Uma Corrida no Reino de Wanttz – Parte 3 – Final
O Vencedor é...?



Eu saltando de telhado em telhado, seguindo não muito atrás do garoto com asas, rapidamente saiamos da cidade. Com um salto pulei um rio e uma ponte, me sentia livre naquele local.

Ele me olha rapidamente do céu e sorri, sobrevoando a floresta enquanto eu corro um pouco e entro nela pelo chão.

Entre algumas árvores eu o via mais a frente.

- Melhor ir pelas arvores... – falo pensando comigo mesmo e logo salto para o galho, me equilibrando e saltando de galho em galho.

Sinto-me um macaco”. Pensei comigo rindo, mas feliz.

- Divirta-se a vontade Jovem! – o ouvi dizer pra min de cima das arvores.

- Esta bem! – respondo para ele em voz alta, e diminuindo a velocidade ao perceber um lago ou algo parecido à frente.

Um pouco mais a frente ele desce dentre as árvores, guardando as asas para ocupar menos espaço, e ficando de frente para um muro enorme.

Antes que eu descesse da arvore para falar com o garoto, ele mesmo salta pra cima com velocidade e se escondendo. Rapidamente ouço muito barulho e ao longe via os corredores se aproximando, cada um a sua maneira.

Na frente, uma mulher com grandes orelhas felpudas e outra mulher armada, uma amazona.

Como veio tudo isso parar aqui?!”. Pensava comigo quase atônito ao ver aquelas mulheres, e seres, e anões e homens e animais em forma de gente. Tudo correndo e misturado. Todos tinham um desejo que queriam ver realizado.

Rapidamente todos passaram e o garoto saltou para chão. Ele os olhava ir com um olhar meio triste e distante, pensativo.

Desço da árvore sem pressa chegando perto dele e o olhando.

- Esta tudo bem? – Pergunto olhando para ele de costas para min.

Ele se vira olhando para min, com um olhar de contentamento e sorri.

- Sim, esta tudo bem... – respirando fundo e olhando para algo atrás de min.

- Oh, você aqui jovem?! – alguém diz atrás de min, me fazendo virar rápido de susto e dando de cara com um senhor já de idade, uma bengala um pouco gasta e um chapéu de palha escurecida.

- Quem...? – tento perguntar, mas sou interrompido pelo garoto sorrindo para o senhor.

- Sim... Sou eu mesmo. – diz ele cumprimentando o senhor com as mãos. – e o senhor? Como tem passado aqui na floresta? Está tudo bem normal por aqui ainda? – pergunta ele olhando para o muro.

- Sim meu jovem – dizia ele dando alguns passos para trás enquanto o garoto ia junto com ele. Eu, curioso, olhando o muro, resolvo ir junto com eles alguns passos para o lado e percebo que esta vazando agua do muro.

Coloco a minha pata na agua e sinto ela fresca, meio morna mas sem ser quente, e nem um pouco fria, calorosa de alguma forma.

Quando me dou conta, os dois sumiram de minha vista.

- Ei!... Pessoal?! – chamo eu olhando para os lados.

- Estamos aqui em cima Jovem Observador. – Dizia o garoto me olhando de cima e sorrindo pra min. – Sobe aqui. – Me pede ele.

Rapidamente subo com um salto e me sento num galho olhando os dois parados e apontando para frente deles. Viro-me e olho.

Era um lago enorme, não, um mar, extenso, eu não conseguia ver a outra margem. E mais a direita, um grande castelo, quase imerso na agua.

- Que lindo... –Eu comentava, olhando ainda para aquela imensidão de agua doce.

Repentinamente, uma grande bolha de ar se formou e saio flutuando e explodiu pouco depois. Percebi devagar que havia poucas delas, mas algumas, grandes e pequenas, que flutuavam e explodiam, e saiam outras em varias partes do lago.

- Ah... A água esta saindo do chão não é? – perguntava eu sorrindo para o garoto. – No meu mundo também têm isso! Dizem que a agua é quente e faz bem para o corpo! – eu comentava todo feliz para os dois que sorriam para min.

- Inocente ele ainda – comentou com segurança mais sem maldade o senhor de idade.

Eu, não gostando muito do comentário dele, me viro o olhando e pergunto.

- Por que sou inocente?! – com um tom meio ríspido.

O senhor respira fundo e me olha.

- Por que essa agua não é nem de longe parecida com a agua do seu mundo jovem Wanttz... – diz ele que faz uma pausa e fala novamente – Essa água esta muito mais viva do que a do seu mundo. – completa ele.

