Capítulo 14

- Não posso! Podemos precisar dele mais tarde! – Diz Carlos, só sei que é ele pela voz.
- Eu não vou aguentar por muito tempo! – Berra Charles, impossível não reconhecer sua voz.
Me levanto devagar, e percebo que não estou rodeado de vilões como achei que estaria. Na verdade, estou perto do corpo do professor Marcelo e com a Lorena em prantos ainda pela morte dele.
- O que houve? – Digo ficando de pé.
- Charles te salvou você ia apanhar muito Tonny. – Diz a Isabela me abraçando e depois me beijando.
- É, ta me devendo uma! – Diz Charles acabando com um vilão qualquer.
Olho ao redor e vejo que estamos vencendo, vejo que Charles está esgotado, mas não esta se entregando. Ele deve estar lutando sozinho durante um bom tempo. Finalmente, ele acabou com o último vilão por aqui.
Carlos pega o Charles e traz para perto de nós. Todos acabados. Roupas rasgadas, rostos sujos e ainda podemos ver pessoas caídas, sem vida alguma em alguns cantos. O professor Marcelo... Não acredito ainda que ele esta morto. Não pode ser verdade. A única coisa que esta me acalmando por enquanto, é que não tem mais lutas, parece que acabou pelo menos por enquanto.
- Você acha que temos quanto tempo até chegarem mais deles? – Pergunto.
- Não sei, mas temos que estar preparados. – Responde Carlos.
Lorena solta seu pai, da um beijo em seu rosto e acaricia pela última vez. A Isa me abraça e eu a abraço de volta, Carlos vai até a Lorena para ajudar ela a se levantar e a se recompor. Charles está sentado, descansando, e é bem visível que ele precisa mais do que um descanso, pois está acabado.
Mais ou menos meia hora depois, o Mascarado chega ao local. Normalmente ele é falastrão, mas creio que ao ver seu grupinho acabado ele esteja furioso. Solto a Isa e fico na frente do grupo. Carlos se junta a mim e ele faz uns movimentos com as mãos e podemos ver algumas rochas começarem a flutuar a sua volta.
- Heróizinho! – Diz Mascarado enquanto lança suas rochas em mim e no Carlos, desvio de uma ou duas, mas a terceira me acerta e caio com ela em cima de mim, mas desta vez, eu não desacordo. Vejo o Mascarado vindo pra cima da gente bem rápido, jogo sua rocha para o lado e me levanto. Ele acabou de passar por cima de mim, quando olho para trás e o vejo pegando a Isa e levando ela para o alto.
- Ei! – Grito pro Mascarado.
Ele vai bem para o alto com ela, deveria estar a uns quinze metros de altura. Carlos veste sua luva, mas antes de ele fazer qualquer coisa, o Mascarado começa a enforcar a Isa, grito para ele parar, mas é a mesma coisa que nada, tento a dar um pulo bem alto, mas não chego nem perto.
- Solta ela! – Grito, e então, parece que ele me ouve, olha para mim, e nem sua mascara que tampa todo seu rosto, deixando apenas seus olhos de fora, me tirou a sensação de raiva que ele estava olhando pra mim e então, ele a solta.
- Não! – Solto sem pensar, e corro até onde ela poderia cair. Corro tanto que consigo chegar a tempo, quando ela esta quase em meus braços, eu me inclino, e uma forte dor na coluna me surpreende. Quando ela toca meus braços, eu só consigo diminuir o impacto da queda dela, me jogo pra frente para tentar diminuir mais ainda o impacto, mas precisaria ser muito veloz para conseguir tal coisa. – Isa! – Falo baixo, para que ela ouça, e então, vejo que sua cabeça esta sangrando. Levanto cuidadosamente sua nuca e vejo que esta sangrando. Consegui evitar uma queda brusca, mas sua cabeça eu não conseguir evitar.
Um calor começou a transbordar pelo meu corpo enquanto eu olhava pra Isa, um sentimento estranho, não sei eu se era raiva ou não, mas creio que sim, mas... Não parecia ser eu quem estava ali.
- Isa, - Falo. – ei! Acorde Isa. – Sussurro em seu ouvido. Ela parece estar dormindo tranquilamente, e parece ser bom, pois ficar ali, naquela ocasião apenas lutando para atrasar sua morte, não é legal. Não é algo que possa trazer esperança. Ela dormindo pelo menos, pode sonhar com coisas boas, com um lugar especial, e espero, que com alguém especial, se possível, comigo.
- Tonny, acorda! – Diz Charles atrás de mim.
- A Isa... – Falo, olhando e percebendo que seu sono pode ser profundo, mas tão profundo que talvez não acorde mais, que não me conte se sonhou comigo ou... Não posso perder ela, não posso acreditar no que esta acontecendo. Ela... É minha namorada... Na verdade, acabou de se tornar minha namorada, e eu não a protegi como devia. Mascarado seu desgraçado! O que você fez a ela? Porque você fez isso com ela?
- MAASCARAAAADOOO! – Berro pra ele e então eu começo a levantar, mas não sou eu quem esta no controle. Eu começo a rosnar e a babar, meus olhos estão lacrimejando muito, e meu coração, batendo rápido, mas tão rápido que creio que ele nunca tenha batido assim antes. Meu corpo parece estar em chamas, e minhas pernas, prontas para pular.
