Uma Corrida no Reino de Wanttz – Parte 2


Vencedores são Aqueles que Sabem Reconhecer a sua Derrota.


Todos os corredores estavam apostos na largada, apenas aguardando o momento de começarem a correr.

De repente o garoto com asas sumiu, e quando eu percebo, ele já esta na frente dos corredores conversando com eles.

Parece que ele é também quem vai dar a largada e esta explicando todo o funcionamento da corrida para eles.

O sol continuava a subir ao céu lentamente, até que o garoto bateu asas, literalmente, e subiu ao céu, tirando uma arma de fogos claramente. Ele iria dar inicio a corrida.

Rapidamente ele se vira para min e berra do alto.

- Sai dai! – e ele atira com a arma para o alto.

Os corredores saem em disparada, em minha direção.

"O que devo fazer... Como fazer...?" não paro de me perguntar, e em questão de segundos e no meu instinto automático eu pulo para o alto de olhos fechados sem saber onde iria cair.

- Ai! – falo sem abrir os olhos.

Quando os abro, me vejo em cima de um telhado duro, de pedra ou algo parecido.

- Foi por pouco em Wanttz – diz o garoto com asas do meu lado.

- Nossa... Também acho... – respondo eu respirando ofegante.

Num instante, percebendo.

- Eu... Estou falando... – digo para ele, me olhando todo, me vendo, me percebendo.

O garoto apenas olha para min e sorri alegre, mas rapidamente volta os olhos para a corrida.

- Ah! – é ouvido a longe.

- Droga... Problemas na corrida... -diz ele levantando voo e indo em direção aos corredores.

Sem que eu percebe se de forma clara, eu me levanto e corro atrás dele, e salto de telhado em telhado, apenas sentindo a liberdade dentro de min. Ate parar em cima de uma loja e olha para baixo, vejo o garoto anjo quase ser pisoteado pelos corredores que naquele ponto eram muitos volumosos.

Ele estava com a metade do corpo dentro de um... "Bueiro?".

- Nossa... – não sei o que era mais incrível. Ver aquele garoto quase cair dentro do "bueiro" por algum motivo, ou ver simplesmente um "bueiro" numa cidade medieval.

Quando a grande maioria dos corredores havia passado daquela rua da cidade. Ele começou a se esfregar e rastejar para fora. Com um homem-gnomo de dentro.

Eu olhei aquilo e rapidamente percebi alguém jogou o homem para dentro em algum momento para passar mais facilmente, provavelmente ele estava atrapalhando alguém.

O garoto conversa com ele brevemente e vai embora agradecendo pela salvação e, desaparece vagarosamente até sumir completamente.

Ele voa ate min.

- O... Que houve agora?... – pergunto eu sem entender absolutamente, nada.

- O que? O gnomo? Voltou para o mundo dele. Só isso. – responde o garoto tranquilamente.

- Mas...

- Ah!

Sou interrompido por outro grito, agora bem mais jovem e posso ver o que era. Justamente o que eu temia aquela criança, a mais jovem estava voando, mesmo sem ter asas, sem controle pelo céu, subindo. No meu campo de visão, o garoto com asas aparece voando.

Ele rapidamente pega a criança no colo.

Quase sem poder vê-los, e sem poder ouvi-los ainda.

Vejo apenas ele acariciar a cabeça da criança, coloca-la numa bolha colorida, mas que pendia para rosa.

Eu vejo também o garoto feliz, e salto novamente de telhado em telhado, até chegar um pouco mais perto.

- Esta vendo este jovem aqui? – fala ele para a criança – ele estava preocupado com você o tempo todo. – diz ele apontando para min.

- Eu... É... – gaguejo sem conseguir falar. Nesse momento a bolha, um pouco mais colorida começa a subir no céu.

E aquele belo céu azul era riscado e quadriculado por linhas brancas.

A criança agora estava com uma chupeta na boca que eu não havia notado antes. E enquanto ela subia, ela acenava com uma das pequenas mãos bem feliz.

A bolha foi levando a criança para um dos quadrados, que quando a tocou, sumiu lentamente no céu também.

- Eles voltam para o seu mundo, sempre que para eles mesmos, a corrida tenha acabado e eles queiram voltar para casa – diz-me o garoto olhando agora os outros corredores, saírem de dentro da cidade e entrarem na floresta que havia logo na saída da cidade.

- Eu também vou voltar...? – pergunto para o garoto.

- Claro – me responde ele – assim que tudo acabar. – completa ele.

- Acabar? Acabar o que? – pergunto para ele.

Ele sorri para min novamente, parece que ele realmente gostava de min, assim como eu sentia muita simpatia por ele.

- Assim que a corrida chegar ao fim. – diz ele olhando para a floresta, e depois ele olha para o castelo. – Vamos continuar a observar a corrida, jovem Observador. – diz ele levantando voo e seguindo para a floresta.

Eu estava me sentindo tão feliz, calmo e em paz que o segui com calma para fora da cidade.
Reações: