Mundus Sine Velum – Um Mundo Sem Véu

4 – Final

Escolha

“...O que preciso decidir é ...”




Eu olhava as minhas mãos, eu estava me vendo plenamente me meio a escuridão.

Não havia nada.

- Onde...? – eu me perguntava até ser interrompido por um toque em meu ombro.

Num pulo rápido e um pouco assustado, vou para frente me virando bruscamente para ver quem era.

- Não... Acredito! – Falei alto em meio a escuridão, encarando a mulher a minha frente de cabelos meio longos e lisos, corpo grande e pele morena. Aquele olhos castanhos e a pena caída da faixa do cabelo dando a ela o ar de mulher jovem. – Mãe... – falei em tom preocupado e pra dentro.

Ela me ouviu e respondeu com um sorriso calmo e logo me encarou um pouco mais seria antes de falar.

- Posso saber por que você ainda está aqui? Você não tinha alguém para proteger novo líder? – me questionou de maneira séria.

Sim, era ela mesma, sempre rígida e carinhosa ao mesmo tempo. Forte.

- Mãe... Eu não sei o que fazer... ou melhor, não sei o que fiz... – respondi a ela que imediatamente levantou a mão esquerda, e fez uma imagem aparecer ao lado dela.

- Esta é a realidade Jeff – mostrou-me ela.

Eu estava lutando freneticamente contra a mulher e agora eu percebia os detalhes, ela sempre esteve de preto, além de ser branca, eu olhando de fora, ou de dentro, percebia o quão forte e poderosa ela era. Não por tudo que ela já havia feito mas por não hesitar em fazer tudo que ela queria.

Eu via ela girar ao desviar-se de meus golpes frontais e me acertar com umas das perna por cima, em minha cabeça, me derrubar ao chão. E nesse momento eu percebia o quão descontrolado estava.

Em seguido ao momento que meu rosto, já todo machucado tocou o chão, girei o corpo para o lado, minhas garras afiadas pegaram a mulher sem fazer esforço pela perna, a puxando quanto eu me levantava e a jogando para o lado e vendo o corpo dela bater contra uma arvore e ela cair machucada o ao chão, de pé.

- Você vê Jeff? – perguntou-me ela, tirando-me da minha perplexidade da luta e continuando a falar comigo com o tom calmo mas mostrando certeza em tudo que falava – O Seu potencial? Não pode deixar que ela, uma humana que aprendeu as artes magicas e físicas por métodos não cabíveis continue fazendo o que ela está.

Olhei para ela com olhos cansados e tristes.

- Mãe... – Comecei a choramingar enquanto falava – eu pedi... pedi milhares de vezes desculpas pelas vidas que tive de tirar... – pausei para respirar e continuei – eu não poderei ser um bom líder... – respirei fundo de novo – tirei muitas vidas nessa luta pelas nossas vidas... – fiquei chorando de cabeça baixa.

Não percebi quando ela havia se aproximado de mim e sua mão, agora quente tocou o meu rosto gélido naquela local escuro.

Ela se abaixou até ficar abaixo e de encontros com os meus olhos.

- Jeff – ela falou olhando para mim. – O que é ser humano? O que eu te ensinei sobre as almas e vidas, além das dos seres humanos? O que te ensinei que não devemos ser? – ela me perguntou me olhando esperando uma resposta.

Não resisti e deu um abraço apertado em minha mãe, tão apertado que senti o coração dela pulsar em mim, como se ela nunca tivesse morrido naquele dia em nossa terra.

- Você me ensinou... – comecei a falar, soltando e a olhando – que tudo está vivo... Seja visível a vida dele ou não... Que seres humanos são nossos irmãos e companheiros de existência, e que devemos viver todos juntos em paz... Me ensinou que devemos respeitar até mesmo o menos dos grãos de areia visível ou os seres invisíveis que vivem conosco... – respirei e abri um sorriso mais calmo e choroso pra ela – Nos ensinou que não devemos não entregar para ninguém mas devemos ser nós mesmos, sejamos o que for.... – terminei limpando o meu rosto no meu braço humano com garras e algumas escamas no dedo.

Ela se levantou e me abraçou por um momento que pra mim foi a despedida que havia faltado em minha vida. Enquanto falava baixinho em meu ouvido.

- As vidas das coisas que você tirou não vão punir você pelo que houve, mas um dia, ela irá ser punida e castigada por força-los e transforma-los no que não são – ela me fez um afago que me fez fechar os olhos e completou – a única coisa que você precisa decidir é – fez uma pausa.

Senti o vento forte passar pelo meu cabelo e abri os olhos ouvindo a voz de minha mãe longe e vedo a mulher caída no chão, inconsciente com o livro no chão.

O que irá fazer a partir de agora...?” Foi a última coisa que ouvi no tom da voz dela, enquanto me abaixava e pegava o livro.

Olhei para trás e via os guardas perplexos vendo a mulher derrotada no chão, com o rosto além de sujo, machucado.

Não sabia o que sentir por ela e estava confuso, mas ainda preocupado com meus irmãos.
- Abaixem as armas homens. – Ordenou o outro homem que estava de vermelho, vindo em minha direção tranquilamente mas com o rosto sério e fechado. Outro de rosto pálido.

Os guardas logo abaixaram as armas.

