Sedução
Capítulo 13
1
“A meu Deus, e agora? O que eu faço?” – minha cabeça começou a martelar, o som do sangue em meus ouvidos pulsando, como se eu tivesse corrido quilômetros e parado de repente.
Me mantive completamente parada atrás da parede, tentei prender a respiração – como se isso fosse realmente me ajudar, mas, me acalmava.
- Espiando? – sussurrou Vic de volta em um tom quase inaudível.
De repente tudo escureceu.
“Blecaute?” – pensei, meus olhos buscando a minha frente alguma fagulha sequer de luz. Nada.
Essa poderia ser a minha chance de tentar me esgueirar por entre as paredes e dar o fora dali, porém, um súbito  som ressonava pelos corredores em minha direção por onde eu tinha vindo.
A energia estava voltando lentamente e a luzes que se acendiam estalavam com a força elétrica.
“Não vai dar tempo” – comecei a suspirar – “O que eu faço?” – olhei para meu lado esquerdo e vi com dificuldade uma pequena porta estreita, imediatamente corri para ali, as luzes voltando corredor a dentro, tive de fazer uma certa força, o trinco estava um pouco enferrujado e não queria ceder.
Track.
“Graças a Deus” – a pequena porta abriu-se com um silvo, eu escorreguei para dentro mais rápido que pude, lembrando de apenas deixar a porta um pouco entreaberta, se eu a fechasse, havia uma boa possibilidade de ficar presa por conta do trinco danificado.
Agora sim. Era o certo a se fazer e tentei dar o maior esforço possível.
“Fique imóvel! Não respire!” – ordenei a mim mesma.
Obtive sucesso durante os primeiros 80 segundos, em seguida já não aguentava mais, lentamente fui soltando o ar e voltando a respirar o mais devagar possível.
Eles não haviam passado ainda.
“Ainda estão lá trás?” – questionei-me – “Será que viram quando me escondi aqui?”.
Tentei manter-me o mais quieta possível, talvez já tivessem se passado uns 15min. Comecei a ficar preocupada. Eles não tinham passado. Estariam ali esperando por mim? Ou, talvez passaram e eu não fui capaz de perceber, também aproveitando o blecaute para fugirem?
Mas isso era impossível, eles jamais passariam por mim sem que eu pudesse perceber sua presença ou eles a minha.  
De qualquer forma, eu não podia continuar naquele local, nem mesmo sabia onde realmente estava, tudo permanecia escuro ali dentro, poderia ser uma sala cheia de víboras e anacondas e eu não iria identificar nada diante daquele breu completo.
Tentei deixar um pouco maior a brecha da porta e tentar ver qualquer coisa que fosse possível do lado de fora.
Simplesmente paredes amarelo-esverdeado se erguiam e mais nada.
- Não posso ficar aqui – sussurrei – Sawl... – lembrei-me.
Ele já deveria ter percorrido o colégio inteiro buscando por mim. Talvez se não tivesse acontecido o rápido apagão ele possivelmente ainda estaria no refeitório sentado na mesa aonde tinha deixado-o. Mas agora, era muito mais provável ele estar em pânico me procurando, especialmente depois da sequência de acontecimentos.
Abri a porta totalmente, quase como se estivesse testando um terreno minado, coloquei primeiro um pé para fora e depois o  outro e em seguida movendo o corpo desjeitosamente.  Olhei de imediato para o local onde Vic estava com Mikael, os dois haviam sumido, ninguém estava ali. Curvei-me para frente então, o mesmo. Eu estava sozinha naquele local.

