Sedução
Capítulo 06
1

Eu estava completamente abismada.
- Por favor, levante-se para que possamos algemá-lo, Senhor Sawlver (disse um dos polícias acenando com a cabeça em direção a Sawl).
Sawl levantou-se devagar e sem pressa.
Eu queria dizer algo. Protestar contra aquilo. Mas as palavras eram incapazes de saírem da minha boca.
Mikael ostentava uma cara completamente espantada, pelo que estava acontecendo. Ele parecia mais espantado até mesmo do que eu.
- Desculpem-nos por nossa intromissão Diretor (disse Chosy).
- Não há problema algum Perito Chosy. Agora se o senhor puder me explicar, o que realmente aconteceu? (questionou Michael).
- O exame laboratorial indicou que o sangue na jaqueta do seu aluno pertence a vitima. Sua ordem de prisão é apenas preventiva, sendo que, ainda não podemos acusa-lo do crime. E as câmeras de segurança ainda estão sendo avaliadas, mas, a versão dada do Senhor Mikael foi confirmada, ele saiu e entrou no colégio nos horários informados.
- Sim compreendo (disse Michael).
Pois eu estava a compreender nada. O policial que havia chamado Sawl agora o algemava, aquela cena era ridícula. Pelos menos para mim, era.
- E quando ele vai sair de lá? (perguntei, finalmente conseguindo falar algo).
- É por tempo
indeterminado, querida. Até que sua inocência seja comprovada e o trabalho da perícia termine, ele terá que ser mantido sob nossa custodia. 
- Isso é ridículo, Sawl havia acabado de chegar à Great Falls High School, não teria como, nem o porquê, e ele jamais faria uma coisa dessas.
Eu sabia que havia me precipitado ao dizer aquilo. Conhecia Sawlver muito pouco, e tínhamos tido muito pouco tempo juntos. Mas algo em mim queria que eu o defendesse, e o defendi.
- Bem, pode guardar suas palavras para um possível julgamento Senhorita Amy Dabroven (disse o outro policial que até este momento havia permanecido calado e imóvel como uma gárgula em um topo de uma construção qualquer que fica ali a espreita, observando tudo e todos passarem, inclusive o tempo).
- Julgamento? (indaguei atônita).
- Amy. Não se preocupe. Ficarei bem (disse-me Sawl, seu olhar estava bem ativo, sua pupila estava dilatada, enormemente).
Eu podia ver a ira, e ao mesmo tempo, a calma e paciência de Sawlver perante a situação.
- Sawl eu queria...
- Não se preocupe (interrompeu-me ele).
Mikael observava tudo em silêncio. Simplesmente absorvendo tudo o que ouvia. Seus olhos segredavam algo. Mas o que?
- Vamos (disse o policial para que Sawl andasse).
- Eu irei vê-lo assim que possível. Prometo.
Ele lançou-me mais um olhar e seguiu sendo conduzido pelo policial.
- Precisaremos que o colégio seja fechado segunda-feira Diretor, para o trabalho mais aprofundado da perícia.
- Sim. Sim. Certamente (disse o Diretor, falando e acenando com a cabeça).
- O senhor permaneceu com o banheiro interditado assim como foi pedido? Senhor Michael.
- Sim. Está isolado, e há dois seguranças do colégio de vigia. Pode ficar tranquilo tudo está como o senhor deixou para as últimas analises.
- Ótimo. Obrigado Diretor.
- Disponha.
Eu fiquei olhando Sawl ser levado pelo policial até a porta da sala do diretor ser fechada por Chosy após sua saída.
Virei vagarosamente para direção do Senhor Michael, ele já havia sentado. Minha face não negava o completo espanto e o constrangimento de tudo aquilo. 
Mikael encarava-me seriamente. Ele queria me dizer algo. Eu tinha certeza disso, mas, queria também poder ter a certeza de sobre o que ele queria falar.
- Será que os dois podem continuar-me a contar o que aconteceu, já que estamos na ausência de Sawlver.
- Sim (concordamos ao mesmo tempo, Mikael e eu).

