Sedução
Capítulo 07
1

- Sawl (gritei, correndo em direção a cela onde estava Sawlver).
- Amy, por que você está aqui? (questionou-me ele).
- Disse-lhe que viria vê-lo assim que possível.
- Vocês conversaram com o Diretor? (disse ele olhando-me e em seguida desviando um pouco de seu olhar para Mikael que permanecia logo um pouco atrás de mim, ele fica dando passos sem compromisso para lá para cá).
Desviei meu olhar um pouco em direção a Mikael, com a cabeça meio baixa, como se só quisesse apenas espiar o que acontecia.
- Sim. Acho que tudo foi esclarecido para ele.
- Amy. Não posso ficar aqui, minha mãe... Ela... Ela... (titubeava Sawl).
- Quer que eu ligue para informa-los do que aconteceu?
- Não, (berrou Sawl) não faça isso.
- Por que? Eles precisam saber que você foi preso ou caso contrario como iram tirá-lo daqui?
- Não quero que meu pai venha a saber que isso está acontecendo comigo. Ele irá querer que eu retorne para Nova York.
- Então o que devo fazer?
- Não faça nada. Eu creio que tudo ficará bem. Certo?
- Mas, Sawl, você não pode ficar aqui... Você...
- Por favor me escute, (interrompeu-me ele) fique tranquila tudo ficará bem.
Eu estava de cabeça baixa e olhava para o chão. Tristonha. Sua mão passava através das grades da cela e tocava levemente minha pele, a enchendo de calor.
- Olhe para mim.
Eu olhei imediatamente.
- Sim? (perguntei).
- Tudo vai ficar bem. Confie em mim.
De repente uma sensação invade-me. Ela me consola. Sim. Eu ficaria bem e sabia que Sawl também estaria bem.
- Certo (respondi).
- Não há nada para se preocupar, aquele sangue é meu, você sabe disso.
Eu comecei a acenar positivamente com a cabeça. Agora ambos trocavam caricias, ele acariciava meu rosto e eu o dele.
- Deve ter acontecido algum engano. Tenho certeza de que logo tudo será resolvido.
- Tudo bem.
Naquele instante parecia que eu conseguia dar apenas respostas curtas e sentimentalmente limitadas. “Certo, tudo bem, sim?...”
Nossos olhos se encararam, e nos beijamos, calorosamente.
Eu pude ver atrás de Sawl os olhares interessados e ridículos dos presos que ali estavam.
Mas não seria esses olhares que  estariam a me incomodar. Eu não podia ver, mas tinha certeza, que às minhas costas, Mikael mantinha seus olhos fixos aquela cena.
Virei repentinamente, e pude ter certeza daquilo que estava há pensar.
Mikael cravava seus olhos azuis em nós.
- Vamos lá.Vocês! O tempo acabou! (avisou o policial que havia nos guiado até ali).
- Eu ficarei bem (disse-me Sawlver mais uma vez).
- Rápido! Rápido! (exigia o policial).
- Vamos Amy? (chamava Mikael).
- Sim, sim. (olhei mais uma vez para Sawl dentro da cela).
Saí logo em seguida, não suportava mais ter que vê-lo ali.
Mesmo assim olhei várias vezes para trás em busca de ainda poder encontrar qualquer resto que fosse da imagem de Sawl.

