Olá galera :) Quero, primeiramente, me desculpar pelo atraso na postagem deste capítulo, que foi devido a problemas de conexão. E também, quero comunicar que já mandei meu livro, "ECOS", para algumas editoras analisarem, e, com alguma sorte, ele será publicado :) Enfim, curtam o quarto capítulo o/




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Memento

ANTERIORMENTE
                Em 2016 d.C. (depois de Cristo), uma Terceira Guerra Mundial arruinou o mundo; a energia nuclear dizimou quase toda a população. Os séculos seguintes foram passados tentando reconstruir o mundo. Milênios depois, em 2036 d.N. (depois de Noble), as repúblicas deixaram de existir: o mundo agora é governado por Impérios. O agente da Guarda Nacional Leon Carter é transferido para a divisão Titãs, uma divisão marginalizada, porém extremamente importante para a segurança nacional. Junto de Mila Cruzi, Tuomas Lane e Allen Foster, comandados pelo diretor Marco Noah, o agente deve investigar casos paranormais que ameaçam a nação.

1

Distrito 23, 19 de outubro, 5h05
                Estava infinita e inegavelmente escuro, assim como deveria se estar na madrugada. No entanto, no Quartel do Exército, aquilo não era desculpa alguma para se descansar. Todos os dias, todos deveriam estar de pé às 5h da manhã – um minuto a mais ou menos poderia significar a diferença entre um rosto apresentável pelo resto do dia e uma marca de tapa na cara. Começariam aquele dia como sempre: uma caminhada em ritmo de marcha de aproximadamente duas horas. Naquele dia em particular, porém, iriam desviar-se um pouco do caminho normal, seguindo pela mata ao norte do quartel.
                Mas Pittacus Lúcio não queria levantar-se de sua cama.
                - Acorde! – gritavam. – Acorde, soldado! Acorde, vagabundo!
                Mas ele não queria se levantar. Estava com aquela horrível tontura novamente... aquela horrível sensação de que havia algo de errado com seu corpo... alguma coisa em seu corpo, além de seu conhecimento...
                Mas o capitão não deu-lhe esta chance, jogando um balde de água fria sobre o rapaz e sua cama. Não satisfeito, jogou mais dois, apesar de Lúcio já ter se levantado.
                - Você acha que isto é spa? – O capitão esbravejou. – Acha que vai ter tratamento de beleza?
                Pouco mais de vinte minutos depois, estavam adentrando a mata. Os outros soldados riam de Lúcio, mas não caçoavam. O pobre rapaz não podia se controlar, e todos tinham pena disso. Era moléstia a atitude do capitão. Moléstia a atitude do exército em si, na verdade. Lúcio não queria estar ali, e aquele realmente não era o lugar dele. Era surpresa que ainda estivesse vivo, ou tão são quanto poderia...
                Eles caminharam em linha reta, até que a mata deixou de ser mata e se tornou uma clareira.
                (coloque para tocar a música: “Lily’s Theme”, Harry Potter And The Deathly Hollows Part 2 OST)
                Foi nesse momento em que Lúcio parou. Não demorou para o capitão perceber, e disse para os demais soldados:
                - Sigam em frente! Vou logo atrás de vocês.
                Os soldados obedeceram, deixando Lúcio e o capitão para trás.
                - Soldado Lúcio! – disse o capitão, mas não eram suas palavras que perturbavam: era sua calma ao pronunciá-las; muita serenidade para não ser fingimento. – Está tudo bem, soldado Lúcio?
                - Não – A voz de Lúcio tremia, bem como seu corpo.
                - Eu posso dizer o que eu acho? – O capitão respondeu. – Eu acho que está tudo ótimo com o senhor.
                - Não, não está – Lúcio estava parado, olhando para os soldados que continuavam a caminhar...
                - Então, me diga, soldado, o que há de errado?
                - Eu não quero ouvir – disse Lúcio, derramando lágrimas, sem desviar o olhar. Seu corpo todo tremia, em contraste com toda sua estrutura, parada como estátua. – Eu não quero ouvir os gritos...
                - Oras, deixe de pouca merda! – o capitão gritou. – Entre na linha! Entre na linha dos outros!
                - Por favor, pare eles... pare...
                - SOLDADO! – O capitão agarrou Lúcio pelos cabelos, mas ainda assim, o soldado não desviou o olhar dos seus companheiros, que continuavam a marchar...
                - Pare eles – Lúcio suplicou. – Eu não quero ouvir... eu não quero ouvir os gritos...
                - Soldado, estou CANSADO de sua MERDA! ENTRE NA LINHA, ou vou jogá-lo em solitária com os prisioneiros...
                - Por favor, por favor...
                - VOCÊ ESTÁ DESACATANDO MINHA AUTORIDADE, SOLDADO?
                - Por favor, eu não quero ouvir, por favor, pare eles...
                - SOLDADO LÚCIO, VOCÊ ESTÁ PRESO...
                - Eu não quero ouvir os gritos, por favor...
                - CALE A BOCA!
                E o soldado calou. Mas não por causa da ordem do capitão, pois este mesmo acabou se calando logo depois. Ambos se viraram para a direção onde os outros soldados estavam marchando, e tudo o que viram era fogo e fumaça. Uma grande explosão havia engolido os outros, e não restava nada para se ver. O fogo lentamente engolia as árvores e a mata... enquanto os gritos tomavam conta. Soldados mortos caíam, enquanto seus braços e pernas decepados voavam longe.
                Um soldado arrastou-se para fora da explosão... ambas suas pernas haviam sido explodidas...
                E ele gritava.
                - Oh, não – choramingou Lúcio, enquanto o capitão voltava-se para ele, de olhos arregalados. – Oh não, oh não, oh não, eu não quero ouvir os gritos... faça os gritos pararem, eu não quero ouvir os gritos...

