Olá novamente! Lembrando que este é o penúltimo capítulo de Titãs do ano. Semana que vem será o último, e então, só voltaremos dia 11 de janeiro. Espero que curtam :)


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Através do Espelho (parte 2)

ANTERIORMENTE
Em 2016 d.C. (depois de Cristo), uma Terceira Guerra Mundial arruinou o mundo; a energia nuclear dizimou quase toda a população. Os séculos seguintes foram passados tentando reconstruir o mundo. Milênios depois, em 2036 d.N. (depois de Noble), as repúblicas deixaram de existir: o mundo agora é governado por Impérios. O agente da Guarda Nacional Leon Carter é transferido para a divisão Titãs, uma divisão marginalizada, porém extremamente importante para a segurança nacional. Junto de Mila Cruzi, Tuomas Lane e Allen Foster, o agente investigou o caso da cidade de Chagas, em que uma onda de radiação afetou todos os habitantes, transformando-os em sanguinolentas criaturas. Pouco depois, a Rainha quase foi vítima de um ataque terrorista, que mais tarde se provou uma falsa: seja quem for o terrorista, ele se fingiu alemão para tentar começar uma guerra entre o Império do Brasil e da Alemanha. Além disso, descobriu-se que existem crianças que se dizem ser Cruzi, Carter, Lane e Foster, lançando os agentes numa gigantesca conspiração... agora, os ataques recomeçaram. Os agentes são os principais suspeitos de terem assassinado Felipe Gouveia, um diretor da corregedoria. A única esperança agora está em encontrar as Crianças para lutar contra esses terroristas... e inocentar o nome dos agentes.

1

Escritório da Guarda Nacional, 3 de dezembro, 18h20

                - Eles ainda não voltaram? – perguntou o diretor Noah, e recebeu como resposta um menear negativo de cabeça.
                Suspirou. Os membros da divisão Titãs continuavam desaparecidos, assim como o diretor Gouveia. Ele estava preocupado; a força tarefa naquela manhã não havia dado em nada, nenhuma bomba fora encontrada. Porém, os cinco haviam desaparecido...
                - Senhor! – gritava um agente, à frente do computador. Ele atendera o telefone que tocava, e estava com olhos arregalados, como se não acreditasse no que acabara de ouvir.
                - Diga, agente Marques – respondeu Noah prontamente.
                Marques gaguejou. Ele parecia não saber o que dizer.
                - O diretor Gouveia está morto – disse, enfim.
                Noah congelou, empalidecendo prontamente. Agora ele entendia por que Marques gaguejava tanto.
                - Como?
                - Decapitado – Marques respondeu. – Acabaram de encontrar o corpo. Mas, sob análises preliminares, parece que apertaram o pescoço dele tanto que acabaram por esmigalhá-lo.
                Noah engoliu em seco, e sentiu uma vertigem. Não por compaixão por Gouveia – odiara aquele homem desde o primeiro momento em que o vira. Sentia vertigem por choque e medo, mas, principalmente, por não saber o que aconteceria a seguir. A morte de um membro da corregedoria era um marco de violência e ousadia. Toda a Guarda Nacional iria procurar o assassino.
                - Meu Deus...
                - Atenção! – ele ouviu uma voz gritar. Todo o escritório se virou para o homem que gritara. Era um homem alto e jovem, muitíssimo belo. Porém, seu rosto era frio. Seus olhos não transmitiam nada.
                O homem continuou a falar:
                - Como vocês já sabem, o diretor Gouveia está morto – Houve uma grande comoção a seguir, o que significava que nem todos sabiam. O homem, no entanto, continuou: - Quatro pessoas estavam com ele no momento de seu assassinato. Quatro agentes da chamada divisão Titãs: Mila Cruzi, Leon Carter, Tuomas Lane e Allen Foster. Esses agentes estão agora desaparecidos. Devemos procura-los imediatamente. Todos devemos nos focar em acha-los.
                - Senhor? – Noah levantou-se. Nunca havia visto aquele homem na vida.
                - Devemos procura-los – continuou o homem. – Pois eles são responsáveis pela morte de Gouveia.
                Houve um burburinho no escritório. Alguns não acreditavam. Outros não sabiam o que dizer.
                - Temos que encontra-los, vivos ou mortos. – continuou o homem. – Eles são uma ameaça à nação.
                - Senhor! – Noah bradou, desta vez nervoso e preocupado. Quem era aquele homem? Que autoridade ele tinha? – Senhor! Posso saber quem o senhor pensa que é?
                O homem esboçou um sorriso, frio e maldoso, e disse:
                - Pode me chamar de Sr. Saxon.

