei.

- E o que isso tem haver com nos salvar? – perguntou Daniel.

- Primeiro, sair em uma busca onde o silencio é primordial, seria considerado uma burrice, trazer armamento barulhento. Se uma porta sendo fechada com força trouxe berrantes até nós, imagine o que a sua arma poderia fazer com o seu barulho. – falei e Daniel deu de ombros, pelo visto percebeu que não estava em posição alguma de discutir com alguém ali dentro.

- Continue Marcos. – pediu Ellen.

- Pois bem, - comecei. – essa rua, tem sete casas e todas estão alinhadas ao lado uma da outra. Três casas no lado direito e três casas no lado esquerdo, sendo que ao final da rua, temos mais uma casa, que seria a sétima casa.

Eu ainda estava raciocinando o plano, mas dizer ele para os outros, me dava mais ideias e isso era algo que eu necessitava no momento.

- Enfim, o plano é o seguinte. – todos ficaram atentos as minhas palavras, e então eu lancei a eles o plano. – Preciso de dois de vocês com armas barulhentas. Um em cada extremidade das ruas, ou seja, um em cada canto.



- Sozinhos? – perguntou Daniel.

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- Sim, sozinhos! – respondi. – E você Daniel, vai pegar a minha arma que tem um silenciador e vai junto com a Ellen entrar no meio da rua e cada um seguir um lado da rua, eliminando os berrantes que estarão de costas para vocês, por causa do barulho das outras armas.

- Hm, e você? – perguntou James.



- Eu ainda não sei o que farei, mas não é comigo que vocês têm de se preocupar.





- Não estou me preocupando com você. Só quero me certificar de que se eu vou arriscar a minha vida para sair daqui, todos irão fazer o mesmo. – disse James.

- Ah é! Por isso que me deu a sua arma. Porque você não faz o que me mandou fazer? – perguntou Daniel.



- Não somos atiradores profissionais. Vamos errar muitos tiros. – falei.

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- O que isso tem haver? – questionou Patrick. – Tenho certeza que não iremos errar um tiro se quer. Fomos escolhidos por isso!

- Não! – Berrei. – Não fomos escolhidos por isso! Fomos escolhidos porque somos os que mais atingimos o alvo.

- Fala baixo! – rosnou Ellen. – E desde quando acertar o alvo não é bom? – perguntou.

- James! – falei. – Quantos tiros você já deu e quantas vezes você acertou o centro do alvo?



- Porque a pergunta?




- Só me responda! – falei em um tom desagradável. Eu já estava perdendo a paciência, ninguém se colocou na liderança para nos tirar dali, ninguém deu um plano se quer, acho que eu merecia apenas as frases “Sim senhor!”, para que saíssemos logo deste lugar.

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- Já atirei dez vezes e acertei seis vezes o centro do alvo. – disse James me olhando tentando buscar respostas para o que eu estava planejando fazer.

- Pois bem. Não conseguiu acertar o centro do alvo todas às vezes.

- E o que você está querendo dizer com isso?

- Estou querendo dizer, que alguém vai errar o tiro, alguém vai derrubar um berrante sem o mata-lo e alguém tem que mata-lo e esse alguém, sou eu! – falei. – Te dei a minha arma porque ela é silenciosa e da para vocês entrarem por trás dos berrantes e atirar bastante neles antes que os percebam. Enquanto isso, os que estiverem caídos eu mesmo irei e com a minha faca, acertarei na cabeça deles pra por um fim definitivo nesses monstros que eu tanto odeio!

Eles pararam e olharam. Pensaram e viram que eu me propus o pior trabalho. Eu terei de matar pessoalmente cada berrante que ousasse me atacar. Eu entraria para um mano a mano naquela rua, enquanto os outros se defenderiam com suas armas.

- Estamos na primeira casa do lado direito da rua, ou seja, temos que ir para os nossos devidos lugares e logo. – comentei.

- Quem vai pra onde? – perguntou Ellen. – Você é o líder, você é quem diz.

- Ok. – falei olhando para todos. Se eles duvidaram de mim em algum momento, isso passou. Agora me olhavam com o olhar que eu tanto queria. Olhavam-me esperando uma ordem.