2

O colégio inteiro rugia como um furacão de abelhas, todos queriam saber o que havia ocasionado o rápido apagão.
Tentei direcionar-me para a cantina, os corredores estavam lotados, parecia que todos os alunos haviam resolvido descer e ficar ali zanzando.
Fiquei num tanto surpresa ao ver Sawl ali, parado, na mesma mesa onde o havia deixado.
- Até que enfim você voltou. Estava começando a ficar preocupado. Por que  demorou tanto? – questionou Sawl.
- Hã – fiquei procurando uma desculpa em minha mente – por conta dos corredores, estão lotados de alunos, foi difícil atravessar, e, eu fiquei em pânico no banheiro quando a luz faltou.
- É isso foi estranho, mas, você está bem? – ele se levantou e veio abraçar-me.
- Um pouco nervosa. Não gosto de locais escuros – e eu realmente detestava locais mal iluminados, escuros então? Mas, de alguma forma, enquanto eu estava ali prestes a ser desmascarada pela própria amiga e o ex-namorado como espiã, tudo se resumiu a fugir e me esconder, não importava onde fosse.
O sinal de retorno para as aulas soou.
- Pensei que fosse acabar esbarrando com você nos corredores, achei que, já tivesse sido a minha procura – disse, jogando uma fruta verde para tentar colhe-la madura.
- Foi um apagão Amy, era mais inteligente se eu ficasse aqui, aonde havia me deixado para que você pudesse me encontra, não?
- Hã. Desculpa – titubeie – é verdade.
- O.K. – Sawl deu um leve sorriso, ao menos, minha pergunta nada inteligente havia ajudado-o a sorrir, o que estava se tornando uma tarefa difícil aquele dia.
- Queria dar uma passada na sua casa hoje – continuou Sawlver, enquanto andávamos para fora do refeitório.
- Na minha casa?
- Sim. Passar a noite com você é a melhor coisa que posso imaginar em fazer.
- Porque você não tem outras coisas para fazer? – tentei continuar com um joginho ridículo. Mas, estava dando certo, Sawlver sorriu alegremente.
- Exatamente. O tempo todo eu só consigo pensar em você.
“O.K.” – isso foi o suficiente para deixar minhas bochechas vermelhas, o coração acelerado e um “Não” praticamente impossível.
- Certo – disse, ficando sem ar – você me convenceu.
Sawl abriu um grande sorriso, o maior possível que o dia pudesse lhe proporcionar, meu coração se encheu de alegria ao ver aquele sorriso inocente, mas, super conquistador.
- É assim que prefiro ver você. Feliz – aleguei.
- Você não aceitou que eu fosse pra sua casa só porque queria me ver bem. Hã?
- Claro que não Sawl, eu te adoro, seria um tremenda tola se não adorasse. Você é insubstituível, ninguém marcou mais a minha vida do que você.
- Amy... – disse ele, parando em frente ao meu armário no corredor, este já começava a ficar mais vago, os alunos voltavam a se normalizar, Sawl olhou no fundo dos meus olhos – Eu...
- Shiiii – arfei, colocando um dedo em sinal de silêncio em seus lábios – desde o primeiro dia em que te vi, eu tinha certeza que você mexia comigo, isso era tão bem verdade, que logo depois já estávamos juntos, você me conquistou com um simples olhar, e, depois, Sawl – as palavras pareciam derreter em minha boca, afaguei meus cabelos colocando-os atrás das orelhas – foi como se o meu passado se apagasse e o meu futuro só pudesse ser construído, se eu estivesse ao seu lado.
- Você não acha que seria um pouco sedo para fazer essas declarações?
- Nenhum pouco, a menos, que você me diga o contrario, eu...
- Eu jamais diria nada controverso a isso Amy, por que eu sinto o mesmo por você, talvez muito mais forte do que você possa imaginar.
- Eu só queria... – dei de ombros, até que ele fez o mesmo e pós seu dedo sobre meus lábios.
- Eu só queria te dizer, que, te amo Amy, e que não importa o que aconteça, te pedir, continue acreditando que eu a amo. Você promete?
Aquilo já estava se tornando em uma cena de filme romântico.
“Não importa o que aconteça?” – eu já tinha opiniões formadas sobre aquele tipo de afirmação, mas preferi guarda-las para mim. Simplesmente falei:
- É claro que prometo...
- De verdade? – interrompeu-me, seus olhos buscando a veracidade de minhas palavras nos meus.
- Sim. Prometo. Mas porque você acha que algo venha a acontecer?
- O amor é algo que desperta inveja Amy. Amar é um desafio que poucos aceitam, e poucos conseguem.
Suas palavras rodavam em minha mente, eu fiquei ali, completamente imersa nos seus olhos negros, meu coração parecia ter parado, para dar silêncio e deixar que aquilo ficasse marcado em mim para sempre.
E mais uma vez senti-me queimando em um de seus beijos.
O sinal rompeu novamente.