2

Residência de Cruzi, 23h58

                Cruzi girou lentamente a chave de seu apartamento, e abriu a porta. Olhou para os dois lados antes de entrar, e não acendeu a luz. Conhecia seu próprio apartamento como a palma da mão, não fazia diferença se andasse no escuro.
                - Fiquem aqui – disse ela. – Vou pegar umas roupas para mim e para Foster, e vou ver se acho alguma roupa de meu pai para vocês, Carter e Lane.
                Ela caminhou em direção a seu quarto, enquanto os outros três entravam silenciosamente e fechavam a porta com cuidado. Ninguém se sentou, ou mesmo se acomodou. Estavam todos tensos demais.
                - E agora, o que vamos fazer? – Foster sussurrou. Todos estavam tentando fazer tudo o mais silenciosamente possível, para não alertar os vizinhos de que havia alguém em casa. Todos temiam que pudessem ser denunciados.
                - Vamos juntar o maior número de informações possíveis – Lane disse. – E rastrear as Crianças.
                - Essa é a questão – disse Carter. – Não temos nenhuma informação. Nenhum lugar por onde começar.
                - Bem – Lane disse. – Acho que o principal agora é encontrar uma maneira de rastrear tudo isso sem levantar suspeitas. Temos que fugir, desaparecer, pra então começarmos a investigar. Então, temos que fazer isso rápido. Não sabemos quando pode ser o próximo ataque terrorista. Temos que agir rápido.
                - Aqui estão – disse Cruzi, voltando de seu quarto. Em seus braços, estavam várias camisas e calças que achara em seu quarto. – Vão se trocar. Eu vou pegar as outras coisas que possamos precisar.
                Carter foi o primeiro. Ele pegou algumas peças de roupa masculinas que Cruzi havia encontrado, e se dirigiu ao banheiro. Abriu a porta lentamente, enquanto Cruzi fechava as cortinas do apartamento.
                Carter entrou no banheiro, e sentiu um cheiro estranhíssimo... olhou para todos os lados. Havia um timbre estranho no ar... ele ligou as luzes, e no momento seguinte estava no chão. Não conseguiu se segurar: gritou a plenos pulmões. Tentou sacar sua arma, mas seus braços estavam presos. Algo fazia pressão sobre seu peito... ele sentiu gotas de saliva quente caindo em seu rosto, e um alto rugido animal ecoou pela sala...
                Então, a criatura que estava em cima de seu corpo foi atirada contra a parede. Carter se virou: Cruzi estava usando seus poderes novamente. A criatura estava sendo enforcada contra a parede...
                - Obrigado – disse Carter, olhando para Cruzi. Ele passou a mão no rosto, tentando limpar o máximo possível.
                - O que é isso? – Foster perguntou, horrorizada.
                Porém, não houve tempo de responder. A criatura escapou dos poderes de Cruzi, e, como não poderia passar pela porta, abriu um buraco na parede. Partiu para cima de Foster, que rapidamente sacou sua arma e atirou. A criatura recuou, ferida, e gritou, destruindo metade do lado direito do apartamento e boa parte do sofá com sua cauda imensa e cheia de espinhos. Logo a seguir, se jogou contra a sacada do apartamento, destruindo o vidro e caindo vários metros, até se chocar contra o chão. Abriu uma cratera e esmagou um carro, ativando o alarme.
                Os quatro agentes olharam alarmados para o grande buraco no vidro da sacada, e então olharam para baixo, observando a destruição massiva.
                - Acho que fizemos barulho – disse Carter.
                - Logo a polícia vai estar aqui. – Cruzi anunciou, respirando pesadamente e suja com os destroços de poeira que sobraram do apartamento. – Não temos mais que cinco minutos. Rápido. Vamos pegar tudo.