2

15h

                O Distrito 23 ficava ao norte do país, enquanto o Distrito Imperial ficava no litoral. Então, não era de se esperar que a viagem fosse curta. Pelo contrário: toda a divisão Titãs achou muito cansativa, principalmente por voar em um avião velho e podre da Guarda Nacional. Assim que desembarcaram, entretanto, no mesmo dia do acidente, encontraram com o diretor Noah, que havia chegado momentos antes.
                - Senhor – Cruzi cumprimentou-o. – Qual o caso?
                Noah suspirou antes de falar:
                - Esta manhã, o exército se levantava para fazer uma caminhada de rotina. Apenas a rota havia sido mudada, para o meio da mata. No meio do caminho, algum dos soldados deve ter ativado uma bomba, que matou quase todos. Restaram apenas dois sobreviventes: o capitão e o soldado Pittacus Lúcio.
                - Eu presumo que ainda não chegamos a parte que nos interessa – Lane falou.
                - Eu não chamaria bem de “interessante” – Noah respondeu. – Esses dois sobreviveram apenas por que Lúcio parou no meio do caminho, e ficou repetindo algo como “Eu não quero ouvir os gritos”...
                - Como se ele tivesse previsto o ataque – Carter concluiu rapidamente.
                - Foi o que ele alegou.
                Cruzi e Lane soltaram risinhos de escárnio, abrindo sorrisos de deboche enquanto Noah adotava expressão de concordância.
                - Eu estou perdendo algo? – perguntou Carter.
                - Eu sinto que perdemos muito tempo nessa viagem – Lane comentou.
                - Carter, alegações de vidência são uma desculpa comum para se escapar de um crime – Foster explicou. – Muitos criminosos comuns a usavam antigamente para escapar da prisão por “insanidade”, mas, hoje em dia, com tantos casos sobrenaturais, os criminosos a usam como se isso fosse real, como se eles fossem realmente videntes. Mas raramente são.
                - Então vocês acham que ele sabia da bomba, e talvez tenha até arquitetado o ataque?
                - Provavelmente sim – Cruzi respondeu. – E aposto que caiu sob nossa jurisdição somente para que desmintamos o caso...
                - Assim, o caso vai cair para o departamento de homicídios e terrorismo – Foster completou.
                - Como eu disse – Lane comentou novamente –, acho que perdemos muito tempo nesta viagem.

16h20
               
                - Senhor Lúcio – disse Cruzi. – Eu sou a agente Cruzi e este é o agente Lane.
                - Prazer – disse Lúcio, envergonhado. – Ou seja lá o que eu deveria dizer nestas situações.
                Os três estavam numa sala de interrogatório fechada. Lúcio estava sentado numa cadeira, enquanto Cruzi e Lane ficariam em pé. Ao fundo, havia uma janela de vidro falso, e, atrás dela, estavam Carter, Foster e o capitão, cujo nome era Victor Parga.
                - Senhor Lúcio, o senhor saiu do quartel nas últimas duas semanas? – Cruzi perguntou, calmamente, e Lúcio respondeu meneando a cabeça negativamente, antes de completar:
                - Minha, minha mãe veio me visitar... se isto faz alguma diferença.
                - Espero que não faça. Agora, o senhor está ciente das acusações que lhe fizeram, certo?
                - Sim – Lúcio respondeu, roendo as unhas. – Um monte de merda... perdão, com todo respeito. Eu nunca mataria eles... eu não poderia matar eles... Está me ouvindo, capitão? Eu sei que está por detrás dessa janela! Eu sei que está! Eu nunca mataria eles!
                Cruzi e Lane nada fizeram, e Lúcio rapidamente recobrou a calma, voltando a roer as unhas.
                - Senhor Lúcio, nos responda – Lane disse. – Por que sua mãe veio-lhe visitar?
                - Ela precisa vir – respondeu o soldado. – Toda semana, ela precisa vir... foi o acordo. Vocês sabem disso, devem ter lido nos documentos. O monte de merda que o exército me fez passar.
                Desta vez, ele não completou com “com todo respeito”.
                Era verdade, nos documentos, estava bem claro. Pittacus Lúcio sofria de esquizofrenia, e, pelas Leis estipuladas pela Rainha, ele não deveria entrar no exército. O Distrito 23, porém, por ser mais violento que a maioria, não podia se dar ao luxo de perder soldados: mesmo com todos os esforços feitos pela família para que Lúcio ficasse em casa, o exército insistia, e o juiz do tribunal era simpatizante com o capitão Parga, o que significava que a família iria perder. Não restou opção, senão firmar um acordo, em que a família iria ver Lúcio toda semana no exército. Assim, à força, Lúcio entrou no exército, onde os superiores o molestavam por ser deficiente mental, e os outros soldados tinham medo de defendê-lo.
                - Sim, nós sabemos – disse Cruzi. – E isto não melhora muito a coisa para seu lado. Você alegou uma capacidade de vidência ao prever a morte de seus colegas hoje. E você deve estar ciente de que essa, junto com possessão demoníaca, é a desculpa mais usada por criminosos para escapar de seus crimes. Além de que não há nenhum relato real de vidência no mundo inteiro.
                - O que só piora a coisa para o meu lado, considerando também minha doença mental – Lúcio suspirou. – Que fantástico.
                - Isto é uma confissão?
                Lúcio levantou os olhos para ela.
                - Se fosse, as algemas já estariam em meus pulsos, não é?
                Do outro lado do vidro, Foster e Carter observavam.
                - Ele está mentindo – disse o capitão, fazendo os dois agentes se voltarem para ele. – Ele está mentindo.
                - Senhor – Foster disse -, eu entendo pelo que você acabou de passar...
                - Não entende. Você não sabe o que é ver seu batalhão inteiro morrer... soldados, sequer formados ainda. – O capitão Victor olhou de volta para o vidro, observando cada palavra que Lúcio proferia. – Ele não é vidente... é um assassino.
                Ele suspirou.
                - Eu via isso nos olhos dele... não é uma doença simples, é prazer. Maldição, o desgraçado é um assassino! Vocês não podem negar isto!
                A interrogação prosseguiu, enquanto Carter e Foster trocavam um olhar desconfortável.

