penúltimo capítulo



Sedução
Capítulo 21
1

Os demônios cravaram as unhas dos pés na madeira do assoalho, preparavam-se para dar o impulso com que avançariam contra nos.
Seus olhos mergulhavam-se em escuridão perpetua e mantinham admiráveis incógnitas, mesmo sendo monstros aterradores eles ainda possuíam a habilidade de manter qualquer um sobre hipnose mórbida.
Mikael percorreu sua mão sobre minha cintura colocando-me para detrás de si. Eu consegui perceber o momento em que o azul de seus olhos aumentou de intensidade passando a brilhar como uma pedra preciosa.
“Safiras” – como os de Vic.
A camisa branca de Mikael começou a ganhar um volume grotesco nas costas, e quase tomei um susto, quando a mesma se rompeu em vários pedaços de tecido dando espaço as suas enormes asas brancas pinceladas de azul.
- Deixem-na em paz. Não há mais nada que possam usufruir a partir dela. Outro demônio já fez o serviço sujo de vocês. Vão embora agora! – a voz de Mikael era firme e compassada demonstrando um controle emocional e físico que só os anjos poderiam ter.
- Não estamos afim de diálogo com você protetor de homens, queremos a garota e não vamos sair sem ela – retorquiu um deles, deixando uma gosma sangrenta cair da boca.
“Eles estão alimentados” – raciocinei – “Mataram pessoas em algum lugar”.
- Tente pegar o colar, eu cuido deles, mas seja rápida – no mesmo instante virei para a pia buscando alguma coisa que servisse para quebrar o cano.
Os demônios avançaram contra Mikael, um baque estrondoso ecoou pelo ambiente, ele havia evitado a investida dos vampiros com a asa esquerda jogando-os de volta ao ponto inicial. O mesmo movimento sucedeu por seguidas vezes, talvez umas três ou quatro, até um deles conseguir desviar-se do golpe segurando em uma das asas de Mikael e cravando-lhe os dentes.
Abri as gavetas do balcão procurando por um pequeno martelo de cabo plástico que tinha certeza de estar por ali. Deus pareceu ouvir minhas preces submissas e quando abri a última gaveta da direita, lá estava o martelo, peguei-o e abri a porta da encanação abaixo da pia.
Comecei a bater contra o grosso e largo cano de PVC, as pancadas do martelo sacudiam a encanação, mas parecia-me que não tinha força o suficiente para quebra-lo, comecei a bater com máximo de força que meus braços permitiam.
Em um rápido olhar para trás, vi que o monstro continuava agarrado a asa de Mikael, mordendo-a. O outro tentava atravessar sua defesa também, porém os fortes músculos do braço de Mikael mantinha-o preso junto ao seu corpo. O monstro lutava para libertar-se, mas parecia que todo seu esforço era inútil, talvez Mikael só estivesse brincando de batalhar com eles.
- Mikael, eu não consigo, o cano simplesmente não quer ceder – falei, com as palavras entrecortadas pela respiração e os batimentos acelerados.
- Você é uma nephilim Amy, busque o poder que estar dentro de você, ache sua força.
- Mas como faço isso?
- Simplesmente acredite, o poder está com você, acredite que é possível e será.
Comecei a respirar fundo, Mikael começou a arquejar, se antes aquilo era brincadeira, então agora já não era mais, Mikael estava sentindo dor.
Fechei os olhos, e como em animes ou séries de TV, comecei a imaginar o que seria ter o poder em minhas mãos, tentei acreditar tê-lo, mesmo fisicamente olhando para os meus braços flácidos, meu corpo magro, tentei com toda minha imaginação e força de vontade querer ter o poder.
Em milésimos de segundo uma força sobre-humana percorreu meus músculos e senti-os se esticarem como uma esponja e diminuindo novamente.
Isso era o poder, meu corpo não havia mudado, não precisamente, mas eu podia senti-lo, podia sentir o sangue queimando em minhas veias, podia ouvir o que as pessoas conversavam a dez quadras de distância, sentir o cheiro podre dos restos de alimentos encanamento abaixo, e do sangue-ectoplasma derramado no piso da sala, podia sentir o cheiro de rosas que vinha das asas de Mikael, senti ser capaz de reerguer as pirâmides do Egito. Talvez por isso seres imortais como Mikael e Sawl lutassem até a exaustão completa, porque não tinham noção do tamanho da força que possuíam.
Você se senti capaz de realizar tudo – até que alguém prove o contrario.
Soquei o encanamento com toda a força que meu braço podia dispersar, o martelo quebrou-se, o encanamento quebrou-se, a pia caiu sobre minha cabeça partindo-se ao meio e minha mão continuou em movimento acertando a parede no lado esquerdo fazendo um buraco enorme.
Pela porta principal romperam subitamente Vic e Asta. Vic mantinha a postura humana comum, já Asta mostrava as asas brancas enormes – maiores que as de Mikael - pinceladas de preto, a marca dos anjos guerreiros, e empunhava uma espada de lâmina dupla reluzente.
O guerreiro avançou ferozmente contra o vampiro que mordia a asa de Mikael acertando-lhe um golpe profundo na altura do estomago, a espada atravessou-o e a fera soltou o anjo para dar um grito de dor.
Logicamente aquilo não seria o suficiente, uma vez que anjos e demônios só podem entrar em embate, porque durante o tempo em que estão na terra são completamente imortais uns para os outros.
Asta girou em seu próprio eixo para fazer com que a espada destroçasse o demônio ao meio, porém este foi mais rápido, tirando por si próprio a espada de seu corpo e em seguida usando-a para saltar por cima dos dois.
Ele veio diretamente em minha direção, tudo aquilo havia acontecido muito rápido, eu continuava agachada junto a pia encarando os pedaços de PVC, mármore e tijolos aos meus pés.   
Tateei entre os cacos rapidamente, e achei o colar, segurei-o firme em minhas mãos, e foi como por o diabo na cruz e expor para todo o inferno.  
O monstro em minha direção recuou ferozmente, dando um giro durante o pulo com que chegaria em mim. Uma fumaça negra apareceu por todo lugar, vindo dos demônios atordoados, o que me atacaria recuou próximo a parede esquerda da sala, ele esfregava com força as mãos sobre o nariz, com tanta força que as unhas chegavam a penetrar e rasgar a carne liberando sangue, o outro esperneava nos braços de Mikael, até que este soltou-o e o os dois vampiros sumiram, deixando para atrás uma fina fumaça negra que se desfazia aos poucos.

