Sedução
Capitulo 3
1

Mais um dia ganhava vida. E Great Falls estava completamente coberta por uma densa camada de neve.
Minha mãe não havia retornado para casa ontem à noite, só chegando pela manhã.
A noite passada, com certeza será inesquecível, cada toque, cada beijo, cada confronto do fogo e do gelo dentro de mim.
Sawl havia deixado minha casa quando ainda era noite, minha mãe chegara entorno de uma hora depois.
Naquele instante preparava-me para ir ao colégio quando meu celular toca.
- Alô. Vic?
- Ola. Bom dia! Tudo bem?
- Está tudo ótimo. Melhor impossível.
- Nossa! (exclamou Vic) Isso seriam consequências da noite com o Sawlver?
- Com certeza (eu não conseguia evitar o sorriso em meu rosto ao lembrar-me dele).
- Conte-me agora tudo o que aconteceu.
- Ah.
- Vamos! Isso é uma ordem Amy.
- Tudo?
- Sim. Claro.
- Tipo tudo... Irá resumir em... Tudo mesmo.
- Espera ai... Não acredito! Diga-me que não aconteceu o que eu estou pensando que aconteceu.  
- Depende do que você está pensando.
- Vocês... Vocês...
- Na minha casa. Na minha cama.
- Ai meu Deus! Você ta louca?
- Olha quem está falando.
- É diferente. Eu sempre fui louca mesmo, não é nada que deva admirar-se. Mais você...
- O que eu tenho?
- Sua mãe, e sua mãe?
- Ela só voltou do trabalho hoje, pela manhã.
- Sorte. Muita sorte.
- Com certeza.
- E como foi? (eu podia detectar o ar de extrema curiosidade de Vic).
- Simplesmente incrível. Maravilhosamente perfeito.
- Nossa! Não pode ter sido tão bom assim.
- Por quê? (perguntei constrangida).
- Há que idiota sou. Claro que pode ter sido sim, ele é um tremendo gato. Meu Deus que homem aquele.
- É, mas agora tira o olho.
- O que foi isso? (Vic deu uma grande gargalhada no telefone) Longe de mim pensar assim.
- Espero mesmo. Olha, tenho que desligar, preciso termina de arrumar-me para o colégio, tchau.
- Tchau.

