Sedução
Capítulo 08
1

Não importava a velocidade com que eu andasse, Mikael parecia sempre poder acelerar e correr mais rápido do que eu podia.
- Amy. Espere, vamos conversar.
Me virei de frente para encara-lo.
- Eu não quero te ver nunca mais na minha vida Mikael. Nunca mais (e comecei a correr mais frenética do que antes).
Ele acelerou atrás de mim e pegou-me pelo braço. Forte.
- Olhe para mim.
- Eu nunca mais conseguirei olhar na sua cara Mikael, (eu permanecia com a cabeça abaixada) solte-me. Agora.
Era uma ordem e eu esperava que fosse atendida. Mas, é lógico que não seria.
- Olhe para mim (ele pegou-me pelo maxilar e ergueu minha face).
Porém meus olhos permaneciam fechados.
- Não importa para mim o que você diga. Eu sei que ainda há uma parte de mim em você Amy. Eu vou lutar por isso...
- Lutar pra quê? Esqueça-me Mikael. E me solte (eu dava puxões, tentava me soltar de Mikael, mais ele era muito forte).
- Porque eu te amo Amy. Para mim não importa o que você esteja pensando agora, não importa de nesse momento você prefere ele do que a mim. Não importa. Porque eu sei esperar. Eu saberei esperar por você, por que nunca ninguém vai te amar como eu te amo e ele... Ele  nunca vai poder te dar o amor que eu te dei, e um dia, você saberá que o que eu falo agora é verdade.
- Amor (eu abri meus olhos e o encarei) isso não existe, não passa de um sentimento fajuto criado por histórias de contos de fadas, para criancinhas. Eu não sou mais uma criança. Ou era até outro dia, até você me fazer o que fez, e eu aprender a levar a vida como ela é. Não acredito em contos de fadas.
 - Mas prefere viver em um conto de bruxas.
Aquelas palavras atingiram cortantes em mim, eu sabia que ele era capaz de reconhecer em mim o que eu sentia.
Mikael poderia ser tudo o que eu menos queria ou desejasse, mas no mundo nunca ninguém me conheceria tão bem quanto Mikael Kaleson. Talvez por isso ele soubesse como mexer  comigo ou como me pressionar. Ele sabia fazer com que me induzisse dentro de seu jogo, um jogo de palavras bem armadas e promessas bem feitas. Talvez, de uma forma bem inteligente a se falar, Mikael não fosse o homem mais forte do mundo com as palavras, apesar de argumenta-las bem, mas com certeza sabia muito bem como usa-las em sua defesa.
- Deixe-me ir. AGORA.
Eu estava furiosa. E ele percebeu que toda minha paciência havia acabado.
Soltou-me.
- Não me procure mais.
- Sabe que não adianta pedir isso.
- Ou você se afasta... Ou eu tomarei providências...
- Tipo o quê? Voltar lá (ele apontou para o departamento de policia que já aparecia distante) e pedir guarda, proteção... Contra mim.
- Não é uma má ideia. Sabia?
- Faça o que você quiser, isso só vai ajuda-la a descobrir que não adianta fazer nada.
Para mim já bastava, rapidamente caminhei para fora do estacionamento, e por sorte, o ônibus que vinha, levar-me-ia de volta a Great Falls High School. De lá, seria possível pegar uma outra condução de volta para casa. 
Já dentro do ônibus, sentei ao lado de uma das janelas. Depois de o transporte estar em movimento, há um certo tempo, ao meu lado surgiu a motocicleta preta.
Mikael corria ao lado do ônibus, bem a abaixo da minha janela. Ele levantou o visor do capacete, e eu pude ver os brilhantes olhos azuis encarando-me.
Virei a cabeça para frente, ignorando-o, engole em seco a sensação de angustia.
Mesmo assim ainda pude ver ele abaixar o visor e acelerar o mais rápido que pode a motocicleta, em instantes ultrapassou o ônibus e desapareceu a frente.