20h50

                (coloque para tocar a música: “The Kids From Yesterday”, My Chemical Romance)
                Aquele caso, apesar de envolver o interesse do exército, não poderia ser investigado pelo próprio. Fora decidido que Lúcio seria levado à maior delegacia do Distrito, e lá seria mantido durante a noite.
                Enquanto o suspeito passava pela burocracia antes de ser transportado à delegacia propriamente dita, os quatro agentes se reuniam fora do prédio.
                - Ele olhou em nossos olhos e disse o que achava – Foster disse, referindo-se ao capitão. – Tanto ódio... não pode ter sido criado de uma hora pra outra, mesmo nestas circunstâncias.
                - Eu observei a linguagem corporal de Lúcio – Lane respondeu. – Ele estava assustado, quase como... quase como esperando uma retaliação, uma agressão. Como se estivesse acostumado a isso.
                - Vocês acham que ele era molestado aqui dentro? – Cruzi concluiu.
                - Não pelos colegas, mas talvez... pelos superiores. O Distrito inteiro é um surto de violência e crimes de ódio... preconceito não é diferente. Talvez, a condição mental de Lúcio tenha despertado ira e desdém de alguns dos oficiais...
                Minutos depois, Lúcio fora liberado. Por precaução, Cruzi deu-lhe o discurso sobre como ele tinha o direito de ficar calado, já que, aparentemente, ninguém no exército se preocupava o suficiente para ditar ao suspeito seus direitos. Não demorou muito para que estivessem dentro do carro, em silêncio. Lane dirigia, e Foster ia no banco do passageiro, enquanto Cruzi e Carter seguiam no banco detrás, junto com um Lúcio algemado.
                Foi então que aconteceu.
                Num momento, Lúcio se recostara, desconfortável, e fechara os olhos. Ao lentamente abri-los, ele olhava fixamente para frente...
                - Eu não consigo respirar – disse ele.
                - O que?
                - EU NÃO CONSIGO RESPIRAR! – gritou, e tossiu. – NÃO CONSIGO VER NADA! ESTÁ TUDO CINZA... MEUS OLHOS DOEM! NÃO CONSIGO RESPIRAR!
                Lúcio continuou a tossir, olhando fixamente para sua frente...
                - O que está havendo? – Lane perguntou, sem tirar os olhos da estrada.
                - NÃO SIGA EM FRENTE! – Lúcio gritou. – PARE! PARE O CARRO! NÃO SIGA EM FRENTE!
                - É um ataque psicótico – Foster disse, enquanto Cruzi e Carter tentavam controlar o suspeito, que se debatia.
                - Não podemos parar o carro – respondeu Lane -, senão ele pode tentar fugir. Dê-lhe um sedativo, o capitão disse que isso poderia acontecer...
                - É UMA ARMADILHA! ELES, ELES... É UMA ARMADILHA! EU NÃO CONSIGO RESPIRAR!
                Carter e Cruzi lutaram para aplicar o sedativo, mas afinal, conseguiram. Bastaram cinco segundos para que Lúcio sentisse o efeito. Mas ainda assim, ele não parou de sussurrar:
                -Não siga em frente... pare... por favor, pare...
                E nesse momento, um prédio às costas deles explodiu.
                Uma nuvem de poeira cinzenta tomou conta da rua... tudo estava cinza. Somente o térreo fora atingido, de modo que o prédio em si continuou de pé. Mas o dano ainda era catastrófico.
                E quem fora engolido pela nuvem de poeira, com certeza não conseguia respirar...
                Carter e Cruzi olhavam abismados para a destruição que tomava conta da rua, enquanto Lúcio continuava a sussurrar qualquer coisa.