2

A próxima aula seria de Matemática e eu não conseguia encontrar o livro no armário.
- Meu Deus. Onde é que esse livro foi parar? (sussurrei para mim mesma).
- Procurando alguma coisa?
Aquela voz era-me familiar. Muito familiar.
Fechei a porta do armário para ver quem era.
- Mikael?
Meus olhos quase saltaram para fora quando avistaram Mikael encostado ao lado do meu armário.
- Surpresa?
- Muito! O que você esta fazendo aqui?
Ótimo. Era tudo de que precisava. Uma visita do meu ex-namorado.
Eu e Mikael tínhamos terminado o namoro a mais ou menos um mês e meio, por Vic jamais teríamos terminado. Por mais estranho que fosse essa era a primeira vez que via Mikael depois de termos acabado com o namoro.
Mikael era alto (talvez alguns centímetros mais alto do que Sawl), tinha olhos azuis como o céu da Flórida (azul-celeste), seu cabelo era castanho, macio, sedoso e longo o suficiente para cobrir as orelhas, ombros largos, braços fortes, musculatura definida como a de Sawl, mas, parecia que em Mikael havia uma naturalidade, como se já tivesse nascido daquela forma. Ele vestia uma calça jeans escura (o que parecia ser o padrão para as pessoas de Great Falls) e uma camisa comprida azul-escura, mas de tecido fino (estranho, fazia muito frio).
- Eu estudo aqui agora (disse Mikael, deixando-me perplexa).
- O que disse?
- Estudo aqui. Algum problema?
- Não... Não... É... Que... (as palavras iam e vinham em minha boca, mas nenhuma ousava-se ser pronunciada) A Vic também veio para Great Falls.
Mikael continuava encostado no armário próximo ao meu. Ele mantinha um olhar de águia sobre mim (parecia distante, mas ao mesmo tempo era penetrante), e seu sorriso, ele possuía um sorriso de deboche que era sempre o que mais me irritava nele. Pois me seduzia incontrolavelmente.
- Vic está aqui? (perguntou-me)
- Sim. Ela veio para morar com uma tia, que eu não conheço. Por enquanto!
- Bem isso sim é uma verdadeira coincidência. Não?
- É parece que sim. Mas por que você mudou de escola? Se tiver sido só de escola!
Seu sorriso de deboche aumentou, ele estava gostando da minha reação de espanto.
- Meus pais. Tivemos que nos mudar.
- Por quê?
- A empresa mobiliária em que meus pais trabalham deu a eles uma transferência, disseram que havia muitas casas pertencentes à rede que tinham que ser vendidas ou alugadas nesta região. Então, fizemos a mudança.
 - Entendo (ah, mais eu não entendia mesmo, logo agora que eu estava começando a relacionar-me com outro cara, Mikael aparece, era óbvio que ele iria interferir).
- Estava procurando alguma coisa?
- Meu livro de matemática, eu não estou encontrando.
- Deixe-me ver.
Abri a porta do armário para que Mikael pudesse ver o que havia lá dentro.
- Parece que você não teve tempo de organizar isso aqui ainda. Certo? (realmente estava tudo uma bagunça, não deveria achar estranho não conseguir encontrar meu livro).
- É sim. (Mikael começou a revirar algumas coisas que estavam na prateleira de baixo). Nossa! (exclamei, ele havia encontrado o livro no fundo do armário).
- Pronto! Aqui está.
- Como sabia onde estava?
- Poderes de detecção, visão de raio X, atravessar paredes... O que você prefere?
- Prefiro sair correndo para a minha aula. Acho que você também.
- Verdade. Vamos acabar perdendo a aula. Vejo-te pelos corredores?
- É impossível não ver. Obrigado!
Mikael cedeu-me mais um de seus sorrisos sedutores e debochados, seguiu adiante e sumiu em uma das curvas em direção a escadaria que levava ao 2º piso.
Apressei meus passos, o sinal estava prestes a tocar, eu ainda não tinha visto Sawl nenhuma vez aquela manhã, e já era a terceira aula. O que poderia ter acontecido?
Minha mente começou a se atrapalhar um pouco. Era muito estranho ver Mikael aqui, em Great Falls, de certa forma, não sei como explicar, mas, não engoli a história da mudança assim facilmente, existem tantas cidades nos Estados Unidos, por que eles teriam que vir logo à Great Falls?
Enquanto eu realmente esperava vir a essa cidade, a esse colégio, e me sentir uma estranha sozinha, em menos de uma semana eu já tinha minha amiga de volta, transado com um cara que mal conheço e ainda tenho o desprazer de rever o meu ex-namorado. Isso era muito... Muito estranho.
Infelizmente eu ainda não tinha pegado o número do celular de Sawl, eu estava preocupada, pois não o tinha visto ainda. Isso só deixou as coisas ainda mais estranhas.
 De repente sinto o doloroso arrepio percorrer meu corpo.
“Sawl!” Era quase súbita a minha reação. De certa forma eu havia aprendido a relacionar os arrepios a Sawl, então, onde quer que eu os sinta ou da forma que os sinta já imaginava sua imagem, sua presença.
Porem eu virei, rodei, procurei entre cada um dos que ali estavam presentes, e não o encontrei.
Talvez tudo apenas imaginação mesmo. Muita imaginação.
Continuei meu caminho em direção à sala de aula. E os arrepios não me deixavam, eu já estava para começar a chorar, a sensação era muito ruim, e eles eram verdadeiramente frios e dolorosos.
Foi assim o resto do dia inteiro. Entorno de quinze a vinte minutos eu sentia os arrepios me percorrerem. Sozinha em casa eu não podia evitar que realmente chorasse com o incomodo incomum.
Sawl havia me dito que apareceria no colégio hoje de manhã e que viria a minha casa a noite, queria poder conversar mais, disse ele, então tudo o que me restava era esperar que ele realmente viesse me visitar, já que não havia aparecido de manhã.

