Sedução
Capítulo 18
Próximo a Torre Eiffel – Paris, França 2000

1

Fiquei ali observando os torrões de açúcar se dissolverem em minha xícara de café. O inverno Frances era bem parecido com o Norte americano, porém, o tempo naquele lugar de alguma forma parecia durar mais.
A lanchonete onde estava permanecia um pouco vaga, fiquei sentado a uma mesa sozinho aguardando a visita de uma determinada pessoa, eram 6h da tarde, e o sol começava a desaparecer no horizonte, refletia seus raios na estrutura metálica da Torre Eiffel, que erguia-se imponente em meio as outras construções, rodeada de turistas mesmo naquela hora. Na verdade, cada hora poderia apresentar um novo clima, uma nova paisagem ali, era como se estivesse visitando a cidade sucessivas vezes em minutos, que traziam retratos memoriais de anos.
  Percebi claramente quando uma mulher rompeu a porta de entrada, trajava um suéter vermelho-vinho, uma pequena touca feita de crochê, luvas pretas simples, calças longas e botas compridas fechadas a zíper.
Seus olhos carregavam uma imensidão negra que – assim como os meus – pareciam querer devorar o ambiente ao redor.
Ela vinha em minha direção, talvez ela fosse o contato que estava esperando.
- Boa Tarde Sr. Sawlver ou deveria dizer boa noite? – inquiriu.
- Gosto bastante da noite – rimos, sinicamente juntos – mas, não troco os horários, até que o último raio de sol desapareça, para mim ainda será dia.
- So. Bon après-midi! Gentleman – exclamou em francês “Então. Boa tarde! Cavalheiro”.
- Oui bon! – respondi.
Ela sentou-se a minha frente na mesa quadrada, estávamos próximos a uma janela que tinha um vidro de aparência fosca.
- Você sabe o porque de termos que nos encontrar aqui? – indagou.
- Ouvi boatos pelos Malkavianos, de que seus líderes Ventrue estariam atrás de mim.
- Confiando em boatos Malkavianos Sawlver? Isso me parece um pouco apelativo não acha?
- Então por que está aqui Sabrina? Sei que Malkavianos são loucos insanos, todos nos somos, alias – gargalhamos juntos novamente, mas o assunto era bem sério -  tenho meus contatos por dentro de toda a Camarilla.
- Bem, estamos sim atrás de você. Precisamos de sua ajuda em determinado caso, onde não podemos falhar, em hipótese alguma.
- E que caso séria esse de tão eminente presença minha?
- Um nephilim – seus cabelos loiros caíram sobre os olhos negros quando falou as palavras, e os lábios cruzaram em uma linha séria ao fecharem-se no final da pronuncia.
Meus olhos arregalaram-se, apoiei a coluna na cadeira e ofeguei pensativo.
- Vocês tem certeza disso? Um nephilim! – exclamei, impulsionando meu corpo novamente para frente, na busca dos olhos de Sabrina.  
A loira, passou a mãos charmosamente pelos cabelos e os colocou de volta para trás.
- Certeza absoluta.
- Ora, ora. Quem diria? – empreguei um ar sarcástico – Parecem que os anjos voltaram a se entregar aos prazeres da terra.
- Cedo ou tarde isso aconteceria, temos nossa oportunidade em mãos mais uma vez, e não podemos falhar.
- Onde, onde ele está? – meus olhos brilhavam, mas ao mesmo tempo me contive ao fazer mais alguns raciocínios lógicos – Espere! – ela já iria entrar em pronuncia quando falei – o que exatamente eu tenho com isso? Qual a função que vocês esperam que eu desempenhe nisso tudo?
- A principal.
- Como assim a principal? – questionei-a.
- Achá-la, vigiá-la, conquistá-la... e… destruí-la... Trazer sua alma para nós.
- Vocês sabem que anjos iram interferir, não sabem?
- É obviu que sabemos.
- Quantos anos? É recente? Como descobriram?
- 8 ou 9 anos. Um dos nossos, um Toreadores, a avistou.
- “A avistou”? É uma garota?
- Sim – afirmou – um alvo ainda mais fácil, está nos Estados Unidos, mas não sabemos onde. Cabe a você redescobri-la, e fazer seu trabalho.
- Estados Unidos, argue – rangi com desprezo – tenho nojo daquele país.
- Por que? Por conta de sua doce Maryanne? Ela era americana, não era?
- Não toque no nome dela, você nem ao menos tem o direito de proferir esse nome através de sua boca imunda – a ira subiu a minha face.
- Calme! Big guy! – disse ela – Estamos do mesmo lado esqueceu, e aposto que você não quer chamar a atenção por aqui. Quer?
As pessoas começavam a olhar para nós. Quando busquei com os olhos as faces assustadas, elas começaram a desviar a atenção de volta para seus pedidos.
- Ora – retorquiu ela – você é mais fabuloso Gangrel que possuímos, o maior de todos nossos combatentes, Sawl! – aludiu ela – você é perfeito para isso, depois que tudo estiver feito, você terá sua liberdade, poderá voltar aos céus se quiser e...
- Nem comece com isso, tenho certeza que nenhum de nós aqui planeja voltar ao céus se redimindo aos arcanjos.
- Quem falou em se redimir? – os olhos dela faiscavam – com nossa liberdade poderemos transitar para onde quisermos, e o céu será pequeno para nossa ganância, vamos destronar aqueles idiotas, cuspi-los como os vermes que são, direto para o Sheol, e, sem chances de retorno. Eles nos repudiaram por milênios. Mas, o que será os milênios comparados a toda a eternidade.
Meus olhos circulavam o ambiente, minhas mãos permaneciam cruzadas sobre a mesa próxima aos lábios mostrando um ar sério.
Ela me encarava sinicamente.
- Não está com peninha do seu papai, está? – indagou ela, torcendo os lábios e esfregando os olhos para imitar uma criança pidona.
- Meu pai é a própria escuridão do ódio que me alimenta – afirmei.
- Então, por que ainda vacila diante de nossa proposta?
- Não gosto de tomar decisões precipitadas.
- Mas, me poupe disso Sawlver! – retorquiu ela – Se não tomasse decisões precipitadas jamais teria vindo à terra.
Nossos olhos se cruzaram em uma linha desafiadora, ela estava disposta a fazer com que eu não desistisse de sua proposta.
Desviei meu olhar do dela encontrando a xícara de café que esfriava no canto da mesa.
Em um impulso, peguei-a e a traguei em um gole só.
- Diga aos Ventrue que aceito a proposta. Mas, com uma condição.
- E qual seria?
- Eu farei isso da minha forma, terão que deixar eu realizar meu próprio jogo, minhas próprias regras, e se conseguir, quero meu lugar no trono.
- Não se preocupe, Marrat já previa que você fizesse tais exigências.
Olhei para ela extremamente desconfiado.
- O trato esta feito. Acordo selado? – indagou, estendendo a mão aberta sobre a mesa.
A minha foi de encontro a dela para se unirem em um aperto.
- Bem, acho que tenho malas a fazer, e uma viagem classe A para os Estados Unidos.
Ela sorriu.
- Sabe por onde começar a procurar?
- Não faço a menor ideia, mas creio que terei tempo o suficiente para desbravar todo o país, como um turista fotografo.
- Bons passeios para você.
- Na verdade, eu bem que estava sentido saudade do sangue doce daqueles americanos branquelas.
Voltamos a dar gargalhadas, e as pessoas já nem ligavam para nossa possível loucura, que parecia ser um fator emocional humano comum. 
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