2

Após ter passado entorno de mais uns 30min na sala do Diretor, deixei imediatamente o colégio.
Eu não iria ficar mais nenhum segundo ali. Precisava ir ver Sawlver.
Olho para traz de vejo que Mikael vinha me acompanhando.
- O que você quer? (quase berrei na frente do colégio).
- Onde você está indo?
- Ver Sawl. É claro (continuei com os meus quase berros).
- E você sabe onde fica o Departamento de Polícia de Great Falls?
Surpresa. Pega completamente desprevenida, eu realmente não fazia a menor ideia de onde seria o Departamento de Polícia.
- Não (minha face se contorcia com raiva de mim mesma, tive que engolir aquilo em seco).
Mikael afastou-se, foi até o lado esquerdo do estacionamento do colégio, em seguida voltou com sua moto e um capacete.
- Pega (falou, oferecendo-me o capacete).
- O que? (questionei-o).
- Vou te levar até lá.
Eu não acreditava nas palavras dele. Na verdade acreditava. Mas, não queria acreditar. 
- Não, (recusei) eu descubro onde fica e vou de ônibus, não se...
- Amy. (interrompeu-me ele) O Departamento fica do outro lado da cidade, talvez nem mesmo Sawl com os policiais tenham chegado lá ainda.
Não acreditava naquilo. Eu realmente teria de ir com ele? Certo que não seria obrigação, mas, eu havia prometido a Sawl que iria vê-lo o mais rápido possível. E o mais rápido possível nesse instante era aceitar a proposta de Mikael.
- Tudo bem. (falei pegando o capacete em suas mãos e pondo-o em minha cabeça).
Subi na moto. Aquela estranha moto, eu não a reconhecia. Não mesmo.
- Que modelo é esse?
- O que? (sussurrou ele de volta).
- A moto. Que modelo é esse? Eu não conheço.
- É meu modelo.
Espera um instante. Modelo dele?
- Você... Você que fez essa moto? (titubeie altamente constrangida).
- Sim. Ou você já esqueceu que sou louco por motos e capaz de transformar uma belezinha dessas em duas?
Era verdade. Mikael era obcecado por qualquer coisa que possuísse duas rodas e fosse veloz.
- E onde você fez?
- Eu fiz na garagem do meu tio Ben. O mecânico.
Lógico. Era obviu que deveria haver um dedo de seu tio nisso também.
- E ela é segura?
- Vamos testar.
Eu olhei para baixo e percebi que a moto não tinha apoio para as mãos atrás. Eu seria obrigada a segurar nele.
Olhei para o espelho retrovisor da motocicleta. E vi o sorriso debochado de Mikael, ao ver que eu tinha percebido a ausência de onde eu pudesse me segurar.
- Você me paga por isso.
- Cada centavo. Vale a pena.
Assim que ele terminou de dizer aquilo, antes que eu pudesse protestar, ele colocou a moto na estrada em alta velocidade, atingindo o limite do que era permitido naquela rua, os meus cabelos soltos por baixo do capacete pareciam ter ganhado vida com a força do vento e agitavam-se freneticamente.
Eu tive de segurá-lo. E forte.

3


 O Departamento de Policia de Great Falls realmente era distante, mesmo Mikael mantendo-se sempre no limite máximo de velocidade de cada pista em que entrava já se faziam 40min desde que havíamos deixado o colégio e ainda não tínhamos chegado lá.
Meu corpo estava muito próximo ao dele. Muito próximos mesmo.
Eu podia sentir a frieza em sua pele, pois, o clima do dia já era frio, ventos fortes e cortantes a pele. Eu também estava fria, mas com ele era diferente de Sawl, eu não sentia o calor, mas o frio se tornava bom. Tornava-se bom ao seu lado.
Balancei levemente a cabeça para tentar afastar aqueles pensamentos, encontrei-me com raiva de mim mesma. Como depois de tudo que Mikael havia feito comigo, eu ainda tinha a coragem de conseguir pensar nele, eu não deveria nem ter aceitado aquela carona, mas agora estava sem jeito, e era a única forma de chegar a Sawlver rapidamente.
Quando pensei em Sawl, ergui a cabeça e deparei-me com uma placa enorme sinalizando “Departamento Policial - Great Falls”, meu coração deu um pulo dentro de mim, eu estava muito ansiosa e nervosa, várias perguntas estavam se formando em mim. Será que haviam o tratado bem? Como foi quando ele chegou aqui? Demorou muito? Será que alguém em sua família já havia sido informado sobre aquilo? Mas de repente a mais questionável de todas surgiu. “Como o sangue de Flavya havia ido para na jaqueta de Sawl?”
Eu já tinha até mesmo esquecido como eram os arrepios que sentia anteriormente, até que um deles me fez relembrar exatamente como eram. Frio e doloroso.
Mikael já havia dado a curva de entrada e agora procurava um local para estacionar, o Departamento Policial de Great Falls era bem maior que o da minha cidade em Flórida, este por sua vez, tinha enormes janelas de vidro na frente, três andares, um enorme portão de entrada e um estacionamento razoavelmente espaçoso. Na frente havia uma placa indicando que o prédio tinha sido construído recentemente, dois policiais guardavam a entrada.
Ao entrar no departamento, passamos por um leve processo de identificação e sobre o que queríamos ali. Em seguida Mikael e eu fomos levados por um dos policias ali presentes ao interior do prédio, nas celas.
O corredor que separava as alas das celas era enorme, e os que separavam as celas dentro das alas, maiores ainda.
“A7”
Era a ala onde estava Sawlver. Fomos conduzidos até a cela de número 42.
Quando o vi. Finalmente.
Dentro da cela residiam apenas Sawl e mais dois presos. Ele agarrou as grades das celas se esforçando para me ver chegar mais próximo.
Seus olhos ardiam em tristeza, ira e pavor.


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