Sedução
Capítulo 20
1

- Suicídio? – indaguei, meus olhos quase saltaram para fora da órbita, como assim?
- Calma – pediu Mikael – você precisa permanecer calma para que possa compreender isto e muitas outras coisas. É como lhe disse, sim suicídio, ele usará seu poder de sedução, para criar ilusões tentado fazer com que você se mate.
- E como evitar isso, e o veneno?... – meus lábios já se movimentavam para proferir mais perguntas, quando mais uma vez, Mikael pós seu dedo médio sobre meus lábios.
- Não há como evitar, não exatamente, quanto ao veneno já estamos elaborando um antídoto, mas levará dias até que fique pronto. Precisamos assim vigiá-la dia e noite para que não cometa nenhuma besteira.
- Meu Deus, isso não está acontecendo – a frase pareceu ser pronta, estar previamente preparado para o momento – eu não acredito que isso está acontecendo comigo – qual expressão não seria mais comum do que está?
- Olhe – disse ele, depois de um breve minuto de silêncio enquanto eu fitava minhas mãos cruzadas sobre o colo e ele pegava algo sobre a escrivaninha – este é um colar de prata – mostrou-me ele, um lindo colar de prata reluzente, que portava um pingente em forma de rosa, “mais uma vez, outra rosa” – dentro do pingente está contido folhas de uma erva sagrada, chamada verbena.
O nome não me era estranho. Alguma vez já tinha ouvido ou lido-o em algum lugar. Minha mente de forma desesperada buscava saber de onde.
- Qual o nome da erva? – perguntei, buscando certeza no que ouvira.
- Verbena, ela é comum por quase todo o mundo, típica até eu diria dessa região norte-americana.
Saltei da cama como um gato quando se assusta, Mikael espantou-se com meu átimo de movimento.
- Para onde você vai?
- Cozinha! – exclamei, já descendo a escada.