Corro até uns destroços que estão empilhados e altos, e ao chegar lá, me preparo para pular, e todos meus movimentos eu faço olhando diretamente para os olhos do Mascarado. Quando eu pulo, me sinto voando de tão alto que fui, e quando chego ao Mascarado, o pego pelo pescoço tirando ele de cima de sua rocha, e quando começamos a cair, o estico pra cair na minha frente. Aperto seu pescoço e ele tenta tirar minhas mãos dele, mas minha força esta descomunal, muito maior que antes. Ao me aproximar do chão, empurro o Mascarado para bater com mais força no chão, e eu me inclino para cair de pé. Incrível! Penso. Mas como fiz isso? Acho que eu não estou no...
- Aprendeu a lutar é? – Diz o Mascarado caído.
- Você não viu nada ainda. – Digo. Na verdade, não digo, agora sim estou percebendo, não estou no controle do meu corpo, mas como isso? Mascarado se levanta e faz uns movimentos com as mãos, e então começa a lançar rochas sobre mim. Desvio de uma e de outra, me posiciono, afundo meu pé no chão, e começo a colocar pressão na minha perna de apoio, e quando vem outra rocha, soco a fazendo dispersar em pedaços. Mascarado então vem para cima de mim sem usar suas rochas, ele começa a correr na minha direção, e então começo a correr na direção dele. Estamos mais ou menos uns vinte metros de distancia um do outro, mas com a raiva nos dominando, pareciam centímetros até nossos punhos se encontrarem.
Soco para um lado e para o outro e ainda não entendo como estou lutando assim. Na verdade, não estou desesperado por não estar me sentindo no controle, afinal, estou gostando do que estou fazendo ao Mascarado. Ele merece isso e muito mais.
Mascarado me da uma voadora que caio longe. Estou cansado, sinto isso mesmo não estando no controle. Olho para o lado e vejo a Lorena correndo até mim. Me levanto e voo para cima do Mascarado. Dou três socos nele até que ele cai. Ponho meu joelho em seu peito e começo a enforca-lo. Depois, começo a socar sua mascara, e então começo a ver sangue sair por dentro dela, que por incrível que pareça, não esta quebrando.
- Tonny para! – Grita a Lorena atrás de mim. – Você esta me assustando!
Me levanto e vou até ela. Quando chego perto dela, seguro firme seu pescoço e dou uma tapa em seu rosto.
- Quem é Tonny? – Pergunto. Ei! Eu nunca faria isto! Como assim? O que esta acontecendo? Porque estou fazendo isso?
Começo a sentir uma forte dor na cabeça, mas parece ser só comigo, pois meu corpo continua a agir naturalmente, como se nada tivesse acontecido. Empurro a Lorena para o lado e volto até o Mascarado.
- Pode parando! – Diz alguém me socando no peito e me fazendo voar metros de distancia. Ponho a mão na boca e limpo sangue, mas eu, não sinto nada. Parece que estou preso dentro da minha mente, enquanto alguém controla meu corpo. Estou começando a ficar preocupado com isto. Olho para o cara que me jogou para longe, e rosno novamente como se fosse um cachorro ou algo parecido. Corro para cima dele e quando me aproximo ele apenas me soca no estomago, vejo mais sangue sair da minha boca, e depois ele me pega pelo cabelo, e diz: - Se quiser bater nele, vai ter de passar por cima de mim.
- Moleza! – Digo enquanto pego o pescoço dele e começo a apertar com muita força. Não surte o efeito desejado, parece que ele é feito de aço. Ele me taca para longe e quando caio, olho para ele e então, da para observa-lo. Ele usa uma roupa toda preta, com um, sobretudo grafite. Cabelo espetado, moreno, forte e alto. Usa uma mascara parecida com a nossa, tampando apenas ao redor de seus olhos, como um pano amarrado em volta da nossa cabeça. Seus olhos são impossíveis de se ver, não sei por que, mas está tudo preto por trás daquela mascara.
- Não disse que ia ser moleza? – Pergunta ele me chamando para lutar com a mão.
Levanto e avanço, e novamente sou socado até ver mais sangue sair pela minha boca. Ele me soca no rosto que rodopio, fico de costas para ele e então, ele me chuta pela coluna. Sinto finalmente alguma coisa do meu corpo, mas preferia não ter sentido. É uma dor muito grande na coluna, quase insuportável. Ao olhar para o lado, vejo a Isabela. Olho para os outros, e vejo Charles acabado, Carlos pior que eu. Ele ataca e apanha, e a Lorena, tenta uma coisa ou outra, mas não consegue êxito em seus ataques e então vejo a Isabela de novo. Me aproximo e começo a ter medo do que posso fazer a ela, e então vejo seu rosto, pálido, seus lábios secos e embranquecidos, seus olhos fechados como se estivesse dormindo, e isso começa me preocupar.
Não posso perdê-la, não posso. Me aproximo e me ajoelho ao lado dela, a pego no colo, acaricio seu rosto e beijo sua testa.
- Por favor, meu Deus! Salve ela! – Berro olhando para o céu, e logo em seguido, eu começo soluçar de tanto chorar. – Não posso perdê-la, não posso!
Abraço a Isa e sinto isso. Observo também, que se alguém estava me controlando, não esta mais.
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