Sedução
Capitulo 2
1
Era o final do 2º período na Great Falls High School, estava me sentindo uma estranha em meio à multidão de estudantes no corredor principal.
Meus cabelos negros e longos estavam totalmente soltos, a favor de que o vento o pudesse levar da forma que quisesse. Em meus pulsos apenas algumas pulseiras, sobre meu pescoço repousava um simples colar que haviam ganhado de minha mãe como presente de aniversário antecipado, calça jeans justa e um casaco grosso o suficiente para evitar o frio, uma modesta maquiagem e pronto. Esse era meu perfil em meu primeiro dia no colégio.
A aula seria de História, comecei a andar pelos corredores em busca de uma sala que possuísse acima da porta uma placa com “2º ano – História Turma B”.
Encontrei-a, mas a sala não foi à única coisa que tinha achado.
Meu coração quase saiu pela boca quando avistei aquela figura alta e esguia bem abaixo da porta. Seus cabelos loiros cortados na altura dos ombros, aquela inconfundível jaqueta vermelha e o salto-alto, seus olhos azuis viraram-se em minha direção, e em sua boca um largo sorriso abriu-se para me cumprimentar.
- Vic! (gritei, atônita) Não acredito (corri imediatamente em sua direção).
- Amy. Como você esta amiga? (Victoria abraçou-me forte, e eu fiz o mesmo).
- Bem, estou bem. O que você faz por aqui? (minha mente já começava a dar um grande nó, o que Vic estaria fazendo em Great Falls?).
- Eu estudo aqui.
- Como assim você estuda aqui? O que aconteceu?(meu rosto se contorceu mostrando minha completa falta de compreensão do que estava acontecendo).
- Bem eu já sou maior de idade, posso ir e vir para onde eu quiser... Então... Resolvi que viria para Great Falls, eu não poderia deixar você sozinha nesse colégio, afinal, se eu fizesse isso, que tipo de amiga eu seria.
- Você é louca... (um ar de confiabilidade intensa sobre o que eu estava falando pareceu estabelecer-se em minha face. Vic riu de minha expressão).
- Ah. Qual é? (Vic parecia uma criança protestando a favor de seus desejos) vai me dizer que não ficou feliz por eu estar aqui?
- Claro que gostei, mas... Como? Onde você esta ficando? Como isso aconteceu? (havia milhões de perguntas a serem feitas, desde a questão de como Vic haveria vindo parar em Great Falls, até questões mais do que particulares. Precisávamos por o papo em dia).
Um som agudo e atordoante soou, era o toque para que entrássemos nas salas.
- Depois conversamos sobre isso, temos que entrar (Vic apontou para dentro da sala, cadeiras duplas, ambiente bem ventilado e iluminado, e um professor baixinho e careca encarando-me).
- Bom dia... Hã... Deixe-me ver... Você deve ser Amy Dabroven, a aluna nova, certo?
- Sim. Certo. (afirmei).
- Bem, meu nome e Erick Patosmik, serei seu professor na turma de história. Sua cadeira está reservada bem aqui à frente, entre, por favor!
Ao entrar na sala essa por sua vez estava cheia, muito cheia.
A cadeira reservada que o Sr. Patosmik havia falado realmente era na frente. A sala ficava dividida praticamente em esquerda e direita, ficando assim um espaço entre as duas partes. Com a sala lotada eu poderia supor que haveria no mínimo 40 alunos.
Vic olhou para mim com receio de despedida, sua cadeira ficava quase no fundo da sala, na penúltima fileira.
Quando entendi a mensagem por traz de seu olhar, caminhei ao encontro do meu lugar à frente. Quando me aproximei da cadeira, pude ver que ao meu lado estava um garoto de pele morena e olhos negros.
Ele me fitou com aqueles olhos por alguns instantes, até que então virou o rosto, abriu o livro da disciplina e ficou a folhear as páginas sem o menor compromisso em pensar na atitude de parar em alguma delas.
Sentei-me e tratei de fazer de conta que não estava vendo aquele garoto estranho, ou tímido seria uma melhor colocação?
- Pessoal o assunto de nossa aula hoje será a Revolução Francesa, alguém poderia se habilitar em falar um pouco sobre esse acontecimento histórico? (perguntou o Sr. Patosmik).
Alguém no fundo da sala levantou a mão e começou a falar.

