CAP. 10


No dia seguinte, fui com a Isa até onde os outros estavam treinando. Local onde apesar de ter sido descoberto pelo Mascarado, ainda é o nosso esconderijo. Ao chegar ao local, vejo que o mato não esta mais tão alto do jeito que estava. Agora, o mato alto ficava até a pista de corrida, depois dela, onde havia mais mato alto, não há mais, agora são apenas obstáculos, buracos, paredes de terra e enfim, aquilo era o local onde os heróis estavam aperfeiçoando seus poderes e parecia bem legal.
- Olá pessoal! – Falei enquanto caminhava até eles.
Todos me olharam de um jeito que não me deixou surpreso. Pareciam estarem se perguntando o que estou fazendo ali, já que os abandonei, já que não acreditei neles, mas eu devia me desculpar e mostrar que eu estava errado.
- Na cidade não tem academia para pessoas especiais, - Falei sorrindo. – então gostaria de treinar com vocês, posso?
- Haha! Ta de brincadeira com agente não é? – Diz Charles rindo e vindo em minha direção com os braços abertos.
Recebo um abraço suado e fedorento do Charles, mas sua felicidade em me receber ali, faz com que eu não ligue para isso, até acho engraçado. Lorena sorrir e vem também me abraçar, mas ela foi diferente, foi algo que me deixou um pouco surpreso, ela sussurrou em meu ouvido, “obrigada por isso”. O professor Marcelo deu um sinal de o.k. Para mim há distancia. Carlos me olhou nos olhos, sorriu e fez que sim com a cabeça, e já era mais que o suficiente para ele, já que um sorriso dele é muito difícil de ser mostrado.
- Eu sabia que você voltaria, eu sabia! – Diz Luca, outro que me surpreendeu com o modo que me tratou.
- É garotão, sabia que não ia se livrar de mim tão fácil não é? – Falei enquanto fazia umas cócegas nele.
A Isa alisou minhas costas, e logo olhei para ela. Foi como se ela tivesse me agradecido por estar ali também, e isso foi incrível, tudo isso estava sendo incrível. Já estou começando a imaginar que fiz a escolha certa, com certeza!
- Tonny, obrigado por nos dar essa chance. – Diz o professor Marcelo caminhando até mim. – Luca nunca perdeu a fé de que você voltaria, mas nós não podíamos contar com isso para sempre, então começamos a treinar o mais rápido possível, e todos estão em um nível mais avançado que antes, afinal, já se passou alguns meses. Mas quero que saiba que você, é a nossa peça chave, e se resolveu voltar, é porque pode e quer dar o máximo de si nos treinamentos, quer aprender a se controlar mais e mais.
Todos pararam para ouvi-lo falar. O professor Marcelo estava com um sorriso no rosto, mas sua fala parecia muito séria.
- Não estamos treinando para atacar os vilões, - Começa o professor Marcelo. – até porque, não temos pessoas o suficiente para derrotá-los, já que sabemos que eles têm uma máquina de fazer exércitos. Estamos treinando, para nos defender! Pois eles estão atrás de nós, e a qualquer momento poderá acontecer outra batalha qualquer e para isso, temos de estar preparados. É ótimo termos o Tonny aqui, afinal, ele é a nossa peça chave no grupo e todos sabem o porquê, mas não quero que só porque ele chegou que vocês amoleçam! Ele não vai resolver nada sozinho, - Berra o Marcelo. – nada!
Depois de todas essas palavras, eu percebi que o negócio estava realmente sério, e que o treinamento era fundamental, não só para mim, mas para todos, pois algo grande está para acontecer e para isso, temos de estar preparados para os próximos confrontos.
Inicio meu treinamento em pouco mais de uma hora. Visto uma roupa especial, feita de borracha e toda preta. Era esquisita, não era camisa e calça, era uma roupa pro corpo inteiro, vinha do calcanhar até o pescoço, e de mangas compridas.
- Interessante. – Falo.
Treinamento básico. Exercício de força e velocidade. Creio que isso não seja problema para mim e não foi! Afinal, força parecia que tinha sido integrada ao meu DNA e na velocidade, apesar da minha mudança, de eu ter ficado mais forte, e meu corpo modificado, aumentado minha massa muscular, eu ainda continuava magro, só que não tanto quanto antes e isso fazia com que eu continuasse veloz como sempre fui.
Quando o treinamento terminou, eu me encontrei com a Isa na sala de jantar do esconderijo, onde eram as nossas reuniões.
- Linda! – Falo sorrindo, segurando a mão dela e ai, já começo a sentir saudades de casa, da escola, dos meus pouquíssimos amigos, do meu pai e da minha mãe. Quando fico com a Isa, me sinto mais ligado aos outros, meu sentimento parece se expandir... Realmente, não sei explicar esse sentimento, mas isso só me trás o pensamento de... “E se eu fosse normal?” não posso dormir sem pensar que ela pode esta correndo perigo, e isso parece ser de mim, Tonny Martin sem a mutação, parece ser tão meu esse instinto, esse desejo ou apenas um querer. Só que é impossível, porque os heróis também precisam dela, e não tenho a parte egoísta dentro de mim, então simplesmente, aceito isso como uma pessoa normal.