- E então, fala logo. – falou Daniel.

- Daniel, você vai ficar aqui mesmo. Tenho medo do que pode fazer caminhando até a outra extremidade da rua.

- Ok, mas por onde eu saio? – perguntou Daniel.

- O bar! – pensei alto. – Eu havia me esquecido do bar, lá deve ter garrafas de vidro e isso seria mais uma arma que poderíamos ter.

- Com armas em mãos, pra que garrafas? – perguntou Patrick.



- Armas têm balas, balas acabam. – disse James. – Gostei da ideia de ter uma garrafa em mãos, caso algo de errado aconteça.

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- Então é o seguinte, - comecei. – Patrick você vai sair daqui e ir por trás do bar. Ao chegar nele, Ellen segue até você. Quando a Ellen chegar, você vai pro meio da rua e começa a chamar a atenção dos berrantes atirando neles. Ellen, enquanto isso você entra no bar e pega umas três garrafas, dê uma ao Patrick e depois corra por trás das casas e se encontre conosco aqui na segunda casa. James espere os berrantes perceberem o Patrick, e então você começa a atirar neles. Vai dar uma embaralhada na cabeça deles sem contar que muitos irão olhar pra trás e isso vai ajudar o Patrick a derruba-los.

- Só isso? – perguntou James.

- Não. – falei. – Daniel e Ellen, assim que os berrantes abrirem uma brecha no meio, vocês entram e vai um pra cada lado, matando o máximo deles possível. E por favor, tentem acerta-los para matar logo de inicio.



- Pode deixar. – falou James.

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- Acho que irei adorar fazer isso. – comentou Daniel.

- É, pode ser. – disse Patrick dando de ombros.



Ellen apenas olhou para mim sem nada dizer.




- Então, boa sorte pessoal! – falei, dando então o sinal de que todos poderiam começar a executar o plano dado.

Começamos a ação. James e Patrick saíram pela porta de trás e cada um foi para o seu lado. Patrick começou a atirar nos berrantes e isso os chamou bastante a atenção. Os berrantes começaram a caminhar para cima do Patrick, mas ele os afastava com os tiros de sua arma. James foi bem rápido e preciso ao pegar as garrafas e deixar uma com Patrick. James correu para trás da casa e foi em alta velocidade para o outro lado e em seguida, Daniel e Ellen correram para a segunda casa e eles ficaram esperando os berrantes abrirem uma brecha. James do outro lado começou a atirar. Com isso alguns berrantes voltou-se para o próprio James. Patrick estava nervoso e suas balas logo

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acabariam, mas por sorte James era melhor no tiro do que muita gente ali, e acertou bastante dos berrantes que ali estavam.
Encaminhei-me até onde Ellen e Daniel estavam, fiquei juntamente com eles aguardando a brecha dos berrantes.
- Tem que dar certo. – disse Daniel.
- Vai dar. – falei.
- Tem certeza? – perguntou Daniel.


Será mesmo que daria certo? E as proporções dos erros? Eu não analisei o que poderia dar de errado, apenas os coloquei para fazerem o primeiro plano que me apareceu na cabeça.
Droga, pensei.

