CAPÍTULO 12

- Começou! – Diz Carlos, e logo em seguida me olha e completa: - Você é o plano, não se esqueça disso. Quando eu precisar que você acredite em mim, não duvide!
Assenti e depois, ficamos apenas vendo a fumaça aumentar no centro da cidade.
Destruída, pessoas feridas e algumas ou talvez a maioria morta. Os vilões estavam atacando, mas o alvo, somos nós e muitos pagaram por isso.
Minutos depois de ficarmos apenas vendo aquela cena horrível, ficarmos com os olhos cheios de lágrima e o coração tão apertado que dava dor no peito, um celular começa a tocar.
- Alô? – Pergunta o professor Marcelo ao atender o celular.
A cara dele, não a mesma de alguém que esta recebendo boas notícias. Fiquei imaginando se algo poderia ser pior do que ver uma cidade cheia de vida e tão bonita desmoronar em segundos e até mesmo perder sua vida tão rápida.
- Agora é a hora de nos tornar heróis de muitas pessoas, - Diz Marcelo desligando o celular. – temos esse dever. Talvez Deus tenha deixado isso tudo acontecer conosco, porque ele sabe que somos os únicos capazes de fazer a diferença com tanto poder em mãos.
- Amém. – Diz Charles em um tom irônico.
- O herói infiltrado, acabou de me ligar e me informar algo ainda pior que isto. – Diz o professor Marcelo andando em direção à cidade. – Eles vão lançar um míssil que vai destruir a maior parte do país.
Todos pararam, olhamos um para o outro. Só depois disso pude ver a Isabela com o rosto vermelho de tanto chorar. O Luca com tanto medo que estava sentado no chão de cabeça baixa, e a Lorena abraçando ele bem forte. Charles estava andando para um lado e para o outro de costas para a cidade e soltando algumas lágrimas. Carlos, estava olhando para a cidade como se tivesse vendo algo bonito a sua frente. Estava calmo e sem nenhum sinal de choro. O professor Marcelo estava andando a nossa frente, parecia estar nos incentivando a ir atrás dele, só que sem nos dar uma ordem se quer.
A Isabela estava em prantos, mas continuava de pé, e olhando pra cidade destruída. Fui andando até a sua direção, e a abracei bem forte.
- Tonny, - Diz Isabela. – é a minha cidade. Onde eu nasci, onde cresci e onde minha família mora. Será que eles... – Antes que ela terminasse de completar seu pensamento, eu interrompi.
- Não fale isso... – Acariciei seu rosto e olhei fixamente em seus olhos. – Eles estão bem, quer apostar? Eles nem me conheceram ainda, não sabem nem quem é o seu mais novo namorado. – Falo e sorrio.
- Namorado? – Diz a Isa abrindo um lindo sorriso.
- É, - começo. – sei que não é a hora e nem o lugar certo, mas eu tenho que fazer isso. – Eu paro e olho nos olhos da Isa. Crio coragem e falo. – Quer namorar comigo?
Se isso esta parecendo um filme romântico, acredite, não é. Estamos na beira da morte, estamos indo enfrentar alguém muito mais forte que agente, estamos indo enfrentar o nosso destino. Se é que vamos sair vivos dessa, ninguém sabe, mas que vamos lutar pelas nossas vidas e pela vida dos outros, isso, nós sabemos.
A Isa me olhou com um toque de encanto em seus olhos, e me beijou. Acho que foi um sim, e isso foi gratificante. Talvez eu não morresse sem uma namorada, o que era confortante na situação. Gosto da Isa, acho que gosto até demais, só que não posso me dar o luxo de ama-la, se é que consigo controlar meus sentimentos.
- Tonny, eu te amo! – Diz ela me beijando novamente.
Ótimo, ouvir um “eu te amo” um pouco antes da sua morte é muito legal. Vamos Tonny, reage. Não se entregue, é isso que eu devo pensar. Ela é uma excelente garota, e... Porque você a pediu em namoro? Droga! O que se passou pela sua cabeça?
- Vamos indo, temos coisas a resolver. – Diz Charles indo atrás do professor Marcelo.
- Espere! – Diz Carlos. – Temos que ter um plano. Temos que nos montar aqui, antes de irmos pra lá. E Luca, vai pra dentro, é muito perigoso aqui fora.
- Ok, então... – Falo olhando para ele esperando que ele diga logo o que devemos fazer.
- Ao chegar lá, criaremos um ponto critico. Montaremos em uma roda, e essa roda vai poder se abrir em até dez metros de distancia. Assim, caso algum vilão chegue, podemos nos reunir com mais facilidade e um protegerem o outro.
Certo. Depois do plano feito, fomos pra cidade e ao chegar lá, vimos coisas que nunca gostaríamos de ter visto um dia. Não desejaríamos isso, nem aos nossos piores inimigos, eu acho.
A Isabela continuava emotiva, chorando menos, pois a força do choro dela ia toda pra sua mão, que apertava bem forte a minha. E mesmo tendo a força como um poder, eu estava sentindo uma ponta de dor com esse aperto de mão. E enquanto caminhávamos, nos formamos em uma roda, cada um protegendo o outro, até ouvirmos um gemido.
- Ouviram isso? – Pergunta o professor Marcelo.
- So-corro! – Diz alguém que não sabemos nem onde esta.
- Onde você está? – Berra Lorena.
Depois do berro que a Lorena deu, vimos algo incrível. Algumas pessoas saindo de dentro de casas destruídas, só que com algumas partes em pé ainda, vimos pessoas aparecerem andando e nos olhando com esperança, acho que eles pensaram que deveria ser a guarda nacional, só que não era. Pelo menos ainda não era. E enquanto víamos essas pessoas, alguns de nós fomos até as mais feridas e começamos a ajuda-los, até que eu encontrei a pessoa que havia pedido socorro. Era um homem que tinha uma pilastra de concreto bem grosso, em cima de suas costas. Pensei que ele estava agoniando de dor, pelo peso que estava te esmagando, só que quando tirei a pilastra de cima dele, vi que ela não estava esmagando ele. Ele estava suportando o peso da pilastra com todas as forças, pra proteger uma criança que estava em baixo dele, sem nenhum arranhão. Ele é um verdadeiro herói.
Todos começam a ajudar uns aos outros, e pedimos para que os que puderem ir para o mais longe possível da cidade, pois o esquadrão do Mascarado já deve estar a caminho e uma batalha para começar.
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