Há em mim uma coisa que eu nunca soube dizer. A verdade é que tudo começou, passou e acabou num intervalo de tempo insuficiente até mesmo para que eu pudesse respirar, que dirá dizer que te amava. Que dirá dizer que te amo. Que dirá entender o que sentia e que por sentir morria. Morria de dentro pra fora, de agonia, de lágrimas que já não eram mais solitárias. Que agora caiam pela beleza e sintonia de dançar em minha face nos embalos de sábado à noite.



“Paz e amor é o que eu quero pra nós e que nada nesse mundo cale a nossa voz. Céu e mar e alguém para amar e o arrepio toda vez que a gente se encontrar, nunca vai pas...”. 


Chorou vinte e sete minutos ininterruptamente caminhando pela rua.  A solidão profunda, devastadora e inexplicável empalidecia ainda mais sua face, de certa forma o frio contribuía bastante também. A ponta do nariz avermelhava-se a cada brisa gélida e nostálgica roçando em suas bochechas amuadas.  O par de fones de ouvidos recostou subitamente sob seus ombros e a música que a pouco soava em sua orelha interrompia-se bruscamente.  Inspirou o ar frio com força, como se quisesse sufocar as narinas. Engoliu a seco a vontade de permanecer chorando e caminhando por mais alguns segundos deparou-se com seu restaurante favorito bastante movimentado. Ao mesmo tempo, deu-se conta que se encontrava na rua de seu antigo apartamento e virando-se de costas para a entrada do restaurante, analisou rapidamente cada andar do prédio até perceber que a placa de “vende-se” ainda encontrava-se dependurada. Pensou que talvez fosse melhor remover logo a placa antes que alguém resolvesse alugá-lo ou até mesmo comprar, e logo não teria mais volta. Caminhou decidida até o outro lado da rua, cumprimentou o porteiro e ele a deixou entrar no prédio. O doce cheiro de pinho ainda era o mesmo e parecia que os moradores também.  A porta do elevador se abriu e para seu espanto deu de cara com a última pessoa que gostaria de ver naquele dia. Ele não chegou a ser seu namorado e a fez sofrer assim mesmo. As pálpebras logo pesaram e terminou por cambalear ainda na porta do elevador.  A vista embaçada não permitia enxergar as coisas com precisão, embora tivesse certeza de que ele havia ousado segurar seu corpo antes que pudesse desmaiar. Como sabia? Bom, digamos que Víctor sempre fora previsível demais.



Essa é minha primeira webserie que deu certo, é curtinha assim mesmo. Espero que gostem *-* bj.bj
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