2

O tempo parecia não transcorrer. Seriam duas aulas.
O quadro estava repleto de anotações e eu ainda estava a transcrevê-las quando alguém me tocou no braço.
            - Desculpe-me, mas, não me apresentei. Meu nome é Sawlver Cristopen, mas... Pode me chamar de Sawl.
Mais uma vez aqueles olhos escuros estavam a me observar, seu rosto era uma verdadeira obra de arte, seus lábios grossos e avermelhados por causa do frio se mantinham em uma linha séria.  Seu cabelo negro e curto era brilhoso e sedoso. Ombros largos, mas relaxados, musculatura definida, braços fortes, e quando eu pensava realmente que não encontraria mais nada para descrever ele me entregava um sorriso penetrante, meio debochado, meio sedutor.
Um arrepio subiu pelas minhas costas fazendo uma curva perto da nuca e voltando para baixo novamente.
Mas, o que havia sido aquilo? Que sensação haveria de ter sido aquela?
Há alguns minutos atrás eu estava simplesmente o menosprezando e agora... Eu realmente não sabia explicar o que estava acontecendo, um misto de sensações espalharam-se por todo meu corpo. Meus batimentos aceleraram-se, era como se cada gota de sangue que corria em minhas veias quisesse que a aceleração acontecesse, meus olhos fixaram-se aos olhos dele, minha boca ficou seca e entreaberta, minhas pernas começaram a tremer e meu mundo pareceu com isso se abrir num abismo sem fim, onde ele era quem segurava-me no topo do penhasco sem me deixar cair.
De repente perdi-me em minha própria mente. Vários pontos interrogativos voavam sobre minha cabeça. Como ele me causara aquele efeito com uma simples apresentação e uma rápida troca de olhares?
- Esta tudo bem? (perguntou-me ele) Olá, você esta bem?
Eu estava completamente sem reação.
- Ah... Sim... Esta tudo bem. Eu só estou com um pouco de dor de cabeça (menti, tentando disfarçar a minha cara de boba, se era que eu estava realmente conseguindo fazer aquilo). 
- Não me disse seu nome ainda. (afirmou ele com ar de apreensão). 
- Meu nome é Amy Dabroven. (era assustador, as palavras quase não saiam de minha boca, mas eu obriguei que elas saíssem).
- Bonito nome, assim como a dona dele. (um leve sorriso apareceu em seu rosto e mais uma vez a sensação percorreu meu corpo).
Uma golfada de ar gelado entrou pelos meus pulmões quando tentei respirar fundo. Havia sido um erro. Meu corpo congelou completamente por dentro, senti cada célula em mim, gritar de dor até atingir minha alma.
Estava congelada, literalmente, e aquele garoto próximo a mim, era como se fosse o sol que eu precisava alcançar, a chama que eu precisava erguer, e o corpo que eu precisava tocar.
Como? Mas como assim? Por que essas sensações resolveram assolar-me tão repentinamente?
- Esta com frio? (perguntou-me) Parece estar tremendo um pouco.
- Não... Não... Está tudo bem. (Titubeie).
- Você parece ser nova por aqui. (afirmou, com ar de desconfiança) Você não seria não uma garota do sul? Seria?
- Ah sim, sou. Flórida... Morava lá até algumas semanas atrás.
- E... Então a troco de que deixou um estado tropical para vir aventurar-se em meio ao gelo de Montana? (seu olhar parecia penetrar em mim, aquela não era uma pergunta que exibisse uma boa resposta, mas, mesmo assim quis responde-la).
- Meus pais divorciaram-se, minha mãe ficou com minha guarda. Ela conseguiu uma transferência onde trabalhava, e ai então viemos para Great Falls.
- Entendo, sinto muito... Quer dizer... Acho que deve estar chateada com a separação de seus pais.
Chateada? Acho que a melhor expressão seria “assustada”. Meus pais separaram-se de uma forma tão rápida e momentânea que não houve ao menos tempo para respirar durante todo o processo. Mas enfim, isso não vinha ao caso.
 - Sim, é verdade... (não pude continuar a falar, minha voz havia sido interrompida pelo estridente toque de saída).
- Te vejo amanhã? (perguntou-me).
- Sim... Claro... (já estava começando a ficar brava comigo mesma por tanto gaguejar).
Ele levantou-se e acenou em sinal de despedida para mim. Um pouco meio sem graça, retribui o aceno.  
- Quem era o carinha para quem você estava acenando? (perguntou Vic logo em seguida, seu olhar de curiosidade me deixava aflita). 
- Alguém que eu não faço a menor ideia de quem seja, mas que me deixou completamente seduzida.

