RENEGADOS


CAPÍTULO 3

- Me fala rápido, alguma coisa que eu possa identificar e te achar. – pergunto apressado, pois já estava acabando meu um minuto.
- Não sei Marcos, nunca vim aqui e estou praticamente presa.
- Ok. Depois eu te retorno, vou te achar e te tirar daí.
- Não quero sair daqui. Com meu pai parece ser seguro.
- Bia, eu preciso te tirar daí, nem que seja por um minuto, mas eu tenho que te ver. – digo calmamente. – Beijo, depois eu te ligo. – e então, desligo o celular. Olho o visor e vejo 00h01min. Cravado!
Desço e ouço um pouco da conversa de meu pai e do Martinez. Pareciam saber muita coisa sobre o que esta havendo.
- Mas como vamos nos defender disso? – disse meu pai, enquanto eu estava escondido apenas ouvindo a conversa dos dois.
- Tenho um arsenal a minha disposição. Meu galpão é enorme e não tem tecnologia ativada. – respondeu Martinez.
- Mas você sabe que ainda sim é muito perigoso aqui. Este lugar é muito conhecido pelos ricos. E com certeza, outros pensam da mesma forma que nós, que este lugar é seguro, e isso vai fazer com que mais pessoas venham para cá.
- Expulsaremos todos eles! – berrou Martinez e socou a porta em que eu estava escondido.
“Ai, essa doeu!”, pensei enquanto coçava minha cabeça.
- Calma Martinez! Essas pessoas não têm culpa do que esta acontecendo.
- Eu sei Ock, mas nós também não temos culpa disso.
Ock é o apelido do meu pai. Quase nunca ouço isso, nem meu irmão, nem minha mãe e nem eu o chamamos assim. Esse apelido é mais para os amigos mais próximos de meu pai, e quase nunca os vemos, então, quase nunca ouvimos esse apelido. Minha mãe, por exemplo, só chama meu pai de Tavinho, e quando ela está com raiva o chama pelo nome certo dele, Octávio.

- Não temos Martinez, mas temos um arsenal a nossa disposição.

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Achei que essa era a hora perfeita para que eu entrasse, e talvez, participasse da conversa. Então, bato na porta e entro logo em seguida, meu pai me olha com uma das sobrancelhas levantadas e me pergunta:
- Brigou, caiu ou o que Marcos?
- Ã? Por quê? – perguntei sem entender a pergunta.
- Esta com um ovo na testa.
“Merda!”, pensei, “Foi o Martinez pai, a culpa toda é dele que socou a droga da porta na hora errada”. Eu deveria ter contado, mas apenas sorri e falei que bati a cabeça na porta do teto.
- Me esqueci de abrir. – falei sorrindo.
- Falou no tempo certo? – perguntou Martinez.
- Sim, - pego o celular e mostro o tempo no visor. – cravado. – e então sorrio.
- Vai colocar um gelo nisto! – disse meu pai.
- Sim, claro! Mas antes eu quero pedir a ajuda de vocês, para encontrar minha amiga. – digo.
Falei a minha situação a eles. Na verdade, eu menti. Inventei uma situação na qual eles deveriam se mobilizar para me ajudar a achar Bia. Disse que ela sozinha em algum lugar perto daqui, e que tinham pessoas onde ela estava só que parecia não ser de confiança.


- Não está tão fácil sair assim, - disse Martinez. – você sabe. Quase morreu, como acha que está lá fora?

