Tudo o que ele queria era ser um grande ator. Correu atrás do seu sonho, ganhou a oportunidade de entrar no meio artístico, mas teve de largar sua família, e ir para um estado totalmente diferente do seu. Rio de Janeiro é onde Tonny Martin foi ser modelo após receber uma ótima proposta.
Porém, lhe deram uma previsão de seu destino, e disseram que ele tinha algo muito maior para fazer, do ficar andando em passarelas ou atuando para filmes ridículos. O mundo um dia precisaria dele, ou então, o mundo precisaria se livrar dele.
Benção ou maldição? Não sabemos, pois uma grande crise de personalidade, Lucas vai viver, e só seu lado bom, vai ser o que nós precisamos, mas amor, um dia poderá cura-lo de sua raiva indomável. 
Esperança, porém o mundo não terá mais paz!
A história se define em duas palavras: vitória e derrota.
                                           Cap.1
Meu mundo não é lá grandes coisas. Meu mundo, claro... Meu mundo se chama Claraval, e fica no interior de minas. Por aqui, não acontece nada de bom, há não ser pelas garotas, que são lindas e inteligentes, porém, não sou o tipo de cara que elas preferem. Às vezes penso que se eu ficar forte, elas começam a olhar pra mim. Não sou como a maioria da minha pequena cidade, que costumam ou ter olhos azuis, ou ser louros, pois tenho olhos e cabelo castanhos.
Meu pai é dono de uma pequena loja de tecidos, mas está tendo um grande crescimento no comércio. Ajudo ele na maioria das vezes, exceto quando estou no curso de teatro, ou então, em outra cidade ensaiando para algum desfile que a agencia de modelos e atores me mandam.
Pois é, esse é meu sonho. Ser ator. Conseguindo isto, não preciso de mais nada. Hoje o dono da agencia que me patrocina, me ligou, dizendo que tem uma proposta para eu trabalhar em outra cidade, que no caso, seria Rio de Janeiro.
O negócio todo é convencer meu pai. Ele é meio durão, mas sei que posso amolecer ele com o tempo. Tempo suficiente, para dizer o sim e eu ir pro Rio.
- Sem dúvidas pai, sei que é perigoso, mas se eu não aceitar, vou ser obrigado a ficar sem dormir por um bom tempo, pensando em como seria se eu tivesse ido pro Rio. – falo olhando nos olhos do meu pai. – imagine só pai, eu ficando rico! Eu poderia ajudar o senhor com o seu negócio, e eu ficaria mais perto de me tornar ator, pois já estarei no meio artístico.
- Eu não quero seu dinheiro pra nada, - fala meu pai cruzando seus dedos para conter o nervosismo. – Tonny meu filho... Eu quero mais é que você seja feliz, e muito! Só que é perigoso você ainda tem só dezessete anos, e nem pelos na cara você tem. No meio em que você está, tem muita gente suja, só esperando por um tropeço seu, para acabar com você e seus sonhos.
Faço que sim com a cabeça, mas apesar de ele me alertar sobre isso, continua com o mesmo pensamento. Preciso ir pro Rio, e infelizmente, eu sei de uma maneira que eu possa convencer meu pai.

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- Eu sei qual é o seu sonho. E ainda é seu sonho, porque o senhor ainda não realizou. Tenho certeza, de que você ficou imaginando e ainda fica, em como seria sua vida, - encosto minha mão direita no ombro de meu pai e olho bem nos olhos dele. – se você tivesse realizado... Eu sei que você não realizou, mas não porque você não tentou, e sim, porque seu pai, não deixou!
Depois de eu tê-lo lembrado, de como foi essa passagem pela vida dele, ele me olhou com um sorriso no rosto, me indicando positividade.
- Está certo meu filho. – agora é ele quem coloca sua mão direita sobre meu ombro. – Você realmente cresceu.
E quando pensei que ele fosse dizer que eu podia ir pro Rio, ele se levantou, e foi em direção à porta do meu quarto, mas antes de sair, parou e olhou para trás,dizendo, “Arrume suas malas!”.
 Aquelas palavras foram as melhores que eu já ouvi. Bom, permissão concedida, e em menos de uma hora, eu já estava de mala pronta, me arrumei rapidamente, e liguei para o meu mais novo empresário que veio me buscar num piscar de olhos. Ele é um homem baixo, com uma barba mal feita, e com seu cabelo mal penteado, porém, sabe se vestir para uma ótima ocasião. Estava bem formal dentro de um paletó totalmente preto, e com um lenço branco bem arrumado no bolso.
- Prazer Sr. Tonny, eu me chamo Wilson, e sou seu novo empresário. – disse Wilson me estendendo à mão como cumprimento.
Assenti e o cumprimentei espontaneamente. Assim, saímos em direção ao seu carro, que não era o que eu esperava para um homem baixo. Ele tinha uma picape quatro por quatro, toda preta, com as rodas de um prateado deslumbrante.
Meu pai havia conversado com ele por telefone, e mais um pouco pessoalmente. Ele me disse para ligar assim que chegasse ao Rio, e todo final de semana, ia querer saber os detalhes, dos dias em que ficamos fora de contato. Ele sempre foi meio durão, mas agora, me deu um abraço tão forte e bom, que eu percebi, de que ia sentir muita falta dele. Afinal, ele é minha única família.
Minha mãe faleceu quando eu tinha apenas onze anos, porém, antes de ir pra um lugar bem melhor, ela disse que se orgulhava, e desde então, eu tento não mudar, para que ela nunca deixe de se orgulhar de mim.
Pouco mais de cinco horas de viagem, e eu já estava no Rio de Janeiro. O calor é muito maior aqui, do que em Claraval, apesar do verão estar no fim.
Meu empresário Wilson me levou para uma cidade menos movimentada que fica um pouco distante do centro da cidade. Ela se chama Queimados. Vou morar lá por uns tempos, até que eu me adapte a cidade grande. Pelo menos essa é a ideia do meu empresário.