3

- Isso é o que eu chamaria de loucura. (disse Vic, paralisada depois de contá-la tudo o que havia acontecido).
Nós duas estávamos sozinha em meu quarto. Já era o final daquela tarde arrepiantemente fria. Sobre a cama, xícaras vazias de chocolate quente, e em minhas mãos o caderno com o dever de casa.
- Bem. Agora é sua vez, conte-me tudo, por favor, não esqueça nenhum detalhe. (eu estava altamente apreensiva, queria saber logo de uma vez o que havia acontecido para que Vic viesse a Great Falls).
- Só querer estar com minha melhor amiga já não seria o suficiente?
- Não... (fiz uma cara de constrangida) Vamos, diga-me!
- Bem, tive um pequeno desentendimento com meus pais.
- Que desentendimento?
- Você se lembra do Mett?
- Mett Fanguer?
- O próprio. Bem... Vamos dizer que dois dias depois que você foi embora ele me procurou, tivemos um papo legal, o problema é que nenhum de nós dois queríamos continuar apenas só conversando, e não ficamos...
- Não me diga que aconteceu o que eu estou pensando (interrompi Vic, já sabia onde essa estória iria acabar).
- Bem... No meu quarto... É... (Vic começou a ficar sem graça) Simplesmente aconteceu, eu não esperava que minha mãe fosse chegar tão sedo do trabalho aquele dia...
- Espera ai. Para tudo! Não acredito! Ela viu vocês? (meus olhos prenderam-se aos lábios de Vic, queria ver o momento exato em que as palavras sairiam de sua boca).
- Infelizmente.
- Ah... Meu... Deus!
- Ah! Eu não pude evitar, ele é muito gato, gostoso, sexy (Vic falou aquilo como se sua vida depende-se daquelas qualidades).
- Mas... E então? O que aconteceu?
- Minha mãe ficou como uma louca revoltada, disse que não deveria ter trazido um rapaz para dentro de casa enquanto estava fora, ainda mais, para fazer aquilo.
- E seu pai?
- Ele foi o autor da viagem. Mandou-me a Great Falls para morar com a minha tia Jena. Ele disse que se eu estivesse perto de você talvez não cometesse tantas burrices.
Isso era uma grande verdade. Quando Vic estava comigo ficava sobre controle. Sob meu controle. Eu até poderia ser mais nova e menos experiente, mas a total falta de noção de minha amiga a deixava 3 ou 4 anos de idade abaixo da minha. Eu tinha 16 anos.
 - Minha nossa! (foi à única coisa a qual fui capaz de responder, eu estava atônita).

4

Passos apresados.
O túnel parecia não ter fim. Meu coração estava acelerado e aumentava mais a cada nova passada na correria.
O frio era assustador, o vento soprava e aquilo parecia rasgar minha pele. Eu estava com roupas muito curtas (que seriam excelentes para usar no verão, mas não em uma ocasião como essa).
Alguém me perseguia. Quem?
Comecei a correr mais rápido, uma injeção de adrenalina se espalha em meu corpo que corresponde agindo como planejado.
Tudo ao qual eu era capaz de ver eram apenas sobras negras que também pareciam ter se apressado juntamente comigo.
E veio o pânico.
- Amy! (alguém grita meu nome, seria Vic?)
- Amy, onde está você? (não, definitivamente não era Vic, tratava-se de uma voz masculina, aquela voz... Aquela voz... Era Sawl?).
Os gritos de Sawl chamando-me ecoavam pelo túnel escuro e inacabável.
De repente paro e observo ao redor. Não há sombras. Elas foram embora? Não havia um sinal sequer de sua existência. Tudo circulava agora entorno do ecoo da voz de Sawl.
Virei-me repetidas vezes. Buscava de alguma forma tentar encontrar de onde vinham os gritos de Sawl chamando-me. És que ele aparece bem a minha frente. Estava de calça jeans escura, mas sem camisa, mostrando toda a definição de seus músculos sobre uma luz opaca que havia aparecido do nada.
Perdi o fôlego. A sensação que eu havia sentido mais sedo voltara, mas desta vez parecia ser mais intensa. O arrepio novamente percorreu meu corpo fazendo o mesmo trajeto.
Ele começou a aproximar-se de mim, a cada passo que ele dava o frio em mim aumentava. Aquilo não era mais algo real, o frio não causava mais arrepios ou tremedeiras, eu estava sentido algo diferente dentro de mim. Eu conhecia aquela sensação. Conhecia bem. Era dor, muita dor.
Sawl caminhava lentamente, e eu sabia que em algum lugar da minha mente uma voz gritava freneticamente “Vamos. Rápido. Está doendo. Está doendo muito. Salve-me”
Uma estatua. Eu estava completamente imóvel. Minha boca não conseguia pronunciar uma única palavra sequer, meus olhos acompanhavam o movimento de Sawl em minha direção, meus ouvidos chiavam, meus braços mantinham-se em uma linha reta referente ao meu corpo.
Ele chegou bem próximo de mim e parou. Só havia apenas uns 30 cm de distância entre nós dois. Sua mão ergueu-se em direção ao meu rosto.
Um toque.
O que havia sido aquilo?
“Meu Deus que sensação é essa?”
Uma explosão? Incêndio? Eu estava sendo queimada viva?
O toque de Sawl foi como um envenenamento de rápido efeito. Uma onda de calor e prazer espalhou-se por todo o meu corpo, o arrepio de dor transformou-se em um frenesi de “desejo”.
 Meu coração quase parou, o corpo antes petrificado começou a decair como uma vela que derrete ao sabor das chamas. Seus olhos penetraram nos meus, e o brilho dos mesmos iluminou a minha alma.
“Eu quero você”
Sussurrou Sawl em minha mente.
Minhas pernas cedem, e eu caio no chão.
A conexão mantida pelo toque acaba. E meu sonho também.

5

Minha mão percorre a mesa próxima a cama, (onde estava?) até que meus dedos tropeção na superfície áspera de meu diário.