3

Olho para o relógio em meu pulso, 21h05min, não, não era possível, nada de Sawlver Cristopen aparecer. O que havia acontecido? De verdade? Eu estava começando a ficar confusa. Seria ele um tipo de aproveitador? Aproximou-se de mim da melhor forma que pode, e depois me usou e agora estava largando fora? Eu definitivamente não queria pensar naquilo. Com toda certeza não queria pensar.
- Amy. (chamou-me minha mãe do outro lado da porta de meu quarto).
- Oi. (responde rapidamente)
- Tem um garoto lá embaixo querendo falar com você, eu disse que já era tarde mais ele insistiu em que eu viesse te chamar.
Era ele. Só podia ser ele.
Abri a porta do quarto o mais rápido que pude, e quase passei por cima da minha mãe na escada, desci as pressas.
Quando chego à sala vejo a figura esbelta de Sawl parada em frente à porta. Corri até lá, sai e fechei a porta atrás de nós.
- Boa noite (disse-me ele com ar de depressão).
- Boa noite. O que aconteceu? Você não foi ao colégio. E já pensava que não vinha me ver agora também. (eu me mentinha calma, “fria”).
- Desculpa. Não pude ir ao colégio, tive que viajar para ver minha mãe em Nova York.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa?
- Ela adoeceu um pouco, teve que ir para o hospital, mas agora, está tudo bem.
- Nossa. Espero que ela fique melhor. (não estava gostando daquilo, por mais que eu quisesse acreditar no que Sawl estava falando, eu não conseguia acreditar, mas por quê?).
- Ela esta ficando melhor e... (ele parou de falar).
- E...? (questionei-o).
Do outro lado da rua surgia virando a esquina um homem alto trajado de branco e com capuz.
Sawlver olhou imediatamente em sua direção. Foi ate mesmo estranho a forma, e a velocidade como tirou os olhos de mim e desviou toda a sua atenção para aquele homem.
Por um momento hesitei, quando da mesma forma que Sawl, passei a olhar de forma melhor o homem na rua, percebe algo semelhante, aquela postura, aquela forma de andar, cabeça baixa, corpo relaxado, parecia voar sobre o chão. Não era possível. Eu não acreditava.
Na rua o homem levanta o rosto. Para logo em seguida e retira o capuz.
Era Mikael.
“Mais que droga”. Pensei comigo mesma, ele já estava vindo em nossa direção.
- Quem é aquele cara? (perguntou Sawl).
- É... Ele é... (minha boca não conseguia pronunciar as palavras) É meu ex-namorado. (Sawl me encarou estranhamente).
- Você não acabou de se mudar?
- Bem. Parece que meus amigos não querem me deixar, primeiro a Vick e hoje... Descobri que ele também está em Great Falls.
Mikael se aproximava cada vez mais, eu não conseguia acreditar no que ia acontecer, meu Deus, o que eu tinha feito para merecer aquilo?
- Olá (disse Mikael).
- Olá (respondi). Sawl esse é Mikael, um amigo (olhei friamente para ele dizendo isso), e Mikel esse é Sawlver meu... Namorado. (as palavras saíram com grande expressão de minha boca).
Mikael fez uma cara de espanto e compreensão. Tudo ao mesmo tempo, às vezes me perguntava como ele conseguia ser tão duas caras.
- É... Vejo que já encontrou uma companhia em Great Falls, mas, assim tão rápido? (disse Mikael)
- Isso tem algum problema? (questionou Sawl).
- Não. Claro que não. Só acho estranho alguém que se mudou a tão pouco tempo, já estar com um namorado na cidade.
- Nós já poderíamos nos conhecer antes. Certo?
Eu tentei conter um sorriso. Mas não consegui.
- Perfeitamente! (exclamou Mikael).
Mikael cruzou os braços sobre o peito, agora comparando, sim, realmente Mikael era um pouco mais forte que Sawl, e mais alto 2 ou 3cm.
Uma jorrada de vento frio percorre a rua. Um arrepio horrível assola minha pele, o mais forte que eu já havia sentido aquele dia. Olho para Sawl que vê minha pele se arrepiando, procuro o fogo em seu olhar e não encontro. Dou passos para trás, olho para Mikael, seus olhos azuis pareciam brilhar como diamantes, encontro segurança, meu mundo se apaga.
Um desmaio. 

