Sedução
Capítulo 05
1

Pavor completo.
Toda a Great Falls High School estava tentando se concentrar dentro e fora do banheiro feminino. O que era altamente impossível. Lógico. Mas todos mesmo assim espremiam-se uns entre os outros na busca de tentar fazer isso.
Mikael se mantinha afastado, mas seus olhos não se desgrudavam de mim e de Sawl que se mantinha próximo.
Alguns minutos depois da descoberta do acontecido o Diretor da Great Falls High School, Michael Lakyel, chega ao banheiro já sendo acompanhado pela policia.
Eles começaram a pedir a evacuação imediata do local, mas ninguém poderia sair da escola até que tudo ali fosse resolvido.
A roupa de Sawlver estava suja de sangue devido à briga com Mikael, então logo em seguida a obvia pergunta do pessoal da pericia criminal veio, antes que pudéssemos sair da área.
- Ei rapaz! Volte aqui, por favor! (exigiu um homem negro e alto, da pericia).
- Eu? (questionou Sawl, apontando para si).
- Sim você mesmo. Porque sua roupa está suja de sangue? Por acaso se aproximou da vitima depois do que aconteceu aqui?
- Não meu senhor. Quando tudo aconteceu eu estava em uma briga, por isso ninguém percebeu nada acontecer e por isso estou sujo de sangue.
- E quem estava brigando com você?
- Ele (disse Sawl apontando para Mikael).
Mikael ainda permanecia como uma estatua dentro do banheiro. Ele não teria ouvido o pedido para evacuar? Bem, poderia ser surdo mais não seria cego.
- Chegue mais perto garoto. Qual seu nome? (perguntou o perito, puxando em seguida um bloco de anotações do bolso esquerdo de seu jaleco branco).
- Mikael Kaleson.
- E o seu? (dessa vez se dirigindo a Sawl).
- Sawlver Cristopen.
- Porque os dois estavam brigando?
- Por minha causa (disse logo em seguida).
- Romances adolescentes. Certo.
- Seu nome querida!
- Amy Dabroven. Não vamos ficar aqui para ser questionados por isso? Vamos?
- Por ele não (disse o Diretor Michael), mas por mim? Sim. Espero vê-los o mais breve possível na coordenação para tratarmos do assunto.
- E você garota? (disse o perito virando-se para a garota ainda encolhida no canto da parede chorando). Como a encontrou aqui primeiro?
- Ela é minha melhor amiga. Hoje era seu primeiro dia no colégio. Eu tinha ido à biblioteca pegar uns livros e ela disse-me que queria ir ao banheiro, mas, que eu não me preocupasse, perguntaria a alguém onde era e poderia se cuidar sozinha. Quando eu terminasse na biblioteca nós nos encontraríamos aqui.
- Seu nome minha cara. Por favor!
- Aline Vez Pert.
- E você não viu a briga dos rapazes? (perguntou apontando para Sawl e Mikael que estavam ao meu lado, Mikael um pouco mais afastado).
- Não. Quando percebi que estava havendo uma briga, eu andei ainda mais rápido em direção ao banheiro, para poder encontra-la.  
- Certo. (disse o perito) Antes de continuarmos. Onde você estava mesmo com sua amiga quando se separou dela?
- Logo na entrada. Perto da primeira escada que da o acesso ao segundo piso.
- E você viu com quem ela se comunicou para saber onde era o banheiro feminino antes de perdê-la de vista?
- Sim (afirmou a garota, que ainda tremia de medo).
- E quem foi?
- Ele (a garota falou levantando a cabeça, acenado e indicando para Mikael).
- Você esteve com essa garota? Antes de ela vir para cá? Você mostrou o caminho para ela?
- Eu não sei. Não pude vê-la ainda. Não pude vê-la direito ainda (falou Mikael)
- Fique a vontade então (disse o perito apontando para a moça morta as suas costas e indicando para que Mikael se aproximasse).
Mikael chegou mais perto da garota. O suficiente para poder analisar a vontade sua face branca e sem vida.