“Querido Diário, hoje realmente foi um dia interessante, ou deveria dizer... Alucinante?
Primeiramente ao chegar à Great Falls High School, deparei-me com minha melhor amiga Vic, que já não a encontrava fazia semanas.
Vic havia sido praticamente expulsa de casa por cometer atos ilícitos na ausência de sua mãe. Eu estou realmente surpresa até o momento com isso.
Mas, isso não é o que realmente mais me surpreendeu.
Hoje conheci um cara chamado Sawlver Cristopen, ele inicialmente não se parecia com alguém pelo qual eu pudesse me interessar, mas quando ele falou comigo, uma explosão inexplicável de sentimentos e sensações percorreu todo meu corpo e minha mente. 
Estou completamente perplexa. Pareço ter perdido o real sentido de vida. Acho que estou louca.
Como uma simples conversa teria me dado o estopim de acontecimentos ao qual eu passei?
Esta noite sonhei com ele. Foi completamente incrível. Aquilo estava fora do conceito de realidade.
Meu corpo de certa forma neste momento ainda se sente aquecido pelo toque que ele me proporcionou.
Meu peito ainda arde em chamas, e em minha mente ainda ecoa o som de sua voz.
Como isso era possível? Não canso de questionar-me o “Por quê?”
Meu conceito sobre o que eram coisas normais havia mudado completamente.
Neste momento eu só tenho certeza de uma única coisa, provavelmente não conseguirei dormi novamente esta noite.”

 E não consegui.

6
Eu estava esperando o ônibus escolar à frente de casa.
Dali de fora era possível escutar minha mãe falando ao telefone, parecia que ela não tinha começado o dia muito bem. Sua voz era de um tom alto e forte, o que deixava a maioria dos homens surpresos com sua total autoridade na hora em que falava.
- Eu não estou com o seu artigo John, pela última vez, ligue para a Vanessa (ela pareceu perder a paciência e desligou o telefone na cara de John).
- O que está acontecendo? Eu posso saber? (diferente da voz de minha mãe, a minha havia amanhecido fraca e sem vida, eu ainda estava em estado de choque após o sonho da noite passada).
- Coisas do meu trabalho querida, nada pelo qual vale a pena você se preocupar.
- Vai voltar sedo do trabalho? (questionei-a).
- Não. Tenho muitas coisas pendentes a resolver, provavelmente chegarei bem tarde. Tudo bem para você? Quer dizer... Tudo bem em ficar sozinha à noite?
- Sim. Não se preocupe (a verdade era que ela deveria preocupar-se sim, pois sua filha achava que estava ficando louca).
No mesmo momento consigo escutar o som do ônibus escolar virando na esquina, nossa rua não era muito movimentada, por isso, conseguíamos perceber o movimento dos carros, das motocicletas e qualquer coisa á mais que pudesse chamar nossa atenção, ou que a merecesse.
- Até mais querida (minha mãe despedisse de mim com um abraço) no final de semana prometo estar com você o tempo inteiro e vamos nos divertir muito.
- Tchau mãe (meus olhos alinharam-se aos dela encontrando-se de forma penetrante).
O ônibus parou para que eu pudesse entrar. No mesmo instante um arrepio frio e doloroso percorre meu corpo, quase como um reflexo olho para o lado e vejo Sawl, sentado bem à frente.
Um suspiro profundo. Foi tudo ao qual fui capaz de fazer ao vê-lo.
Estava certa de que o veria aquele dia, não na aula de história, porque esta só havia uma vez por semana, mas talvez em outras aulas, isso era perfeitamente possível ou talvez simplesmente nos esbarrássemos pelos corredores da Great Falls High School.
Minha mente só não foi capaz de imaginar de que o encontraria tão sedo aquele dia. Por um segundo pareceu necessário fazer-se lembrar do sonho que tive, juntei força em mim mesma e tentei afastar a lembrança, mas na verdade, eu não queria afasta-la.
 Seus olhos acompanharam meu movimento por dentro do ônibus em direção ao fundo. Queria ficar o mais longe possível (se eu conseguisse ficar).

