Sonhos de uma Noite

"Quantos sonhos é possível ter numa noite...? Quantos sonhos você consegue se lembrar que teve está noite...? Uns dizem que não sonham, e outros dizem que sonham tanto que não conseguem contar ou se lembrar... Cada pessoa tem um sonho diferente... Seja lucido ou não..."


Na última noite, saindo do meu trabalho. Senti um típico vento que as pessoas notam, mas não entendem.

Olhei para o céu e vi um céu escuro e com algumas estrelas.

Morar na cidade tem a privação de você não ver as estrelas como gostaria ou poderia.

Esse vento, esse céu, esta noite me disse em meu coração:

"Escolha".

Eu escolhi aceitar.

Escolhi decidir fazer tudo do jeito que eu poderia e conseguia dentro das minhas possibilidades.

Escolhi esperar pelo ônibus que eu queria, mesmo que esperasse mais.

Escolhi fazer exatamente o caminho para casa que me fazia sentir bem. Mesmo sabendo do perigo e da hora da noite, numa cidade grande como essa.

Tive muitos contra tempos, minha própria visão me alucinava pela segunda vez numa mesma noite.

Via coisas que não estava coerente e muito menos, corretas.

Por falta de controle sobre mim, não pude fazer como exatamente quis, mas fiz maior parte. Isso que importa.

"Dar valor ao que voe consegue, não ao que você deixou de conseguir." É algo que está muito bem fixo a minha mente.

***

Ao chegar em casa, decidi que iria dormir quando o sono chegasse. E para isso fiquei acordado. Me distraindo, vendo o que aqui é chamado de "televisão" e depois para o meu "videogame" até o sono chegar.

Antes de dormir, tive uma longa e agradável conversa com quem gosto. Um jovem garoto aprendiz meu. Um garoto excêntrico mais que me agrada a presença, assim como a minha agrada a ele.
Fui me deitar. Fechei os olhos tranquilo e até feliz.

***

Abri os olhos e me vi numa cidade de serra, muito longe eu podia ver o mar. E do meu lado, quase a minha frente, um hotel pequeno ou pousada.

Eu caminhava em meio a terra molhada vendo o sol nascer naquela bela manhã, pelo clima, se fosse numa cidade poderia chutar ser um domingo, mas ali, era impossível adivinhar qualquer coisa.

Enquanto eu caminhava eu olhava as placas e as casas, todas belas e bem arrumadas, com cores simples e diferentes de branco. Como por exemplo, via uma casa bela e simples, com uma chaminé que estava acessa, apesar de ser de manhã, era cor bege mas tinha um muro alto.

A Pousada a minha frente não tinha muros, apenas uma cerca de ferro presa no chão, e mesmo assim, retorcida.

A placa marcando o número da pousada era muito simples e bela, era feito de porcelana e estava muito bem limpa, diferente do ferros retorcido do portão.

Sem contar que não havia portão para fechar. Havia apenas cerco de ferro.

Fui entrando com calma enquanto olhava curioso a pousada pelo lado de fora.

Apesar de não ser chamativa, estava bem cuidada.

Quando cheguei na porta. Uma moça em meia idade me atendeu.

Ela me reconheceu, não sei de onde. E pediu que eu entrasse.

Ela me apresentou a um senhor de idade que pediu-me abruptamente que ajuda na pousada.

Concordei muito feliz, principalmente por que ajudaria na cozinha também.

Enquanto eu varria o lugar sem pressa, apreciando um pouco a paisagem, pude ver poucos hospedes saírem. Nenhum me notou.

Apesar deu não desejar ser notado por qualquer um.

Estava eu dentro da cozinha, levando o lixo para fora.

Por algum motivo era o meu último serviço.

Via um homem, aparentemente simples saindo, parecia decepcionado.

O vi sair, entrar em seu carro simples e ir embora.

A mulher saiu do dentro da casa com o senhor ela me falou.

