“Escape”

Música: Christina Perri – A Thousand Years

“Foi um pedido especial... que eu não só sentia que deveria dar o meu máximo para atender... mas senti algo que não sentia há muito tempo no meu trabalho...”



Muito Tempo se passou desde a última vez que eu a vi. Ela era apenas uma garotas, mas aquele instante que eu vi como ela era realmente, uma não humana de uma raça diferente em outro mundo.

Eu a reconheci logo, e fui correndo atender aquele pedido, que veio até mim, de uma maneira muito especial naquela noite, e mais especial ainda, de quem era, esse pedido.

***

- Corram! Corram! – Eu gritava para os humanos e seres não-humanos que corriam na direção que eu apontava, para a frente em um caminho pequeno e estreito entre duas grandes montanhas que desabavam aos poucos enquanto a terra tremia.

O Vento forte passava em sentido contrário de todos, dificultando-os a chegar até a passagem de magia verde que os salvaria da catástrofe que estava destruindo a grande cidade deles.

Enquanto todos estavam buscando sair o mais rápido dali, abri minhas asas brancas com tom de amarelos nas pontas e levantei voo. Sim é estranho ver um lobo preto com asas brancas, mas na confusão, poucos prestavam atenção em mim.

Voei para cima para encontrar uma mulher com orelhas de coelho, grande e forte, com um corpo esbelto além de longos cabelos brancos com um grande salto nos pés e um arco e flecha dignos de uma princesa.

- Vamos princesa, por favor. – Pedi a ela com um pouco de pressa.

- Onde ele está lobo? – me perguntava enquanto olhava para a multidão.

- Eu irei busca-lo lá em baixo – falei pegando a mão dela, percebendo que estava tremula. – Confie novamente em mim, por favor – quase implorei enquanto a fitava nos olhos cor castanhos claro.

- Tudo bem. – respondeu-me ela e virou-se correndo por cima das rochas para um caminho diferente dos outros.

Saltando alguns buracos gigantes nas pedras com maestria e driblando as grandes e pequenas rochas que deslizavam para atingi-la sem sucesso.

Novamente ergui as asas e levantei voo, procurando aquele que era o amado dela.

Não demorei até acha-lo com uma família, segurando as crianças que haviam se machucado levemente com o desmoronamento de uma casa e entregando-os para os pais.

Ele era um ser não humano robusto, com um corpo moreno e um pouco forte, assim como a princesa, logo ambos chegariam a uma idade mais adulta, ele com uma aparência um pouco mais velha, cabelos curtos e escuros e um rosto ligeiramente sério.

- Vão! – ordenou o ser com corpo humano e orelhas de coelho também.

- Vamos! – peguei no braço dele – ela já está seguindo pelo caminho dela e você precisa ir junto dela! – falei com pressa.

- Está bem! Está bem! – me respondeu ele segurando em minha pata enquanto eu batia fortemente às asas e saindo do chão.

A essa altura eu já podia ver quase todos os prédios de pedras e cristais verdes indo ao chão enquanto tudo desmoronava e os últimos iam fugindo pelo portal com as crianças nos colos.

- Que todos sejam abençoados pela sua coragem… – comentei em voz média.

- Obrigado senhor lobo. – Agradeceu-me.

Logo alcancei a princesa que parou ao lado de uma coluna colossal branca.

- Vá! – pedi a ela que rapidamente deu um leve pulo para o precipício sem cair, parando firme em uma passagem que se mostrou visível apenas para ela.

- Magia? – perguntou-me o amado dela.

- Sim, especialmente para ela – sorri para ela e apontei para a barriga dela com a mão livre – que vem dali.

- Será que ela...? – indagou-se ele.

- Sim, isso mesmo – respondi a ele, voando ao lado dela que subia a montanha pelo caminho circular, se mostrando visível, branco com vários colossos brancos, mas um pouco transparentes enquanto ela corria para o topo.

Chegando ao topo, soltei o homem que a abraçou assim que ela chegou ao topo, mostrando estar firme e disposta, nem um pouco cansada da correria.

À frente, o maior de todos os precipícios.

Para cima, a luz que brilhava como a saída dela.

- Sua saída princesa – fiquei na ponta do precipício dando o caminho para ambos enquanto abaixava a minha cabeça em respeito ao casal.

- Está bem... – falou-me temerosa segurando a mão de seu amado.

- Vamos amor? – perguntou ele a ela, fitando-a e segurando firme a sua mão.

- Sim! – respondeu ela firmemente e feliz, puxando-o numa corrida até a ponta. Saltando para luz próxima e sumindo atrás de mim enquanto a rocha se despedaçava.

- O serviço está feito, como o combinado crianças... – falei me virando e vendo um casal de irmãos, muito semelhantes aos pais que haviam acabado de sair.

- Obrigado! De verdade! – disseram eles e sumiram.

Levantei voo pela última vez, vendo que o portal se fechava na cidade, que era engolida em partes pelo mar e em outras, caia aos pedaços sem mais ninguém.

Que todos estejam em segurança em um novo local” é o meu desejo enquanto voo embora dali.

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