3

Quando desci do ônibus uma grande faixa de neve estendia-se sobre as calçadas, as ruas estavam limpas felizmente,  ás máquinas tinham cumprido seu trabalho. A neve caia levemente, uma fina camada se aplicava sobre o tapete da porta de entrada da minha casa.
Quando coloquei a chave e tentei girar, ela não moveu.
- A porta está aberta? – sussurrei entre dentes – Mas como?... – no mesmo instante girei a maçaneta e abri.
O forte cheiro de incenso veio a mim bando boas-vindas, como uma velha conhecida.
- Mãe? – chamei, minha voz ecoando pela casa. Fechei a porta atrás de mim e fui direto para a cozinha de onde um aroma diferente do incenso se espalhava.
“Frango, batatas, algum molho...” – deduzi.
- OH! Amy, você demorou um pouco, não?
- Mãe? Você já em casa? Aconteceu alguma coisa?
- Não. Está tudo ótimo.Consegue sair mais sedo hoje, apressei algumas coisas e tive uma excelente conversa com o Billy. Já que amanha é seu grande dia, eu quis tentar planejar alguma coisa  com você.
“Grande dia?” – do que ela estava falando?
- Grande dia... – eu fiz uma perfeita cara de incompreensiva.
- Hã. Amy. Não vai me dizer que esqueceu do próprio aniversário?
“AH! Minha nossa!” – como aquilo aconteceu? Alias, eu acho que sabia a resposta. Foram tantas coisas acontecendo praticamente ao mesmo tempo que, esquecer o próprio aniversário pareceu ser pouco.
- Acho que sim. Por um momento... Sim – sorri debilmente.
- Hmmm. 21 de Dezembro lembra? Mudança de estão? Inverno definitivamente – ela pegou um gorro que estava um pouco coberto de neve sobre a mesa e balançou sobre minha cabeça.
Bem, sempre achei um pouco estranho a data de meu aniversário. 21 de Dezembro, inverno, definitivamente como minha mãe havia dito.
- E ainda temos que acertar as coisas para o natal, festas de fim de ano chegando, sua tia Meg me ligou hoje e disse que vinha ficar conosco, ela vai trazer sua prima Lucy e a Marcela.
Tia Meg era uma mulher muito bondosa, seus olhos castanhos sempre me deixavam maravilhada, eram de um tom encantador, o mesmo tom que eu sempre encontrei nos da minha mãe, assim como na altura e elegância.
Ser bela e elegante. Um mal benéfico que parecia se aplicar as mulheres da família, não sei quanto a mim, minhas primas também eram belíssimas, herdando a postura da mãe, porém, o caráter delas era horrível, completamente diferente da mãe, elas eram arrogantes e prepotentes. Quando minha mãe falou seus nomes eu senti a bílis em minha boca, fiz um esforço para não vomitar ao recordar daquelas patricinhas mimadas.
Tentei não romper com o espírito do natal que havia sido reativado em mim ao ter sido lembrado por minha mãe. Deixei aquilo de lado, e mais rápido ainda quando me peguei com uma questão ainda mais importante.
- Papai? – exaltei – ele vem?
- Liguei para ele dez minutos atrás. Infelizmente ele não vem.
Foi como jogar um balde de água fria em mim. Toda minha chama de esperança em rever meu pai havia sido apagada.
- Porque? – questionei.
- Parece que ele tem algum trabalho pendente na Itália.
- Itália? – o que meu pai ia fazer na Itália?
- Não me pergunte, ele não me deu maior detalhes.
- Mas, que droga.
- Eu sei que você deve estar chateada agora Amy, mas, você precisa aprender que nem sempre poderá ter eu ou seu pai por perto, é... É difícil, eu sei.
- Até hoje, sinceramente, eu ainda tento entender porque vocês se separaram, tudo estava...
- Amy. Não vamos começar com isso de novo. Certo?
- Está bem – suspirei – está bem – minha mãe detestava quando eu começava a falar na separação dela com meu pai.
- Voltando ao assunto que nos interessa realmente – ela deu a volta entorno da mesa que ficava na cozinha e colocou o gorro de volta, seguindo para as panelas sobre o fogão – jantar está quase pronto e quero saber o que você pretende fazer amanhã.
- Sinceramente, eu não sei, talvez um passei no parque aqui próximo só para me distrair depois da aula, não quero e nem posso ter uma festa e...
- Por favor, festa, é, é verdade, você não tem como dar uma festa, mas, são seus 18 anos Amy. Vai mesmo só querer dar uma passada no parque que fica só a alguns quarteirões daqui? 
- Pra mim está ótimo. São meus 18 anos. Está certo, mas isso não quer dizer que é o último ano da minha vida, e nem que fosse...
- Pelo amor de Deus Amy, que conversa é essa – ela estava adorando interromper as minhas falas – Minha nossa. Nem pense nisso.
- Eu não disse  nada.
- Mas, pensou besteiras.
- Mãe. Calma – ofeguei.
- Certo então. O.K! Faça isso se é o que você quer.
- Para mim é suficiente.
- Não vou mais te amolar com conversas do natal também, o jantar esta pronto, então, vamos lá – ela pegou a panela fumegante e levou-a para mesa, assim como os demais.
A comida estava ótima.