3

00h
                (coloque para tocar a música: “The Window Of Opportunity”, Fringe OST)
                O diretor Noah não estava nada feliz quando chegou ao prédio explodido.
                - Mas o que diabos vocês pensam que estão fazendo? – exclamou ele, vendo que Lúcio andava livre e sem algemas.
                - Senhor, temos razões para acreditar que este ataque pode ser solucionado com a ajuda do suspeito...
                - Vocês não têm que acreditar em nada! Têm que cumprir ordens!
                - Senhor – Lane interrompeu. – Duas horas atrás, uma bomba explodiu neste prédio, atingindo somente o térreo. Isto que você está vendo é a destruição que foi causada.
                - E você vai me dizer que o videntezinho previu o que ia acontecer? – Noah ironizou. – Isto é uma farsa! Ele provavelmente causou este atentado também! Ele é tão culpado disso quanto é da morte daqueles soldados!
                - Senhor – Foi a vez de Carter falando, medindo as palavras e citando calmamente: - Recebemos a informação oficial de que as acusações foram retiradas hoje mesmo.
                Noah, mesmo corando de raiva, voltou-se claramente surpreso para o agente, que continuou:
                - A polícia local identificou o material que compunha a bomba que matou os soldados. Não era uma bomba clandestina, ilegal, não era um atentado: era uma bomba do exército. Aquela mata estava cheia de minas terrestres instaladas poucas semanas atrás, porém, esta bomba havia sido colocada no lugar errado. Mais precisamente, havia sido colocada 50 metros à esquerda de onde deveria estar... e foi este o caminho que os soldados percorreram.
                - Não passou de um acidente – Foster completou. – As investigações do exército serão feitas dentro da corporação, e o culpado será indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de se matar. Provavelmente será expulso do exército. Mas ainda assim, a morte dos soldados de jeito algum se relaciona com Lúcio.
                - E no que vocês acreditam? Que ele... ele... oras, isto é um absurdo!
                - Mas é a prova que temos, senhor: Lúcio pode ser o primeiro caso de vidência a ser identificado...
                - NÃO! – Noah exclamou. – Eu me recuso! Isso é absurdo, é impossível! Eu proíbo esta operação! Eu sou o superior de vocês, e vos proíbo!
                - Com todo o respeito, senhor – Cruzi respondeu calmamente -, mas, se fizer isto, seremos obrigados a fazer uma denúncia oficial à Guarda Nacional, à Rainha em pessoa. Temos provas o suficiente, e com as habilidades de Lúcio, podemos ao menos ter de onde partir...
                Noah olhou de um agente para o outro, desacreditado.
                - Pode ser que o caso dos soldados tenha sido resolvido – disse ele. – Mas isto não quer dizer que o suspeito não esteja envolvido na explosão deste prédio. Lúcio continua sendo suspeito. Eu ordeno sua prisão!
                - Senhor!
                Mas não adiantou. Logo, dois guardas seguravam Lúcio, e, enquanto o mesmo se contorcia para tentar escapar.
                Noah se retirou para seu carro, e os quatro agentes o seguiram até a delegacia.

