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                                                  Cap.3



Enquanto eu abraçava a Isabela, ela me abraçou forte quando também viu como a pedra estava perto, então abaixou a cabeça e encostou sobre em meu peito, e senti algo poderoso vindo de dentro de mim. Confiança? Força? Capacidade? Ousadia? Não sei, mas era algo que nunca senti em toda a minha vida, e só assim percebi que realmente, eu tinha um destino muito maior do que aparecer em televisões ou ficar andando sobre uma passarela.
- Hoje não! – Gritei com toda a minha força, enquanto estendia minha mão na direção da pedra, esperando ela me tocar. E quando toquei minha mão naquela forma rochosa de um circulo, simplesmente, eu pude ver que ela estava parando sobre minha mão. Todo aquele peso, tudo aquilo que eu não pude descrever estava apoiada em mim, e isso sim foi inacreditável.
Antes que a Isabela pudesse olhar para o que estava acontecendo, por causa dos pedaços pequenos da rocha que caiam em cima de nós, eu a abracei com mais força, e fiz com que a pedra caísse alguns centímetros para o lado, onde ficou parecendo, que escapamos por muito pouco.
- Impossível! – Falou Isabela sem entender muita coisa. – Eu vi! Ela ia cair sobre mim. – Ela me soltou e tocou a pedra como se aquilo, apesar de ter sido uma grande ameaça pra ela, fosse algo estupidamente belo e incrível.
- É melhor não toca-la, - peguei na mão dela e tirei de cima da pedra. – não sabemos o que é isto ainda.
- Tem razão. – ela segurou minha mão com força, olhou pra mim com os olhos cheios de lágrimas, parecia que ia explodir por ter vivido uma grande adrenalina. – Porque você veio pra junto de mim? – Eu, sinceramente não sei, foi espontâneo, não sei por que fui até ela. – Você tinha tempo e espaço suficiente para se salvar, e veio me abraçar. Não consigo entender.
- Nem eu, - falei desviando o olhar. – achei que não tinha tempo nem espaço pra fugir, então vim morrer com alguém. – falo sorrindo, e felizmente, isso saiu como algo engraçado, que até ela sorrio, e não tampou a boca como de costume.
Pude perceber que no canto de seus lábios estava sangrando, não muito, mas estava.
- Está machucado aqui, - passei a mão no canto de seus lindos lábios, limpando o pouco sangue que tinha ali. Enquanto eu limpava o machucado, eu pude perceber que ela não parava de olhar dentro dos meus olhos, o que era intimador, porém, eu gostava da situação. Mas tudo que é bom, dura pouco.


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Há alguns metros de nós, posso ver em meio à poeira, uma imagem se formando em cima de uma pedra que flutua. Que flutua?
- O que é aquilo? – Perguntou a Isabela olhando fixamente para o ser que surgia da poeira. E logo em seguida, vimos um homem, com uma cartola, uma capa, um cajado, e uma máscara de baile. Ele era alto, branco e tinha cabelos longos, e o pior, estava em cima de uma pequena rocha flutuante.
- Acho que a pergunta deveria ser, - falo ironicamente. – quem é ele?
- Eu sou o que chamam de Mascarado, - diz o tal Mascarado com uma voz arranhada e velha. – muito prazer! – Ele faz um sinal de reverencia a mim, e ergue seu cajado, que por sinal, parece ser feito de uma rocha.
- Tonny, eu estou com medo! - Falou a Isabela me abraçando mais forte e olhando para o tal Mascarado com os olhos cheios de lágrimas do medo.
- Ah não, - falou o Mascarado fazendo gestos com a mão. – não sinta medo de mim, - então ele chegou mais perto de nós e desceu de sua rocha flutuante. – sou incapaz de machucar alguém tão linda quanto você, e alguém tão forte quanto você!
Quando ele disse, “... alguém tão forte quanto você!”, juro, eu tremi. Fiquei sem ação, e meu sangue ferveu, fiquei com medo por um instante, mas percebi que minha preocupação, era ele falar demais, e a Isabela perceber que a rocha não nos amassou, porque eu a tirei de cima de nós.
- Pois é, então, acho que chega de apresentações por hoje não é? – Falo de um jeito desafiador. – Vamos embora, nem te conhecemos e nem queremos isso.
Me virei e comecei a andar na direção contraria a dele, junto com a Isabela, claro!
- Ah, é claro que você quer me conhecer, - falou o Mascarado também me desafiando. – afinal você... – E antes que ele pudesse terminar de falar, eu o interrompi.
- Olha só, aqui não é hora e nem lugar para apresentações, - olho sério para ele. – acabamos de passar por uma situação delicada, ela está machucada, e queremos sair daqui rápido.
Ele pareceu ter entendido que eu não queria que a Isabela soubesse sobre mim, então ele subiu em sua rocha e partiu para o céu a fora. Continuei a andar abraçado com a Isabela, o que não era ruim. Ela parecia cansada, e eu também estava cansado, pois exigi muito esforço com aquela rocha enorme sobre mim. Levei ela em casa, ela me abraçou e agradeceu por eu não ter deixado ela lá. Eu só sorri, afinal, o que eu tinha pra dizer era que eu tinha salvado ela, mas isso não estava na minha cota de conquistas, então apenas sorri.
- Tem certeza de que esta bem? – Perguntei.


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- Tenho sim, - Falou a Isabela. – obrigada Tonny. Obrigada mesmo!
- Não precisa agradecer, - Sorri para ela. – fiz a obrigação de um cavaleiro não é?
Ela sorriu e me abraçou novamente e entrou para sua casa.
Enquanto ia pra casa, fiquei relembrando aquela cena. Aquela rocha caindo na nossa direção, e...  Eu? Como eu pude fazer aquilo tudo? Eu pude até me pegar sorrindo com esses pensamentos. Fiquei imaginando aquela cena, várias e várias vezes. Eu segurando uma tonelada de rocha, mudando o circuito dela, fazendo com que parecesse que escapamos por pouco. Nossa! Como eu pude pensar tão rápido nisso tudo e em um momento tão aterrorizante?
Lembrei também do que o tal do Mascarado dizendo, “Ah, é claro que você quer me conhecer...”, será que vou? O que ele tem para falar comigo? Como ele sabe sobre mim?
Ao entrar em casa, a primeira coisa que fiz, foi ir tomar um banho, afinal, ainda estava de tarde, mas o sol já estava se pondo. Depois, tomei um café reforçado, pois o que mais sentia naquele momento era fome. Logo em seguida, peguei o telefone e liguei para o meu pai.
- Alô? Pai? – Perguntei.
- Oi meu filho! – Falou meu pai com grande entusiasmo na voz. – Tudo bem com você?
- Tudo pai, e o senhor? Como é que estão as coisas por ai?
- Aqui vai tudo bem, suas irmãs estão com saudades, e estão mandando um beijo. – Ouço os estalos de lábios das minhas irmãs, e posso sentir o beijo de longe, e a saudade estava grande. – Quando você vem aqui nos ver?
- Não sei pai... Tem umas coisas estranhas acontecendo comigo.
Fico em silêncio por uns segundos. Pensei em como poderia dizer aquilo tudo para ele, sem que me mandasse de volta para casa, pois apesar de tudo, ainda tenho coisas importantes para fazer aqui no Rio de Janeiro.
- Filho, já te disse que tenho orgulho do que você está se tornando, - Falou meu pai. – e você tem um grande futuro pela frente. Não importam o que te digam, nunca abaixe a cabeça. Não sei o que está acontecendo com você, mas sei que consegue se livrar de qualquer problema, e ainda mostrar ao mundo, o quão grande você é.
- Mas pai, - Não pude evitar e expus meu maior sentimento depois que fiquei longe dele. – estou com medo! Não tenho o senhor aqui comigo, as coisas estão realmente difíceis.


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- Filho, - Disse meu pai soltando um riso. – medo todo mundo tem, até mesmo o pior dos homens, isso só te faz ser mais humano.
- É o senhor tem razão.
- Oh, eu tenho que desligar agora, - Falou de um jeito apressado. – mas quero que você saiba... – Pude ouvir “Boa tarde” do cliente do outro lado da linha, e meu pai, com toda a educação e boa vontade, foi atendê-lo, mesmo sem terminar o que tinha para me dizer.
Desliguei o telefone e fui pro meu quarto. Lá, eu encontrei um papel vermelho sobre a minha cama. Bom, se alguém tinha como objetivo fizer com que eu lesse o que estava escrito ali, conseguiu.
 
Tonny,
Eu sei que está parecendo estanho, mas precisamos que você venha nos encontrar, assim como você não sabe nada sobre suas mudanças, nos também não sabemos, só que temos um amigo que entende muito sobre isso e pediu para procurar e chamar todos os que precisam saber da verdade.
Então venha e não perca tempo, pois estão nos caçando, e quando nos achar, ou iremos morrer, ou matar.

O engraçado, era que não tinha nenhum nome dizendo quem foi que me enviou aquela carta.

   
                                                                           ...



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