Descanso

Esta ai, algo que eu não esperava... Uma folga”.



Fechei os meus olhos e dormi.

***

Abri meus olhos e estava numa cidade litorânea com ar de pós medieval. Com um belo sol em cima de mim.

- Bonito – comentei das casas, bem construías lembrando colônias de europeus no local onde vivo. A diferença é que aqui, as casas tinham um tom mais escuro e de obscuridade.

- Felipe! – olho para o lado e um grupo de pessoas esperavam por mim – Venha logo! Estamos indo para a praia! – chamou o mais velho, um homem de 27 anos, branco e alto, com o seu corpo forte e musculoso, além dos olhos azuis e os cabelos curtos, com um leve tom de loiro.

- Estou indo! – respondi a ele o reconhecendo e comecei a correr até me aproximar de todos. Eram um grupo de 5 pessoas das quais eu conhecia quase todos.

- Prazer, meu nome é Leon – me estendeu a mão o garoto meio fortinho, levemente moreno de cabelos escuros e castanhos, vestido com uma blusa listrada de preto e cinza.

- Prazer – respondi alegremente – meu nome é Felipe.

- Ouvi falar de você – comentou ele.

- Vamos pessoal? – chamou Braon, esse é o nome do meu amigo grande.

- Sim! – responderam duas garotas que estavam no grupo, brancas de cabelos compridos e já de biquíni, corpo esbelto e avantajado. Estavam acompanhando Braon e seu irmão um pouco mais novo, Zwill, que assim como seu irmão mais velho, era branco também com cabelos levemente loiros, mas não era tão grande nem tão forte, também não tinha olhos azuis mas não deixava de ser charmoso por sempre ter alguém de olho.

Logo após o chamado, Leon se aproximou de mim e pegou minha mão.

- Podemos senhor Felipe? – perguntou-me ele sem graça.

Eu abri um sorriso logo e gentil.

- Claro – respondi com o sorriso enquanto olhava um carro vir nos buscar e parar a nossa frente na avenida da cidade.

Entramos todos no carro, grande por dentro mesmo.

- Motorista, Leve-nos para a baia por favor. – Pediu Braon.

- Sim senhor. – respondeu, ligando o carro e saindo com ele.

***

Chegamos na baia de portos.

O Vento era mais forte aqui por não haver praticamente nenhuma construção. Apenas alguns coqueiros que balançavam ao vento.

- Nossa que lugar Lindo! – exclamei me sentindo mais calmo e tranquilo com o lugar.

- O último a entrar na agua é a mulher do papa! – Berrou Braon correndo em direção a água enquanto tirava a sua roupa, deixando a sua namorada e irmão para trás.

- Ei! – Zwill, Leon e eu berramos juntos correndo e tentando tirar a roupa e ficar só de sunga.

Tropecei várias vezes junto com Leon e tivemos de parar para tirar a roupa.

- Ah esses meninos... – comentaram as garotas andando calmamente sobre a areia e parando em baixo da sombra de uma grande pedra que saia da praia e entrava alguns poucos metros por cima do mar.

Nessa altura, Zwill já estava mergulhando no mar com o seu irmão enquanto eu e Leon chegamos na beira da água.

- Vamos Felipe! – chamou ele entrando na água e mergulhando.

- Estou indo! – respondi meio emburrado. Não gostava de água gelada, e quando a senti em meus pés.

Quente?” Pensei comigo.

- Sim, é muito Quentinho aqui! – Falou Leon.

- Anda Felipe! – chamou Zwill e Braon já mais no fundo.

- Povo apressado!! – Berrei em resposta, dando alguns passos para trás, olhando para frente e correi, molhando os pés e espirrando água para os lados, molhando Leon e mergulhando pro fundo e subindo logo depois todo molhado.

- Rá! – berrou Leon me molhando por trás.

- Ou! – respondi me virando, e jogando água nele que saio para longe.

- Radouken! – berrou Zwill e Braon de trás de mim também, me jogando uma onda, me deixando todo sem graça.

- Três contra um, que justo. – Reclamei.

- Isso mesmo! – falou Lean voltando pra perto começando a jogar água em mim junto com os irmãos.

- Vamos! Reaja Felipe! – Falou Braon me jogando água com o seu irmão enquanto eu tentava me esquivar e jogar neles também.

- Injusto! – reclamava eu, lutando bravamente e perdendo.

***

Final de tarde.

Eu estava na beira da água  quase cochilando na areia com Leon deitado a minha frente e as garotas se molhando e brincando agora dentro da água.

Falaram que tinham que esperar as crianças brincarem pra depois elas se molharem, coisa de mulher.

Os irmãos haviam saindo faz algum tempo para ver o que faríamos na cidade mais a noite, mas não demoraram a voltar, antes deu cochilar eles acabaram de voltar.

- Pessoal! – Chamou Braon da calçada levantando o braço e acenando para todo mundo. Chamando com o braço.

Logo que todos vimos, nos levantamos. Leon, me ajudando a levantar, me pegando e levantando.

- Obrigado – respondi com um sorriso e fomos logo atrás das garotas que passaram pela gente, rápidas como raios, indo de encontro a seus namorados.

- Nossa... – Falamos eu e Leon juntos, e fomos caminhando até eles.

***

Agora era noite.

Estávamos todos em um píer na cidade, não muito grande mas muito popular.

Na Praia eles haviam vindo nos buscar, para que todos nós fossemos nos trocando no carro mesmo, enquanto Zwill dirigia para a área do porto.

Todos ficaram muito animados com a ideia do porto e do píer, era um local muito balado.