7
Duvidava muito que aquilo houvesse sido apenas uma coincidência. O que ele estava fazendo no mesmo ônibus que eu? Será que morávamos próximos? Ou... Ou...
Minha mente estava dando voltas e mais voltas entorno do questionário que se formava.
Quando descemos do ônibus uma súbita lembrança veio-me como flechas que cortam o vento, mais não atingem o alvo. Ontem eu havia pegado o mesmo ônibus, mas ele não estava lá, e mesmo assim veio para a escola, aquilo pós em dúvida a possibilidade de ele morar perto de mim.
Um joguinho. Era no que a situação estava se transformando, e o objetivo seria atormentar meus pensamentos. E o pior de tudo, era que ele estava conseguindo.
O celular vibrou em minha bolsa, procurei-o rapidamente entre os outros objetos. Na tela apareceu um nome curto e a foto de uma garota loira e pele um pouco bronzeada (era Vic), a foto havia sido tirada quando ainda morávamos na Flórida. 
- Alô (falei) Vic?
- Oi, tudo bem? (sua voz estava um pouco rouca).
- Sim, e com você? (eu havia tomado à decisão de que não contaria nada a Vic sobre a noite passada).
- Não exatamente, acho que peguei um resfriado (Vic fungou do outro lado da linha).
- Então você não vem hoje?
- Não. Algum problema?
- Não... Não (falei tentando transmitir um tom de despreocupada).
- Ligo para você no final da tarde.
- Certo (desliguei o celular logo em seguida).
Apresei os passos e logo alcancei os portões de entrada do colégio. A Great Falls High School era um gigantesco prédio. Suas paredes se erguiam altas e com imponência. Os tijolos avermelhados e de traços bem feitos davam ao colégio um ar rústico e de que deveria ser antigo.  
Logo que cruzei a porta de entrada, minhas pernas já começaram a ficar bambas, só em pensar na hipótese de talvez encontrar-me novamente com Sawl aquele dia.
Dirigi-me diretamente para os armários, precisava pegar os livros para a aula de Química, o sinal estava prestes a soar.