- Saiam homens, essa briga já acabou. – falou ele seriamente e em voz alta e todos os guardas rapidamente obedeceram.

Ele não olhava para trás, sabia que o seu comando não seria contrariado e fitava-me.

Percebi, quando ele se aproximou que andava sem que seus pés tocassem o chão e que ele tinha um sobretudo não só vermelho mas muito bem ornamentado.

- O que você quer...? – perguntei a ele, dando um passo para trás, percebendo que meu corpo inteiro estava muito pesado, e que a minha perna havia sido queimada pela magia da mulher em algum momento da luta que eu não havia visto.

- Nada. – Me respondeu diretamente o homem – você venceu a Lilith, como gosto de chama-la – complementou ele com um sorriso, indo até ela, se abaixando e acariciando o rosto dela até voltar a falar comigo se levantando e me encarando – mas não posso deixar que você faça mais anda com ela, e nem que você fique com este livro, então, me devolva o livro garoto. – pediu-me ele em tom de ordem estendendo a mão branca para mim.

- Eu ... – hesitei um pouco até ser interrompido.

-Não entregue Jeff – Um lobo preto de pé, em cima da arvore me olhava com um lobo menor e de cor laranja-marrom ao lado dele. – Não entregue a ele. – Repetiu ele descendo e parando no chão com a sua bota preta e capa preta por cima de suas roupas leves que ficaram a mostra por um momento.

Ele me olhava firmemente e seus olhos, eram castanhos iguais o de minha mãe.

- Por que não? – questionei ele.

- Senhor Lobo, por favor, eu te peço que não interfira.

- No momento Morf., você não está podendo pedir nada – Respondeu o lobo que voltou a me olhar depois de responder o homem.

Logo ele sorrio e me respondeu.

- Por que este livro foi dado a essa mulher, cujo você derrotou de maneira justa, pelo Morph a muito tempo a trás, e de acordo com as regras legais - Ele parou de me olhar e voltou a encarar o Morph enquanto meus irmãos se aproximavam temerosos para ouvir – quem derrota o dono de um item que possui magia como o livro, tem o direito de ficar com ele e fazer com ele o que desejar. – Conluio o lobo.

Rapidamente me animei e aliviei o corpo me sentindo mais eu. Mais leve, olhando meus irmãos com medo e o livro de capa preta.

Eu sentia que o lobo falava igual a minha mãe, mas de maneira mais amigável e o livro que ajudou a matar a matar quem eu mais amava, assim como meus irmãos, estava em minhas mãos, eu só, precisava decidir o que fazer com ele.

Respirei fundo, e tomei a decisão, pensando em mim, nos meus irmãos e em minha mãe.

- Senhor lobo – olhei para o lobo preto agora mais calmo, eu sentia a energia tranquila e dele e confiava – Destrua isso para mim por favor? – pedi a ele.

- O.... Que?! – reclamou Morph indignado – Mas....

- Claro. – respondeu-me o lobo, interrompendo o outro e pegando o livro de minha mão tranquilamente.

- Na minha frente... Se não for pedir muito – tentei pedir de maneira educada.

- Claro – respondeu tranquilamente o lobo que logo pegou o livro e girou a sua pata em volta do livro, pude ver a silhueta azul de sua energia.

Nesse instante o outro lobo menos, desceu da arvore e ficou atrás dele, olhando o que ele fazia.

Pude ver a energia roxa do livro se quebrar como pedaços de vidros e cair no chão, mas sumindo em seguida. Depois ele veio até mim e meus irmãos e me entregou o livro.

O sol começava a sair por entre as nuvens cinzas e pesadas, pude sentir a luz dele me aquecer o sangue, olhei para o livro e vi, o livro se dissipar em minha mão, conforme a luz do sol o tocava.

Quando foi inteiramente tocado, sumiu em pó.

- Ei filhote – falou o lobo para o outro menor – destrua as paredes ai a trás para mim fazendo favor? – pediu o lobo preto enquanto eu ficava apenas olhando.

- Até outro dia lobo... A gente vai conversar um dia – falou Morph de canto para o lobo, com a mulher agora em seus braços.

- Claro Morph, a sua disposição – falou o lobo, olhando ele se virar e sumir na sombra da arvore, mas completou rápido – ou não. – Para Morph antes dele ir embora completamente.

Logo depois, apenas ouvi o barulho imenso da parede sendo destruída como se não fosse nada e uma barreira trincar e brilhar um pouco antes de sumir em volta de tudo.

Ao sumir, percebemos, eu e meus irmãos que na verdade estávamos no meio da floresta, nunca havia sido o mar a volta, ou a maior parte.

- Magia garoto Jeff.... Magia – falou-me ele sorrindo e balançando a cabeça de maneira tranquila.

Eu abri um sorriso enquanto meus irmãos tentavam correr para fora, mas saiam mais mancando do que correndo.

- Obrigado por...

- Por nada é claro – respondeu e interrompeu o lobo sorrindo e mostrando os dentes brancos.

- Claro – respondi num sorriso e corri para a floresta.

Sem olhar para trás, havia muita coisa para fazer.

Agora.

Livre.

“Impressionante o Amor de seus filhos pelos irmãos, Lilian.
Também acho, Senhor Lobo, meus lindos filhos.”
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