Minutos depois o professor Marcelo chama os outros para se juntar a nós, na sala de jantar, para uma reunião muito importante. Eu e a Isa ficamos de mãos dadas, e isso não passa por despercebido pelos outros. Até aplausos recebem, e pedidos de “Beija! Beija! Beija!” também rolou. Era bom estar com eles.
- Brincadeiras a parte heróis, temos um assunto sério a tratar. – Diz Marcelo.
Todos sentados e prestando atenção no Marcelo, que estava em pé, na ponta da mesa. Olhei para o Luca, e vi o quanto maduro aquele garoto estava ficando, pena que não vai ter uma vida de criança, porque vai ser obrigado a agir como adulto o quanto antes ele imagina.
- Talvez vocês fiquem surpresos com o que vou dizer, e na verdade, vai ser uma opção. Espero que escolham continuar aqui e fazer com que meu plano se torne real. – Todos se entreolharam talvez se perguntando o porquê tivesse de escolher ficar aqui, se esse era o objetivo desde o inicio. – Precisamos forjar nossas mortes.
Pronto, o silêncio não foi o problema, eu acho, mas a expressão de susto e surpresa na face dos outros, eram enormes, davam praticamente para ler suas mentes e ver o quão estavam achando o Marcelo louco, mas tinha um que não estava assim. Carlos era o único sério que continuava atento e esperava por mais coisas, e isso me deixou intrigado.
- Porque temos que forjar nossa própria morte? – Perguntei.
- Porque temos família e o Mascarado já nos viu? – Pergunta Carlos, olhando para a mesa e alisando ela.
- Isto mesmo, temos famílias e amigos, e nosso pior inimigo já viu nossos rostos, não podemos arriscar a vida deles.
- E fazendo isso, como lutaríamos contra o crime? – Pergunta Charles.
- Hoje vocês usaram um uniforme para treinamento, certo? – Pergunta Marcelo. Todos assentiram e ele continuou. – Então, estou montando uniformes para a equipe, e todos usaremos mascaras.
- E como vamos mostrar para eles nossa suposta morte? – Pergunta Isabela.
- Eu tenho um amigo infiltrado na gangue dos vilões, e vocês o conhecem, - Marcelo para e me olha, e depois continua. – menos o Tonny, mas ele o conhece, já ouviu falar sobre você.
- E quem é este? – Pergunto.
- Um herói assim como nós, esta infiltrado lá, arrumando um vilão para nos atacar e nos matar, só que tomaremos uma pílula que nos faz cair em um sono tão profundo, que parece até que estamos mortos. Mas isso quem pode explicar melhor é o gênio. – Termina olhando para o Carlos.
Carlos olha para o Marcelo, assente e levanta, se apóia a mesa e começa a falar.
- Bom, - Começa a falar olhando para cada um naquela sala. – eu descobri algo fascinante, e ao mesmo tempo, diabólico. Todos nós sofremos um tipo de mutação forçada. Bem, me deixem explicar melhor. Fomos pegos pelas ruas, postos em um laboratório, e modificaram nosso DNA, e ai foi quando começamos a ter habilidades especiais e o resto vocês já sabem. A única duvida que eu tenha no momento, é a resposta da pergunta “Qual era o plano de quem fez isso?”
Todos ficaram calados por um tempo, até que o Marcelo se voltou para nós, e começou a falar novamente. Acho que não só eu, como os outros, não demos muita atenção pra ele, porém, entendemos que era hora de por o plano em prática.
Descansamos o resto do dia, conversamos bastante, eu e a Isa saímos um pouco do esconderijo, ficamos a sós por um tempo, até que o Carlos chegou.
- O que acharam do plano? – Perguntou.
- Sinceramente? – Perguntei. Ele assentiu com a cabeça. Pensei um pouco sobre o plano, e em se eu poderia confiar no Carlos a minha opinião.
- Eu achei complicada. – Diz Isa.
- Eu achei idiota! – Falo. – Tudo bem, estamos fazendo isso pela nossa família, mas se fossemos fazer algo do tipo, era mais fácil matar o Mascarado, porque sinceramente, não creio que ele vá cair nessa de que morremos e ai surgiu novos heróis em seguida.
- Bem... – Diz Carlos. – Eu não concordo muito com o Marcelo também, acho que ele esta entrando em desespero e esta fazendo besteira, mas já que ele é o líder, o que podemos fazer não é? Sem contar que não gosto de mascaras. – Diz sorrindo.
- Nem eu, afinal, meu primeiro e pior inimigo usa mascara. – Falo em tom de brincadeira.
- Mas Tonny, eu tenho outra ideia  – Diz Carlos. – Lembra quando eu disse que tinha um plano? Então, eu tenho um plano e você esta dentro dele, porque você é a força que eu preciso pra conseguir realizar esse plano e salvar milhões de vidas.
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