Em seguida eu jurei ter sido capaz de ouvir Mikael engolir em seco o que tinha visto.
- Sim (falou ele finalmente). Eu estive com ela sim. Ela perguntou-me onde era o banheiro feminino e eu dei a direção e qual seria entrada correta para que ela não se perdesse.
- Em seguida vez o que? (ele estava anotando tudo em seu bloco, rapidamente).
- Saí.
- Saiu? Como assim? Para fora do colégio?
- Exatamente... Eu... Eu estava esperando Amy chegar.
- Você conseguiria me dizer que horas eram quando falou com a garota e quanto tempo você levou lá fora até entrar novamente?
- Bem, eu acho que deveriam ser 6h30min, talvez eu tenha passado uns 5 à 10min do lado de fora. Não consigo dizer com precisam.
- E quando você chegou. Já tinha visto o senhor Cristopen no colégio?
- Também não.
- Senhorita Dabroven...
- Sim (respondi apreensiva).
- A senhorita chegou que horas no colégio. Acho que deveriam ser umas 6h40min. Logo que cheguei, encontrei-me com Mikael.
- E o senhor? (falou, apontando para Sawl).
- Mesma coisa que Amy, um pouco mais tarde talvez. Mas quando cheguei, já vi Mikael falando com Amy, então fui ver o que estava acontecendo.
- Então ai os dois brigaram?
- Sim. (afirmaram Sawl e Mikael ao mesmo tempo, e depois ficaram se olhando, estranhando-se, não haviam gostado da colisão vocal).
- E por que a briga? Se eu posso saber!
- Eu sou ex-namorado dela (afirmou Mikael).
- Está bem. Já entendi tudo. Bem vocês estão afastados do crime e ao mesmo tempo perto. Senhor Mikael, você tem como comprovar que estava todo esse período do lado de fora da escola?
- Bem, eu também sou novato aqui, não tenho amigos ainda, mas, as câmeras de segurança servem?
- Oh. Claro que elas servem. Um analista meu já está cuidando disso.
- Senhor Chosy (então esse era o nome dele, Chosy), e essa rosa aqui?
Verdade. Por um momento eu havia se esquecido da estranha rosa.
- Deixe-me ver (o assistente do perito levantou a rosa do chão usando uma pinça, isso depois de já ter retirado várias fotografias).
- Não me parece comum.
- Verdade. Muito vermelha. Estranho. Se não pudesse realmente perceber e sentir seu perfume intenso mesmo ela estando coberta de sangue, diria que era sintética.
- O que isso significa. Um assassino psicodélico? Louco?
- Isso está me parecendo com histórias macabras de livros de ficção e séries de terror da TV. Realmente. Algo como uma pista dessas é estranho. Muito estranho. Guarde-a. Vamos analisa-la mais tarde.
- Certo senhor (disse o assistente).
- É... (ele olhou para o bloco de notas em suas mãos) Senhor Sawlver Cristopen, o senhor se importaria se eu pudesse levar esse seu casaco sujo de sangue para fazer algumas analises?
- Mas o sangue é meu. Já disse.
- Então não há com o que se preocupar. Certo?
Sawl começou a tirar o casaco, ficando assim só apenas com uma blusa branca que usava por debaixo do mesmo. Ele o entregou logo em seguida para o perito.
- Obrigado (disse o perito guardando o casaco dentro de um saco plástico ao qual o lacrou imediatamente e colocou o nome de Sawl).
- Agora eu queria que vocês fossem para casa. O segurança acompanhará os três até a saída e ira liberar a passagem. Amanhã quero vê-los em minha sala, assim que chegarem.
O segurança nos acompanhou até a saída e liberou a nossa passagem. O restante dos estudantes continuou lá. Aquilo iria levar uma eternidade.
- Posso te levar até em casa? (perguntou-me Sawl).
- Sawl eu... Eu... (eu estava perplexa, sem saber o que fazer ou dizer).
- É o mínimo que posso fazer depois de tudo isso. Desculpe-me.
- Não pude perguntá-lo. Como está sua mãe?
- Está bem. De volta para casa.