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Vou estudar na melhor escola dessa cidadezinha, que se chama IEMC, ou melhor, Instituto Educacional Márcia Cristina. Cursarei meu terceiro e último ano do ensino médio lá, e pelo o que eu pude ver, não deve ser tão ruim.
Mais algumas horas depois de uma longa viagem, já era para começar a me arrumar e assim, ter o meu primeiro dia de aula. Conversei com meu pai, sobre como eu estava me sentindo nesse novo lugar, e ele ficou contente, pois mostrei segurança pra ele. Ele me desejou boa sorte, boa aula, já que eu ia iniciar meus estudos ali, no meio do ano.
- Espero que se dê bem por aqui, – sugeriu Wilson enquanto dirigia sua picape quatro por quatro, em direção a minha nova escola. – faça novos amigos, vai ser bom pra você.
- Pode deixar, vou tentar me adaptar. – afirmei sem mostrar nervosismo.
Ao entrar na escola, me vi em um local totalmente diferente de onde eu fui acostumado. Na minha escola antiga, tinham muitos quadros, pinturas famosas e até mesmo artefatos históricos amostra. Os alunos vivam com um livro na mão, lendo, ou então, conversando com um ou dois colegas. Mas aqui... Aqui é totalmente diferente. Não tem quadros, não tem artefatos, os alunos se aglomeram em mesas para ficar jogando baralho, ou então dominó. Sentam em grupo para conversar, e pelo visto, conversam bem alto, e fazem muitas piadas, pelos risos amostrados. Celulares nas mãos de cada um, alguns meninos abraçados com meninas, brincando um com outro em forma de paquera. Definitivamente, esse lugar não se passou pela minha cabeça, mas de alguma forma, eu estava gostando disso.
De repente, ouço um barulho estranho e alto, parece uma sirene. Suponho que seja o sinal de que é hora de ir para a sala. Não que eu me enganei, mas ouvi um homem de roupa social, parecendo ser um uniforme de inspetor, dizer que era para formar uma fila, para depois nos encaminharmos para a sala de aula.
Fiquei meio perdido, pois não sabia em qual fila entrar. No meu colégio, filas eram formadas apenas no primeiro dia de aula, e no dia da independência do Brasil, que era quando cantávamos o hino brasileiro e o de nossa cidade.
Pedi ajuda ao homem que parecia ser um inspetor, e que por acaso, eu estava certo. Ele me indicou qual fila eu deveria entrar, e assim, me achei no meio daquela aglomeração. O número da minha turma era trezentos e trinta e seis. O “três” deveria ser por causa de estarmos cursando o terceiro ano, mas não tinha muita certeza.
- Aluno novo? – disse alguém do meu lado.
Eram duas filas para cada turma. Uma fila para as meninas e uma para os meninos, e bem do meu lado, tinha uma menina linda, loura, dos olhos azuis, e ainda, com um sorriso encantador.