E no mesmo instante, um gêiser se forma molhando todos nós três com o espirro de água, de tão forte e alto que foi.

- Ah... Viva...? – olhava eu para o lago, estando todo molhado.

Um instante depois, outra bolha se forma bem próximo a nós. Mas esta, diferente das outras, flutua lentamente até min e ao garoto que calmamente abre um pouco as asas enquanto a bolha, que era grande, se aproxima.

- Sim Jovem Observador, esta água além de vive pode sentir e quase falar – me diz ele olhando para min e sorrindo.

A bolha se aproxima e explode molhando nós dois e a árvore, que ao ser molhadas, faz brotar algumas folhas e flores em seu tronco e alguns galhos.

- Ela não só esta viva, como pode dar vida também... – completa o garoto, saindo do galho da árvore para o chão. – Vamos! – chamava ele e corria pela floresta, e subindo por um caminho estreito, diferente do caminho que os corredores fizeram.

- Já vou! – respondia eu, saltando e levando um leve escorregão na lama, e me virando para me despedir do senhor.

- Até mais...? – eu perguntava procurando pelo senhor que havia sumido.

- Vamos jovem! – chamava o garoto já mais longe.

- Estou indo! Estou indo! – Eu gritava de volta, correndo até ele.

Sem perceber que uma leve névoa encobria um pouco o chão e o muro.

***
Subindo um morro entre as arvores e a lama, sujando a minha bota e as minhas patas.

Botas? Quando eu as coloquei? Eu não estava descalço?” Pensava comigo mesmo.

Entre os galhos e algumas raízes verdes, grandes e grossas das arvores, eu podia ver o garoto no topo do monte, bem junto a uma parede de pedra de tijolos meio alaranjadas.

- Ah, por que viemos por aqui? Não era melhor ir pelo caminho que os corredores fizeram? – Perguntava eu, subindo ate ele, percebendo que ele estava concentrado olhando para algo. Virava-me e olhava na direção que ele olhava.

Eu podia ver claramente todos os corredores novamente, agora passando por um campo aberto, fora da floresta já e vindo à minha direção.

- Incrível... Mas... Como...? – Dizia eu sem entender como era possível eu estar tão alto e ao mesmo tempo a frente deles.

- Venha por aqui jovem – dizia o garoto subindo uma escada de madeira, pequena que estava apoiada na parede.

- Ah... Esta bem né... – dizia eu sem entender o porquê de ter de subir a escada, mas fui subindo atrás dele, e ainda conseguia ver os corredores vindo rápido, mas ainda pareciam meio longe.

Enquanto eu subia, eu observava a parede, toda talhada com imagens da natureza como flores e árvores, a minha direita, eu podia ver o castelo no meio do lago, e com a névoa cobrindo-o.

Por um instante parei de subir e me senti nocauteado, mas muito bem. Tudo aquilo era tão perfeito, tão lindo.

Eu queria viver num lugar assim para sempre”. Pensei comigo.

- Vamos jovem! – me chamava de novo, já no alto e em pé, no topo pelo visto.

- Ah! Estou subindo! – dizia eu me apressando a subir.

Logo chegando e me deparando com algo grande, brilhando e em forma meio estranha mas redonda.

Parecia deformado.

- Essa “forma estranha” é um portal jovem Observador, é ele que vai conceder um desejo ao vencedor – dizia o garoto.

Eu não sabia o que dizer, estava impressionado com algo tão grande, deveria ter uns cinco metros de altura por quatro de largura.

- Mas não tem “profundidade”, se quer saber – disse o garoto olhando para min, como sempre, sabia o que eu pensava.

Por um instante ele sorrio para min e apontou o dedo dele para cima do portal.

Havia um contador de tempo, e estava nos dez segundos finais.

O garoto foi andando até o um senhor, parecia um rei e o seu conselheiro pessoal. Eu fui atrás discretamente, mas fiquei mais próximo de um pilar, próximo a uma grande escadaria que dava acesso ao topo, na sacada onde estávamos.

O garoto e o rei estavam conversando, e tão logo o contador zerou. E uma grande de ferro com pontas apareceu na frente do portal, o cercando.

Mais alguns segundos depois, eu comecei a ouvir um balbucio muito incomodo.

Eu que estava de braços cruzados, me sentindo em casa e escorado no pilar, fui ate o lado da escadaria e percebi que os corredores estavam chegando.

Olhei para o garoto que estava falando com o rei.

Ele olhou para min e levantou voo e ficou observando todos os corredores subirem.

A grande maioria fez fila para subir pela única escada. Quem sabia, escalou as paredes do castelo.

Quem podia, Subiu voando e outros até correndo.