Algum motel à beira da estrada, 2h30

                No final, separaram apenas roupas e alguns pequenos apetrechos que levariam. Cruzi fez questão de levar seu notebook, pois lá estavam salvos arquivos em forma de texto que poderiam ser importantes para investigação. Haviam trocado de carro no caminho, roubando o carro mais discreto que conseguiram achar. Fizeram um voto de que devolveriam ao dono quando tudo estivesse acabado. Após dirigirem muito, acabaram encontrando um motel à beira da estrada, e alugando um quarto para que pudessem os quatro conversarem em privacidade.
                - Eles armaram para nós – disse Carter, se jogando na cama. – Os terroristas colocaram aquela criatura lá, de alguma forma.
                - A questão é: como? – Cruzi se perguntou em voz alta. – Esses terroristas são provavelmente os mesmos que plantaram a radiação na cidade de Chagas, que atentaram contra a Rainha, e que estão causando os ataques de agora. Sem contar que talvez sejam os mesmos encapuzados que nos atacaram quando fomos atrás das Crianças...
                - É isso! – Lane exclamou. – Os encapuzados! Da última vez que os encontramos, o prédio estava desmoronando, e as Crianças desapareceram junto com eles.
                - Você acha... que eles levaram as Crianças?
                - Não exatamente... Mas... Cruzi, seus poderes. Você lembra de como as Crianças chamavam eles? Elas chamavam de Luz. Nós não temos a mínima ideia do que são esses poderes, do que podemos fazer... mas... as Crianças estavam encurraladas da última vez. Os encapuzados iam captura-las, eles provavelmente tinham algum instrumento especial para capturar seus poderes... não havia escape, senão...
                - Senão o que?
                - Suspender o tempo e o espaço. – Lane disse. Porém, ninguém pareceu entender, então ele explicou: - As Crianças iam ser capturadas. E, se não fossem, seriam esmagadas pelo prédio desmoronando. O que elas podiam fazer? De alguma forma, elas criaram um portal para outro mundo, para outra dimensão... não, mentira: eles criaram outra dimensão. E essa dimensão é o prédio, antes de desmoronar. Lá só existe o prédio. Não existe tempo: eles estão presos para sempre no momento em que estavam fugindo. E provavelmente, ao criarem e viajarem pra essa dimensão, levaram os encapuzados consigo.
                - Isso é confuso, mas acho que entendi – disse Carter. – Então, para entrarmos nesta nova dimensão, o que teríamos que fazer?
                - Deve haver algum portal onde o prédio desmoronou – Lane pensou em voz alta. – Só temos que procura-lo.
                - Mas, espera um minuto – Foster disse. – Como você sabe de tudo isso? Como tem tanta certeza?
                Lane olhou para ela. Pela primeira vez, parecia que não sabia o que dizer.
                - Eu apenas sei – disse ele. – É algo que eu faria para sobreviver.
                - Eu também – Cruzi concordou. – E, se as Crianças somos nós... elas fizeram isso.
                - Tudo bem, certo – Carter disse. – Então, temos que aproveitar que é de noite e ir para lá, enquanto ninguém pode nos ver. Temos que ir agora.

