CAPÍTULO 16

- O que faremos? – Pergunta a Lorena.
- Eu vou parar aquela coisa. – Digo.
Vou até a Isa, me ajoelho e dou um beijo em seus lábios. “Adeus, meu amor!”, sussurro e levanto e me viro na direção do míssil. Corro, pressionando meus pés para dar mais impulso, e quando chego a uma velocidade boa, eu salto, e vou bem alto, mas não tanto.
- Não temos tanto tempo Tonny. – Diz Carlos.
- Ah é? E o que você quer que eu faça? Hein? – Pergunto gritando. Talvez essa pressão toda, esteja me tirando do controle. Pego uma pedra e lanço no Mascarado e é então que percebo que estou perdendo o controle de mim de novo. – Diz logo, - Falo com dificuldade, pois minha voz, não quer sair. – o que devo fazer?
- Tonny você tem que voar. – Diz Carlos. Parece irônico, mas se o único jeito é esse e ele souber como, eu faço.
- Como?
- Pulando. Você só precisa colocar todo o seu impulso nos pés que seu salto vai fazer você praticamente, voar!
Certo, vou caminhando para longe deles, e então, me preparo. Carlos me da sua luva com um pequeno míssil e diz que quando for à hora, é para eu lançar ela no outro míssil. Abro bem minhas pernas e faço força para baixo, pressiono o chão e sinto que da pra pular, mas quero um pouco mais, então, dobro meus joelhos me abaixando um pouco mais. À medida que vou me abaixando, vejo o chão rachando ao meu redor, pequenas pedrinhas se movendo pra lá e pra cá, sinto o suor descendo pelo meu rosto e sem mais nem menos, eu começo a me sentir tão leve que pulo. Cinco, dez, vinte, quarenta, cem metros eu já devo ter percorrido no céu.
- Incrível! – Digo enquanto vou à direção do míssil.
É incrível voar. Se nunca voou, tente. Pegue um avião é claro, porque voar dificilmente alguém vai conseguir. Mas vai fazer uma visitinha ao céu, ele é incrível! Tinha uma nuvem bem acima de mim, um pouco escura, mas depois que a atravessei, eu pude ver o azul do céu. Mas é daquele azul que todos admiram que quero dizer. Estrelas no espaço. Afinal, me senti como se estive nele, apesar de ainda estar muito longe. É maravilhoso tudo isso. O homem nunca poderia criar algo tão perfeito.
Olho para baixo e vejo o quão tudo é pequeno. A palma da minha mão pode ser maior do que tudo que eu veja lá embaixo. Olho para a minha frente e reencontro o míssil. Ele esta perdendo velocidade, deve estar próximo de começar a cair e eu também.
- Droga! Estou perdendo velocidade, vou começar a cair. – Falo para mim mesmo.
Começo a cair, e o míssil ainda tem um pouco de velocidade. Preparo o míssil da luva que o Carlos me deu e miro no outro míssil. Tenho que acertar no meio, para explodi-lo. Miro com calma, e quando o míssil começa a querer cair, eu lanço.
BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMM!
Olho na direção contraria a explosão, e logo em seguida, sou tacado com toda a força para o chão. Cair. Estou caindo. Acho que o impacto da explosão me pegou de jeito, pois não consigo mover um só músculo. Vou caindo e vendo o mundo chegar mais perto e ficar cada vez maior. Meus olhos querem se fechar, mas eu tenho que ver isso. Se for meu último momento, quero ter total consciência disto.
Dizem que quando morremos ou estamos próximos disso, vemos a nossa vida toda passar na nossa frente. Vejo minha mãe me abraçando e me beijando quando eu era apenas uma criança. Vejo minhas irmãs e então sinto uma grande saudade. Meu pai, meu querido paizão, eu o amo tanto. Vejo momentos que passei na infância, como correr de um cachorro grande que estava querendo me pegar, brincar de pique pega na rua com meus primos. Meu primeiro dia no teatro, e minha estreia nos palcos. Meu primeiro desfile, meus amigos, minha escola, minha cidade, minha loja, minha família, minha casa.
- Resista, resista, resista... – Ouço uma voz fraca sussurrando isso o tempo todo para mim, só que não consigo discernir quem pode ser meu ouvido parece que está tampado e também não estou conseguindo abrir meus olhos para ver quem é.