4


As paredes lilases de meu quarto pareciam me encarar.
Eu estava esquecendo de algum fator naquele momento, ali deitada sobre minha cama, virada para cima, os olhos virando e espreitando cada canto do quarto.
Por fim lembrei e foi como levar uma pancada na nuca.
“Como eu me esqueci disso?” – Sawlver estava vindo para minha casa aquela noite, o que eu deveria fazer agora? Minha mãe estava em casa, e não fazia parte dos planos dela nem mesmo sequer pensar em sair de casa.
- Minha Nossa. Que encrenca – suspirei profundamente – estou ferrada.
Eu jamais teria a coragem de pedir a Sawl que voltasse da porta de minha casa,  mesmo que se eu saísse com ele, nos divertíssemos um pouco, a ideia originalmente não era bem desse tipo de diversão. Pelo menos foi o que eu imaginei diretamente.
- Senhor Deus me ajude – supliquei.
- Amy – era a voz de minha mãe chamando  escada a abaixo.
- AH! Minha nossa! Ele chegou e está lá embaixo, só pode ser, o que eu...
- Amy querida, preciso ir ao Shopping fazer umas compras, eu volto logo está bem? Só deve levar algumas horinhas.
- Deus o Senhor é muito bom. Obrigado Sr. – agradeci alegremente – Está bem mãe, sem problema, não se apresse  - disse, praticamente gritando para que ela me escutasse através da porta.
- O.K. querida.Tchau.
- Tchau mãe – berrei novamente.
No mesmo instante procurei rapidamente o meu celular entre as coisas bagunçadas sobre a mesa próxima a cama. Sawlver havia deixado seu número salvo em meu celular na discagem rápida, e foi o que fiz.
- Chamando... Chamando... – eu estava em nervosismo total.
- Alô – atendeu a voz perfeitamente sedutora do outro lado.
- Sawl, é, boa noite.
- Boa noite. Eu já estou a caminho de sua casa, algum problema? – indagou.
- Não nenhum, só estava ligando para ter certeza se você vinha – iria pedi-lo para que se apressasse, mas já que se encontrava a caminho, sem necessidade então.
- Mas é claro que vou, chego ai em cinco minutos.
- Certo. Beijos, tchau.
- Tchau – despediu-se.
Imediatamente comecei a colocar no lugar alguns objetos que estavam espalhados no quarto, em seguida desci para a sala, o incenso ainda queimava.
- Será que Sawl tem algum problema para incenso? Tomara que não – resmunguei.
No mesmo  instante em que refletia a situação uma pessoa tocou a campainha.
“Ele”.
- Feliz aniversário – saudou ele  quando abri a porta.
- Meu aniversário só é amanha – corrigi.
- Mas, nós iremos festejar hoje – ele ergueu uma garrafa de champanhe e uma caixa aveludada preta.
- Sawl. O. Que. É. Isso? – gaguejei.
- Champanhe, e, seu presente obviu.
- AH! Sawl eu...
- Espere, primeiro me convide pra entrar depois nós partimos para os seus protesto e já aviso, será inútil.
- O.K. Entre.
Sawl moveu-se para entrar mais parou no mesmo instante.
- Algum problema? – questionei.
- Que cheiro é esse? Parece...
- É incenso... É... Da minha mãe. Porque?
- Você não se incomodaria em tirá-lo, é que, eu fico bastante enjoado com esse tipo de cheiro.
- Sim, claro tudo bem – corri até a mesa de centro onde estava o incenso queimando, levei-o até a cozinho e derramei um pouco de água sobre ele e em seguida joguei no lixo, quando olhei para trás Sawl já estava na escada de meu quarto.
- Subimos? – perguntou.
- Claro que sim – acenei, e fui logo atrás.
- Traga taças.