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- Sou... Sou sim. – respondi em meios a gaguejos.
- Ah, que legal! Meu nome é Isabela Melo, mas me chamam de Bela – completou a Isabela avançando para me cumprimentar, talvez com um beijo no rosto, pelo menos, foi o que eu fiz. – Há! Há! Sabia você não é do Rio de Janeiro, certo?
Como ela sabia disso eu já não sei, mas respondi que sim e ri com o que ela me disse.
- Vocês mineiros, não dão dois beijos no rosto, mas nós, cariocas, damos – falou sorrindo meio sem graça – e você me deixou mal, porque só me deu um beijo.
- Nossa! Perdoe-me, não foi por mal. – falei preocupado, já ela, riu. Simplesmente, riu!
- Tudo bem amigo, não se preocupa não. Mas na próxima já sabe, são dois beijinhos.
Eu assenti, com um sorriso, e olhei para frente, após ouvir o inspetor pedindo para que a turma trezentos e trinta e seis fosse para a sala de aula.
Eu fui um mal educado no meu primeiro dia de aula, conheci uma linda menina, porém, não disse se quer meu nome. Mas sei o dela... Isabela Melo, um nome tão lindo quanto ela.
Quando a aula acabou, eu procurei por ela, mas não a encontrei. Deveria ter ido embora mais cedo. No intervalo, eu me senti como se fosse uma carne nova no pedaço, em meio há um monte de animais carnívoros. Ninguém deixou se quer que minha imagem não passe pelos seus olhos, o que era estranho, já que onde eu morava ninguém se importava comigo.
Quando eu voltei para casa, meu empresário disse que tinha uma reunião, com o dono da loja que iria me contratar como modelo, e que não era para que eu o esperasse para jantar, pois ia chegar bem tarde.
Infelizmente, ainda não tinha nada para fazer por aqui. Lá em Claraval pelo menos, tinha a loja do meu pai, para ir, ou ficar vendo filmes, seriados ou até mesmo, ficar enfurnado no computador. O Wilson prometeu aumentar nossa taxa de tecnologia, dentro de casa, mas agora não dava, porque estava sem tempo de comprar algo e a única coisa que me restava, era o telefone.
- Alô? Pai? – perguntei com medo de ter errado o número, devido ao DDD.
- Tonny? Oi meu filho! – meu pai falou com tamanha felicidade, que me arrancou um sorriso de cara. – Como você está?
- Estou bem pai... Com saudades, mas bem.

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- Se quiser voltar eu falo com o Wilson e ele te trás assim que eu mandar. – houve um silêncio por uns segundos enquanto eu pensava na hipótese de voltar. – É só pedir!
Continuei a pensar em voltar para casa. Apesar de não ter amigos lá, e poucos colegas, eu tinha meu pai para conversar comigo, todos os dias, e tinha meu curso de teatro, que tanto amo.
- Que isso pai, não é pra tanto – respondi com a voz tranquila – eu só estou com saudades, mas estou gostando daqui, e o Wilson, foi para a reunião que vai decidir meu futuro como modelo.
- Que legal filhão! Boa sorte, e qualquer coisa você me liga, - falou em meio a uma tosse seca. – agora eu tenho que desligar. Estou na loja e está dando um bom movimento. Agora o trabalho está dobrado, já que estou sem meu braço direito. – completa em meio a risos.
- Vou voltar pai, mas não agora. Quando eu voltar, o senhor vai ter orgulho do que eu me tornarei.
- Já tenho meu filho, - fala suavemente. – e sempre terei orgulho.
Conversar com o meu pai é muito bom. Além de pai, é meu melhor amigo.
A noite já estava alcançando o chão, e eu, já tinha terminado minhas lições de casa. Já era hora do Wilson chegar para preparar a janta, mas como ele não vai chegar tão cedo, eu vou jantar fora mesmo.
Depois de tomar um bom banho, e colocar aquele ótimo perfume, eu já estava pronto. Fui a uma praça pública que tem na cidade de Queimados, e lá, tem um restaurante muito frequentado durante a noite, e foi ali mesmo que jantei.
Tinham uns cinco garotos que estudavam na minha escola, e que chegaram assim que eu pedi a conta. Não falei com eles apesar de serem da minha sala. Mas também, nem me viram. Porém, quando eu estava saindo, chegando à porta que dava para a rua, vi uma menina loura, com um vestido preto, saindo do banheiro feminino. Era ela, Isabela Melo. Então, ela se sentou do lado de um dos garotos da nossa escola, e ele beijou seu rosto. Não tinha o porquê, eu ficar vendo paquera de outras pessoas, então eu sai do restaurante, antes mesmo que pudessem me ver.
Atrás do restaurante, tinha uma rua, na verdade parecia um beco. Era deserto e escuro, tinha até um hospital infantil ali, mas não fazia com que crescesse o movimento. Fui andando tranquilamente, até que comecei a me sentir perseguido. Olhei para trás e vi um homem levantando um pedaço de madeira e mandando em minha direção.

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