Mais Um Concerto

Musica: I Feel Immortal – Tarja Turunen

“Mais um concerto de gala iria acontecer naquela noite. Um concerto ao som de piano e apenas voz. Apenas mais um concerto...”.



Um renomado pianista foi escolhido para tocar nesta noite especial para várias celebridades, políticos e religiosos. Todos conversavam sobre aquele dia especial para a música clássica nas mãos do novo pianista de grande sucesso.

Todos os homens e mulheres em trajes especiais para a ocasião, poucas crianças eram vistas por ser um evento clássico. A maioria eram pessoas de idade avançadas e adultas. Porém todos, muito bem vestidos.

- Eventos como este são lindos... Mas normalmente sempre tem gente que eu detesto... – Eu falava para min mesmo, sentado no topo, em cima do camarote de luxo.

Daquele ponto eu conseguia olhar tudo e a todos, e mesmo que alguém pudesse me ver ou me ouvir, neste ponto, difícil alguém me notar.

Após alguns instantes para o público se aconchegar em suas poltronas e todos os convidados chegarem e se sentarem, as luzes diminuem e a cortina sobe lentamente para bem alto, revelando, além do tablado excelente e madeira nobre, muito bem conservado por sinal, um incrível piano preto e grande com o banquinho pequeno.

Eu olhava aquilo atento, com o rosto sério.

- Estas árvores... – Dizia eu baixinho enquanto observava o local – Espero que seus sacrifícios sejam bem cuidados por séculos aqui...

Logo após eu terminal de pensar alto para min, o pianista entrou caminhando devagar. Um garoto jovem e bem vestido.

- Olhar vago... – comentei comigo.

Lentamente o jovem pianista caminhava pelo tablado em direção ao piano.

Algumas pessoas cochichavam entre si sobre a aparência bela do jovem garoto.

Logo ele se sentou no centro do palco e todos se silenciaram.

Ajeitou-se no pequeno banco ligeiramente confortável, passou os dedos nas teclas do piano suavemente sem pressiona-los.

Eu o olhava atentamente e notei um leve suspiro dele.

Ele levantou as mãos e começou a tocar a sua música.

***

No Subúrbio da cidade.

Um homem mal vestido caminhava pela rua mal iluminada pelas luzes dos postes. Algumas piscavam enquanto ele passava com as suas roupas velhas e rasgadas.

E velho parou sob a luz de um poste e olhando para uma parede.

Uma câmera de vigilância grava a sua presença.

Ele falava sozinho, ninguém passava naquela rua naquele momento.

Eu também “estava” lá. Olhando aquele senhor do alto de uma arvore, sentado em um tronco. Observando o estado daquela alma.

- Este homem... – Eu o olhava falar sozinho, para a parede, poste e câmera de vigilância, aumentando o tom de voz rápido, indignado.

Falando mais e mais alto.

***

No Teatro.

O pianista continuava a tocar a sua música em tom belo e melancólico.

- Você está triste jovem... Eu entendo a sua música, está triste e solitário. Não se importam com a sua felicidade... – As pessoas ouviam a música em silencio com vários murmúrios e comentários de como a música era bela e bem tocada, com notas firmes e simples.

Uma mulher, sentada no local mais alto do teatro comentava com o seu marido.

- Espero que nosso filho seja tão talentoso quanto este jovem artista.

- Ele será amor. Colocaremos ele para estudar bastante e assim ser um grande artista – respondeu o marido ao seu lado.

Eu Preferia não estar inteiramente aqui agora. Pensei comigo mesmo.

***

Na Rua novamente, o velho homem começava a gritar e a brigar com a câmera.

O Segurança que olhava a câmera apenas observava sem dar atenção.

Algumas pessoas que passavam do outro lado da rua evitavam olhar para ele, e uma mãe com a sua filha apressaram o passo com medo do homem.

Este, parando de gritar, pegou a sua sacola de lixo, olhando para o saco e abrindo-o.

Vislumbrando as “coisas” dele, fechou o saco novamente e voltou a caminhar.

Brevemente escorreu uma lágrima do rosto do homem enquanto ele caminhava.

Parou em um cruzamento não muito longe onde agora, havia outra câmera gravando o seus passos.

O Homem olhou para os lados, com pensamento longe, colocou a sacola nas costas e começou a atravessar, lembrando-se do passado, de seu filho amado.

Esbravejando barulho, um carro em alta velocidade se aproximava em outro sentido, com vários jovens dentro fazendo barulho e música alta.

O motorista jovem vira o volante para virar para a direita, com os olhos semifechados e a vista embaçada da bebida, apenas ouve o barulho de bater em algo e vai embora.

***

O Pianista começava a tocar as teclas do piano com mais ardor e firmeza, fechando os olhos e respirando fundo enquanto apressava os dedos e mãos. Sem errar uma nota da música composta por ele mesmo em um dia especial de sua vida.

O único.

Sem que ninguém percebe-se, junto com o tom, a força e a velocidade da música, o pianista ia fechando os olhos.

Segurando o seu corpo enquanto ainda estava consciente, toca o piano maestra mente.

Mexendo os dedos e tocando as últimas notas de sua triste e bela canção, o jovem desaba lentamente sob o seu piano, sentindo apenas, um pouco de sangue escorrer pelo seu nariz.

Até cair sem vida em cima do piano.

Rapidamente o alvoroço se formou com pessoas gritando de felicidade pela música tocada e outras, mais espertas, percebendo a situação, ligando para a emergência rapidamente.

Logo a cortina se fechou para evitar as fotos.

Em meio a bagunça que começava a se formar, eu já estava ao lado do jovem garoto, que foi-se com um sorriso aliviado e que agora, estava ao meu lado mais contente e feliz.

E junto comigo.

Agora, na rua daquele subúrbio, estava o pai e o filho juntos.

Indo embora deste lugar.

Enquanto eu ficava olhando eles, e olhando o pobre corpo no chão, aguardando alguém passar para fazer o mesmo que fizeram pelo corpo de seu filho no teatro.

Chamarem a emergência.
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