00h25

                Chegando lá, Cruzi foi a primeira a interceptar o diretor, uma vez dentro da delegacia.
                - Senhor, você está cometendo um grande erro...
                - Assim como vocês. Nenhum de nós tem provas o suficiente, então, até que vocês arranjem alguma coisa, eu estou certo.
                - Senhor, este homem inocente pode nos ajudar a impedir que mais crimes aconteçam, e, apesar da explosão do prédio não ter causado fatalidades, não podemos esperar que todos os atentados tenham finais tão “felizes”...
                - Agente Cruzi, com todo respeito, mas me desculpe se nem todos nós temos a capacidade de acreditar em tudo que aparece na nossa frente. Você já parou para pensar que, talvez, nem tudo seja tão sobrenatural, quanto vocês parecem adorar pensar?
                Dizendo isso, ele pretendia seguir para sabe-se lá onde, mas Cruzi chamou-lhe:
                - O senhor tem algum problema com nossa divisão, senhor?
                Noah voltou-se, caminhando lentamente até se aproximar novamente, e disse:
                - Sim, agente Cruzi, eu tenho. Talvez seja por que é difícil de imaginar alguém investigando algo que não conhece, ou que, pasmem, pode não existir. E sejamos honestos, não existe. Não sei como vocês conseguem ver tantos absurdos em tão poucos casos, mas é bem provável que eu tenha sido designado para esta divisão justamente para abrir-lhes os olhos. E, se tudo correr bem, podemos considerar que seremos fechados em pouco tempo.
                - Senhor, a divisão Titãs tem pleno apoio da Rainha...
                - E o que isto quer dizer? O dinheiro nacional está sendo inutilmente gasto por aqui, e cada dia mais ódio nasce na Guarda Nacional. Você não vê? Quanto mais cedo admitir que esta divisão não deveria existir, melhor para todos. Poderemos voltar a explorar crimes reais, e salvar vidas reais. Sem fantasia. E creio que seja bom que admita logo, isto é, se quiser continuar na Guarda Nacional.
                - Isto foi uma ameaça, senhor?
                - Não, uma promessa. Melhor, um conselho, para que um dia vocês não se vejam num buraco tão profundo que acabem desacreditados. Acho que não devo lembrar-lhes das intensas tentativas falhas de criação de divisões sobrenaturais no exterior, e você sabe por que falharam? Por que ninguém acredita no que não existe!
                O silêncio seguiu-se de modo que ambos ficassem se encarando. Neste mesmo momento, Lúcio entrara na delegacia, sendo arrastado pelos mesmos dois guardas. Algemado, tudo que ele poderia fazer era se contorcer; porém, Cruzi identificou os espasmos, o olhar fixo e perdido...
                - SANGUE! MEU SANGUE! ELES QUEREM MEU SANGUE! ELES QUEREM NOSSO SANGUE! – ele gritava. – TODOS VAMOS MORRER! ESTAMOS TODOS CONDENADOS!
                Quando ele passou por Noah, olhou para o diretor, e gritou:
                - ABAIXE-SE! VOCÊ ESTÁ EM PERIGO! ABAIXE-SE!
                Seus gritos foram morrendo enquanto ele era levado para outra sala.
                - Não vai me dizer que isto foi uma previsão? – desdenhou Noah.
                Cruzi iria responder, mas não houve tempo.
                Ninguém soube o que aconteceu.
                Um homem encapuzado abriu a porta da frente e, antes que qualquer um pudesse fazer qualquer coisa, ele atirou com uma arma desconhecida. Não era mortal como um fuzil, nem era uma simples pistola. Atirava muito rapidamente. Todos se abaixaram durante o ataque. Noah, no entanto, tentou sacar sua pistola... mas foi atingido por três tiros no abdômen.
Depois de dez segundos, havia atirado em toda a sala com mais de sessenta balas. Tão rapidamente quanto entrara, saiu correndo, e mesmo que guardas fossem atrás dele, ele fugiu.
                Cruzi, abaixada, arrastou-se até o diretor. Ele não conseguia falar. O sangue empapava sua camisa de botões.
                Se ele ao menos tivesse se abaixado...
                - Tragam uma ambulância! – disse ela. – Chamem uma ambulância!

4

20 de outubro, 7h30

                Noah estava internado. Todas as três balas haviam saído, por terem atravessado o corpo. Por sorte, nenhum ferimento causaria grande dano, mas ele perdera muito sangue, de modo que estava desacordado.
                Cruzi passara a noite no hospital. Preocupava-se com seu chefe, apesar de não gostar particularmente dele. Contudo, Carter apareceu na sala de espera quando amanheceu.
                - Como ele está? – perguntou.
                - Bem – disse Cruzi. – Mas não vai poder nos acompanhar neste caso. O que, desculpe a frieza, mas é até bom. Assim ele não nos atrapalha.
                Carter suspirou.
                - A prisão de Lúcio foi suspendida novamente – disse ele. – Ele vai nos ajudar oficialmente quanto ao atentado.
                - Temos alguma pista?
                - Não muitas. A bomba usada no prédio era normal, nada muito especializado, caseira. Não tinha nenhuma forma de identificarmos a autoria do atentado, e ninguém havia se anunciado. Mas o ataque à delegacia nos deu uma pista. Uma das policias identificou o símbolo na mascara de quem atirou em Noah como o símbolo de uma facção criminosa do Distrito.
                - Então acho que está fora de nossas mãos agora, não é? O caso vai para a polícia local, e...
                - Não exatamente. Lane tem uma teoria, e... acho melhor você ver com seus próprios olhos.