Cada um subiu a sua maneira, porem a grande maioria não sabia como passar por um muro de mais de vinte metros de altura, a não ser pela escada.

Olhei rapidamente para o rei e depois para o jovem.

Os dois com rostos decepcionados.

E depois de muita bagunça entre os corredores, alguns deles chegavam até a escadaria onde eu estava poucos chegavam mais ao final da escadaria, e a minha frente, outra grade sobre impedindo os participantes de se aproximarem mais.

- O que...? – Eu tentava perguntar o que estava acontecendo, mas não conseguia.

Nesse momento o jovem garoto colocou a mão dele em meu ombro.

- Calma você irá entender agora – disse-me ele, apertando um pouco o meu ombro.

Ele foi ate a frente da grade e levantou a mão.

Todos que estavam ali ficaram em silencio esperando ele falar.

Calmamente ele esperou todos os corredores subirem para começar a falar.

- Todos aqui, Sabem o que é aquilo – ele apontou para o portal – é o que lhe da o presente ou o direito de ter um desejo realizado. – Falava em alto e bom tom, para que todos ouvissem e entendessem – O que vocês provavelmente não sabem, é o que é aquele marcador de tempo ali em cima – ele fez uma pausa, e respirou fundo para continuar.

 - Aquele marcador era o tempo limite da corrida, pelo menos um de vocês, deveria ter chegado aqui, antes de o marcador chegar à zero, agora – apontava ele novamente para o marcador – ele marca um minuto. Ou seja, ele já zerou e já subiu a um minuto – fez uma pausa e concluiu – Nenhum de vocês será o vencedor desta corrida desta vez.

Ao completar, todos os participantes começaram a sumir enquanto era cercados por algumas luzes.
Antes de sumir, um corredor homem gritou do fundo.

- Isso não é justo! Não sabíamos que tinha tempo! - Rapidamente o garoto respondeu para que ele ouvisse antes de ir embora.

- O objetivo da corrida não é só dar um desejo de graça, mas testar cada um de vocês, seres, sejam humanos, ou não. E de vocês a minha frente, atrás desta grade, nenhum passou em nenhum dos requisitos! Desejo boa sorte da próxima vez, para quem tiver e boa viagem a todos de volta. – terminou ele de dizer, apenas olhando todos sumirem em silencio, como se o mundo não permitisse que eles falassem.

Quando todos foram embora, as grades sumiram, e o portão, sumiu lentamente de baixo para cima tranquilamente.

Eu me levantava e sentia o meu coração bater forte, como se tivesse levado um grande susto.

O garoto de asas agora se aproximava de min, e colocava a mão no meu peito, sorrindo pra min.

- Jovem observador, um dia você terá a sua chance de participar desta corrida. Mas hoje, você é o vencedor, obteve o premio anunciado, sem ter participado ou competido – dizia-me ele. Rapidamente abaixei a cabeça e me vi sumindo lentamente com algumas bolinhas brilhantes me rodeando.

- Você obteve o seu desejo de ser feliz, e para isso não precisou de nada, somente ver como você é – ele me tocou o rosto.

- Faça uma boa viagem jovem Observador, Wanttz. E quando você participar da corrida poderá ter o seu outro desejo realizado. – Neste momento o meu coração bateu forte – Você poderá ser eternamente feliz enquanto estiver vivo, ou trazer felicidade a muitas e muitas pessoas, você escolhe qual delas você quer.

O garoto me abraça forte, e eu, ouvindo-o, lacrimejo um pouco, mostrando que ele estava certo e o abraço forte.

- Eu... Eu... – tentava falar, mas sem conseguir.

- Ah, uma ultima coisa – ele me olhava nos olhos e segurava em minhas mãos- você veio ao mundo chamando “Reino de Wanttz” – disse-me ele, fazendo-me abrir a minha boca percebendo algo muito importante.

Ele me pega a mão e a beija amigavelmente.

- Boa viagem de volta, meu futuro rei. – dizia-me ele ate eu sumir dela.

***
Acordo com o meu despertador tocando alto ao lado de minha cama.

Com meu rosto húmido, o esfrego antes de abrir os olhos e quando os abro, ouço minha mãe me chamando.

- Wall, Desça já para o café!

- Já vô mãe! – respondo olhando para o meu quarto todo bagunçado, típico de um garoto de dezessete anos de idade.

Por um instante, senti-me feliz e levantei da cama.

- Vou correr um dia, para ter o meu desejo realizado, custe o que custar! – digo para min mesmo enquanto corro pelo quarto.

- Estou descendo! – avisava eu bem alto e feliz para todos.
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