– Aquele era o homem que ia comprar a pousada. Ele trouxe o dinheiro na mão e mostrou ao meu marido, disse-lhe que comprava esse lugar e que faria um investimento aqui. Derrubaria a pousada que já não fatura muito para construir algo muito maior e chamativo.

A mulher parou de falar e abraçando o marido, respirou aliviada enquanto eu pensava no homem. "Apesar de se vestir simples era alguém com dinheiro, então provavelmente estava se vestindo daquele modo de propósito para não chamar a atenção".

Ela voltou a falar e a concluir.

– O meu marido negou a proposta dele. Fiquei muito feliz e ao mesmo tempo preocupada pela falta que o dinheiro poderia fazer. Mas a felicidade de ter a minha casa não derrubada me dava forças para viver até o fim, Aqui.

– Ah... Meu jovem... - Me chamou o senhor – Muito obrigado... de coração por nos ajudar um pouco aqui, só trabalha eu e a minha esposa nesta pousada por isso pedimos a sua ajuda... - agradeceu o senhor falando feliz – realmente, você especial por ajudar sem cobrar.

Fiquei corado e sem jeito, dando um sorriso simples.

Virei o olhar para trás deles e vi um cão grande e dourado, o reconheci, e fui até ele, e sai do local em cima dele.

***

Assim que me vi no novo local, fiquei surpreso em me ver na rua da casa de meus avós.

Uma rua normal de cidade, asfaltada, com bares, mercadinhos e tudo mais que se precisa a volta.

Comecei a descer a rua tranquilamente. Estava no momento matinal aqui também. As pessoas estavam acordando e começando a fazer as compras para o café da manhã. Muitos eram pessoas maduras ou idosas do bairro.

Enquanto eu descia, passei por um mercadinho. Olhei para dentro e vi alguém que sempre amei muito. Uma parente minha.

Minha avó paterna.

Na hora me vi, abrindo um sorriso e andei até ela, e reparei que estava de mochila.

Sem dar importância cheguei nela e falei.

- Bom dia vó! – todo animado.

Ela me virou e deu um belo sorriso, mas com uma feição de quem estava com algum problema. Prestei mais atenção e reparei.

Um monte de saco de pão e ela tentando carregar sozinha e abrir a bolsinha com moedas para pagar ao mesmo tempo.

Não resisti a cena e comecei a rir humildemente para ela, pegando os sacos e deixando que ela pagasse.

Depois de pagar eu sai com ela do mercadinho. Entreguei para ela os pães e quando fui conversar com ela, ouvi nitidamente a sua voz dizendo.

- Muito obrigado Fê. – ao dar o passo seguinte, cai num rio imenso.

Nadei a superfície e me deparei com uma floresta, enorme. E o rio, era muito largo.

Mas enquanto eu ficava parado, observei o reflexo do pôr do sol no rio. Tudo brilhando em cor de dourado.

- Pôr do sol...? Como...? – perguntei a mim mesmo.

Me virei para o lado e vi grandes homens morenos e de cara pintada.

- Índios? – perguntei.

- Sim – responderam me – sabemos quem você é, e agradecemos por ter vindo aqui. Mas ainda é cedo para você, vamos manda-lo de volta. – disseram me segurando as mãos e me colocando deitado e flutuando no rio.

O rio se acalmou quando eles me cercaram, e me fizeram girar lentamente nas águas calmas.

Fui fechando os olhos calmamente, observando o rosto de cada um. Até fecha os olhos por completo, ouvindo o som da mata. Até não ouvir mais nada.

Apenas pássaros cantando e um clima muito quente.

Abri meus olhos rapidamente e vi um teto branco com um ventilador girando devagar.

- Onde... – parei de falar antes de terminar a frase. Não adiantaria perguntar onde estou.

Me levantei e caminhei até o parapeito.