- Que bom.
- Bem, você ainda não me respondeu.
Eu respirei fundo.
- Certo. Tudo bem.
Eu acompanhei Sawl até o Nissan. Quando entrei no carro e olhei para fora, vi Mikael apoiado em sua moto. Uma moto enorme preta, mas, era estranho, eu nunca havia visto aquele tipo de moto na minha vida, marca... Eu não conseguia identificar nada. Mas, era linda.
Ele estava olhando para mim como se soubesse que eu estava olhando para ele. Mas, ele não podia saber. Os vidros escuros fumê do carro de Sawlver não permitiram.
- Pronto? (perguntou Sawl, ao perceber que olhava para fora em direção a Mikael).
- Sim (respondi, entregando-lhe um sorriso meio preocupado).
Sawl colocou o Nissan na estrada, e fomos para casa. Minha casa. Nunca pensei sentir tanta saudade da casa que há pouco tempo tinha conhecido. Mas que era minha casa. De qualquer forma. Ela me passava à segurança que eu necessitava sentir em um lar.
Durante o caminho nem Sawl, nem muito menos eu. Ambos incapazes de dar uma única palavra, pois, já havíamos dado muitas palavras por um dia só.
Toda vez que pensava em Mikael, minha cabeça dava voltas. Realmente dessa vez ele tinha mexido de uma forma muito séria comigo, da forma séria como mexia há muito tempo. Tenho que confessar que eu era loucamente e perdidamente apaixonada por Mikael. Mas ele era quem havia me deixado, no momento em que eu mais precisei dele, me deixou, mesmo tendo me ajudado muitas vezes antes. Era verdade tudo o que ele havia falado. Sempre estava comigo, me ajudava em tudo. Mas foi quando meus pais começaram com as primeiras brigas que levariam a separação dos dois, que ele me deixou. Disse que não poderia continuar mais ao meu lado. Fugiu de mim como o diabo foge da cruz. E, simplesmente sumiu. Eu passei pelo momento mais horrível da minha vida. Caí em uma tristeza profunda e sinceramente, se não fosse pela Vic, eu teria enlouquecido com tudo aquilo. Sem Mikael para me apoiar e com meus pais divorciados. Meu mundo caiu.
O amor se tornou magoa e rancor. Por isso o detesto. Não sou mais apaixonada por ele. Mas tenho que confessar que ainda o amo. Não sei qual seria a intensidade disso hoje. E a verdade. É que eu não quero saber.
Sawlver apareceu para mim momentaneamente e mesmo assim, sinto-me incapaz de deixá-lo, ele se tornou algo essencial para mim, estranhamente essencial e necessário.
Não consigo explicar o que sinto por ele. Ele me atrai. Seu poder de sedução sobre mim e magnificamente grandioso. Tudo nele me atrai. Isso talvez sim seja amor de verdade. Afinal todos dizem que o amor é um sentimento que não se pode explicar, que nunca se sabe primeiramente logo de cara quando se senti, que o tempo é o único capaz de revela-lo, que ele é inexplicável. E era isso que eu sentia por Sawl. Algo inexplicável. Talvez fosse amor. Talvez.
Eu realmente deveria parar com aquilo. Não estava em estado de poder discutir comigo mesma sobre o que era ou que deixaria de ser o amor.
Coisa complicada que acho que nunca serei capaz de entender. Pelos menos sozinha eu nunca serei capaz. Sempre gostei de aventuras. Mas aventuras onde a dor dos arranhões e dos machucados, fosse por um prêmio que trouxesse felicidade, e não por um prêmio que só apenas trouxesse mais dor, mais saudade, e mais ferimentos.
A vida é como uma grande escola. Mas nessa escola, as opções de formatura são diferentes, e entre elas com certeza, o amor, não seria a cadeira acadêmica da vida que eu gostaria de me formar.
- Está tudo bem? (perguntou Sawl, quebrando o silêncio e o andamento perturbador de meus pensamentos).
- Sim. Sim (respondi).
- Parece-me estar bastante pensativa.