8h30

                - Olhem para isso – disse Lane, apontando para a tela da televisão. Ele havia feito Lúcio passar duas horas dentro de uma sala, e gravado tudo com as câmeras de segurança.
                Num primeiro momento, haviam sido deixados vários objetos em cima de uma mesa. A delegada entrara na sala, e interrogara ele sobre cada um.
                - Este é... de seu filho? – perguntou Lúcio, pegando o primeiro objeto, um brinquedo.
                - Não tenho filhos – a delegada respondeu. – Esta é na verdade evidência de um caso que foi fechado hoje cedo.
                - Então isto também é evidência? – perguntou Lúcio, pegando um pedaço de pano, esperançoso.
                - Não, na verdade, isto é de minha roupa, que rasgou na correria de hoje.
                A pontada de esperança nos olhos de Lúcio desapareceu, e assim se seguiu pelos próximos minutos. Ele não conseguia acertar nada... como se não fosse um vidente.
                - Ele é falso... – Cruzi suspirou, sem acreditar.
                - Não exatamente – Lane continuou. – Veja.
                Ele adiantou até o fim da gravação, mostrando o momento em que a delegada saía da sala, carregando todos os objetos. Era possível notar que ela estava cansada, mas não impaciente. Na verdade, a mulher não tinha expressão alguma, pois era isso o que bons policiais faziam: não deixavam a linguagem corporal denunciar o que estavam sentindo, para não distrair o suspeito.
                E, ainda assim, Lúcio disse, choramingando:
                - Ela não confia em mim... – Seu olhar era fixo e seu corpo tremia, assim como ele fazia quando tinha previsões. – Ela não confia em mim... Acha que eu sou um criminoso... quer me fichar, caso 349-768-993-6, Pittacus Lúcio, assinado pela delegada Maria de Lourdes Lore...
                Lane desligou a televisão.
                - Como você pode deduzir – disse ele. – Em momento algum a delegada disse seu nome, nem mesmo o número do caso...
                - Mas pensara – disse Cruzi.
                - Sim. Quando mostramos esta gravação a ela, ela... esteve surpresa. Não conseguiu explicar. Nós vimos a fita mais uma vez, somente para confirmar... Lúcio sabia dos detalhes, sem que ninguém tivesse dito nada para ele.
                - E como você explica isso? – Cruzi se sentou, e Lane suspirou antes de responder:
                - Eu sinto dizer que isto não é nenhum caso de vidência. É absorção de energia.
                - Energia?
                - Sim. As funções de nosso corpo são basicamente impulsos elétricos, e há teorias de que esses impulsos ficam marcados no ambiente em que passamos. Como uma impressão digital. Se essa teoria for verdade... então o cérebro de Lúcio seria capaz de captar esses impulsos, e interpretá-los em forma de visão.
                - Então, ele basicamente pode ler o pensamento de uma pessoa?
                - Mais ou menos. Não é qualquer impulso que ele pode ler, tem que ser muito forte... como o dos soldados. Esse caso em especial pode ter sido o impulso fortíssimo de todos aqueles soldados... a morte deles foi tão repentina e violenta, que o impulso que eles liberaram pode ter viajado no tempo, dois minutos no passado...
                - Fazendo Lúcio prever a morte, dois minutos antes de acontecer – Cruzi concluiu.
                - Mas e o incidente do prédio? – Foster indagou.
                - Eu creio que isso seria um incidente mais normal para a habilidade dele – Lane continuou. – Quem plantou a bomba deve ter imaginado uma explosão tão forte, que deixou o impulso dessa imaginação na área do prédio. Lúcio apenas captou essa imaginação em forma de impulso... e tentou impedir que nosso carro passasse por ali, por medo de que fossemos atingidos.
                - A mesma coisa teria acontecido com o atentado à delegacia?
                - Sim. O atirador provavelmente tinha premeditado atingir o diretor Noah... e imaginou essa cena, deixando uma nova imaginação em forma de impulso. Por isso Lúcio avisou Noah para se abaixar: por que Lúcio sabia que o diretor seria atingido.
                - OK, OK, então, resumindo: Lúcio é capaz de captar pensamentos fortes de pessoas.
                - Mas para que isto serve? – Carter perguntou. – É ótimo que tenhamos o caso resolvido, mas se ele não é um vidente, de que adianta, se ele não consegue prever o futuro nem prever o próximo atentado?
                - Mas talvez ele possa – Lane disse, sorrindo. – Vamos, temos que levá-lo.
                - Para onde?
                - Para o prédio que explodiu. Ele saberá o que fazer.

11h
                (coloque para tocar a música: “May The Best World Win”, Fringe OST)
                Eles haviam entrado nos destroços do térreo do prédio. Depois de contar tudo para Lúcio, Lane continuou:
                - Eu suspeito que, quando você captou o impulso de que o prédio ia explodir, você captou somente uma pequena parte do pensamento do autor do atentado... Agora que estamos aqui, você pode ver além. Você pode captar o pensamento inteiro.
                - Se o que você diz é verdade – Lúcio disse. – Então eu só consigo captar pensamentos fortes. Já faz mais de 12 horas desde o atentado, talvez... talvez o impulso tenha se esvaído, tenha se tornado mais fraco...
                - Faça um esforço – Cruzi disse-lhe. – Tente, tente ver além...
                Lúcio ponderou por um instante, e, logo depois, assentiu. Momentos depois, a divisão Titãs observava a dois metros de distância ele sentado, de olhos fechados.
                - Isso não está funcionando... – disse ele.
                - Tente se concentrar – Lane respondeu. – O impulso que precisamos captar deve estar um pouco apagado...
                Lúcio obedeceu.
                Depois de alguns momentos sem nada, Cruzi disse:
                - Vamos, isto não está funcionando...
                E então Lúcio levantou-se.
                Os quatro agentes olharam para ele, que lentamente se voltou.
                - Não consigo respirar... – disse ele. – Tudo está cinza...
                - Lúcio! Isso já aconteceu! – Lane sussurrou, com veemência. – Lembre-se mais! Se esforce mais!
                - Mas eu não consigo ver...
                - Tente!
                Lúcio engoliu em seco, com os olhos fixos, e tremendo de leve...
                - Eu vejo... um homem – disse ele. – Está cinza, não consigo ver... mas eu vejo um homem...

                Então, a fumaça sumiu da visão de Lúcio.
            Ele via tudo claramente... Havia uma recepção. Era o térreo do prédio que explodira, antes de explodir... e a recepção estava vazia. Nenhum funcionário estava por perto. E ele via um homem, debruçado sobre um quadrado negro...