Escritório da Guarda Nacional, 3h

                O diretor Noah bateu na porta da sala do Senhor Saxon. Saxon poderia estar ali há menos de um dia, mas fora persuasivo o suficiente para arranjar uma sala para si mesmo.
                - Entre – disse Saxon, sem levar o olhar de sua mesa.
                Noah entrou rapidamente, e fechou a porta. Não queria que ninguém ouvisse o que tinha a dizer.
                - Senhor – Noah falou, esquecendo-se da educação e da hierarquia da Guarda Nacional; tinha coisas mais importantes a tratar. – Eu peço que por favor pare esta loucura.
                Saxon levantou os olhos, e deixou a caneta cair na mesa.
                - Como disse?
                - Por favor – Noah continuou. – Não temos nenhuma prova de que meus agentes possam ser culpados. Eles não deveriam nem estarem sendo... – Noah fez uma pausa. Não conseguia encontrar a palavra certa.
                - Caçados? – Saxon completou.
                - Sim! Isto... isto é um absurdo! Até o que sabemos, eles desapareceram onde Gouveia foi encontrado morto! Eles podem ter sido sequestrados, podem estar em perigo!
                - Ou podem ter fugido – Saxon disse. – E é, de fato, extremamente estranho inocentes fugirem... é uma atitude um pouco culpada, não acha?
                - Eles não mataram Gouveia. Eu posso afirmar isso.
                - Eles com certeza tinham motivos.
                - Mas isso é impossível! – bradou Noah, perdendo a paciência. – Gouveia foi violentamente decapitado, e o assassino usou as próprias mãos! Nenhum dos nossos agentes poderia ser fisicamente capaz de fazer isso!
                - Oras, deixe de enrolação – falou Saxon, no mesmo tom de voz calmo. – Você bem sabe dos poderes que eles têm. Da Luz. Você sabe que eles o que são capazes de fazer, então sim, eles são fisicamente capazes de matar Gouveia. É por isso que estamos atrás deles. Para que eles não acabem com a Era de Paz Mundial com seus poderes sujos e desumanos.
                - Do que você está falando? – Noah exclamou. Ele não sabia o que era Luz. E o que significava aqueles poderes que ele dissera?
                Saxon abriu um sorriso, e soltou uma risadinha. Seu olhar era afiado e penetrante, como se houvesse acabado de descobrir uma falha na construção que era Noah.
                - Então eles não te contaram? – disse Saxon, ainda com um sorriso no rosto. – Eles não te contaram nada?
                Noah ficou em silêncio, sem saber o que dizer. Saxon riu novamente.
                - Acho que você deveria rever seus conceitos de lealdade – disse ele, voltando para trás de sua mesa. – E acho que já acabamos aqui.
                Noah não disse mais nada. Apenas deu as costas e saiu da sala, com raiva e confuso.

