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                                            CAP.4



O primeiro pensamento deveria ser o que estava por vim, mas não, pensei em quem me enviou aquela carta. Parecia que eu ia ter uma surpresa maior do que a surpresa que estava para vim.
- Hm... E como é que vou encontrar com eles, sendo que nem endereço eles deixaram?
Eu resmungando, pois é, pelo visto o tempo estava passando e eu ainda queria tomar aquela decisão. Só que realmente eu não sabia nada sobre o que estava acontecendo comigo, e colocaram na carta que estão nos caçando, mas... Caçando quem? Eu? Porque eu? Será que o Mascarado queria mesmo me ajudar, será que ele que me enviou esta carta, ou mandou alguém enviar para mim?
Posso perceber que só estou vivendo em meio às perguntas. Não tenho certeza de algo já faz tempo. Que saudades da minha cidade pacata, lá pelo menos eu tinha certeza de que eu ia continuar sendo um ninguém, mas aqui, está parecendo que querem me devorar aos poucos, brincar comigo. Na verdade já estão brincando! Isso está parecendo um jogo de xadrez e eu estou sendo apenas um peão, sendo manipulado facilmente pelo jogador. Agora tenho que tomar cuidado, pois podem me atrair para uma armadilha, e eu acabar saindo desse jogo cedo demais.
E agora? Em quem confiar? Ou apenas confiar?
Então, olho a carta novamente, li com calma e imaginei quem poderia ter me enviado algo assim.
Um dos meus primos? Não! Meu empresário? Não também. Meu pai muito menos. Isabela? Poderia até ser, mas essa letra não é a letra dela, eu me lembro de como é, e não é nenhum pouco parecido.
- É isso! – Olhei fixamente para a letra, e me lembrei da ultima aula que tive, era a letra dele, meu professor de história. Agora tudo estava se encaixando. O jeito com que ele me tratou na sala de aula, o sermão que me deu sobre o meu futuro... Eu não posso acreditar!
Levantei correndo e fui diretamente para a sala, peguei o telefone e disquei o número do meu colégio.
- Instituto Educacional Márcia Cristina, boa tarde! – Falou a secretária.

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- Boa tarde! – Respondi. – Eu sou aluno novo, e queria saber se você tem o número da residência do professor de história do terceiro ano do ensino médio.
- O professor Marcelo, não é? Qual é o seu nome? – Perguntou a secretária.
- Isso mesmo! – Respondi dando certeza, mas na verdade, eu nem sabia o nome dele. - Tonny Martin é o meu nome.
Ela me deu o número, agradeci umas três vezes e desliguei o telefone.
- Próximo passo, ligar pro Marcelo!
Peguei o telefone novamente, disquei o número do meu professor e esperei chamar. Minha mão estava tremula, eu estava sentindo meu corpo suar frio enquanto por dentro, uma quentura me incomodava.
Chamou e chamou, mas ninguém atendeu, tentei mais algumas vezes, mas sem êxito também.
- Droga! Caixa de mensagem de novo!
Minha impaciência com o telefone poderia me custar algumas broncas do Wilson, e como o Marcelo não atendia ao telefone, resolvi voltar pro meu quarto esperar a hora passar.
Já era noite, umas nove horas ou mais quando meu celular toca, e vejo que tinha recebido uma mensagem de texto de um número desconhecido.
“Dez horas na estação ferroviária.”
Olhei o relógio, e o ponteiro marcava nove horas e vinte e sete minutos. Hora de correr? Hora de fazer o que? Infelizmente eu só tinha questionamentos em minha mente, nenhuma afirmação e isso já esta ficando chato. Levantei e fui até o banheiro. Olhei no espelho e fiquei me encarando. Tentando ver o que eu estava me tornando, ou o que eu iria me tornar, e era assustador perceber como eu estava mudando.
Talvez porque eu aparentava ter um poder sobre a força, eu estava ficando forte! Algo que eu sempre quis era ganhar corpo, mas isso fazia parte da minha vaidade e não de uma nova genética ou sei lá o que. Meus olhos estavam um pouco mais fundos e eu tinha ganhado olheiras. Meu rosto parecia estar desenvolvendo mais rápido, parecia ficar com mais cara de homem. Até pelos no rosto eu estava ganhando

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com rapidez e isso era legal. Não sei não, mas estou me achando mais bonito, hehe!
O Wilson ainda não havia aparecido, talvez fosse ficar fora pelo resto da noite ou só voltaria tarde dela. Olhei o relógio e já estava apontando nove horas e trinta e oito minutos, era hora de agir!
Peguei meu celular, vesti um casaco preto liso por cima da minha camisa branca lisa. Calcei meu tênis preto rasteiro e sai de casa.
Apressei meu passo para que eu pudesse chegar dez horas em ponto na estação, ou então, chegaria atrasado, que na verdade, é muito comum vindo de mim.
- Não por ai, - Falou alguém atrás de mim, segurando meu ombro. – vira aqui! – Assenti, não olhei para trás e apenas deixei que a pessoa me levasse. Passamos por uma rua que levaria até a estação, seria mais demorado do que o lugar por onde eu estava seguindo, mas tudo estava indicando que eu não ia mais para o ponto marcado.
- O ponto de encontro... – Falei com insegurança. – Não era na estação?
- Só siga em frente! – Disse me empurrando.
Seguimos alguns minutos adiante, entramos em ruas estreitas, porém, não paramos em nenhuma delas. Parecia que o lugar estava ficando só um pouco estranho, pois só havia mato na minha frente.
- Ei! Ta olhando pra frente? – Perguntei sarcasticamente. E ao invés de me responder com palavras, me respondeu com outro empurrão. – Ta bem, acho que entendi! – Falei rindo e parece que a pessoa também soltou um risinho, mas não pude ter certeza.
Chegamos à parte onde só tinha mato e advinha? Entramos no matagal, e sabe o que encontrei lá? Bom, por trás de uma parte do mato alto, tinha uma pista de corrida, que só pude perceber pelas listras brancas e pelo longo percurso que a pista seguia. Atravessamos essa pista que mesmo não tendo mato por conta do concreto, estava bem escondida. Logo depois de atravessar a pista, e entrar na outra parte com mato alto, que teve um percurso mais longo, eu pude notar algo bem fora do padrão.
- Chegamos! – Disse a pessoa que veio me conduzindo até aqui.
O local era para ter mato alto assim como os outros cantos ou passagens, mas não, ali era grama cortada bem baixa e tinha um galpão velho, porém não parecia estar abandonado.

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A pessoa que tinha me conduzido até aqui, passou a minha frente, abaixou o capuz que eu nem tinha percebido que estava usando, e só assim pude notar que era uma menina, mas logo que entrei eu nem me concentrei nela, pois tinha outra pessoa que eu conhecia lá.
- Isabela? – Perguntei assustado. 
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