            - Eu vejo um homem – disse Lúcio. – É somente um... não há mais ninguém.
                - Só um? Então não é um ataque super planejado?

                O homem se levantou. Ele havia armado a bomba...
            A visão mudou, transportando-se para a delegacia.
            Lá estava o mesmo homem, porém dentro de um carro... ele botou uma máscara, e caminhou todo o caminho até a entrada da delegacia... e atirou. Atingiu o diretor Noah. Saiu, sem que ninguém o capturasse, e correu, deixando seu carro para trás.

            - É o mesmo homem que atirou no diretor Noah... – disse Lúcio. – O mesmo homem que explodiu este prédio atirou em Noah...
                - Então, não é o trabalho de uma facção – Lane concluiu, sussurrando para seus companheiros. – É apenas um homem, um trabalho isolado...

                A imagem da visão mudou novamente.
            Lúcio olhou ao seu redor. As paredes brancas, as pessoas de terno... tudo lhe era familiar. Ele vira aquele lugar antes... na TV, talvez?
            Ele olhou para as escrituras na parede. Estava no prédio da Guarda Nacional do Distrito 23.
            O homem que causara os acidentes entrara no prédio como visitante... Ele se desviou da rota que os visitantes deveriam percorrer, entrando numa bifurcação absolutamente cheia de pessoas...
            - Ei! – um policial gritou. – Você não pode entrar aqui!
            Então o homem apertou um botão, e Lúcio observou tudo explodir. O fogo, o sangue, as partes das pessoas em chamas... como os soldados. Eles estavam gritando... Lúcio não queria ouvir os gritos...

            - Eu não quero ouvir os gritos... – disse ele, choramingando.
                - O quê? – Carter se perguntou.
                - Foi isso o que ele disse antes dos soldados explodirem... vai acontecer de novo! – Lane concluiu. – Lúcio, concentre-se! O que você vê?

                Lúcio, obedecendo, observou o fogo até que o mesmo lhe permitisse ter uma melhor visão do prédio. Estava destruído, a ponto de desmoronar... No chão, estava caído um relógio, travado para sempre num único horário: 13h.

            - Ele é um homem bomba – disse Lúcio, saindo do transe. – Ele vai atacar o prédio da Guarda Nacional às 13h.
                - É daqui a uma hora – disse Carter. – Temos que correr!
                Os cinco entraram no carro.

12h40

                Os reforços já haviam chegado. Os quatro agentes saíram do carro, e se aproximaram do chefe de forças tarefas especiais.
                - Já começaram a evacuação do prédio? – Cruzi perguntou.
                - Sim, mas não podemos esperar que transcorra rapidamente. Há mais de mil pessoas aí dentro... se ao menos tivéssemos alguma pista do suspeito...
                - Mas temos – Cruzi sacou uma folha de papel do bolso de seu terninho. – Este é o retrato falado feito pela agente Foster, segundo o que o soldado Lúcio descreveu de sua visão.
                O chefe olhou torto para ela, examinando o perfeito desenho que tinha em mãos.
                - Um retrato falado feito em vinte minutos? – disse ele com desdém.
                - Você pode dizer muitas coisas sobre a divisão Titãs, mas não pode dizer que não temos gente talentosa – Cruzi respondeu. – Vamos entrar.
                Os quatro agentes então seguiram porta adentro, depois de deixarem Lúcio esperando do lado de fora. A força-tarefa inteira os seguiu, pois era uma situação de alto risco.
                Aquele prédio era diferente da base da Guarda Nacional do Distrito Imperial: não havia um escritório para a divisão Titãs, e assemelhava-se mais a uma prefeitura. As paredes, brancas, faziam o ato de se perder muito fácil e possível...
                - Lúcio disse que o suspeito ativaria a bomba numa bifurcação com um grande relógio – Cruzi anunciou.
                - Explorem todo o prédio! – o chefe da força tarefa anunciou. – Temos de impedi-lo antes que chegue lá!
                Cruzi seguiu com seus companheiros de divisão para onde Lúcio descrevera: segundo orientações, ficaria diante de uma sala de reuniões importantíssima... Mas havia uma multidão tentando sair do prédio, sendo guiada no sentido contrário. Os quatro tinham que correr contra a correnteza...
                - Vocês estão vendo ele? – Cruzi gritou, e ninguém respondeu nada.
                Então, ela viu.
                Havia uma quinta pessoa seguindo contra a correnteza, muito à frente, quase na bifurcação do grande relógio...
                O homem.