8

Estava fazendo muito frio aquela manhã. E as roupas curtas da aula de Educação Física não ajudavam nenhum pouco nessa questão, eu já havia cogitado que talvez uma partida de Voleibol ajudasse, mas eu não estava mesmo com vontade. 
Já havia passado a aula de química anterior inteira pensando nele.
Será que foi amor à primeira vista? Isso acontece?
Era amor alias? Ou só apenas uma súbita sensação de desejo que me assolava?
Sabia poucas coisas sobre Sawl, coisas do tipo, ele era muito bonito, atraente, sedutor. Era dono de uma voz extremamente conquistadora, tinha olhos negros aos quais eu poderia me perder dentro deles. E ele de uma forma inexplicável fora capaz de deixar-me completamente sem chão só em apenas falar comigo.
Sentada na bancada do ginásio, eu podia observar a movimentação de todo o ambiente, o instrutor estava a passar algumas instruções para uma turma de aproximadamente 20 meninos na lateral esquerda da quadra, um grupo de garotas jogava voleibol, e eu era a única a não fazer nada.
De repente o arrepio frio e doloroso repetisse, mas dessa vez, como na noite passada em meu sonho, o ambiente estava frio e isso só intensificava a dor provocada pelo arrepio.
Nas portas que davam acesso ao ginásio, apareceu a atraente figura de Sawlver Cristopen. Se antes eu possuía alguma dúvida a respeito de os arrepios estarem ligados a Sawl, agora eu poderia ter certeza absoluta.
Ele vinha diretamente em minha direção.
Gelei. Dos pés a cabeça.
Precisava sair daquele lugar. AGORA!
Levantei-me quando ele já estava bem próximo, seria algo como se eu levantasse e saísse e ele ficaria em meu lugar. Mas, não foi.
Quando levantei e dei os três primeiros passos, minhas pernas perderam o equilíbrio, minha mente rodopiou e minha visão desapareceu. Um desmaio. E Sawl havia me segurado.
Foi como estar no Jardim do Éden, provar do fruto do pecado e ser expulsa no mesmo instante do paraíso.
Calor. Oh meus Deus! Quanto calor!
Os braços de Sawl segurando-me pareciam duas flechas em chamas, elas atravessavam-me, cortando toda a dor do arrepio e arrancando de mim o frio perturbador.
Quase no mesmo instante em que desmaio, retorno.
Aquilo havia sido tão rápido, que ninguém no ambiente sequer percebera minha quase queda.
O mundo girava e Sawl parecia ser a única imagem que ficava imóvel em minha visão.
- Olhe para mim. Amy olhe para mim (ele me balançava em seus braços, tentando terminar de acordar-me da alucinação).
Tentei fixar a atenção no rosto de Sawl. As imagens ao arredor de sua face começaram a tornarem-se compreensivas.
- Esta tudo bem? (perguntou-me).
- Sim. Está tudo bem. Desculpa.
Desculpar-me de que? Questionei a mim mesma no exato instante em que essas palavras saíram da minha boca. Quis engolir elas de volta.
- Desculpar-se de que? Anda, volte para o banco, precisa sentar.
As imagens ainda pareciam dançar na minha frente.
O que houvera acontecido?
- O que aconteceu com você? (questionou-me quase com se tivesse lido meus pensamentos).
- Eu não sei. Acho que foi apenas um mal-estar, uma tontura... Não sei (e realmente não sabia).
- Deveria ir à enfermaria. (sugeriu-me).
- Não... Não. Estou bem, acho que foi só isso mesmo, nada com o que se deva preocupar (falei isso como se ele fosse se preocupar comigo).
- Preocupo-me sim. E se você tiver outro? Eu não vou estar sempre por perto para segurá-la, a não ser que você queira-me por perto. Sempre!
- Não... É... Não precisa. Definitivamente.
- Por quê? Não gosta da minha presença?
Na realidade não gostava era de sua ausência.
Eu já não sabia mais o que pensar. Certo momento eu desejava que Sawl estivesse longe de mim, em outros, não queria nem mesmo sequer pensar na hipótese de ele ir embora.
- Se é assim então vou deixar você aqui sozinha. Como queira.
- NÃO (berrei e assustei-me comigo mesma) Quer dizer... Nós nos conhecemos ontem e... E... Não me falou nada sobre você, só apenas me escutou, acho que gostaria de ouvir um pouco sobre você.
- É... Não sou muito bom em falar sobre mim mesmo. Talvez eu possa responder perguntas.
Bem, eu tinha muitas para fazer, mas precisava saber como me controlar naquele instante.
- Onde você mora?
- Próximo a Catedral de St. Ann. Há duas quadras da sua casa.
- Sabe onde é minha casa? (a pergunta veio a mim para que fosse pronunciada, exatamente quando ele falou a palavra “casa”).
- Sei. Você é novata por aqui. Informações sobre os novatos espalham-se como fogo pelo colégio quando eles aparecem. E... Nós usamos o mesmo ônibus.
- Percebi.
- Mas perguntas?
Lógico que havia mais. Eu tinha feito apenas uma até agora.
- Será que vamos estar em mais alguma aula juntos além de História e Educação Física?
- Deixe-me ver seu calendário.
Puxei a pequena folha do livro que trazia comigo, já sabia que faria nada naquela primeira aula de educação física, então pensei que um livro fosse uma boa companhia para o momento.
- O morro dos ventos uivantes? Excelente clássico. Gosta de clássicos?
- Romeu e Julieta? Dom Quixote? Drácula? Sim. Gosto sim (falei isso entregando-lhe a folha com a planilha das minhas aulas).
- Interessante. E... Sim. Vamos ter mais uma aula juntos.
- Qual?
- Biologia com a Srta. Carmen.
- Parece que nos veremos bastante durante a semana.
- Sim parece que sim.
Ele olhou-me como se tivesse gostado muito da situação.
Afinal, aquilo era bom ou ruim?
Estar com Sawl me deixava bem. Era como se eu não tivesse problemas pelos quais necessitasse cuidar, ele me fazia esquecer tudo o que nos rodeava, e apesar de nos conhecermos a pouco tempo o dialogo entre nós fluía naturalmente como se nos conhecêssemos há séculos.
Ele não me trazia paz, pelo contrario, sua presença me causava tormento. Sentia-me como se ele estivesse ali tirando toda a minha roupa na frente de todos, por um momento eu cheguei a pensar que se fosse verdade, eu o faria mesmo. Ele era tão atraente, seu perfume parecia ter sido retirado de um frasco que tinha escrito no rótulo “Sedução”. Ele afastava de mim o frio doloroso. Como ele era tão quente? Ele parecia afastar o mundo de mim, e dava-me de certa forma tudo o que eu desejava.
- Você ainda esta aqui?
- Como... (titubeie).
- Você ficou tão distante de repente, parecia ter se afundado em pensamentos.
- A... Foi... Quase isso (titubeie ainda mais).
- Muitas preocupações com a família?
- Sim. Um pouco. Mas, continuemos a falar sobre você.
- Claro. O que mais você quer saber?
Um sinal estridente toca. A aula havia acabado.
- Parece que meu tempo para questiona-lo acabou. Acho que terei que esperar até a próxima oportunidade.
- Isso não é bem uma verdade. O que você vai fazer hoje à noite?
Não acreditei. Era um encontro? Ele queria marcar um encontro?
- Ah... Nada.
- Ótimo. Te pego às 19h.
- E... Aonde vamos?
- Não se preocupe, vai gostar (ele já estava saindo do ginásio) Tchau.
- Ah... Tchau! (eu estava completamente perplexa, segundo dia com Sawl e não estava acreditando que já tínhamos marcado um encontro para aquela noite).
O toque soou novamente.
- Meu deus! (sussurrei para mim mesma).
A próxima aula já ia começar.

9

Olhei para a minha cama. Onde ela estava?
A cama de meu quarto estava completamente coberta por uma montanha de roupas gigantesca.
O celular toca. E questiono-me mais uma vez. Onde ele estava?
Comecei a derrubar a pilha de roupas da cama, ele devia estar ali em algum lugar. Encontrei.
- Alô.
- Oi Amy! E então? Como foi o dia no colégio?
Era Vic, ligou-me assim como disse que faria.
- Eu não sei qual a melhor definição, surpreendente ou alucinante?
- Como assim? O que aconteceu?
- Eu marquei um encontro com Sawlver Cristopen (despejei de uma vez só a informação).
Eu pude ouvir o suspiro de susto de Vic no telefone.
- Não brinca? Inacreditável!
- Pois trate de acreditar. Olha, não tem como você vir aqui? Estou sem saber o que vestir.
- E vai ser hoje? (eu conseguir imaginar perfeitamente a cara de espanto de Vic do outro lado da linha).
- Sim. A Noite.
- Mamãe... Quer dizer... E sua mãe?
- Bom, ela disse-me que iria retornar bem tarde hoje, então...
- Sorte a sua.
Eu olhei desesperada para a pilha de roupas.
- Enfim... Você vem ou não?
- Não posso. Fui com a minha tia ao médico, ele disse que tinha que ficar em casa até estar melhor, ou seja, sem saídas, nem mesmos as básicas, inclusive o colégio.
- Ai que droga!
- Ainda posso te ajudar, conheço cada peça de roupa desse seu armário. Como estava planejando se vestir?
- Bem... Eu...
Comecei a passar as informações para Vic pelo celular e até que deu certo. Só faltava começar a por tudo em pratica.