Eu estava em outra pousada. Mas esta era maior. E estava numa cidade grande.

- Que lugar estranho... Parece uma mistura de Roma com zona leste da cidade onde vivo... – comentei o meu pensamento em voz alta.

Mas me agradou o lugar. Atrás de mim havia uma mata conservada que trazia umidade e a minha frente o mar.

Na rua abaixo de mim, crianças estavam brincando, correndo com uma bola e do lado direito, homens trabalhavam arduamente para erguer algo grande, muito grande.

Eu olhava e continuava comentando em voz alto, como se alguém me escuta se.

- Com certeza vai ser uma bela obra, no que depender do esforço de cada um deles. – comentei sorrindo como se já soubesse o que iria nascer daquele vasto campo de obras.

Me virei e voltei para o quarto, e saindo dele, desci as escadas, estava tudo vazio.

Caminhei para a saída e ao passar por ele, senti a minha mente vibrar.

Fechei os olhos e coloquei a mão na cabeça.

Quando abri novamente os olhos.

Eu havia voltado para o local onde minha avó morava.

Mas agora na parte mais alta, antes da casa dela.

Eu estava conversando com uma garota do meu lado.

"Garota...?" Pensei comigo enquanto olhava para ela e ouvi ela falar coisas sem sentido ou importância.

- Ah Felipe! – exclamou ela parando de descer a rua comigo e me olhando – Volta na loja lá em cima para mim, e busca o pente que compramos para mim? Por favor?! – ela me pedia fazendo manhã.

- Ok, ok... – respondi para ela.

Ela ficou toda feliz e desceu na minha frente enquanto eu voltava a subir a rua.

"Pente...? De manhã...?" Pensei comigo e no exato momento lembrei que eu havia estado com ela e compramos para ela um pente, muito grande.

Enquanto subia fiquei pensando e ao entrar na loja um homem, obviamente homossexual, me atendeu no balcão. Mas não era uma loja.

Era um salão o local onde ela havia deixado o pente.

Um salão diferente, pois meus olhos não viam mulheres humanas.

Viam...

- Seres em forma de mulher...? – me perguntei em tom de voz baixa até o atendente me interromper.

- Sim! Senhor...? – me perguntou de modo esdrúxulo – O que deseja? – me perguntou novamente enquanto lixava e olhava as próprias unhas.

Eu olhava para aquele homem e não sabia o que pensar, pensava apenas.

"Eu hein..."

- Eu gostaria de pegar o Rímel que a minha amiga deixou aqui por favor. – falei para ele, olhando para um guarda-volumes mas atrás no salão, até que pensei.

"Rímel? Não era pente? Como sabia que era rímel? ..."

Logo após eu pedir, um funcionário do salão, um jovem homem moreno e de regata, suando com o local abafado, apareceu com o rímel nas mãos. Era realmente grande.

- Este aqui senhor? – me perguntou o jovem.

- Sim, sim. – respondi a ele o olhando. Eu via naquele homem, mais robusto e mais sofrido, uma beleza que eu não via no outro, e sentia que ambos tinham feito a mesma escolha de vida, mas cada um, ao seu jeito.
"Entendi... As minhas escolhas..."

Peguei o rímel com as duas mãos.

Agradeci aos dois e desci correndo para encontrar a minha amiga.

Assim que a vi, parei e entreguei o rímel dela para ela.

Ela se virou e deu um sorriso de agradecimento para minha pessoa, como se não fosse mais a mesma pessoa.

" Não era... Realmente, nada de pessoas nesses locais, certo?"

Pensava comigo mesmo.

Ao sorrir para mim.

***

Acordei em minha cama.

Já estava cedo, de manhã.

O céu não estava azul, estava cinza, pois eu dormia de janela aberta, podendo ver o céu ao acordar.

Mas aquele céu me era bom e tranquilo.

Sorri para ele enquanto respirei fundo e falei.

- Bom dia a todos.
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