O Circo dos Palhaços Pulantes

Música: My Chemical Romance – Mama


Pisquei os olhos.

Quando percebi, eu estava sentado num banco comprido e gelado de madeira. Amassado entre um grande homem, o qual eu não conseguia ver o rosto por algum motivo, e uma velha de cabelos brancos e encaracolados, também não podia ver o rosto.

Um Circo.

Era o local onde eu estava. Um grande circo, com certeza.

Lona grande, parecia de borracha. Com tudo que um circo viajante de um local para outro tem de ter.

Não demorou muito tempo, e o Apresentador aparece no centro da arena redonda e grande também, tudo é grande, mas, estranhamente, todos são pessoas normais.

Senhoras! E Senhores! O Circo dos Palhaços Pulantes, tem a honra de apresentar... - Pausa de suspense – os Palhaços Pulantes! - Seguido de aplausos barulhentos de todos que estavam agora de pé, olhando os palhaços entrarem na arena pulando em pula-pulas de brinquedos até o centro e saltarem para fora dos brinquedos, e fazendo um leve charme ao caírem de pé no chão da arena se curvando para o público, que continuavam a aplaudi-los.

O Apresentador com as mãos pediu silencio da plateia e voltou a falar.

Senhoras e senhores! O Show que verem agora se chama... “Mamãe”.

Meus olhos ardem no instante que ele fala o tema do show desta noite.

De repente, um dos palhaços joga no chão uma bomba de fumaça que cobre a arena e não nos permite ver o que acontece por alguns instantes. Novamente, meus olhos ardem e eu começo a coça-los.

Ah... Que chato... - digo para min mesmo em um pensamento alto. Mas ninguém parecia se importar, ou me ouvir.

Quando a fumaça se dissipa, um cenário aparece. A frente de uma casa tipicamente antiga. Um porta no canto esquerdo com uma janela do lado, e duas sacadas na parte de cima.

E Aqui começa, o show: Mamãe! - berra o apresentador para a plateia.

***

A Cena começa com um palhaço na frente da casa, cantando e chamando pela mãe. Com um ar triste e solitário, como se pedisse desculpas por tudo o que ele fez.

A Doce senhora, um palhaço mulher vestido de senhora, aparece na sacada e vê o seu filho, todo tristonho, com a maquiagem borrada olhando para ela.

Em seguida eu começa a pedir desculpas, listando tudo o que fez de ruim na vida, e entre cada duas ou três coisas ruins que ele cita, ele diz que irá para o inferno por tudo o que fez.

Ao lado dele, palhaços zombeteiros jogavam pedras, água quente e tinta encima dele, que caia no chão se desesperando por tudo o que havia feito.

A mãe do topo e da ponta da sacada tenta falar e consolar o seu filho.

Sem sucesso.

Mais dos palhaços zombeteiros aparecem, girando em volta dele. Todos com rostos negros.

O Palhaço-Filho, se levanta, com as forças que ainda lhe restava. Olhava para sua mãe, com o rosto sujo de terra, chorando de uma maneira a cortar o coração de sua mãe.

Suplicava para ela, sendo pegando e levantado pelos outros de rostos escuros, que ela tentasse não ficar mal, e que nem chorasse por sua causa. Ele sabia o que havia feito na vida, e sabia que iria pagar por tudo indo para o lugar a baixo da terra.

Enquanto sua mãe chorava na sacada, seu filho era levado, para o alto de um trampolim dentro da arena, e em baixo, uma piscina de fogo que ardia bravamente, com fome, estalando.

***

Eu olhava aquela cena.

Meus olhos ardendo por causa do fogo.

E a minha expressão de medo.

Eu olhava para o lado e não conseguia ver as expressões dos espectadores, isso me assustava.

Eu sou o único aqui que está com medo? Que não quer ver o fim dessa história? Por favor, parem o show que eu quero ir embora!

Esse era o meu pensamento, mas não saia nem uma palavra de minha boca.

Sem poder fazer absolutamente nada. Eu via os palhaços carregarem o companheiro de cena para o alto, em câmera lenta, e mesmo assim, chegaram rápido ao topo.

No trampolim colocaram o companheiro e o forçaram a andar, passo a passo até a ponta”.

Eu já era capaz de ver o rosto do palhaço, agora sem maquiagem, pálido, e triste, sabendo que estava indo morrer.

Ele fecha os olhos e deixa o corpo cair para frente.

Ele caia do trampolim.

Eu olhava a cena abismado, e me levantava o mais rápido que podia.

Tudo em câmera lenta.

Tentei ir mais rápido.

Sem sucesso.

Eu olhava para frente. Via o palhaço cair, cair e cair.

Se aproximando do fogo.

Até que berrei.

***

Berrei e levantei berrando da minha cama.

Parado e ofegando, olhando o meu quarto simples com meus brinquedos espalhados pelo chão. E o meu palhaço de brinquedo sentado na mesa do computador. Olhando para min.

Pude ver naquele último instante.

A única lagrima cair do rosto do boneco para o chão.
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