10

Nervosismo total. Eram 18h45min, Sawl havia falado que me apanharia às 19h.
Eu estava na sala quando ouvi o som de uma buzina. Era ele.
Quando saí deparei-me com um belíssimo Nissan GT-R preto, estacionado bem na frente de minha casa, e de dentro dele saiu algo ainda mais interessante e elegante. Sawl usava calça jeans escura, uma camiseta branca que estava envolta por um casaco azul-escuro, seus cabelos curtos brilhavam mesmo no mais fino fio de luz do luar, e seus olhos cravados em mim pareciam devorar-me.
Vic havia me ajudado a escolher o que usar, eu ficava assim, cabelos soltos e um pouco ondulados nas pontas, maquiagem simples, calça jeans assim como ele, mas a minha era de um tom cinza, blusa rosa com um casaco escuro.
- Boa noite (disse-me ele).
Eram exatamente 19h.
- Quanta pontualidade.
- Isso é algum problema?
- Não. Claro que não.
- Você está muito bonita (seus olhos percorreram meu corpo analisando-me, em seguida eles pararam olhando para a casa atrás de mim) Onde está sua mãe?
- Ela não está em casa. Vai trabalhar até tarde hoje.
- Você avisou para ela que sairia comigo?
- Sim (menti).
- Então vamos?
- Você ainda não me disse para onde vai me levar (questionei-o).
- Você vai gostar. Não se preocupe.
Ah! Eu me preocupava sim.
Entrei no Nissan. O ambiente ali estava perfeitamente quente e aconchegante.
Foram apenas 30 min. de viagem.
A placa enorme de boas vindas dizia “DeulpikFillds – O seu parque de diversão”.
- Um parque? (perguntei atônita).
- Como você esta chegando agora a Great Falls, pensei que conhecer o novo parque que instalou-se aqui seria um bom lugar para trazê-la. Muita diversão, comidas, bebidas, boa companhia...
Neste ponto apesar de tudo eu ainda possuía as minhas dúvidas, e de forma alguma poderia esquecer que o principal objetivo era continuar a questionar Sawl.

11

Nunca havia entrado em um parque que possuísse uma “casa dos espelhos”, e mesmo assim sabia que aquela era bem maior que a comum. Tudo ali era maior que o comum.
Os espelhos tortos, convexos e côncavos, de todas as formas e tamanhos espalhavam-se do chão ao telhado. Pude ver as mais diferentes versões que meu rosto podia ganhar, mais largo, mais fino, comprido, quase inexistente, e todas as outras que se fossem capazes de imaginar.
Já havíamos percorrido quase todo o parque e nos divertido muito, tínhamos comido um milhão de “besteiras” como a minha mãe gostava de dizer, eu havia provado vários jogos, e até mesmo ganhei um ursinho de pelúcia em um deles. A casa dos espelhos era a última parada antes da Montanha Russa.
- Está gostando do passeio? (Sawl gostava de estar me avaliando a cada momento, parecia que ele estava interessando em saber o que eu pensava ou sentia a cada novo acontecimento).
- Sim está ótimo. Acho que acertou em trazer-me ao parque, há um bom tempo não me divirto assim.
- Isso é bom.
- Sim (uma pausa) Seus pais? Você mora com eles?
- Não (a resposta veio rápida e afiada como uma lâmina). Eu moro sozinho. Meus pais moram em Nova York, eu vim para cá logo que completei 18 anos, fazem-se 7 meses.
- Interessante.
- Por quê? Isso é estranho para a nossa garota de terras tropicais?
- Não. (um sorriso abriu-se em meu rosto, e o dele fez o mesmo) E o Nissan é seu? Ou?...
- Sim ele é meu (o sorriso aumentou em seu rosto).
Sawl começou a aproximar-se de mim, eu podia sentir com a aproximação dele o calor que libertava-me do frio.
A sala de espelhos em que permanecíamos, estava vazia. Ali a luminosidade era baixa o suficiente apenas para que os espelhos continuassem a refletir imagens. Nas figuras disformes formadas pelos mesmos, ainda assim era possível ver dois corpos que se aproximavam, o meu e o de Sawl.
O cheiro de seu perfume embalava minha mente, meu coração acelerou, o sangue estava correndo tão rápido em minhas veias que podia sentir o corar de minha pele e o aquecer do meu corpo.
Aquilo estava sendo como em meu sonho, primeiro o toque, e era como se tudo se repetisse, mas daquela vez, era verdade.
Suas mãos começaram a subir do meu ombro para o meu rosto, no mesmo instante seus dedos deslizavam abaixo de meu queixo e erguiam minha cabeça para que nos olhássemos. Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Sua outra mão deslizou sobre as minhas costas e junto com ela um misto de frio e calor, seu rosto aproximou-se do meu, e nossos lábios encontraram-se em um beijo ardente.