2

Vic acabara de voltar com novas janelas iguais as usadas anteriormente e Asta agora começara a pô-las no lugar.
A sala agora encontrava-se limpa e um dos incensos de minha mãe – aquele que continha verbena – queimava.
Mikael estava fazendo massa com cimento para concertar o buraco causado por mim na lateral da pia – está também já tinha sido reposta.
- Alguém finalmente pode me dizer aonde minha mãe se encontra? – questionei, desde o dia anterior quando cheguei em casa minha mãe não estava, e Vic recusou-se a dizer qualquer coisa sem a presença de Mikael. Bem, agora ela teria que falar.
- Ela está dormindo – disse Mikael, pondo uma colher de massa no buraco.
- Mas como assim dormindo? – retorqui, incrédula.
- Um de nossos anjos a pôs em sono profundo, ela está em seu quarto, deitada. Se quiser chegar... – disse, apontando as escadas.
Saí da sala como raio subindo as escadas que rangiam, entrei no corredor seguindo até o fim onde ficava o quarto de minha mãe.
Quando abri a porta, ali estava ela, deitada dormindo tranquilamente.
Não podia acorda-la, não com a casa passando por uma “reforma” e cheia de anjos.
Aquele colar não sairia mais do meu pescoço não importava o que eu viesse a fazer.
- Acho que deve deixá-la descansar um pouco mais mocinha – disse uma voz baixa, calma e esvoaçante como folhas de outono ao vento.
Quando viro-me, deparo com duas figuras altas como colunas gregas, e esbeltas como bambus verdes. Trajavam roupas humanas – que provavelmente seriam muito bem usadas por atletas de basquete – um tinha os cabelos espessamente negros, longos na altura dos ombros. O outro tinha os cabelos brancos e um pouco crespos, também longos, tinham os olhos na mesma tonalidade azul marinho e a pele tão pálida que pareciam serem feitos de gelo.
- Quem são vocês? – indaguei assustada, apesar de saber que se tratavam de anjos obviamente.
- Deixe-me apresentar a você Haymo e Hayto, os gêmeos. – pela tonalidade empregada por Mikael, que surgiu entre os dois, aquilo deveria ser um titulo “os gêmeos” – eles são serafins, mestres da manipulação da mente e estudiosos da raça humana e de todas as outras.
- Foram eles que puseram minha mãe dormindo?
- Sim. Fomos nós.
Minha mente começou a associa-los com fatos anteriores. Teriam sido eles os dois anjos que carregaram Sawlver anteriormente na Great Falls High School?
- Espera. Vocês são os mesmos anjos que tiraram Sawl da quadra poliesportiva ontem?
- Sim, nós mesmos. Antes de tudo aquilo passamos em sua casa para fazer os preparos necessários. Não sabíamos da existência de um vampiro ou que você estava em perigo naquele instante. Tudo o que sabíamos é que tínhamos este segredo a lhe revelar, então tínhamos de dar um “jeito” em sua mãe – disse Haymo, o que possuía cabelos escuros, assim sendo Hayto era o de cabelos brancos e crespos.  
- E por quanto tempo vocês acham que ela deve dormir?
- Só por mais algumas horas – retorquiu o outro.
- Teremos que alterar e implantar lembranças em sua memória, para que ela não se lembre de nada que aconteceu e para que pense que tudo correu tranquilamente durante seu aniversário.
