Dezembro

E assim mais um ano termina... Certo?



Numa grande cidade, bela e cheia de luzes. Todos andavam pelas ruas e calçadas com seus guarda-chuvas abertos. Estava caindo uma garoa forte e insistente.

No alto de um grande edifício, no centro econômico e iluminado, eu, um lobo preto coberto com o sobretudo preto, estava a observar tudo com atenção.

 Na rua era possível ver todo tipo de casal, e todo tipo de pessoa, família e amigos, todos correndo ou andando na garoa.

- Mamãe, mamãe! – chama uma garotinha enquanto segura a mão de sua mãe na rua. – O vovô e a vovó vão à festa este ano também? Junto com a tia e o tio? – pergunta ela toda contente e saltitante na rua.

A mãe com algumas compras na outra mão se vira para a sua filha saltitante e responde alegre.

- Sim, sim! Todos iram novamente este ano lá pra nossa casa! – e com um sorriso completa – vamos correr para preparar tudo?! – pergunta para a sua filha já se preparando para correr.

Sua filha já solta da mão da mãe e corre para a entrada do apartamento na rua.

- Ganhei! – fala bem alto ela com um belo sorriso.

Sua mãe chega logo atrás sorrindo vendo a disposição de sua filha. Enquanto do outro lado, no alto do prédio o lobo continua a olhar sem reação.

Coberto com a toca preta, apenas o meu focinho preto estava molhado com a garoa.

Eu me virava lentamente olhando o grande relógio no final da rua. Já marcava quase onze da noite. Logo seria o primeiro dia de um novo ano.

- E nada vai mudar... Certo? – penso alto. Enquanto olhava o céu negro, e sentia o vento forte e frio.

Olhava atentamente um ponto fixo no céu. Como se toda a garoa viesse de lá.

Lentamente meus olhos castanhos escuros clareavam e o meu pelo, que antes era inteiramente preto, agora era manchado com mechas douradas.

Eu me levantava e ficava de pé em cima de muro de proteção enquanto a toca caia de minha cabeça mostrando o rosto triste, porém sério.

No céu, rachaduras começavam a aparecer.

Rapidamente olhou para o relógio novamente e percebia o de sempre.

 - O tempo corre sem se preocupar ou esperar... Bem aventurado é aquele que é curado pela sua passagem... - dizia eu olhando sério, e deixando lagrimas escorrerem pelos meus olhos enquanto passava um dedo indicador em meu sobretudo, fazendo-o desaparecer em forma de luzes brilhando de cor azul.

Agora vendo meu corpo bem delineado e forte, mas vestido com uma roupa normalmente convencional de tecido, mas com alguns detalhes que brilhavam na cintura, e ombreiras de prata com ponta. Minha calça preta e comprima também tinha detalhes de ferro que brilhavam com as luzes da cidade.

Fechando os punhos, um encima do outro, fogo negro cobre a minhas patas enquanto um de meus olhos ficava vermelho.

Do fogo surgia uma espada negra que emanava uma energia que desagradava aos olhos, e roxa.

- Cinco minutos... – eu dizia, soltando a espada de duas patas e segurando-a com uma delas. Enquanto olhava a rachadura no céu aumentar de tamanho, caindo alguns pedaços, que faziam a garoa se tornar chuva e o vento, se tornar mais agressivo.

Eu fechava os olhos, e respirava fundo.

O vento a minha volta virou ao contrário e meu olho vermelho, uma cicatriz apareceu e na orelha inversa dois brincos com cristais azuis pendurados, apareceram.

Um par de asas brancas aparece em minhas costas e preso ao meu peito por uma amarração, uma lança enorme e com um escudo dourado prezo às minhas costas.

Eu abria meus olhos e agora o meu outro olho estava quase azul.

Um estrondo dimensional fez tudo tremer, sem que nada físico fosse afetado. O céu tremeu e um monstro de chifres e seis olhos que brilhavam em vermelho destruía a rachadura, fazendo a chuva se tornar uma tempestade e o vento se tornar um vendaval afugentando todas as pessoas da rua e das festas ao ar livre.

O relógio batia meia noite, alto e forte.

Eu, um lobo, erguia a minha espada para o alto enquanto o monstro rugia.

- Que Todo o seu desejo de paz, felicidade, amor e carinho com o seu próximo se torne a minha força... – proferia a magia, mostrando os dentes e começando a chorar enquanto terminava o encantamento – Que toda a sua felicidade se torne a minha vitória sobre a suas tristezas e seus bons sentimentos se tornem a minha força para protege-los... – eu fechava os olhos e terminava abrindo novamente os olhos enquanto a chuva caia forte sobre ele – até o fim de meus tempos mais uma vez.

Ele salta em direção ao monstro, empunhado a minha espada sozinho no meio da tempestade, enquanto o relógio batia alto o som da meia noite, e as milhares de pessoas que resistiam a forte chuva, comemoravam a chegada de um novo ano com fogos de artifício e música.
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