4

Passos apresados.
O túnel parecia não ter fim. Meu coração estava acelerado e aumentava mais a cada nova passada na correria.
O frio era assustador, o vento soprava e aquilo parecia rasgar minha pele. Eu estava com roupas muito curtas (que seriam excelentes para usar no verão, mas não em uma ocasião como essa).
Alguém me perseguia. Quem?
De repente paro e tudo vêm a minha mente.
É um sonho.
Recobro-me do sonho com Sawl. Olho para os lados, o ambiente continua o mesmo. Eu queria acordar, mas não conseguia.
“O que está acontecendo?”.
Minha mente começa a dar voltas, mas parecia que eu estava parada e o mundo era que rodava ao meu redor.
- Pare! (gritei).
Tudo parou.
- O que está acontecendo? Eu quero acordar! (exigi).
- Você não está em um sonho tudo aqui é real (falou aquela voz calma, pacifica, protetora, e... insuportável?).
Do outro lado do túnel vejo Mikael, ele esta vestido da mesma forma como o vi da ultima vez, em sua mão direita segurava uma vela vermelha que possuía uma chama azul.
Mas que coisa era aquela.
-Você tem que sair daqui. Agora (ele me estende a mão com a vela).
- O que está acontecendo?
No momento em que pergunto, Mikael desapareci como fumaça ao vento.
- Amy. (diz uma voz atrás de mim).
Viro-me.
- Sawl?
Agora era ele quem estava ali?
Ele começa a vir em minha direção, como antes, como no sonho, mas, eu estava em um sonho.
- Pare. O que está acontecendo?
Ele continuava a vir em minha direção. Ergueu o braço. Ele ia... Ele ia... Tocar-me?
Sawl chegava cada vez mais próximo, eu andava para traz e continuava a perguntar o que estava acontecendo, mas ele não me respondia, só tentava cada vez chegar mais perto de mim. Como antes estava sem camisa, seu corpo reluzia em meio a uma luz opaca, era tentador, apaixonante, irresistível, sedutor... O calor aumentava e o frio diminuía, continuava andando para trás e tentando evitar o toque mesmo que eu o quisesse.
De repente. Simplesmente do nada. A vela vermelha com sua chama azul aparece no chão atrás de Sawl. Olhei para ela e de volta para Sawl.
 Corri. Evitei o toque de Sawlver e corri em direção à vela. Ele veio atrás de mim. Consigo pegar a vela.
O mundo sumiu novamente, a escuridão se torna em um branco total, parecia que o mundo não existia e estava à espera ali, em uma folha em branco, esperando que alguém o desenhasse e o desse a vida.
Um som estridente ecoou em minha mente, forte, doloroso para os tímpanos, e foi diminuindo e se tornando em um piado frequente. Eu conhecia aquele som.
Então eu acordo em meio a flores e rostos apreensivos.

Link para o capítulo 04: http://historiasebesteiras.blogspot.com.br/2013/01/seducao-capitulo-04.html 
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