- É por conta de tudo aquilo que aconteceu. Aquela garota. Quem coisa horrível. Como alguém seria capaz de cometer uma atrocidade daquelas?
- Verdade (disse ele) aquilo foi realmente terrível.
- Se tivesse sido em algum acampamento. Parque Florestal ou algo do tipo, provavelmente diria que teria sido um ataque de animal, porque, você viu? Aquilo parecia um ataque de urso, ou lobo, ou... Ou... Não sei... Não sei mais o que pensar.
- Acalme-se. Olha. Em casa.
Finalmente havíamos chegado em casa.
- Você não quer ficar um pouco aqui comigo? (perguntei a ele já em frente à porta de minha casa).
- Não posso. Tenho alguns assuntos pendentes para resolver. Nós nos vemos amanhã?
- Sim. Sim. Claro que sim.
Ele começou a se aproximar de mim. Eu sabia perfeitamente o que ele buscava com aquela aproximação, logo, nossos lábios se tocaram e mais uma vez pude sentir o inesquecível e marcante beijo de Sawlver Cristopen. 
- Até amanhã.
- Até (só fui apenas capaz de concordar e me despedir).

2

O dia mais uma vez começava friamente doloroso. Por alguns momentos pensei seriamente em não ir ao colégio hoje. Eu tinha tido uma noite desconfortável e altamente alucinante. Em um momento tenho sonhos com a terrível cena no banheiro feminino, e depois o sonho em que estou sozinha com Sawl novamente.
Desde que sonhei com Sawl pela primeira vez parecia-me que todas as noites eu sonhava com ele, o mesmo sonho, da mesma forma. Mas eu podia sentir algo mudar a cada nova noite de sono perturbado. Nós nos tornávamos mais íntimos. Era o que me perecia.
Sim. Eu pensei em não ir ao colégio, mas, lembrei-me de que o Diretor Michael houvera pedido nossa presença no dia seguinte. Sem falta. Então me pus de pé, e que eu conseguisse corajem dentro de mim para encarar o frio lá fora.
Minha mãe ainda não sabia da situação pelo simples fato de mais uma vez não ter voltado para casa. Aquilo havia me deixado com água na boca. Eu poderia ter passado mais uma vez à noite com Sawl ali.
Não quis ligar. Evitar problemas era o melhor a se fazer, e minha mãe adorava um barraco.
Já no colégio eu e Sawlver aguardávamos a chegada de Mikael na sala do diretor.
- Bem, ele está um bocado atrasado (disse o Diretor).
- Eu já estou aqui senhor (falou Mikael empurrando a porta e entrando na sala).
- Ótimo. Finalmente.
Ele puxou uma cadeira a meu lado. Olhou para mim e em seguida para Sawl. Só então, encarou Michael.
- Vocês podem me contar o que estava acontecendo? Por que o real motivo da briga.
- A culpa foi minha (disse Mikael).
Minha atenção virou completamente para ele. Eu estava surpresa. Muito surpresa.
- Eu comecei tudo quando fui até a Amy e... (ele havia sido interrompido, o telefone da diretoria tocou).
- Alô (disse o diretor).
Algo cochichou na linha , ele nos encarou, suspirou.
- Mande entrar (desligou)
A porta atrás de nós abriu. Por ela passaram o perito em criminalística Chosy acompanhado de dois policiais.
- Senhor Sawlver Cristopen. Eu tenho um mandato de prisão preventiva para o senhor.
- Para mim? Mas por quê? (disse Sawlver virando e encarando o perito).
Meu coração ia sair pela boca. Eu tinha CERTEZA.
- O enxame laboratorial indicou que o sangue eu sua jaqueta pertence à Flavya Messon. A garota assassinada.
A minha reação foi olhar para Sawl e ficar de boca aberta.
Eu simplesmente não sabia o que dizer.


ESTA WEBSÉRIE POSSUI UMA TRILHA SONORA. VEJA ABAIXO A MÚSICA TURNING TABLES DA CANTORA ADELE QUE É TEMA DA PERSONAGEM AMY DABROVEN. 



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