Resgate – 2/2

“Já que não tenho escolha... vou realizar a missão, assim mesmo...”


Aquele lugar ruim, com aquela energia pesada, névoa vermelha dançando em volta e a minha frente.

“Quantas mortes haviam tido este lugar nojento...” Era o meu pensamento.

Comecei a andar e notei no chão, vários pedaços de vidro. Grandes e grossos.

- Que estranho... – falei me agachando pegando um dos pedaços com a minha mão.

Me cortei com o vidro e minha mão começou a sangrar.

- Isso é perigoso... – Falei me levantando e olhando para frente. Um Samurai grande e forte, com a sua armadura e o rosto coberto me fitava nos olhos.

Com certeza uma luta num corredor estreito, e escorregadio não seria fácil para nenhum de nós, mas ao ver ele sacar lentamente a Katana dele na penumbra, eu percebi que ele iria me atacar.

Coloquei a minha mão livre na cintura tentando sacar a minha espada.

Sem espada...?!” Pensei comigo surpreso.

- Ah! – Berrou o Samurai pulando indo até o teto e caindo em minha direção com a espada a sua frente.

Tive tempo apenas para recuar e ver com a minha velocidade aumentada. Pude ver ele descer lentamente e cravar a espada no chão.

Meu coração batia rápido ajustando o sangue e o leve susto. Eu continuei novamente tentando fazer a minha espada aparecer.

Nada.

Novamente o Samurai apareceu na minha frente me desferindo um ataque de baixo para cima.

Parei o ataque dele com o pedaço de vidro em minha mão.

- Ah... – Gemi baixo de dor, por sentir o vidro cortar minha mão, mais enquanto fazia força e empurrava com o corpo o Samurai para trás e o derrubava levemente no chão.

Eu vi ele sumir lentamente no chão.

- Droga – reclamei comigo mesmo – Odeio esses seres... – falei pra mim mesmo olhando em volta, as paredes sujas de musgo enquanto eu andava a pelo corredor chegando até a passagem de uma corredor para outro.

Nesse não havia diferença com o anterior então continuei a andar e olhando em volta.

Logo que atravessei a segunda passagem, senti algo de diferente onde eu estava.

Olhei em volta, não havia nada de diferente.

- Mas tem algo aqui... – sussurrei comigo olhando para cima e vi. Uma fechadura. – Uma cela dentro do teto...? – me perguntando.

Do chão, logo a frente outro Samurai me aparece. Mais magro mas forte, e da mesma altura.

- Você – ele aponta para mim falando – Não vai interferir na nossa missão. – falou com a voz abafada pelo pano branco que cobria o rosto do nariz para baixo. – Seja lá quem for você.

Eu estava segurando firme o pedaço de vidro, senti a minha energia passar por ele, o enchendo de energia.

- Não se preocupe, você tem que sequestrar e matar a garota não é? – perguntei afirmando para ele que me deixou sem resposta, então continuei – Mas a minha missão é protege-la, então você não conseguirá o que deve fazer.

- Humano ridículo. – falou e saltou sobre mim. Rápido como um relâmpago ele estava na minha frente, tentando passar a Katana dele de cima para baixo em mim, até parar imóvel na minha frente – Arg....

Antes que a espada dele chega-se mais próximo de mim, o corpo dele caiu sobre o meu. O pedaço de vidro, antes um pouco maior que a palma de minha mão, agora estava do tamanho de uma espada comum (de cavaleiro) e atravessada no peito do Samurai, chegando do outro lado e brilhando levemente com a minha energia amarela percorrendo e do sangue sujando-a.

- Descanse em paz... Antigo guerreiro. – Ele sumiu de cima de mim, e o seu sangue também. Em silêncio.

No chão, após sumir, ficou a chave da prisão. Fiquei um instante olhando para ela, pequena, simples e dourada. Mas logo me agachei e peguei-a.

Estiquei o meu braço até tocar o teto que estranhamente se abaixou para receber a chave e ficando próximo do meu tamanho normal. Encaixei a chave, rodei e puxei para baixo. Não abriu.

Girei e puxei novamente. Sem sucesso.

- Saco... – Reclamei comigo mesmo e comecei a girar a chave novamente e a puxar ela, agora com força e brutalidade até meus olhos castanhos ficarem mais claro.

- Ai! – escutei a garota gritar ao cair no chão do buraco no teto que havia ficado após eu puxar. O teto havia volta para cima e longe, como antes. Como se não tivesse vindo até mim.

- Ninguém merece... – reclamei novamente, estendendo a mão para a garota que a pegou agora um pouco encabulado e limpando a suas roupas pretas, calças e camisas.

Por um instante vi uma forma estranha que se assemelhava a um coelho, por causa de orelhas grandes, mas marrons, mas logo a enxerguei normal.