- E para isso é bom que esteja fisicamente estável, para que não haja falhas, alias estamos em uma ação onde não pode ocorrer falhas, pois elas podem serem cruciais. Concorda?
- OH! Sim, sim! – disse.
- Amy – chamou Mikael – Pode vir comigo um momento?
- Claro. É...
- Não se preocupe, eles cuidaram de sua mãe. Venha! – chamou.
Segui Mikael que retonava para meu quarto, na sala, Vic e Asta estavam a terminar de repor as janelas.
Mikael esperou que eu entrasse em meu quarto e fechou a porta.
Caminhou até a cama e pegou o grosso livro da biblioteca.
- Este livro – começou a dizer – tem muitas informações importantes, tirando o fato sobre os nephilim esclarecido mais cedo, todos os fatos aqui descritos são de inteira ou parcial realidade. Não posso esperar e nem devo, simplesmente passar horas a fio a falar-lhe sobre nós, os anjos, ou sobre os demônios e o vampirismo. E necessário que você mesma descubra tudo o que precisa, que a mim você só direcione dúvidas, mas você tem que fazer isso sozinha e da forma que desejar.
Ele esticou o braço para entregar-me o volume.
Peguei-o e coloquei-o entre os braços junto ao abdômen.
- Então você quer que eu leia? – indaguei.
- Somente aquilo que julgar necessário. Avalie o índice, e enfim... – ele parecia um pouco constrangido, como se eu fosse encontrar algo que não queria nas páginas daquele livro.
- Certo. Vou fazer isso.
- Vou deixa-la a sós. É... Boa leitura?
- Sim – os dois deram risos leves, num tanto disfarçados de cabeça baixa.
- O.K – disse ele, e saiu fechando a porta com leveza.

3

Passei a mão sobre a capa e dessa vez pude sentir a energia que continha as letras do título “A Hierarquia dos Anjos”.
Abri-o e passei as duas primeiras páginas – uma em branco e outra repetindo o título – até chegar ao sumario seguindo a dica de Mikael.
Meus dedos percorreram os títulos e subtítulos dos capítulos. Tive vontade de ler diversas coisas primeiramente, como Nephilim – afinal eu queria saber mais sobre eu mesma – ou “Os celeste” com subtítulos com as classes angélicas “serafins, querubins, ofanins...” mas, um título me chamou a atenção de forma absurda, meus olhos saltaram ao ler “Vampiros”.
Passei imediatamente para a página mostrada, que indicava as seguintes inscrições:



... Os vampiros possuem diferentes raças que especificam seus clãs, seus hábitos, suas crenças e suas leis. As raças se dividem em:

Toreadores


Esses vampiros são os que mais se assemelham com os humanos. Eles ainda mantêm viva sua paixão pela Arte mundana e valorizam muito sua humanidade. Em geral seus neófitos são abraçados por serem artistas natos, tanto faz se ele é um escritor. um pintor ou até mesmo um tatuador. O que importa para o clã é a arte que o novo Mambro possui dentro de si. Os Toreadores possuem muitos príncipes na Camarilla pelo fato de possuírem um Status imenso entre os Vampiros em geral. Eles também acompanham a moda dos mortais e suas festas são de surpreendente grandesa. Sua principal disciplina é a Presença e sua fraqueza é o fascínio pela beleza.

