Promessas

“...Não poderá descansar... Precisa Pagar... O preço pelas vidas... Levadas...”



Adentrei a porta de meu quarto, e fechei a porta atrás de min, enquanto olhava aquele ser, iluminado sem forma a minha frente.

- É... Percebo que não irei descansar essa noite... – digo em tom de desaprovação.

Você matou humanos... Sabe que há um preço a pagar por isso...”. Ouvi em minha mente.

Acabei dando um suspiro enquanto olhava rapidamente o lobo preto ao meu lado e voltando os olhos para o ser a minha frente.

- Eu sei... Levando em consideração... A situação existente e tudo o que houve... – paro um pouco e deixo meus olhos semifechados – Eu adquiri uma dívida... E eu...? – perguntei ao ser.

Logo, antes que me responde se, meus olhos se fecharam e senti o meu corpo agora mole, caindo para frente.

Não vi e nem senti o meu companheiro ao meu lado.

Apenas caia.

Sentia e percebia a queda livre que eu sentia. O Vento forte passar pelo meu sobretudo, balançar o meu cabelo curto.

Meus braços para trás, o cadarço da minha botina preta balançando com a queda.

Você irá ver a Morte de uma vida sua”. Me foi dito.

Até eu sentir a cabeça girar e parar de cair.

Eu estava em pé, sentindo o chão.

Abri meus olhos e eu estava sem o meu companheiro, em pé em algo que não conseguia ver. Com outros de cada lado meu.

Todos olhando para frente.

- Este é....  A vida que irá se desfazer – um dos outros que estava falou. Não conseguia ver como era, apenas via a silhueta de alguém grande, com orelhas e garras.

A nossa frente estava um garoto, de alma brilhante e triste, chorando.

Já com algo atravessado em sua alma.

Uma grande mão com garras enormes atravessada.

- Esta vida é um de nós – falou outro grande, com silhueta humana.

- Este não pode viver – outro com silhueta humana porem menor completou.

- Este resolveu se ‘dar’ para proteger quem amava – o ser com silhueta grande e orelhas e garras falou.
Eu estava lá, junto comigo mesmo.

Junto com todos os nós que não éramos diferentes mas também não éramos iguais.

Dei um passo para frente, para mais perto aquele ser que iria desaparecer e que fazia parte de nós.

Com tom de tristeza, me abaixei e falei.

- Nós não desistimos do que queríamos... E você também... Não deixaremos você sozinho... – nesse momento o meu companheiro lobo veio caminhando para perto de min tranquilo, mesmo sendo um ser consideram impuro enquanto eu terminava de falar. Nenhum se importou dele estar lá – cada um de nós, aceitou pagar os preços pelas escolhas que fizemos – coloquei a minha mão por cima daquela alma que começava a sumir – E vamos sempre ser assim.... Felizes e aceitando as consequências de nossas escolhas. – Parei de falar.

Me levantei e olhei em volta. Todos concordavam comigo mexendo a cabeça.

- Vamos estar e esperar por você novamente – completei antes que ele sumisse e se fosse embora rapidamente.

Até piscar e acordar na minha cama novamente, deitado e agora, com a luz do sol batendo a janela fechada e de ferro de meu quarto.

- Finalmente... Acabou... Certo? – perguntei ao lobo sentado em minha cama.

Aquilo sim...”. Respondeu me ele. “Mas nunca termina...”. Completou ele me olhando.

- Certo... Nunca termina – confirmei e levantei da cama.

Abrindo a janela e deixando o sol e o vento da manhã entrar forte no meu quarto.

- O amanhã... Sempre vem... – falei para min mesmo olhando o céu azul, como se não tivesse havido nada.
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