- Obrigada... – agradeceu ela que logo emendou – E desculpe...

- Por nada – respondi a ela, agora dando um sorriso.

- Você... Veio para me levar embora? – perguntou ela, terminando de bater em suas roupas, reparei q ela tinha uma bota preta também.

- Sim – respondi a ela e complementei – Uma senhora que estava em um quarto separado do da festa havia me chamado em meu mundo, ela ganhou um pedido meu e pediu que eu a retirasse deste mundo, ou do mundo onde estava tendo a festa, pois era perigoso.

- Eu percebi... – ela falou em tom triste. – Muitos me querem... eu não sei o porquê – falou abaixando um pouco a cabeça e deixando o cabelo curto e batido cair na frente dos olhos.

Eu talvez eu saiba o porquê... mas se ela não sabe... melhor deixar assim.” Pensei comigo.

- Posso ir embora...? – ela levantou os olhos meio lacrimejados e me perguntou.

- Claro – respondi a ela, dando um passo para traz.

Estendi a minha mão, a minha energia dourada naquele momento envolveu a minha mão. Ela, fechando os olhos ainda teve tempo de agradecer com um simples.

- Obrigada...

E sumiu de minha frente.

***

Após piscar rapidamente eu havia voltado para a casa da senhora, nós estávamos sentados em uma espécie de pufe e ela estava preparando um chá verde quente na minha frente em seu pequeno fogão miniatura.

- Muito obrigada jovem garoto – disse-me mexendo uma colher de ferro na caneca também de ferro para misturar o chá com a água.

- Imagine senhora... – respondi ela um pouco encabulado, e agora com uma manta que havia me dado – A senhora mereceu, afinal passou pela minha ‘barreira’. – Completei, pegando um copo com chá que havia sido servido a mim antes.

- Aquela sua barreira é.... – ela interrompeu e se virou bruscamente e juntamente comigo para a janela do aposento, olhando para o lado de fora. Não havia nada, o céu estava branco, mal se podia vê-lo e a névoa brilhava com o sol entrando-a.

- Eles voltaram... – falei e suspirei em seguida.

- Sim... – confirmou a senhora, parando de fazer o chá e olhando para mim – vai ficar bem jovem?

- Claro senhora – respondi sorrindo para não deixa-la muito preocupada, sem muito sucesso mas parece que ela ficou mais tranquila apesar de tudo.

- Desculpe não poder trata melhor o seus machucados… – falou ela que emendou antes que eu respondesse algo – e por não poder servir o chá – terminou com um sorriso encabulado.

- Imagine senhora – respondi depois com um sorriso.

Me levantei e pisquei lentamente, sentindo o ar, o cheiro, o calor e o vento mudarem, para a penumbra, o frio, umidade e tristeza do mesmo calabouço de antes.

***

Quando abri os olhos, dois samurais estavam a minha frente, me encarando. Segurando o corpo de um que estava morto nos braços dos dois.

Ambos estavam parados em frente a uma sela mais escura que, ao saírem para o lado lentamente e me encarando muito nervosos, eu vi que dentro da sala, mesmo no escuro, havia alguém sentado em uma poltrona velha, e seus olhos amarelos com vermelho levemente me encaravam.

- Pois não? – falei a quem estava dentro.

- Você... – disse ele. A penumbra diminuiu um pouco e pude ver a roupa de Samurai, bem mais avermelhada e cabelos compridos e escuros caídos nos ombros – O lobo...Sei quem é você... Irei atrás de você... – falou-me.

Fechei o punho em um sinal claro de que havia ficado um pouco nervoso.

- Depois irei... – Falou ele novamente para mim, sua voz, agora havia notado, era grossa e similar – mas até lá. – Parou de falar.

Nesse momento aumentei minha velocidade. Ele tinha uma arma de fogo nas mãos, e a levantou rápido em minha direção. E atirou.

Droga de asiáticos... Que inventaram as armas de fogo…” Pensei comigo.

O mais rápido que pude me joguei para o lado, havia uma sela sem barras onde acabei caindo lentamente pelo aumento da velocidade e vi a bala passar por mim, a minha frente, meu corpo, mais baixo, e a minha perna meio desengonçada atrás.

- Você... Lobo – falou-me ele. – Não vai escapar fácil.

***

Acordei caído numa posição estranha na minha cama e sentindo o meu dedo do pé formigar.

- Droga... – reclamei – Vou precisar me cuidar mais. – Completei olhando o teto de concreto e a luz do sol batendo na janela. Tudo lindo e normal. Sem invasão.

- Que bom.... Por enquanto...





“Minha Barreira é um filtro... Onde o que Passa por ela, são seres e sentimentos que são considerados limpos e corretos pela Natureza... Por isso a Senhora Conseguiu passar. Preocupação com quem se ama, é valido em qualquer lugar.”
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