5

Fechei a porta após termos entrado, eu estava com duas taças nas mãos. Sawlver tinha acabado de abrir o champanhe e estava pedindo para que lhe desse uma delas.
- Vamos agora fazer um belo brinde, a menina mais linda e mais importante que eu já pude encontrar em minha vida. Que você seja muito feliz Amy, ao meu lado – ele fez uma referência a se próprio e continuou – ao lado de todos que ama, para sempre.
- Obrigado Sawl. Por fazer desse momento mais incrível do que eu pudesse esperar.
- Você tem que se acostumar a esperar por surpresas de mim.
- AH! Tenho mesmo – arquejei.
Ele voltou a pega a caixa aveludada e dirigiu-a a mim.
- Sawl. O que é isso?
- Abra – pediu, ou ordenou seria melhor?
Simplesmente inacreditável. Tão brilhante e emocionantemente bonito, mesmo a fraca luz de meu quarto, aquilo era tão bonito que poderia ser uma afronta em ser usado por mim.
Dentro da caixinha estava um lindo colar de prata que carregava um pingente em forma de rosa, onde no centro jazia uma grande pedra de rubi, como uma gota de sangue em meio a perfeição.
- Sawl... – eu estava deslumbrada – eu não posso aceitar algo assim, meu Deus, isso, deve valer uma fortuna.
- Não o quanto você vale para mim.
Nossos olhos se cruzaram, eu estava sem palavras. Completamente muda.
- Deixe-me colocar em você.
Eu virei para trás e entreguei-lhe o colocar, parecia tão delicado, que eu poderia pensar que ao mínimo toque, se despedaçaria em milhões de minúsculos pedaços de prata.
Senti seus dedos acariciando minha pele ao coloca-lo. O arrepio subiu por minhas costas e parou onde suas mãos repulsavam, sobre meus ombros.
- Veja no espelho – sugeriu.
Quando me virei para encarar-me com o espelho da porta de meu guarda-roupa, a imagem que estava ali parecia de uma pessoa completamente mudada, era como se o brilho da pedra no pingente tivesse repassado a mim toda sua graça e elegância.
- Você está linda. É quase como se tivesse sido feito especialmente para você.
A o única coisa a qual foi capaz de me desprender do estado de êxtase naquele momento, foi desviar o olhar de mim e encarar o de Sawl no espelho, rapidamente virei de volta para ele e o beijei com todo o amor que pudesse lhe dar.
- Eu te amo – afirmei.
- Eu sei – ele disse – por que eu te adoro da mesma forma.
- Ou mais?
- Ou mais!
Suas mãos percorreram minha cintura subindo pelo meu corpo e começando a pressionar-me contra o dele. Suas mãos fortes prendiam-me junto a si.
Ele me jogou em minha cama e traçou uma linha de beijos ardentes que incendiavam minha pele. Meus braços subiram sobre seu pescoço e minhas mãos se mantiveram firmes sobre seus ombros trazendo-o de volta para mim, para minha visão.
Ele me beijava arduamente, seu corpo pressionava o meu de uma forma que eu nunca pude imaginar que pudesse ser.  Do lado eu pude ouvir um leve som de tecido sendo rasgado, um dos travesseiros de minha cama havia se rompido deixando esvaziar-se das leves plumas que se espalharam por todo o quarto durante a noite enquanto eu e ele permanecíamos mais unidos do que nunca.

6

21 de Dezembro, Inverno.
- Feliz aniversário – disse a mim mesma antes de abrir os olhos, mas quando os fiz, desejei não ter feito.
Tudo estava normal, no que deveria ser uma dia normal, apesar de ser meu aniversário, Sawl não estava mais no quarto, provavelmente tinha ido embora antes mesmo de minha mãe chegar, talvez.
Tudo normal.
Tirando o gigantesco fato de que por todo o meu quarto, centenas de plumas brancas simplesmente estavam paradas do ar.







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