2

Minhas vestes naquele instante limitavam-se a uma camiseta cinza, e por baixo ainda estava apenas de roupa intima, não havia nem mesmo pensado no assunto quando saltei da cama às pressas.
Não sentia fome, muito pelo contrario, meu estomago revirava em ânsias. Se comesse alguma coisa, está teria efeito inútil, pois seria jogada de volta quase que no mesmo momento em que chegasse dentro de mim.
Meu objetivo era outro, tinha a certeza de ter visto algo relacionado ao nome da tal erva.
- É característica dos Nephilim, quando enfiar uma coisa na cabeça não descansar enquanto não consegui-la? – questionei, enquanto revirava as gavetas do balcão próximo a pia.
- Sim. É verdade – afirmou ele – posso saber como chegou a uma resposta tão eficiente Srta. Dabroven.
- Enfiei em minha cabeça que sei de onde conheço está erva.
- E não vai descansar até lembrar de onde? Certo?
- Mais do que certo – agora eu era quem respondia as perguntas?
- Como eu dizia – continuou ele – é uma erva comum, talvez você já tenha bebido um chá, visto-a em um jardim botânico em passeios escolares, livros, revistas, até mesmo incensos.
“Incensos” – era a palavra xeque.
- Isso! – afirmei, apontando para ele.
- Isso o que?
- Incensos – reafirmei, peguei uma luva descartável em uma das gavetas do balcão e abri a lata de lixo, olhei dentro previamente e em seguida enfiei a mão em busca do objeto premeditado.
Uma caixa retangular de incensos.
- Minha mãe tem paixão por incensos, e esse contem algo relacionado a verbena – disse a ele enquanto lia os inscritos na lateral da caixinha.
- Deixe-me ver – pediu – é verdade – aludiu consequentemente – existe verbena neste incenso. Mas por que o entusiasmo em relação a isso? Eu não entendi.
- Na noite posterior a está, foi a última vez que Sawlver esteve aqui, e quando ele chegou agiu de forma estranha dizendo que estava sentindo um cheiro não muito confortável, eu deduzi ser o incenso e realmente era. Só após retirar o incenso, jogando-o fora, foi que ele finalmente resolveu entrar.
- Essa é um situação interessante.
- Como esta coisa me protege realmente afinal de contas? – quis saber.
- A erva emite um odor que é altamente repugnante para os vampiros, ela os mantém a quilômetros de distância, é impossível para eles chegar perto.
- Isso me preocupa – afirmei.
- O que? – indagou ele.
- Se tinha verbena aqui e mesmo assim ele conseguiu chegar até a porta, então não será uma proteção muito efetiva, não acha?
- Possivelmente, ele deve ter sentido sim o cheiro da verbena, porém a quantidade de concentração da erva neste incenso é muito baixa para causar um real incomodo.
- Mesmo assim ele ainda preferiu pedir-me para retirá-la do ambiente. Mas e enquanto ao colar? E... Por algum acaso anjos e demônios tem apreço por rosas? – perguntei, olhando fixamente o pingente em forma de rosa, bem parecido com o que Sawl havia me ofertado, sendo que esse era como um daqueles que você pode abrir e ver alguma coisa dentro, “foto, mensagem, espelho” este  continha uma erva.
- A questão da rosa é bem histórica, velaria um bom tempo até que ela ficasse clara para você, mas no momento certo e oportuno lhe contarei. Enquanto a eficiência do objeto fique despreocupada, uma vez junto ao corpo esse objeto multiplica o poder da erva dentro, é um colar mágico, basicamente.
- Mas se ele estiver longe...
- Não funciona, o poder só é ativado quando a o contato com o corpo, uma vez afastado a erva para de funcionar para preservar suas propriedades, sendo que, este colar que você segura tem mais de duzentos anos.
- Minha nossa! – exclamei.
- E a última pessoa a utilizá-lo... Foi sua mãe quando estava grávida de você.
- Hã? – indaguei, sem entender.
- Exatamente. Quando sua mãe estava grávida, seu pai ofereceu-lhe este colar, ela o usou durante toda a gravidez, sendo que quando ela saiu da maternidade não o encontrou em lugar nenhum desde então.
- Minha mãe sabe sobre mim? – fiquei impressionada com o fato de a pergunta ainda não ter me atingido antes.
- Não – respondeu ele – Ela acha que você é uma pessoa normal como qualquer outra.
- Minha cabeça está doendo novamente – pus a mão sobre a testa, sentia-me um pouco febril – acha que ainda é alguma coisa relacionada a questão da maioridade nephilim.
- Com certeza. Levam dias até que todo o processo seja concluído, mas o pior já passou, o primeiro dia sempre é o mais horrível.
Ele se aproximou de mim, fazendo o mesmo que eu. Colocando sua mão sobre minha testa, seus olhos analisando minhas expressões como antes.
Virei para a pia.
- Está um pouco quente demais, acho – tentei desviar os olhares.
Abri a torneira, e coloquei a mão embaixo em forma de concha na tentativa de lavar um pouco o rosto. Mas água estava quente demais, o regulador de temperatura ao lado estava no máximo.
Por impulso, quando senti a dor do toque dei um breve grito, abafado pela mão de Mikael. Com o susto acabei soltando o colar que estava na outra mão, este desceu diretamente pelo ralo da pia.
Puxei a mão de Mikael de minha boca para poder falar a expressão que queria.
- AH! Meu Deus! – meu coração ficou acelerado, no mesmo instante, consegui escutar o colar descendo e parando ficando preso na curva do ralo.
Eu e Mikael mantínhamos a respiração parada, quando ouvimos o colar enganchar, soltamos juntos a lufada de ar em alivio.
Ainda podíamos pegá-lo de volta.
Mas o alivio foi momentâneo, no mesmo átimo com que descansamos a respiração, um som estrondoso rompe pela sala. As duas janelas da frente estavam estilhaçadas, cacos de vidro e pedaços de madeira se espalhavam pelo chão.
E bem em nossa frente, algo que realmente não esperávamos, dois vampiros em forma demoníaca, assim como Sawl no colégio posteriormente.
Suas bocas estavam abertas, e eu podia ouvir seus corações altamente acelerados.
Estavam prontos para o ataque.  



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