12

- Vamos Amy! (Sawl estava me chamando) Vamos ainda temos que ir à montanha russa.
O toque, o calor, o beijo. Sawl continuava no mesmo lugar que estava antes de tudo começar, na verdade, nunca tinha começado, ele nunca saíra dali, tudo havia acontecido em minha mente. Será?
Aquilo pareceu tão real, tão nítido. Jurei que podia senti-lo, tocá-lo, beijá-lo...
- Vamos? (perguntou-me mais uma vez).
- Não (neguei) Quer dizer... Acho melhor ir para casa, não... Não estou sentindo-me muito bem. Você pode me levar de volta? Por favor!
Meus olhos reviravam, eu realmente não estava bem, será que tudo aquilo havia sido um delírio?
- Está bem, mas não pense que escapará da montanha russa, outro dia terminaremos com isso. Vamos (ele pegou meu braço e ajudou-me a seguir em frente).
Só podia estar louco, só de pensar naquela coisa enorme eu ficava ainda mais enjoada.
- Eu deveria levá-la em um hospital. Esse enjôo de repente, o desmaio pela manhã, isso não deve estar na lista de fenômenos naturais femininos. Ou está?
- É complicado. Só apenas leve-me para casa (o mundo dava voltas em minha cabeça, e eu já não sabia o que era céu ou terra).  
- Certo.
O Nissan escorregava pelas pistas de Great Falls. Algo estava muito errado comigo, meu corpo tremia, eu estava suando. Febre? Acho que sim.
Logo estávamos de volta.
- Não quer que eu entre com você? Não vai precisar de ajuda?
- Não, eu ficarei bem. Vejo-te amanhã?
- Sim. Claro que sim (seus olhos mais uma vez percorreram meu corpo analisando-me).
- Obrigada. A noite foi maravilhosa. Desculpa ter que te pedir para sair assim (permiti-me um leve sorriso em meu rosto).
- Só por ganhar esse sorriso eu já te desculpo de quantas coisas você quiser, até as desculpas que não seriam para mim.
Eu estava sem palavras, e a dor em mim também não ajudava, não tinha nem mesmo ao menos como elaborar boas respostas.
Na verdade, entre as questões em minha mente naquele instante, uma das quais mais me rondava era justamente a do súbito adoecimento, apesar de não saber de onde vinha, tinha quase certeza de como poderia fazer pará-lo.
No mesmo momento em que a ideia me ocorreu, não suportei em mantê-la somente em meus pensamentos, desiste de agir com teorias e fui para a prática, ainda próximo ao Nissan de Sawlver eu decai sobre ele, que me segurou firmemente.
Nossos olhares cruzaram-se, dessa vez eu poderia garantir que tudo seria real, eu tomara a atitude, e não ele. Meus braços percorreram os dele, braços firmes e fortes, minhas mãos tocaram seu peito e abdômen, descendo, como uma gota de suor. Seus braços envolveram-me atendendo meu pedido de união, uma jorrada de calor percorreu a minha pele como se estivesse em chamas, e no beijo, mais que real, foi como se o universo se formasse novamente, a explosão de sensações em mim deixou-me completamente entregue aos meus receios e aos meus desejos.
Ele me pós em seus braços e levou-me para dentro de casa, subimos as escadas até meu quarto.
A porta fechou. A inocência acabou.
Sawl pressionou-me contra a porta de meu quarto. O arrepio subia e descia em minhas costas conforme a mão de Sawl fazia o mesmo movimento levando o calor. Seus beijos me traziam a mais completa sensação de prazer, o abraço ficava a cada minuto mais forte, o desejo... Eu não tinha mais o controle de mim mesma.
Suas mãos percorriam meu corpo e as minha pousavam tranquilas em seu peito e ao redor de seu pescoço. Elas descem e procuram a camisa... Tirar a camisa... E eu retiro o casaco e a camisa dele, por traz, um corpo moreno e sedutor, ver a musculatura definida de Sawl me proporcionou o maior e mais doloroso de todos os arrepios que já tinha sentido.
É proibido. O desejo era proibido. O calor era proibido. E daí? Isso só tornava as coisas ainda mais interessantes.
Ele fez o mesmo comigo, seus lábios já percorriam entorno de meus seios, um vulcão em erupção seria menos quente que aquele toque. Sua mão desceu, e abaixo, bem abaixo encontrou meu sexo, que acariciou.
Eu estava tendo a noite mais incrível de toda a minha vida. 
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