Agora aqui, eu via a popularidade do local. Era devido a bela vista da cidade de um lado, que se estendia bastante pela praia, e o mar do outro lado, iluminado pela luz e as estrelas naquela noite brilhante.

- Que lindo esse lugar... – falei em tom baixo e apenas Leon e Braon me ouviram. Era eles que estavam mais próximos de mim, todos sentados nas escadas de pedra que desciam até chegar a praia.

- Sim, concordo plenamente – respondeu Leon me olhando e sorrindo.

- Aqui é um belo lugar e popular – começou a comentar Braon – Não só pela beleza natural mas, olhe em volta – apontou em volta, falando para mim e Leon – esses bares restaurantes e choperias, tudo lotado.

Verdade, era um local bem badalado.

Eu não conseguia resistir a vontade de ficar sorrindo.

Eu e Leon, os únicos de bermudas e camisas pretas e agora de mochila, mas apenas eu.

- Mano – chamou Zwill do alto e na frente, no píer – Eu irei ali com elas – a namorada dos dele e a namorada do irmão – lá naquele bar e restaurante, tudo bem?! – perguntou ele alto, quase berrando para o som da sua voz chegar nítido ao irmão.

Braon sorrio entendo tudo o que ele queria rapidamente.

- Tudo bem! Vai lá! E se cuida! – respondeu ele logo e viu o irmão sair logo com as garotas.

Logo que ele saiu de nossas vistas, começamos os três a rir muito da situação que aconteceria longe de nossas vistas.

***

Mais dentro da noite, estava apenas nós três nas pedras ainda conversando.

A movimentação estava mais tranquila, mas longe de estar vazio ou quase isso.

- E então Felipe – Braon fez uma pausa e completou – lobo. Tem trabalhado muito?

Leon, olhou para mim e viu o meu semblante um pouco triste ou longe, mas atento a situação em volta.

- Até de mais ‘cara’ ... – respondi olhando para ele, e acrescentei – para eu ter tido permissão para ter um dia desses... – ri um pouco – devo ter trabalhado até de mais – terminei sorrindo.

- Felipe lobo... – falou Leon – já ouvi esse nome... ou o Lobo-garoto – complementou ele pensando.

- Não pense sobre isso Leon – falou Braon – isso é coisa que geralmente agente não precisa saber.

- Como assim? – perguntou Leon do meu lado para Braon que estava do meu outro lado.

- Saber quem as “pessoas” são – explicou ele – não é dever nosso saber quem eles realmente são, isso traz problemas sempre.

Durante a explicação de Braon a Leon sobre mim, eu me levantei e sai andando pelas ruas da cidade.

A cidade estava mais tranquila e aqueles prédios que me lembravam um tempo onde as casas eram mais requintadas, tanto por fora quanto por dentro.

Isso me agradava muito.

Então, voltei a caminhar pela rua, seguindo em direção a avenida que tinha cruzando o local do píer, mas antes deu chegar na avenida, uma pequena porta entre duas casas me chamou a atenção.

Tão simples, com uma pano meio sujo mas branco, tapando a entrada e em cima, na pedra estava escrito em tinta:

- “Sebo” – eu li, e parei de andar olhando – hum – fiz com a voz – curioso... – falei novamente e fui até a porta, puxei o pano para o lado.

Era um cubículo retangular, espremido entre duas grandes construções e caberia no máximo duas pessoas lá dentro.

Apesar de muito pequeno, tudo estava muito bem organizado e não havia grandes quantidades de livros.

Fiquei ali, observando os livros empilhados e alguns outros colocados em uma estante de ferro, outros colocados em um aparador de livros, onde eles ficavam apenas de frente.

Me agachei para olhar os livros de baixo. Meus olhos se arregalaram de surpresa.

- Não acredito... – pegou dois livros que estavam em baixo, um de capa preta com roxo e outro de vermelho com preto, um com uma raposa em designe de tatuagem e outro com um homem vestido de maneira diferente, aparentando uma roupa de outro país.

- Felipe? – chamou na porta Braon com Leon do lado me olhando feliz e com rosto de surpreso.

- Sim? – pegou os livros me levantando.

- E isso? – me perguntou Braon me olhando com os livros.

- É o que eu vim buscar... – falei em um tom um pouco desanimado.

- Nunca há descanso... certo? – falou-me Braon me acompanhando até o senhor de idade onde iria receber pelos livros, do outro lado da rua.

- Sim... – confirmei para ele.

- Mas – começou Leon a falar me olhando – Tão importante quanto o que você achou e veio achar, é os momentos que você teve até esse momento, não é? – perguntou ele a mim.

Chegando ao senhor de díade, com óculos e com pouco cabelo que estava atrás de um balcão simples de madeira, encostado na parede.

- Qual.... – perguntou cansadamente o senhor – a forma... de pagamento...?

Eu ia responder quando Braon passou a minha frente e respondeu me olhando e sorrindo.

- Cartão senhor.

Nesse momento, olhei para Leon e Braon. Os dois sorrindo para mim enquanto eu segurava o livro junto de meu corpo.

- Agente se vê de novo, um outro dia lobo? – perguntou Braon enquanto eu fechava os olhos lentamente.

- Sim – respondi de olhos fechados já e logo completei – Sim Leon, você está certo.

E meu corpo caiu lentamente, até parar.

***

Parar calmamente, comigo abrindo os olhos em meu quarto, feliz e sorrindo, Sem os livros mas com os meus braços me abraçando.

- Obrigado a todos... – falei sozinho.
Reações: