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                                          CAP.5

Quando olhei pra ela fiquei sem reação. Minha respiração parecia ter ficado mais fraca, porém meu coração batia tão rápido e forte que eu podia ouvi-lo bem, e nota-lo fazendo minha camisa seguir o movimento do para frente e para trás facilmente. Minha garganta que já estava seca parecia estar bem mais seca.
- Seja bem-vindo querido Tonny! – Falou meu professor de história, fazendo com que eu desviasse por um momento, meus olhos da Isabela.
Na verdade, só assim eu pude sair do transe. Meu professor de história, Marcelo, como eu havia imaginado. Era dele aquela letra e o que ele disse para mim na sala de aula, agora já faz algum sentido.
- Alguma surpresa em nos ver? – Perguntou o Marcelo, meu professor de História.
- Não, que isso professor, hehe. - Falei, mas no fundo eu queria dizer é que se fosse por ele não teria nenhuma surpresa, mas pela Isabela... Toda surpresa do mundo! Talvez a minha maior surpresa em toda vida.
- Ah, vamos Tonny, eu sei que você ficou surpreso em me ver por aqui, - Falou o Marcelo todo empolgado e se aproximando de mim. – eu sei que você achou que era uma menina que estava te enviando uma mensagem de texto, haha!
- É, - sorri forçado voltando meus olhos pra Isabela. – achei mesmo que fosse uma garota me enviando uma mensagem.
Enquanto eu dizia isso, ela me olhava sem graça e com um sorrisinho no canto da boca. Ela estava sentada junto à mesa na companhia de mais três, e outros dois estavam de pé contando com o meu professor de história.
O professor Marcelo me apresentou aos outros que estavam no local. Começando pela menina que me trouxe aqui.
- Está é a Lorena, minha filha! – Disse o professor apontando para a Lorena.
Ela era baixa, morena e muito bonita. Tinha os olhos um pouco puxados fazendo com a aparência dela lembrasse um pouco os asiáticos. Tinha uma pinta ao lado da sobrancelha esquerda bem 

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visível, porém não perdia nenhum pouco o encanto de sua beleza que só pude perceber agora.
- Olá Tonny! – Disse ela com um sorriso no rosto. Parecia estar pensando, “Bem, agora você pode me ver!”.
- Esse é o Carlos! – Disse ele apontando para um moleque sentado à mesa. Ele aparentava ter a mesma idade que eu. Tinha cabelos curtos e penteado para trás com muito gel, usava um óculos moderno, porém, parecia ter um estilo mais antigo.  O que me incomodava era o jeito que ele estava me encarando, uma cara de poucos amigos, já até senti dali mesmo que não ia gostar dele.
- Esse aqui é o Caio. – Diz ele batendo no ombro do garoto. Ele aparenta ser o mais novo de todos que ali estão. É louro e apesar de estar sentado, tenho a certeza de que também é o menor da turma, porém, é forte como uma tora e o que, mas faz dele um garoto, são seus olhos castanhos claro que trás a inocência para ele.
- Olá Tonny! – Disse ele com um sorriso no rosto.
- E ai! – Respondi de forma amigável, pois ele foi amigável comigo.
- E esse aqui é o Charles. – Disse ele pegando o celular do Charles. Ele é o único negro naquela sala, tem olhos e cabelos pretos, e usava uma roupa de quem curte rap. Logo em seguida, sem eu entender nada, o professor Marcelo veio para perto de mim e quando chegou ao meu lado, lançou o celular para trás do Charles em uma altura que não desse para ele pegar. Charles sem mostrar nenhuma mudança em sua feição, esticou sua mão até o celular. Mas ele esticou mesmo! O celular já deveria estar há uns três metros de distancia dele, e mesmo assim conseguiu alcança-lo. Ele foi o primeiro em que eu vi que tinha poderes também. Ele podia se esticar, era tipo um homem elástico, e eu fiquei admirado com aquilo.
- Nossa! – Falei sem querer. Charles deu apenas um sorriso e todos riram da cena. Acho que minha cara estava realmente engraçada, deveria até estar boquiaberto, haha.
- E esse aqui é o nosso mais jovem poderoso, Luca! – Disse o professor Marcelo tirando o pequeno Luca de trás dele.
- E ae garotão! – Falei sorrindo para o menino, talvez estivesse com medo de mim, então, quis dar a ele segurança. O garoto deveria ter uns nove ou dez anos, era pequeno e sua cara era de mais jovem ainda.

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- Oi. – Disse Luca escondendo o rosto em seguida. Me aproximei dele e baguncei seu cabelo. Ele não me pareceu gostar muito, me lembrava de como eu era antigamente, seu cabelo era de um liso enrolado, parecido com o cabelo que eu usava antes de minha mãe falecer.
- E essa aqui você já deve conhecer, - Falou o professor me olhando de um jeito intrigante. – afinal, são da mesma sala no colégio e... – Ele olhou para mim e para a Isabela repetidamente por alguns segundos, até que indagou. – Vocês não param de trocar olhares desde que chegou aqui. – Terminou com um sorriso.
- É, - Olhei para a Isabela. – conheço sim, afinal é como o senhor disse, ela é da minha sala. – Fiz uma breve pausa e disse: - E o que você queria que fizesse quando encontrasse alguém da minha sala, em um lugar como esse, com pessoas tão diferentes? Foi uma surpresa para encontrar com ela aqui.
- Hum, deve ter sido mesmo. – Falou erguendo uma de suas sobrancelhas. – Mas enfim, estamos aqui por outro motivo. – Quando ele disse isso, meus ombros relaxaram, e eu só pude agradecer pelo momento “constranger o Tonny” ter acabado.
Todos fizeram um breve silêncio, Lorena, Luca e o professor Marcelo sentaram-se a mesa, e fiz o mesmo logo em seguida. Todos olhando uns aos outros, até mesmo o pequeno Luca olhava de um jeito maduro em relação ao assunto que seria abordado aqui. Eu fiquei praticamente na ponta da mesa, com a Isabela bem ao meu lado. O professor Marcelo ficou ao lado do Carlos que parecia gostar de me encarar. Todos muito sérios era hora de iniciar o assunto ao qual esperei ansioso por um bom tempo. Mas pareceu que demoramos tempo demais.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Gritou a Lorena assim que uma rocha atravessou a parede do local da nossa reunião. Charles por sorte aparenta ter um ótimo reflexo. Ele esticou sua mão até a rocha antes que pudesse acertar seu alvo, só que havia um problema, a rocha parecia estar sendo empurrada contra a mão do Charles, mesmo não tendo ninguém fazendo isto. Sua mão ganhou um bom tamanho, quase encobrindo a rocha, que por sorte, não era tão grande assim. Ela deveria ser um pouco maior que uma bola de basquete, e a cena me fez lembrar algo. Uma apresentação do meu curso de teatro, onde eu socava uma bola para ir à direção de outro garoto.
- Solta! – Gritei me levantando rapidamente e correndo até a Lorena.
O local não era tão grande, mas deveria ter uns oito metros de largura e comprimento. A rocha entrou pela parede onde fica a porta, e nós,

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estávamos na mesa que fica uns cinco metros de distância dessa parede. Charles esticou sua mão até a rocha, mas só deixou um espaço de três metros mais ou menos para que eu pudesse executar minha ideia. Antes de soltar, ele me olhou com os olhos cheios de surpresas e aparentando não confiar muito em mim, mas quando cheguei à Lorena, e ele viu que não ia conseguir parar a rocha por muito tempo, resolveu confiar em mim.
- Agora é minha vez! – Gritei! – AAAAAAAAH! – E assim foi minha primeira aparição talvez como herói. Busquei forças me posicionei e quando a rocha estava com menos de um metro de distância, eu soquei.
Aquilo foi incrível! A rocha praticamente virou pó! Foi um baita de um soco, e me orgulhei do meu feito.
E como de costume, o silêncio reinou. O buraco na parede era grande, mas ainda estava tampado pela fumaça. Meu braço ainda se matinha na posição do ataque. As pequenas partes da rocha, ainda quicavam no chão. Olhei para trás sem sair da minha posição, e encontrei a Isabela. Ela estava me olhando impressionada, os olhos estavam arregalados e cheios de lágrimas prestes a rolar pelo seu lindo rosto. Talvez o momento tivesse trago um vento forte para dentro da sala, o cabelo da Isabela estava bagunçado, tampando um de seus olhos e a metade da sua boca. Olhei um pouco mais abaixo e vi a Lorena. Ela estava praticamente deitada sobre a mesa, de frente para mim, como se ela tivesse tentando ir para trás e não pudesse porque a mesa a impedia de cumprir este ato. Luca estava segurando muito bem o choro, mas seus olhos já estavam vermelhos. Charles estava confiante e sorrindo, me olhou como se tivesse gostado de formar uma dupla de defesa comigo. O professor Marcelo ainda estava sentado, porém me olhando com a boca bem aberta. Já o Carlos, continuava me olhando sério, porém de pé, segurando bem firme sua cadeira, e transmitindo um olhar de “missão cumprida!”.
Já era hora, e a fumaça se dissipou, porém, de nada adiantou. O que nos atacou estava por trás do mato que tampava a nossa visão, e foi ai que saímos para ver quem era o nosso visitante especial.
- Ora, ora! – Falou alguém por trás do matagal. Corremos por dentro do mato, e quando cheguei à pista de corrida eu só pude dar uma risada.
- Mascarado! – Falei.
- Olhem ai pessoal! O nosso pequeno, - Falou sinalizando com os dedos uma aspa. – herói!

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- Pois é, mas hein, - Disse sorrindo. – quando eu montar meu uniforme de super-herói, eu faço um pra você também. Está muito meu fã já! – Completei rindo.
- Haha, bem engraçado você. – Disse ele descendo de sua rocha e balançando seu cajado rochoso.
- O que você veio fazer aqui? Como nos achou? – Perguntou indignado o professor Marcelo.
- Ah, isso não foi nada difícil. – Falou se aproximando cada vez mais. – Na verdade, eu sempre soube desse lugar e de quem costumava visitar isso aqui. – Disse e por sinal, deveria estar rindo.
- Ainda não disse o que você quer! – Falou o professor Marcelo andando em direção ao Mascarado.
Seus punhos se fecharam, seus dentes estavam trincados, seus olhos enfurecidos. Talvez fosse a hora de o professor Marcelo me mostrar qual é o seu poder atacando o tal do Mascarado. Mas acho que não é a hora certa, e então, o paro.
- Fica calmo professor, - olho nos olhos dele. – deixa ele dizer o que veio fazer aqui.
Pois bem, parece que o professor Marcelo se acalmou. Ainda estava furioso, porém deixou o Mascarado falar, o que não foi muito legal.
- Eu vim buscar o Tonny! 
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