                Do lado de fora, Lúcio esperava sozinho. Ele receberia uma ligação dos agentes, caso tudo desse errado, e fugiria. Mas deveria ficar do lado de fora por enquanto, caso ainda fosse necessário. Não poderia entrar para sua própria segurança, obviamente.
                Era terrível a tensão. Ele não sabia o que fazer, senão rezar para que o suspeito fosse capturado.
                Mas então, às suas costas, ele ouviu passos, e se virou. O capitão Victor Parga estava ali... com uma faca na mão.
                - Senhor? – Lúcio perguntou.
                - Você matou meus homens... -  o capitão respondeu, irado. – Os malditos agentes não conseguem ver o que você é... um louco assassino!
                - Senhor, acalme-se, abaixe esta faca...
                - VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO! – Parga gritou. – ERAM SOLDADOS INOCENTES! ERAM NORMAIS! E NÃO... ESSA ABERRAÇÃO QUE VOCÊ É!
                - Senhor, eu estou ajudando com essa operação, eles podem comprovar minha habilidade...
                - Que habilidade? – o capitão levantou a faca com desdém. – Você é louco. Não existe essa coisa de vidência. Você está enganando a todos, mas a mim não engana! Você pode ter enganado os inúteis da Titãs, mas pelas minhas mãos, você vai pagar...
                - Senhor... NÃO! – Lúcio recuou, enquanto Parga avançava... – Por que o senhor se recusa a acreditar na possibilidade de que talvez eu não seja louco?! De que talvez... seja verdade?!
                Parga riu, debochando.
                - Por que o que não é visível, não existe. Você está mentindo, até que se prove o contrário... o que você não vai ter a chance de fazer.
                Então, ele atacou.

                Dentro do prédio, Cruzi sacou sua arma.
                - PARADO! – gritou ela.
                Saindo da multidão, ela apontou a arma contra o suspeito, que voltou-se para ela. Ele estava claramente surpreso. Lane, Foster e Carter a seguiram.
                - PARADO! VOCÊ TEM O DIREITO DE FICAR CALADO!
                O homem, no entanto, somente observou-a... até sacar um pequeno quadrado, com um botão no meio... o botão que iria explodir tudo.
                - PARADO! – Cruzi gritou novamente. – SOLTE ISTO!
                O homem continuava a levantar o pequeno quadrado...
                - EU JÁ LHE DISSE! SOLTE!
                Mas o homem simplesmente respondeu:
                - Boom.
                E fez menção de apertar o botão.
                Cruzi então atirou, atingindo a cabeça do suspeito. Ele caiu, morto, e o caos se instalou entre os presentes no prédio.
                Lane se aproximou, examinando a bomba.
                - Desativada – disse ele. – É uma bomba amadora. Não está mesmo associada a nenhuma facção criminosa... é um trabalho isolado.
                - O que ele queria fazer? – Cruzi perguntou-se em voz alta. – O que ele queria provar?
                - Eu acho que ele queria somente instalar o caos – concluiu Carter. – E ele conseguiu.
                Depois, os quatro saíram do prédio, junto com a força tarefa. Queriam parabenizar Lúcio, mas ele não estava lá. Encontraram somente o capitão Parga, desmaiado, pois havia batido a cabeça ao cair. Mais tarde, o capitão diria que Lúcio o atacara, mas isto seria rapidamente desmentido. Ainda assim, ninguém sabia para onde ele havia ido, nem se estava bem ou seguro.

5

22 de outubro, 14h

                O diretor Noah lentamente abriu os olhos. Ele sentia uma dor lancinante no abdômen, e lentamente se lembrou dos tiros que havia levado. Não conseguiu se levantar, nem distinguir a sensação estranha na sua barriga como dor ou fome. Olhou apenas para sua direita, onde Cruzi estava sentada, e ela o encarava.
                - O senhor finalmente acordou – disse ela. – O senhor esteve em coma induzido pelos últimos três dias, devido aos seus ferimentos.
                Noah tentou responder, mas foi interrompido por Cruzi:
                - Não fale. Ainda está muito fraco.
                Seguiu-se silêncio, que foi quebrado pela própria agente:
                - Foster, Carter e Lane seguiram para o Distrito Imperial, para casa. Eu fui a única que fiquei, para falar com o senhor. – Depois de um pigarro, ela continuou: - O caso foi resolvido. O autor do atentado do prédio foi identificado como Marcus Dacosta, um desempregado de 31 anos. Ele tinha tanto armamento quanto um pequeno exército no Egito. Ele foi morto no local, mas foi impedido de realizar outro ataque. O caso foi solucionado com a ajuda de Pittacus Lúcio. – O diretor olhou-a de um modo que ela não conseguiu identificar. – No entanto, o próprio não pôde ser encontrado depois. Foi dado como desaparecido.
                Noah claramente queria protestar, e quase forçou alguma fala, não fosse Cruzi novamente.
                - Mas não foi somente para isso que eu fiquei – disse ela, levantando-se e pegando seu sobretudo.  – Eu fiquei para ressaltar que nós estávamos certos. Independente de como acabou, Lúcio nos ajudou no caso, e nos ajudou a impedir uma tragédia. O senhor gostando ou não, é isso o que vai estar em nosso relatório, pois é essa a verdade, pouco importando o quão desagradável ou impossível de acreditar ela seja. E se o senhor tem algum problema com isso, fale diretamente com seu superior, ou com a Rainha. Eles podem resolver seu problema, seja ele qual for, e te realocar pra alguma divisão que lhe agrade mais. Por que, com todo respeito, o senhor não vai ficar no caminho de nossas investigações.
                Dizendo isso, ela saiu porta afora, e foi para casa.
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