Ignis

Música: Adele – Rolling In The Deep

“...Via-se um jovem sentado em uma cadeira, num quarto meio escuro, com apenas a luz que vinha do lado de fora da única janela, iluminando-o de lado, projetando a sua sombra na grande parede bege, e na sua sombra, Asas...”.


Eu estava preso em uma sala, iluminada apenas com uma forte lampada branca, de pé, aguardando algo que me fizesse fazer alguma coisa.
A minha sala? Um Cubículo grande, coberto com lona preta.
E no chão? Areia branca e seca.
***
No andar de cima, um jovem garoto moreno de cabelos curtos, caindo apenas sobre a sua testa, mostrava  o seu corpo ligeiramente frágil porem bonito e bem cuidado.
Respirando lentamente, ele começava a bater o seu pé no chão ritmadamente, como se estivesse acompanhando uma musica triste.
Ele levantava o rosto, começando a cantar com a sua voz não muito fina.
Realmente, ele é jovem.
Cantando extremamente bem a sua musica que começa lenta, enquanto ele leva sua mão em seu peito, apertando-o sobre a camisa.
***
Ouço o bater de pés no andar de cima.
“sim... Era o que eu esperava...”.
Eu sou um Lobo preso, que agora ira dançar, pela liberdade de alguém especial.
Me apoio no meu cajado bem feito e lustrado, e fecho os olhos.
Jogo a cabeça para um lado e depois para o outro, mostrando os meus pelos negros do rosto, indo junto comigo.
Abro os meus olhos e mostro-os delicadamente sobre a luz branca, Eram castanhos. E quando as batidas de pé se intensificam acima de mim, começo a dançar dentro daquele espaço fechado, descalço, apenas vestindo o meu smoking, começo a dançar mais rápido, girando a cintura e o cajado, apoiando com força no chão enquanto começo a girar em volta do mesmo, sempre olhando serio e sentindo as batidas para acompanhar.
***
O jovem se levanta, continuando a cantar, e agora, sendo acompanhado  por um outro lobo de pelagem dourada, num espaço aberto, e batendo uma bateria. Fazendo-se ser sentido por toda aquela casa de aparência velha.
O Lobo dourado, apenas vestido normalmente, não mostra o seu rosto, mais vai intensificando a suas batidas, criando a musica de forma excepcional. Olhando pela casa, viam-se vários e incontáveis copos de vidro, todos cheio de água, que balançavam com a batida da bateria, como se sentissem ate as batidas de pé no andar de cima.
Ele continua a cantar, dando tudo de si, botando todo o seu sentimento para fora, enquanto cai sentado novamente na cadeira branca, batendo os pés e continuando a cantar aquele musica ritmada, olhando para a porta fechada no escuro...
Ele se levanta novamente, dando passos lentos e curtos em direção a porta.
***
De algum lugar da casa, se podia ouvir algo sendo jogado e quebrado.
Pratos.
Milhares de pedaços de pratos eram jogados do andar de cima da casa para baixo, quebrando sempre que batiam na parede.
***
Ele estava parado, olhando para a porta fechada, no meio do caminho. Em sua sombra projetada ainda era possível ver a suas asas, mexendo-se lentamente.
***
Enquanto eu dançava eu podia ouvir e sentir as batidas fortes da musica, do seu coração.
Ele estava  pronto para sair.
Tudo se intensificava, e não diminuía a velocidade de cada batia, se mantinham fortes e rápidas, me fazendo dar tudo de min.
A essa altura, eu já estava desenhando na areia branca, deixando o meu cajado desenhar sobre ela, e as minhas patas pisarem com força, levantando poeira branca e seca, enchendo a sala e mudando o ambiente.
***
Em algum outro comodo, Um pequena maquete estava feita e exposta. Toda de papel branco. Simples e bela. Frágil.
Ele se aproxima dela.
O jovem garoto a rodeia, passando a sua mão pela mesa que sustentava a maquete.
Ele a olhava com um olhar triste e um pouco frio.
E, lentamente, levantava a sua outra mão. Podia se ver uma chama em sua mão.
Ela não o queimava.
Ao terminar de rodear a mesa, ele levanta a sua mão para cima da maquete simples.
***
O Lobo de pelo dourado batia fortemente a sua bateria, fazendo o som fazer o maior nível possível.
Os copos de vidro, não mais vibravam, mas tremiam todos em harmonia com as batidas de som, da musica.
O Outro Lobo, depois de tanto dançar, quase não era mais visto em meio a poeira branca. Apenas a sua silhueta era visível. Uma sombra preta em meio ao branco, fazendo uma coreografia linda de ser vista de fora.
***
O jovem soltava aquela chama sobre o meio da maquete, que ao invés de começar com um leve fogo. Se Incendeia por completo. E Por um instante, era possível  ver as suas asas belas e brancas irem para trás com o fogo forte.
Ao se aproximar de perto, você poderia ver toda aquela cidade de madeira se incendiar com um fogo forte e inextinguível.
O jovem apenas olhava, deixando apenas uma lagrima escorrer pelo seu rosto, enquanto dava meia volta, sem parar de cantar a sua musica.
Em questão de segundos, a cidade estava queimada, e uma porta no quarto estava aberta.

E de repente, o silencio pairou sobre todos os cômodos da casa, agora totalmente vazia.
Reações: