Olá galera :) Como vão? Estou passando para avisar que, por conta das festas de Natal e Ano Novo, o capítulo 12, que será postado no dia 14/12/2012, será o último do ano. Depois disso, "Titãs" volta no dia  11/01/2013, com o capítulo 13. Enquanto isso, curtam o capítulo 10  :)


1x10

Contra o mundo (parte 1)

ANTERIORMENTE
               
                Em 2016 d.C. (depois de Cristo), uma Terceira Guerra Mundial arruinou o mundo; a energia nuclear dizimou quase toda a população. Os séculos seguintes foram passados tentando reconstruir o mundo. Milênios depois, em 2036 d.N. (depois de Noble), as repúblicas deixaram de existir: o mundo agora é governado por Impérios. O agente da Guarda Nacional Leon Carter é transferido para a divisão Titãs, uma divisão marginalizada, porém extremamente importante para a segurança nacional. Junto de Mila Cruzi, Tuomas Lane e Allen Foster, o agente investigou o caso da cidade de Chagas, em que uma onda de radiação afetou todos os habitantes, transformando-os em sanguinolentas criaturas. Pouco depois, a Rainha quase foi vítima de um ataque terrorista, que mais tarde se provou uma falsa: seja quem for o terrorista, ele se fingiu alemão para tentar começar uma guerra entre o Império do Brasil e da Alemanha. E agora, descobre-se que existem crianças que se dizem ser Cruzi, Carter, Lane e Foster, lançando os agentes numa gigantesca conspiração...

1

Escritório da Guarda Nacional, 3 de dezembro, 8h02

                Cruzi se dirigiu ao escritório do diretor Noah. Ela havia sido convocada, por alguma razão a qual não haviam lhe dito. Chegando lá, abriu a porta, e o que encontrou foi a cena mais estranha: Noah não estava sentado em sua cadeira, e sim em pé, num canto da sala, pensativo e calado. Na sua cadeira, um outro homem estava sentado...
                Cruzi não era boba. Sabia o que era ter uma pessoa sentando na cadeira de outra dentro da hierarquia da Guarda Nacional. Era um tapa na cara. Alguma coisa estava errada.
                - A representante da divisão Titãs? – perguntou o homem para Noah, que assentiu. O homem então voltou-se para Cruzi, e disse: - Sente-se, por favor.
                Cruzi obedeceu, desconfiada.
                - Sou o diretor Felipe Gouveia – disse o homem, que logo em seguida ficou em silêncio. Cruzi entendeu que era sua vez de se apresentar.
                - Mila Cruzi – disse ela, estendendo a mão para que Gouveia pudesse apertá-la.
                - Prazer em conhece-la. – disse Gouveia. – Agora, tenho certeza de que você deve estar se perguntando, quem eu sou e o que estou fazendo aqui? Afinal, sou sim um diretor, mas não o diretor da divisão Titãs.
                Gouveia se aproximou, como que para contar um segredo.
                - Sou um diretor da corregedoria – disse ele. – E sua divisão está sendo investigada.

                Do lado de fora do prédio, as pessoas corriam para seus trabalhos. Aquela era, sem dúvida, uma das avenidas mais movimentadas de todo o Distrito Imperial. Aproximadamente duzentas pessoas estavam ali na frente naquele momento.
                Nisto, um homem de terno surgiu de uma esquina. Aparentava ser somente mais um trabalhador. Porém, ele carregava uma maleta estranha, de cores amarela, vermelha e preta. Ele deixou a maleta em um canto, em frente ao prédio da Guarda Nacional, do outro lado da rua. Quem passava, estranhou. Um homem que trabalhava na lojinha ao lado se aproximou, olhou a maleta. Chamou pelo homem de terno, que já havia ido embora.
                Muita gente parou para olhar aquela maleta. E não precisou de muito mais que dois minutos para que enfim acontecesse.

                - Investigada? – Cruzi se surpreendeu, deixando transparecer em sua expressão um pequeno momento de surpresa antes de recobrar a calma. – Pelo que?
                Mas ela sabia do que se tratava. Fora daquilo que a Rainha havia lhe avisado, quando se encontraram no meio da floresta onde as Criança-Cruzi e Carter haviam fugido. Era o que ela temia que acontecesse desde daquele dia. A divisão Titãs havia quebrado as regras, e era claro que a corregedoria não deixaria barato.
                - A divisão Titãs está sendo investigada por conta de certas atividades... suspeitas.
                - Eu não sei do que está falando, senhor – Cruzi tentou se fazer de desentendida.
                - Apesar de sua inocência ser encantadora – Gouveia respondeu -, temo que saiba do que se trata. Como, por exemplo, a maneira com a que a divisão investiga seus próprios casos, mesmo os que não estão sob sua jurisdição ou os que não lhes interessam, sem jamais dar satisfação do por quê ou como.
                - Perdoe-me, senhor – disse-lhe Cruzi. – Mas sinceramente não vejo por que a ignorância usual que vocês adotam quanto a nossa divisão não se aplicaria aqui. Afinal, tenho certeza que vocês têm coisa mais importante para fazer... ou, se não tiverem, têm realmente muito tempo livre.
                Noah arregalou os olhos, mas tanto Gouveia quanto Cruzi ignoraram. O diretor Gouveia esboçou um leve sorriso.
                - Inteligente e ousada. Gosto disso. – disse ele. – É uma pena que essas qualidades lhe rendam muito problemas, não é?
                - Não mais do que sua arrogância deve lhe render.
                - Digo-lhe o mesmo – Gouveia respondeu. – Mas, se me permite continuar a responder sua primeira pergunta... outra coisa que nos tem intrigado muito é o modo como a verba da divisão veio crescendo exponencialmente nos últimos anos...
                - Para proteger e servir – Cruzi citou. – Tenho certeza que o senhor entende o quão importante é combater o terrorismo paranormal, ainda mais da maneira como este vem crescendo...
                - Terrorismo paranormal? – Gouveia soltou uma risadinha. – É assim que o chamam?
                - Gostaria de sugerir outro nome – Cruzi alfinetou friamente -, senhor?
                - Eu gosto particularmente da palavra “farsa”. – Gouveia encheu o peito para dizer.
                - Oras – Noah falou pela primeira vez, saindo de seu canto – Mas isto é um absurdo...
                - Devo lhe lembrar, Marco Noah – Gouveia levantou a voz. – Que você está no mesmo barco que seus queridos agentes?
                - Um barco que teremos o prazer de comprovar a legitimidade, muito obrigado. – Cruzi falou.
                - Escute aqui, mocinha – Gouveia se levantou, apontando seu dedo gordo para a cara de Cruzi. – Não me importa os argumentos que a Rainha tenham para proteger você e sua divisão de palhaços; no momento em que eu encontrar provas da farsa, farsa!, que isto tudo é, e acredite, eu vou encontrar...
                Ele jamais pôde completar aquela frase.
                Um tremor sacudiu o prédio inteiro. Eles ouviram claramente a sonoridade de uma explosão. Rapidamente, esqueceram da discussão, e correram para a janela, olhando para baixo.
                Uma nuvem de poeira se levantava. Era impossível ver qualquer coisa, senão pedregulhos gigantescos e um rastro de destruição que envolvia mais de dez metros quadrados da rua.
                - Explodiram uma bomba! – disse Gouveia.
                Mas Cruzi viu além. Ela observava a poeira que baixava, procurando vestígios do que estava escondido debaixo... então ela viu, e sua expressão se transformou. Noah e Gouveia perceberam também, e empalideceram.
                Todas as pessoas que haviam sido atingidas pelas bombas agora estavam caídas no chão, mortas... com grandes espinhos de ferro atravessando elas, como se tivessem brotado de dentro de seus corpos para fora.
                - Ah, meu Deus...
                Eles estavam presenciando um caso da divisão Titãs.

2

                Rapidamente, todos desceram. Não demorou mais de dez minutos até que a área fosse isolada, e só um pouco mais até que fosse determinado que não havia risco dos agentes se aproximarem. Lane foi na frente, e não demorou para ele voltar, averiguando:
                - São mais de trinta mortos, todos do mesmo jeito. – ele suspirou. – Nós já vimos isto antes. Já investigamos este caso...
                - O caso do atentado contra a Rainha – Carter chegou à conclusão. – O caso dos espinhos, que brotavam de dentro para fora do corpo...
                - Só que, naquele caso, eram espinhos de verdade – disse Foster. – Isso... isso são espinhos de ferro!
                - Eles devem ter mudado a composição química do composto que faz isso acontecer. – Lane concluiu rapidamente. – Não nos interessa saber como eles fizeram isso. Nós interessa saber como iremos parar.
                - Da última vez, eles estavam tentando chegar à Rainha – Carter disse. – Era uma farsa, claro, eles não queriam matar a Rainha: queriam apenas nos enganar, para que assim começássemos uma guerra com a Alemanha.
                - Isto não é bom – disse Lane. – Apesar de termos provado a farsa, a diplomacia com a Alemanha desde então não é a mesma. Basta apenas uma fagulha para um conflito começar... talvez uma guerra. E a última guerra em que o Brasil esteve envolvido devastou o mundo...
                - Antes de Noble, sim.
                Enquanto isso, Cruzi avançava diretamente para acompanhar a observação aos corpos. Ela mostrou sua identidade a um dos guardas, mas Gouveia logo apareceu gritando:
                - Não! Pare ela!
                Cruzi se virou, olhando enquanto Gouveia caminhava até ela.
                - Este caso está sob a jurisdição da divisão de assassinatos a partir de agora. – Gouveia anunciou.
                - Quem disse?
                - EU disse!
                - Que eu saiba, este é um caso claramente paranormal, e me parece terrorismo. Isto se enquadra nos pré-requisitos da divisão Titãs.
                - Não é mais. Sua divisão está sob investigação da corregedoria, então acho melhor você fazer o que eu mando.
                - É mesmo? Que pena – Cruzi se aproximou, com um olhar hostil. – Por que eu adoraria ver você e sua corregedoria entrando num processo para transferir a jurisdição de um caso claro da divisão Titãs para a divisão de assassinatos, que não tem a mínima ideia de como lidar com isso. Isso sem contar toda a burocracia, que pode levar alguns dias. Tudo isso num caso claramente urgente, de um criminoso que já enfrentamos antes, e, pelo que sabemos, pode atacar novamente daqui a poucas horas. Então, eu não acho que você e sua corregedoria gostariam de levar a culpa por algo que poderia ser facilmente resolvido, se você e sua corregedoria não metessem o nariz onde não foram chamados.
                Dizendo isso, ela lhe deu as costas, e foi em direção aos corpos, analisar o crime.

11h30

                - Ele está no nosso pé – disse Cruzi.
                Ela havia reunido todos num corredor, num andar bem longe de onde a investigação geral estava ocorrendo, e contou-lhes tudo sobre a chegada de Gouveia e da corregedoria.
                - Eles vão nos investigar por sabe-se lá quanto tempo – continuou ela. – Temos que tomar cuidado. Com tudo. Eles não podem saber sobre as Crianças.
                - Eles não podem saber de nada – Carter disse, cruzando os braços. – Nós nos envolvemos em coisa o suficiente para derrubar mais de cinco divisões da Guarda Nacional, sem contar derrubar a própria Rainha.
                - Isso não é nada – Cruzi respondeu. – Pode prejudicar a investigação geral. Não temos a mínima pista de onde essas Crianças foram parar, e qualquer coisa que nos atrapalhe pode pôr em risco o Império do Brasil inteiro.
                - Nós temos coisa mais importante para tratar por agora – disse Lane, interrompendo-os e chamando a atenção dos três para si. – O criminoso ainda está a solta. Ele está usando bombas desta vez, gigantescas e ainda mais mortais. Num único ataque, ele matou quatro vezes mais do que da última vez. Sabe-se lá o que ele tem em mente...
                - Talvez chegar à Rainha novamente. A tensão com a Alemanha já está grande demais...
                - Testemunhas disseram que a maleta que carregava a bomba era pintada de cores amarela, preta e vermelha. – Foster falou. – Ou seja, a bandeira alemã.
                - Estão forjando tudo novamente! – Cruzi exclamou. – Eu lembro bem. Da última vez, alguns membros da Guarda da Rainha estavam se rebelando, preparando-se para atacar de volta. É isso! Quem está por trás desses ataques está nos provocando para começar essa guerra!
                - Espere – Lane disse, e saiu da sala.
                Os outros três o seguiram, e os quatro pararam em frente ao grande computador da Guarda Nacional.
                - Isso não faz sentido – disse Lane. – A bomba tinha uma impressão eletromagnética. É difícil de explicar, mas essa impressão vai nos permitir rastrear o criminoso.
                - É quase como se eles quisessem que nós pegássemos eles... – Cruzi disse.
                - Não temos tempo para pensar sobre isso – Foster apontou para o computador. – A próxima bomba já está a caminho. Temos que pará-los, agora.

A caminho, 12h12

                Todas as divisões do prédio da Guarda Nacional estavam mobilizadas com este caso. Tudo foi arrumado muito rápido: havia uma força tarefa de mais de cinquenta homens pronta, dentro de um camburão, seguindo o carro da divisão Titãs. Eles acompanhavam em tempo real enquanto a bomba se movia, e descobriram que o criminoso pararia num grande bairro residencial.
                Assim que a divisão chegou lá, deu ordens para a força tarefa se dispersar e evacuar os moradores.
                - Senhorita Cruzi! – Gouveia chamou. – Devo lhe lembrar que eu estou à frente desta operação...
                - Dane-se! – Ela respondeu prontamente. – Não temos tempo para sua pouca merda. Temos centenas de civis e vários de nossos homens em perigo aqui. Temos que agir logo!
                Dizendo isso, ela se virou, e passou a correr, à procura da bomba e do criminoso. Gouveia foi atrás.
                Os moradores gritavam, desesperados, correndo para fora de suas casas e fugindo. A bomba poderia estar em qualquer lugar, e qualquer um poderia ser a vítima. Cruzi desbravava o mar de pessoas. Ela levava em suas mãos um quadrado metálico que criava hologramas, para assim poder ver a transmissão do computador da Guarda Nacional, que mostrava para onde a bomba se movia. Descobriu que esta estava numa escola, no fim da rua.
                - Ei! – gritou ela, chamando a atenção de Foster, Lane e Carter. Os quatro correram para a escola, seguidos por Gouveia.
                Entrando lá, a primeira coisa que ouviram foi um estalar metálico, vindo dos corredores fechados dentro do prédio de salas. Ao entrarem, puderam ver um homem dobrando na esquina de um corredor, com um grande quadrado metálico nas mãos...
                - Ei! Parado aí! – Cruzi gritou, sacando sua arma e correndo atrás.
                Ela atirou diversas vezes, sem acertar nenhuma. Os outros agentes e Gouveia correram atrás dela, seguindo o criminoso pro diversos corredores, até que Cruzi atirou e atingiu-o de raspão. Ele então deixou cair a bomba.
                Todos prenderam a respiração por um momento. A queda poderia ter ativado a bomba, e significado a morte de todos eles... mas nada aconteceu. Cruzi então apertou os olhos: no escuro daquele corredor, era difícil de ver, mas ela logo percebeu: o quadrado metálico não era uma bomba. Era um rádio.
                - O que significa isso? – ela perguntou, apontando a arma para o homem, que sorria largamente.
                Ela então percebeu: aquilo era uma emboscada. Eles queriam encurralar os agentes da divisão Titãs ali.
                Não demorou muito até que ela ouvisse novos tiros, vindos detrás. Os capangas do criminoso estavam chegando. Cruzi não teve tempo de pensar: apenas atirou de volta e correu, com seus companheiros, para o corredor mais próximo.
                - FUJAM! – gritou ela.
                Os agentes atiravam de volta, mas eram muitos contra eles. Logo, a munição acabou, e não restou opção senão se esconder.
                - Fique aqui – disse Carter para Cruzi. – Eu vou distraí-los.
                - Não! Você vai acabar sendo morto!
                Carter ignorou-a, e saiu de seu esconderijo, correndo. Logo, os criminosos os encontraram... e atiraram.
                Carter estava prestes a ser morto...
                - NÃO! – Cruzi gritou, e então, as balas pararam no ar.
                Todos os presentes se calaram, e o silêncio reinou. Todos olharam para as balas, suspensas no ar, sem se moverem. As armas já não mais atiravam. Gouveia estava boquiaberto.
                - Mas o que é... – ele começou a dizer.
                Então, tudo que estava no lugar começou a flutuar. Mesas, cadeiras, canetas, papéis, as próprias armas. Era como se a gravidade tivesse sido cancelada. Os cabelos e as roupas de Cruzi se moviam, como se ela estivesse debaixo d’água...
                Ela então estendeu a mão para frente, como se fosse enforcar alguém... e, subitamente, todos os criminosos se sentiram enforcados. Todos eles levaram a mão ao pescoço.
                - O que vocês querem de nós?! – Cruzi exclamou.
                - Espere... – Gouveia disse. – É você quem está fazendo isso?!
                - DIGAM-ME! – Cruzi ignorou-o, gritando para os criminosos. – POR QUE VOCÊS NOS TROUXERAM ATÉ AQUI?!
                Os rostos dos homens estavam distorcidos em pura dor. Eles estavam sendo realmente enforcados, não conseguiam respirar.
                - DIGAM-ME!
                - Ele... está... aqui... – disse um dos homens.
                Cruzi então largou todos eles, que caíram no chão, desacordados. Se tivessem sido enforcados por mais algum tempo, estariam mortos.
                - Como você fez isso? – Gouveia exclamou, assustado demais para fazer qualquer ameaça sobre expulsá-la da Guarda Nacional.
                Cruzi olhou para ele. “Merda”, pensou. Ele agora sabia...
                - O que ele quis dizer com “Ele está aqui”? – Foster perguntou.
                Ninguém respondeu. Fez-se silêncio tão profundo que era possível ouvir: passos no andar de cima, passos lentos e pesados. Os cinco se entreolharam, sem reação. E então, o teto desmoronou.
                A poeira se espalhou pela sala, mas não foi havia tempo para se distrair: tão logo o teto desmoronou, tudo o que estava flutuando caiu junto. Os agentes não podiam ver nada, e o barulho dos destroços ainda dominava. Mas, assim que caiu o silêncio, eles puderam ouvir: uma respiração pesada, os passos pesados...
                Cruzi ainda estava atordoada. Ela tinha dificuldades de ver e respirar com tanto poeira. Porém, à medida que a nuvem abaixava, ela via uma forma... uma sombra... até que a figura estivesse completamente visível: um homem, mas não um homem qualquer. Era uma criatura, com uma língua de mais de um metro estendendo-se para fora da boca. Gouveia também viu... e gritou.
                Seu grito atraiu a atenção da criatura, que esticou sua língua até envolver o pescoço de Gouveia. Apertou tanto que foi possível ouvir seus ossos quebrando, até que, enfim, o pescoço fosse esmagado e Gouveia fosse decapitado, deixando sua cabeça rolar no chão.
                - Não! – Cruzi gritou, não por pena, mas por medo.
                Ela fez uma pedra se erguer no ar, e atirou-a contra o homem de língua gigante. Errou por pouco, e o homem atirou sua língua contra ela, que pegou-a nas mãos e puxou o homem, acertando-lhe um soco logo após. O homem, atordoado, enrolou sua língua para dentro da boca, e correu.
                - Ei! Espere!
                Cruzi pegou uma das armas dos criminosos – que agora estavam esmagados debaixo das pedras – e atirou, sem acertar o homem. Ele acabou por fugir.

3

                “Droga”, pensou ela. O que faria agora?
                - Cruzi! – gritou Carter.
                Ela se virou. Carter e Foster estavam agachados, tentando levantar uma pedra. Cruzi logo viu o por que: a pedra havia caído sobre a perna de Lane.
                - Droga! – disse ela, e fez a pedra levitar. Lane se levantou, mancando por um instante, antes de voltar a andar normalmente.
                - Vocês não podiam fazer isso? – perguntou Cruzi.
                - Não – Carter respondeu. – Aparentemente, só você ativou seus poderes.
                - Então é verdade... – Foster exclamou. – As Crianças... os poderes delas... nós temos esses poderes. Nós somos realmente as Crianças.
                - Gouveia está morto – Cruzi anunciou.
                - Nós sabemos.
                - E provavelmente vão achar que fomos nós que o matamos... – Lane disse. – Já que ele estava investigando nossa divisão. A corregedoria inteira vai cair sobre nós. Nem a Rainha vai poder nos defender.
                - Isso significa que estamos sozinhos, novamente.
                - Não somente isso... – Cruzi disse. – Nós não temos nenhuma pista do que esses criminosos querem, ou quem eles são. Eu não sei que poderes são estes. Nós não temos para onde ir, ou o que fazer. Só sabemos de uma coisa, uma única coisa que pode nos ajudar...
                Ela olhou para os três amigos. Olhou seus rostos sujos, os cortes que haviam sido abertos em seus rostos. Olhou para o suor e o cansaço deles. Era isso. Eles estavam sozinho. E só havia uma coisa a fazer. Ela sobriamente anunciou:
                - Temos que encontrar as Crianças.

CONTINUA NA PARTE 2
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