2

Mais que DROGA!
Acordar com uma terrível dor de cabeça não era uma das coisas que eu gostava de que acontecesse comigo.
O quarto estava desarrumado, uma bagunça total, tão bagunçado que até mesmo as paredes pareciam descoloridas e tingidas em poluição.
Olhei a bagunça ao meu redor, tentei me levantar e acabei pisando em algo duro e irregular no chão. Abaixei-me e apanhei o objeto.
O diário.
Era meu diário. Por um momento pensei “Quanto tempo eu não escrevo?”. Era habitualidade minha escrever em meu diário todos os dias, e agora eu percebia o quanto eu havia me afastado de meu bom amigo. Em meio a bagunça afastei um espaço em minha  cama, procurei uma caneta na mesinha ao lado.
“De pena a mão” (pensei). Vamos desabafar um pouco.
Uma música agitada começa a tocar, olho para os lados.
Meu celular.
Procuro-o por entre os panos em minha cama. Era Vic.
Meu coração deu um pulo dentro de mim, atendi imediatamente.
- Alô.
- Amy (disse Vic altamente eufórica) Como está amiga?
- Estou bem e você?
- Estou ótima, totalmente recuperada.
- Mas o que aconteceu com seu celular, eu te liguei várias vezes e você não atendia, primeiro ia para a caixa e mensagem e depois disse que estava fora da área de cobertura.
- Minha tia. Ai foi um tédio horrível. Como não podia sair de casa, eu passava o dia inteiro na net e no celular, ela começou a achar que eu ia ficar louco. Tirou-me tudo... Por isso querida.
- Nossa. Por que essa medida? Ela não foi um tanto drástica demais?
- Bem. Acho que eu liguei para muitos meninos.
- Nem precisa dizer-me mais nada... Eu já entendi tudo.
Vic deu uma grande gargalhada no telefone, tive que afastar o ouvido por que chegou a doer em meus tímpanos a risada.
- Enfim, com essa fiquei no tédio e sem nada para fazer acabei lendo aqueles livros que você tinha me indicado antes.
- Todos eles? (eu fiquei muito assustada).
- Eu tava sem nadas para fazer Amy. E eles nem eram tão volumosos assim. Até que eram interessantes. Mas, acho que vou ficar uma década sem ler mais nada.
- Minha nossa (eu comecei a rir freneticamente).
- E você como está? O que aconteceu que eu perdi?
Comecei a contar para Vic tudo o que tinha acontecido, ela estava mais surpresa do que eu.
- Amy, vamos sair desse quarto mocinha (era a minha mãe).
Domingo em casa. Dia dela fazer um interrogatório e querer se atualizar sobre minha vida. Que ótimo.
- Minha mãe ta chamando tenho que sair. Quando te vejo?
- Estou indo ao Shopping mais tarde. Quer vir comigo?
- Distrair-se? (pausa) Com certeza.
Eu estava precisando. E com urgência.

3

Fila do Cinema lotada.
- Nossa. E agora? Isso aqui esta terrível (dizia Vic).
Seus curtos cabelos haviam crescido um pouco. Não estavam mais tão curtos.
Assim como eu sua pele já havia perdido o leve bronzeado da Flórida. Parecíamos estatuas de gelo, brancas e paradas em meio a multidão.
Minhas pernas estavam cansadas, o corpo todo para ser mais exata. A organização de meu quarto havia deixado-me exausta.
- Parece que todo o colégio esta aqui.
- Hum. É verdade.
Olho para os lados. Eu rezava para não encontrar Mikael ali, e para que estivesse tudo bem com Sawlver. Já havia planejado de ir com Vic na manha seguinte depois do colégio vê-lo no departamento.
 Enquanto pensava em tudo isso que acontecia, indo e vindo as lembranças e sentimentos dentro de mim, mesmo naquele ambiente lotado, era impossível esquecer o tormento dos últimos dias.
Olho para frente, em direção a bilheteria.
- Preciso comprar os ingressos (disse Vic) mas isso aqui esta inacreditável. Imagina se estivesse estreando algum filme de algum ator famoso. Meu Deus.
Quando Vic terminou de falar, um voz grossa e familiar soa atrás de mim.
- Alguém falou em comprar ingressos?
Viro-me.
- Sawlver?
Sawl estava ali. Bem a minha frente, com um grande sorriso no rosto e três bilhetes na mão. 

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