2

Do lado de fora do Departamento, Mikael e eu já seguíamos em direção ao estacionamento.
Em um local bem reservado, aguardava a moto misteriosa de Mikael. De certa forma, aquilo me dava muito medo, só em pensar que aquela motocicleta havia sido feita por Mikael, sem nenhuma segurança industrial, uso de máquinas...
De repente um questão veio a minha mente. Não hesitei em fazê-la imediatamente a Mikael.
- Espera ai. Só um instante. (disse, parando-o no meio do estacionamento).
- O que foi? (questionou, não compreendendo o que eu queria).
- Se você foi que construiu essa máquina...
Suspirei... Profundamente.
- A moto? (perguntou Mikael, estranhando minha súbita questão e apontando para a motocicleta).
- Isso é ilegal!
- Ah! Qual é agora?
- Se você não comprou, se não têm marca, ela é ilegal. Eu não to acreditando nisso (fiz uma cara de perfeita idiota, era o que eu estava me considerando agora).
- Não está acreditando que eu fiz uma moto?
- Não estou acreditando que me fez correr perigo andando nessa coisa! É ilegal, duvido que ela esteja emplacada. Duvido!
Corri até a moto. E para minha surpresa ela possuía sim um emplacamento.
- Mais como assim? (fiquei completamente confusa).
- Essa placa era da minha antiga moto. Que está em meu nome. Uma semana depois que havia terminado com você, eu sofri um acidente na Flórida. Aquela moto que você conhecia havia sido completamente destruída, só apenas algumas peças ainda eram boas e a placa, não tinha sido danifica.
-  Mesmo assim ainda é ilegal. Não estou acreditando que me fez andar nessa coisa e correr o perigo de ser presa ou... Ou... Espera ai... Acidente?... (minha voz quase falhou ao perguntar aquilo).
- Eu estava indo a sua casa... Ai...
- Minha casa? (interrompi) O que você ia fazer na minha casa? (comecei a ficar histérica).
- Eu ia tentar impedir de que você viajasse. (ele me encarou com aqueles intensos e indecifráveis olhos).
- Você o que? (questionei completamente espantada e um pouco aflita).
- Eu ia lá tentar impedir de que você viajasse. Eu não queria te perder Amy.
- Como assim? Como assim não queria me perder? Uma semana antes você disse que não me queria mais, que tudo estava acabado pra você, e eu fiquei lá, louca, você nunca me deu, um real motivo pelo qual você quis me deixar, você me fez sofrer Mikael. Da forma como nunca pensei que fosse sofrer na minha vida. E agora quer que eu acredite que você teve um acidente de moto enquanto ia na minha casa evitar de que eu viajasse, pra não me perder? Mikael...
- Eu te amo... DROGA! Te amo! (Mikael estava berrando desesperadamente no meio do estacionamento) Será que você não consegue compreender isso (era perceptível que Mikael queria chorar, seu rosto se contorcia como se estivesse tendo a mais intensa dor, mais nenhuma lágrima descia em sua face) Eu tive motivos pelos quais me fez pensar em te deixar.
- Motivos? Que motivos? O que eu fiz? Diga-me! (exigi) Me diga agora!
- Você não fez nada Amy.
Aquelas palavras me gelaram a alma.
- Quê?
- Você não fez nada. Você não tem culpa de nada. Eu tive que lhe deixar por motivos próprios meus. Só que acabei me arrependendo depois. Você sabe que eu sempre acabo agindo com impulso, e naquele instante, em meio ao impulso de uma decisão errada eu resolvi fazer o que fiz.
Eu estava sem palavras. Minha boca estava seca e entre aberta, meus olhos mantinham-se fixos aos de Mikael, e eles me absorviam, como as nuvens absorvem o vapor das águas, prendiam toda a minha atenção.
- Por que Mikael? Por que?
- Eu não posso te dizer. Desculpa. A única coisa que posso e devo, é te pedir desculpa, por tudo que eu fiz, pelo tanto que eu te fiz sofrer, Amy... Por favor. Me perdoa!
- Não posso. Não devo. E. Não quero.
- Amy eu sei...
- Mikael... Eu não consigo mais acreditar em você, depois do que me fez, você me destruiu por dentro, e isso ainda é recente...
- Amy me escuta...
- Não. (evitei, meus olhos se enchiam de lágrimas, comecei a andar para trás se afastando devagar).
- Por favor. Me perdoa. Eu te amo Amy.
As lágrimas desciam compulsivamente sobre minha face. Que eu desejasse aquilo ou não, as palavras de Mikael tocavam-me profundamente.
- Seu amor são como facas afiadas de dois gumes, elas cortam para onde quer que apontem. Elas me cortaram profundamente Mikael, passaram minha pele e acertaram bem aqui, (bati forte contra meu peito) perfuraram meu coração, indo e voltando, pareciam não querer me deixar nunca mais.
- É como você disse, dois gumes, e do outro lado, estava eu, sendo apunhalado pelo outro gume da mesma que te incidia. Você não sofreu sozinha Amy, você nem imagina o tamanho da dor pela qual eu passei em ter que lhe deixar.
Ele começou a se aproximar.
Algo dentro de mim dizia-me que ele estava falando a verdade. Uma parte tola, frágil, inocente e inútil, eu poderia saber o que fosse. Nunca mais acreditaria nas promessas e nas palavras de Mikael.
- Afaste-se (pedi).
Ele não se afastou.
Minha cabeça estava baixa. Tentava esconder as lágrimas que ainda desciam dos meus olhos.
- Olhe para mim.
Eu senti medo. Muito medo. Ele havia pedido-me o mesmo que Sawlver, que o olhasse, só que era diferente. Sawl pedia que o olhasse em forma de que eu pudesse buscar em seu olhar, consolo. Em Mikael tudo o que eu encontraria naquela imensidão azul, era uma tormenta de emoções, um mergulho profundo, e uma faca de dois gumes que cortar-me-ia mais uma vez.
- Olhe para mim (ele pegou em meu braço, sua cabeça estava um pouco abaixo da minha, na expectativa de que me erguesse).
Ergui-me. Constrangida. Chorando. E com medo.
- Ninguém nunca vai te amar como eu te amo.
- Devei ter tentado me provar isso antes.
- Mas eu também posso tentar provar isso agora.
Seu braço rapidamente percorreu minha cintura, subindo. Uma das mãos pousou ali mesmo, a outra continuou, até a minha nuca, me puxando para perto.
Excêntrico. Excitante. Alucinante.
O beijo de Mikael envolveu-me completamente. Em meio a tantas facas de dois gumes, eu fiquei completamente desarmada. E mesmo que por um instante, se entregar aquele beijo, pareceu ser algo necessário . Eu senti todo o amor dele voltar para mim, e senti toda segurança e conforto que seu abraço me oferecia. Tinha sido como antes.
Afastei-me repentinamente para longe. Evitando-o.
- Amy... Eu...
Comecei a correr em direção a saída mais próxima do estacionamento, evitei olhar para trás. Tudo o que eu queria era sair dali o mais rápido possível.

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