3

O prédio destruído, 3h40

                - Temos pouco tempo – disse Cruzi, saindo do carro. – Logo vai amanhecer, e temos que fugir antes disso.
                Os quatro agente se dirigiram para a frente do prédio. A maior parte dos destroços havia sido retirada, porém, a parte que não desabara continuava de pé. A demolição estava marcada para dali a dois meses, e, depois, construiriam outro prédio no terreno.
                - Estamos aqui – disse Carter. – Agora... onde é a entrada?
                - Isso vai ser um problema – disse Lane. – Não temos ideia de onde o portal foi criado...
                - Espera um momento – disse Cruzi. Ela deu três passos para frente, com o cenho franzido e uma expressão de surpresa na cara. Ela via uma grande porta à sua frente, azul brilhante. Não havia maçaneta, nem nada: bastava apenas você pular dentro.
                O problema é que os outros agentes não conseguiam vê-la.
                - Está aqui – disse Cruzi. – A porta.
                - Aqui? – disse Foster. – Não estou vendo nada.
                - A Luz de Cruzi... – disse Lane. – Só Cruzi tem a Luz ativa por enquanto, então só ela pode ver a porta. Então, Cruzi, você vai ter que nos guiar.
                Cruzi assentiu.
                - Segurem minhas mãos.
                Quando os três seguraram, eles entraram pelo portal. Eles não saberiam descrever a sensação: foi quase como se suas moléculas fossem separadas e remodeladas milhões de vezes por segundo... quando abriram os olhos, estavam inteiros, respirando e dentro do prédio.
                - Nós estamos na dimensão – disse Carter.
                - Sim.
                O prédio parecia o mesmo que antes de desmoronar. Eles ouviam gritos, vindos de todos os lados, e tiros – os encapuzados estavam perseguindo as Crianças desde o momento em que aquela dimensão fora criada.
                - Vamos procura-los, rápido – disse Lane. – Lembrem-se: eles criaram a dimensão a partir de um prédio, então a única coisa que existe aqui é o próprio prédio. Se vocês saírem do prédio, não sei o que pode acontecer. Podem acabar caindo num buraco negro, ou coisa do tipo.
                Eles então correram. Teriam de ficar juntos, pois era muito perigoso se separarem. Eles correram por inúmeros corredores, tentando captar de onde vinham os gritos e os tiros – mas era impossível; o eco dos corredores fazia parecer com que estivessem por todo lado.
                - Crianças! – Cruzi gritou. – Estamos aqui! Crianças!
                No meio de seus gritos, Cruzi acabou por esbarrar com uma pequena forma, que logo caiu no chão. Era a Criança-Cruzi.
                - Mila! – A Criança-Cruzi gritou, e então a abraçou. Cruzi levantou os olhos. As outras Crianças vinham a caminho.
                - Vocês estão bem?
                As Crianças não tiveram chance de responder, no entanto: o barulho de tiros ecoou pelos corredores, e os dois encapuzados apareceram. Cruzi foi mais rápida: ela fez os dois se erguerem no ar, e arremessou-os contra a parede com tanta força que eles caíram desacordados.
                - Você não devia ter feito isso – disse a Criança-Cruzi, repentinamente apavorada.
                - Por que não?
                - Não era em nós que eles estavam atirando.
                Cruzi estava a ponto de fazer a pergunta. No entanto, um rugido animal ecoou pelo corredor, muito mais alto do que o rugido de qualquer criatura que ela já tivesse visto.
                - O que é isto? – ela perguntou, com medo.
                - Quando nós criamos esta dimensão – A Criança-Lane respondeu. – Alguma coisa nos seguiu.
                O rugido ecoou novamente.
                - Por que vocês não fugiram? – Carter perguntou.
                - Por que nós perdemos a saída – respondeu a Criança-Cruzi. – Nenhum de nós consegue mais achar. Vocês também não vão conseguir.
                - Vocês não deviam ter vindo – disse a Criança-Carter. – Agora todos nós estamos presos aqui.
                O rugido estava mais próximo. Eles começaram a sentir o corredor tremer no ritmo de passos...
                - Corram!
                Eles o fizeram.
                Os agentes tinham consigo apenas suas pistolas, com poucas balas. A criatura estava perto, mas eles ainda não conseguiam vê-la. Cruzi atirou para trás mesmo assim, na esperança do barulho espantar o bicho.
                - Para onde vamos?!
                - Para o porão! Corram!
                Eles correram, e desceram vários lances de escadas, até chegarem ao depósito que ficava no subsolo. As portas eram grandes e pareciam resistentes, mas não por muito tempo.
                - Entrem! – gritaram as Crianças, entrando na sala seguidas pelos agentes.
                 - Segurem as portas! – gritou Cruzi, fechando-as e usando o máximo de seus poderes para mantê-las fechadas. As Criança-Carter, Criança-Lane e Criança-Foster a ajudaram com seus poderes, enquanto os outros agentes seguravam do jeito que podiam.
                Então, algo se chocou contra a porta.
                - É a criatura! – disse Carter, sacando sua arma.
                A coisa se chocou contra a porta novamente, com mais força.
                - Não vai aguentar por muito tempo!
                - Mila! – A Criança-Cruzi chamou.
                - Agora não! – Cruzi respondeu.
                - Mas você tem que ver isso!
                - A criatura vai entrar!
                - Apenas olhe!
                Cruzi se virou. Uma grande luz vermelha se acendia na escuridão. Ela olhou ao redor. Somente ela e as Crianças podiam ver a Luz – afinal, somente eles tinham a Luz ativada. A luz vermelha crescia e crescia cada vez mais... até se revelar um portal, dez vezes maior do que aquele que os havia levado àquela dimensão.
                - O que é isto? – Cruzi perguntou.
                - Nossa única esperança de sobreviver – a Criança-Cruzi respondeu.
                A criatura se chocou contra a porta novamente.
                - O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO? – Carter gritou.
                - Mila – A Criança-Cruzi continuou. – Eu te disse que nós não pertencíamos a este mundo. Esta não é nossa casa – ela apontou para o portal. – Aquela é.
                Cruzi olhou pelo portal, e pôde ver: o céu era azul, e havia inúmeros prédios no chão. Várias pessoas caminhavam, no dia a dia, e o sol brilhava no céu. Era muito parecido com aquele mundo...
                - Que lugar é este? – Cruzi perguntou. – É aí que nós pertencemos?
                - Venha conosco – disseram as Crianças. – É a única maneira de fugirmos. Estávamos esperando vocês.
                - CRUZI! – gritou Carter novamente. – A CRIATURA ESTÁ ENTRANDO!
                - Não temos muito tempo! – disse a Criança-Cruzi. – Venham vocês quatro conosco! Venham conosco e terá todas as respostas que deseja.
                Cruzi olhou para o portal, e olhou para os amigos agentes. O tempo era curto... e ela tinha uma decisão a tomar.

CONTINUA NA PARTE 3
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