Em suma ela permanecia bonita. Os cachos já não estavam tão rebeldes assim, e tanto a postura e as vestimentas deixavam claro que mudanças drásticas haviam ocorrido. O ruivo acentuava ainda mais as consequências do frio sob suas bochechas. Caminhou com a mesma em seu colo para dentro do elevador e fez menção para que Ricardo, o porteiro, apertasse o botão nove fazendo favor. Em poucos segundos a porta se abriu e lá estavam os dois pela milésima vez diante da porta do antigo apartamento de Cecília. Víctor ainda possuía a chave e agradecendo mentalmente pela posição favorável da mesma, pescou-a rapidamente de seu bolso e abriu a porta. Adentrou ao espaço e logo repousou o corpo de Cecília sob o sofá, uma das poucas coisas que ainda havia no lugar. Retirou o fone de seu ouvido e pôde ouvir de longe o que ela ainda escutava. Enquanto permanecia deitada, caminhou calmamente até a sacada da sala. Ficou ali por alguns minutos. Refletiu e riu de algumas bobagens que haviam vivenciado naquele lugar.

Não demorou muito para que Cecília acordasse e ficasse na dúvida se a presença de Víctor em seu antigo apartamento segurando a placa de “vende-se” era puro delírio ou realidade. Chacoalhou a cabeça e forçou a vista em direção a ele. E acabou concluindo que sim, era realidade. Sentiu seu coração espremer-se e uma sensação horrível tomando conta de cada centímetro de seu corpo. Talvez um arrepio. Logo se endireitou no sofá e bufando chamou por seu nome.
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