- On... – Tento falar, mas estou me sentindo muito fraco.
Finalmente consigo abrir um pouco meus olhos, mas logo quero fecha-los. Devo estar no céu, tudo por aqui é muito branco e a luz me incomoda. É eu morri. Ah, veja bem, salvei milhões de vidas, quer jeito melhor de morrer que este? Estou até mesmo sentindo meus cabelos voarem para o lado, devo estar deitado em uma nuvem. Estou ansioso para abrir meus olhos, só que ainda não consigo, me sinto incomodado com a luz em meus olhos. Será que irei ver o professor Marcelo aqui? E a Isa? Se eu por acaso vir ela aqui, não vou gostar nenhum pouco, ela não pode morrer. É tão linda e nova, tem muito que desfrutar da vida, mesmo que não seja ao meu lado. Espero que os caçadores de heróis não saibam nada sobre a minha família, até porque eles não morreram porque os salvei. Pelo menos deixar minha família em paz, seria o mínimo que eles poderiam fazer por alguém que os deu uma segunda chance. Nossa, creio que minha morte tenha sido algo bom pelo menos. Agora estou feliz, pois minha família não vai ter com o que se preocupar mais. Acho que isso é o que o céu nos dá. Tranquilidade e paz e mostram o que de bom irá acontecer com a nossa perda.
Meus amigos é quem irão enfrenta-los, e terão que ser espertos. Sorte deles é que eles têm o Carlos. É muito inteligente e ele vai saber o que fazer de agora em diante.
Sinto meus cabelos irem para o lado novamente, só que agora, sinto uma gota cair em meu rosto, que irônico, será que um anjo sente as gotas de chuva cair em sua pele? Isso é engraçado. Mais uma gota cai em meu rosto, e logo em seguida sinto alguém pegar a minha mão e aperta-la, e logo em seguida sinto outra gota cair em meu rosto, e essa gota cai próxima a minha boca, e ela vai descendo até o canto dos meus lábios, e então sinto o gosto dela, salgada. Não é gota de chuva, são lágrimas. Será que é a Isa? E se for ela, estamos mesmo no céu?
- E... – Tento dizer abrindo letamente meus olhos para que a luz não acabe comigo outra vez. Quando abro meus olhos e finalmente consigo discernir o que estava a minha frente, vejo Lorena em prantos segurando forte minha mão e chorando em cima de mim.
- Tonny! – Solta um grito rápido e me abraça. Dou uma gemida de dor e ela se afasta, logo pede desculpas, mas ainda sim não consegue parar de chorar. – Ainda bem que você esta vivo. Ainda bem!
Olho para ela, e estranho um pouco. Não imaginaria ela ao meu lado chorando enquanto estou morrendo. Pensei ser a Isabela, achei que ela sim estaria aqui do meu lado, segurando minha mão.
- Isa... – Falo o que consigo, pois não estou com força pra falar, mas parece que ela entendeu.
- A Isabela? – Pergunta ela e faz que sim com a cabeça depois. – Ela esta... Ali. – Diz apontando para a cama atrás dela.
Quando olho e vejo a Isa deitada com aparelhagem em volta dela, ajudando ela a respirar, eu entro em desespero. Começo a querer levantar, mas não tenho força, e o que tento fazer resulta em uma dor terrível. Lorena diz para eu me acalmar, só que eu não posso. Quero saber se ela esta bem já que não consigo perguntar. Droga! ISA! Será que ela consegue ler meus pensamentos agora? Por favor, Isa! Entre na minha cabeça só pra eu saber como você esta. Sinto meu rosto virar um pequeno riacho de tantas lágrimas que produzo, e a cada gota que sai de mim, é uma dor que entra e percorre meu corpo todo. Uma maquininha que esta próxima a mim começa a apitar, quando olho para a maquininha vejo que é o marcador dos meus batimentos cardíacos e esta muito alta. Lorena grita a enfermeira e quando ela chega me aplica uma injeção que logo me trás uma sensação muito grande de cansaço. A Isa continua imóvel com se nada tivesse acontecido aqui, e eu vou fechando meus olhos novamente.
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