Tremere




Traição, cobiça e poder. Estes são os interesses deste clã de magos mentirosos (a Camarilla não aconselha o contato com este clã). Tremere foi um grande mago descendente da antiga ordem de Hermes. Sua capela se localizava na Romênia e todos os seus discípulos eram friamente fiéis a seu senhor, principalmente dois de seus servos: Goratrix e Etrius. Goratrix descobriu o refúgio de Salout (o antediluviano fundador do clã Salubri), praticou experiências com vampiros dos clãs Tzimscie e Nosferatu, trazendo o sangue vampiro para a capela central do clã. Como os tremere são "motos-vivos" e não podem usar mágica verdadeira (que necessita do avatar para serem realizadas), eles praticam a disciplina taumatúrgica através de rituais que é, nada mais nada menos que, a magia do sangue.

Ventrue



Os Ventrue são os chamados "Sangue Azul" pela Família, eles atribuem a si próprios a fundação da Camarilla e defendem suas leis acima de tudo, em sua maioria são empresários de renome e/ou controlam impérios fabulosos e dinheira às custas de fracos mortais que não são capazes de resistir à sua principal disciplina: A Dominação. A maioria dos príncipes da Camarilla são Ventrue, e seus Justicars são os mais respeitados por todos os Membros (até mesmo pelos Brujah).

Brujah


São os chamados Anarquistas pelo seu povo. Os Brujah defendem a liberdade acima de tudo. Seus ideais e costumes não são vistos com bons olhos pela Camarilla. Após a destruição de Cártago (a segunda cidade, dizem que foi Brujah öu Trolle"quem a idealizou para ser uma cópia da primeira cidade, destruída pelo dilúvio) atribuída aos Ventrue, o clã guarda um imenso ódio pelos "Sangue Azul", não perdendo a oportunidade de humilhar, e até matar, seus arquiinimigos dominadores. Sua principal disciplina é a Potência.

Malkavianos



Os insanos. Os Malkavianos não possuem um grau elevado de raciocínio, ou melhor, seu raciocínio é bastante restrito. É aconselhável nunca tentar entender os pensamentos de um Malkaviano. Geralmente residem em hospícios ou sanatórios e possuem um dom chamado "Tempo Malkaviano", que permite com que diversos membros do clã se encontrem sem terem organizado nada com antecedência. Esses encontros raramente ocorrem. Diz a lenda que o próprio pai Caim amaldiçoou Malkav com a loucura. Motivo? Desconhecido. Eles usam o Auspício (auspex) como disciplina principal para brincar com a mente de suas vítimas.

Gangrel



Os Gangrel são aqueles vampiros calmos, mateiros, que apreciam a natureza e todo o seu esplendor (assemelhando-se bastante com os hábitos Lupinos). Não possuem refúgios próprios e dificilmente ficam em alguma cidade por um longo período. São nômades. Também são um dos clãs que mais se assemelha aos clássicos vampiros (alguns possuem a habilidade da transmutação, podendo adiquirir a forma de morcegos ou lobos). Seus costumes são extremamente parecidos com os do povo "Rom" (Ciganos). Dizem que os Gangrel podem até possuir alguma aliança com os Lupinos. Sua principal disciplina é a Metamorfose

Nosferatu


São os rejeitados pelo mundo. Os Nosferatu possuem aparência assustadora, mas sua união é algo de muita grandeza. Eles retêm as maiores redes de informação de toda a Camarilla. Seu habitat natural são os subterrâneos da cidade, que eles conhecem como a palma de sua pobre mão. Por terem uma aparência repugnante, sua principal disciplina é a Ofuscação.

Era um alto nível e quantidade de informação. Minha cabeça começou a doer e minhas mãos soavam.
Um calor incrível tomou conta de meu corpo, era tensão demais. Em pleno inicio de inverno e eu estava a caminho de ligar o ventilador, uma ação que poderia até meso ser hilária.
Pus o aparelho de frente para minha cama e o liguei, quando as hélices começaram a girar algumas páginas do livro moveram-se com o vento.
- Mas que Droga! – reclamei.
Quando volto para cama e olho a página me deparo com o título “Os Caídos”.
Aquilo me interessou bastante e comecei a leitura.
No livro dizia que, “Os caídos” bem diferentes dos demônios, não foram expulsos juntos com Lúcifer, eles pertenciam a uma outra geração de renegados. Caídos eram todos os anjos que possuíam filhos nephilim, pois assim eram expulsos do Céu.
O que veio a seguir foi o que realmente me surpreendeu, pois foi contra o raciocínio que estava tendo de o motivo de serem Caídos os anjos que possuíam filhos nephilim.
Eles não eram expulsos por possuírem filhos “bastardos”, mas sim pela pratica ao qual os levava a tê-los.
O anjo que praticava o sexo com os mortais perdia as asas, ou seja, sua divindade.
Eles se tornavam mortais. 
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