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Os berrantes eram lentos só que não estavam levando tiros na cabeça, então se levantava e começava a andar atrás de um dos dois novamente e isso já estava me deixando agoniado.
- Eles vão ficar sem munição. – disse Daniel.
- Então entrem em ação! – falei.
Daniel me olhou de um jeito como quem diz que estaria surpreso. Ele pediu por aquilo, mas também não esperava por aquilo. Ellen apenas sorriu de lado e entrou em ação atirando nos berrantes mais próximos dela enquanto se encaminhava na direção do James. Daniel logo em seguida fez o mesmo, com muito medo e tremendo muito, creio que não acertou nem metade do que deveria ter acertado, mas enfim, ele fez alguma coisa.
Era chegado a minha vez. Olhei para minhas mãos abertas e estava completamente sujo, o que eu queria dizer a mim mesmo olhando elas é que eu não sabia. O meu coração estava acelerado e meus pensamentos estavam criando uma forma de imagem na qual eu entrava em ação e massacrava dezenas de berrantes com minhas próprias mãos.
Impossível, pensei.
Foi ai que eu pus a mão no bolso da minha calça, e lá estava ela, a faca que eu havia encontrado dentro da primeira casa ao lado do bar do Zeca. Era com ela que eu deveria enfrenta-los, não com as minhas mãos, até porque deste modo, seria muito difícil e mil vezes mais perigoso. Fechei minha mão com força em volta da faca e então olhei para a abertura que tem entre a primeira casa e a segunda, só que outra coisa me chamou a atenção.
A segunda casa era bem extensa, deveria ter uns vinte metros de comprimento, mas isso não me deixou de cabeça quente, muito pelo contrário, me deu uma ideia sensacional.
A segunda casa, assim como a primeira tinha uma porta dos fundos. Corri até ela e verifiquei se estava aberta e por sorte, estava. Entrei e procurei a porta de entrada, quando a encontrei, percebi que ficava bem ao centro da casa. Os cômodos que estavam ao meu lado eram um quarto e uma cozinha. Eu tinha apenas uma faca, mas a cozinha deveria ter outras e o quarto poderia ter cobertores.
Corri até a cozinha e peguei mais duas facas que estavam bem afiadas, depois corri para o quarto e encontrei um cobertor esparramado pelo chão. Não me contentei só com um, precisava de mais alguma coisa parecida, e então peguei um lençol qualquer que tinha ali. Fui para a porta da frente e ouvi um grito.

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- Minha munição acabou! – berrou Patrick.
Era de se esperar que ele fosse o primeiro a ficar sem munição, só que eles deveriam continuar seguindo o plano, mesmo sem mim.
Corri para o banheiro, me cobri com o cobertor e o lençol e entrei debaixo do chuveiro e só sai dali depois de perceber que estava bem pesado aquele cobertor sobre mim de tanto encharcado que eu estava. Fui até a cozinha de novo e vasculhei a geladeira e o único armarinho que tinha ali.
O que eu estava planejando fazer? Bem, já viram aquelas garrafas com álcool que podem fazer do seu dia frio um inferno? Pois bem, eu montei umas garrafas prontas para espalhar fogo e o cobertor encharcado era para me proteger, caso algo desse errado.
Fui novamente para a porta da frente e a abri. Lancei duas garrafas que explodiram fogo em uns sete berrantes a minha direita e lancei mais duas garrafas que torraram três berrantes a minha esquerda. Eles ficaram bem atentos a mim, e no mesmo instante James ficou sem munição. Ouvi mais cinco tiros e acabaram as balas que tínhamos a nossa disposição. As garrafas que eles usaram entraram em vigor, mas o foco dos berrantes agora era eu, apenas eu.
- Corre daí Marcos! – berrou Daniel.
Os berrantes vinham e eu ficava ali na porta, parado e esperando eles se aproximarem. Quando chegaram a pouco menos de três metros de mim, eu entrei correndo em disparada para a porta dos fundos. Espalhei garrafas por toda a casa e isso não era nem o inicio do que estava por vim. O primeiro entrou na casa e o segundo e o terceiro, logo em seguida atirei a primeira garrafa colocando fogo nos primeiros que entraram, mas a ideia não era essa. Eles continuaram invadindo e apesar de alguns estarem pegando fogo, ainda não significavam que estavam mortos. Quando se aproximaram mais de mim, joguei minha última garrafa para dentro do banheiro, e lá ela espalhou seu fogo, e em seguida houve um estouro lá dentro, pois outra garrafa havia estourado e assim uma sequencia de garrafas foram estourando pela casa e colocando fogo em tudo o que via pela frente e por sorte eu estava precavido. Tinham dois berrantes na porta dos fundos e o fogo estava esquentando muito. Eu tinha que sair e então cobri minha boca com o cobertor e abri a porta. Quando os dois berrantes vieram para cima de mim, eu engatei duas facas que eu tinha pegado na cozinha e cravei em suas bocas abertas e as arreganhei ainda mais até que suas mandíbulas se quebrassem. Estavam mortos, definitivamente.

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