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- Eu tenho uma divida com ela e tenho que pagar essa divida. Talvez eu pague salvando a vida dela por um tempo. – disse insistindo para que eles me ajudassem.
- Me de seu celular. – disse Martinez com a mão esticada esperando que eu desse meu celular para ele.
Martinez pegou meu celular e levou para uma sala onde tinha um computador. Abriu uns programas esquisitos e em seguida abriu meu celular. Conectou um cabo no meu celular que o ligava no computador e depois pareceu que o computador estava recebendo informações de diversos tipos. Era muito provável que eram todas informações do meu celular. Se fossem ligações, teriam poucas, e as poucas que teriam ali, seriam da Bia ou de casa, pois nunca gostei de usar celular.
- Estou rastreando de onde veio à última ligação. – comentou Martinez concentrado na tela do computador.
Eu sabia o que ele estava fazendo, mas não saberia fazer igual e talvez, nem perto eu chegaria. Meu pai estava olhando umas pastas e páginas com diversos tipos de logo e alguns eu reconhecia. Exército, aeronáutica e marinha, e tinha mais um logo que era o logo de meu país. Mas o que eles estariam fazendo com aqueles papeis ali? E como o Martinez aprendeu a rastrear números de celular? Estranho.
- Pronto. – disse Martinez levantando e me devolvendo o meu celular. – Espere até amanhã e vá até lá. Se você sair daqui agora, seu celular vai ser rastreado, então, é melhor que espere as redes caírem de novo.
- Como assim meu celular vai ser rastreado? – perguntei.
- Marcos, tem pessoas que querem o que temos. Arsenais, papeladas superimportantes e até mesmo atiradores de elite como seu pai e eu.
- Atiradores de elite? Esse sempre foi o seu trabalho pai? – perguntei enquanto ele parava de olhar os papéis e me dava atenção.
- Marcos, eu sou um atirador de elite, mas não por causa de forças armadas ou porque sou um agente, ou policial se é que você está pensando em algo assim. – disse meu pai, acertando todas as minhas suspeitas, mas se ele não era nada disso, o que ele era? – Meu pai, seu avô era atirador de elite e trabalhava para o governo e me ensinou tudo o que sabia. Pronto.
Nossa! Meu avô atirador de elite trabalhava para o governo, meu pai tão bom em tiro, e nós sempre moramos no subúrbio. É isso não estava tão normal. Muito estranho, muito!
- O que esta acontecendo ao certo, por favor! Alguém me responda! – perguntei em tom de suplica, já não aguentava mais esse mistério todo na minha vida e ainda por cima, em um momento tão ruim.
Ninguém disse nada. Nem Martinez e nem meu pai disseram uma palavra se quer sobre o que estava acontecendo. Meu irmão era o único que me diria isso eu tenho certeza, mas ele esta longe e pra dizer a verdade, eu não faço nem ideia de onde ele esteja. Pelo menos minha mãe

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esta a salva, agora só falta ir ver a Bia. Sinto falta dela e agora não quero pensar nas consequências dos meus atos, apenas seguir meu coração e fazer o que ele está mandando. E ele por sorte, estava mandando esperar até o dia seguinte para poder ir procurar ela.
Minha noite de sono foi meio conturbada. Pesadelos e também fiquei acordando toda hora no susto. E pra voltar a dormir ficava atento a qualquer barulho que ouvisse. Só dormir tranquilo, quando eu pus a espingarda do meu pai do meu lado.
Deveriam ter se passado um bom tempo depois que dormi, eu ainda não sabia, meu celular estava com a bateria fraca, então o desliguei pra poupar bateria pra ligar pra Bia. Ficar sem hora em um lugar fechado é mesmo muito complicado. Por fim, eu me levantei e fui verificar se alguém já havia acordado. Bingo! Meu pai e Martinez estavam tomando café da manhã, e a mesa ainda tinha bastante pão.
- Come ai filho. – Disse meu pai empurrando a bandeja de pães.
Eu me sentei e fui feliz por alguns minutos, até que os pães se acabaram.
- Estava uma delícia. – Comentei.
Passaram-se pelo menos uma ou duas horas, e então, toquei no assunto da Bia. Eles me olharam e nada falaram, então insisti e pedi pra pelo menos me darem algo pra eu poder me defender quando estivesse lá fora, procurando pela Bia.
- É muito perigoso Marcos, não deveria ir lá fora. – Disse Martinez.
- Como assim? Você abandonaria seus amigos em um lugar como este? – Falei encarando ele bem nos olhos e de cara fechada.
- Marcos... – Começou meu pai a falar, mas logo eu o interrompi.
- Pai, se ele esta dizendo isso, ele muito capaz de abandonar agente em qualquer que seja o lugar. Eu não confio nele!
- Se acalma Marcos! – Disse meu pai se aproximando de mim.
- Está com ele não é? – Perguntei. – Então que fique com seu amiguinho, mas cuidado quando ele for te abandonar. – Falei e em seguida, sai do galpão mesmo com o meu pai tentando me impedir, eu não dei ouvidos e consegui sair dali. 

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