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                                             Cap.2

Quando acordei, o céu estava claro, e por incrível que pareça, ou não, eu estava em um lugar totalmente diferente do que eu imaginava.
- Mas que droga é essa? – perguntei para o nada, pois sabia que ninguém estaria ali, e afinal de contas... – Onde é que eu estou?
Só sabia que eu estava em lugar alto, e para ser especifico, o lugar parecia mais com um terraço de um prédio com vários andares, parecia também que eu podia tocar o céu com as mãos, o que era até mesmo agradável. Mas estar sozinho, em lugar, sem saber como foi parar lá, e com a última lembrança de ter levado uma paulada na cabeça, não é nada entusiasmante.
O local não tinha nada, nenhum assento, nenhuma porta, nenhum buraco no chão, só tinha apenas, alguns ferros baixos em volta. Perguntei-me como é que me colocaram ali, então fui até a beirada e vi que era realmente um prédio, muito, mas muito alto.
Nunca fui bom em contas, mas esse prédio devia ter no mínimo, uns quarenta e cinco andares.
- E agora? O que eu faço?
Estava entrando em desespero, minha cabeça não queria funcionar direito, cheguei até mesmo pensar em pular dali. Uma, duas, três, quatro horas já deveriam ter passado, e eu fiquei deitado, com a cabeça para fora do terraço, olhando para a grandeza em que eu estava. Se um dia eu queria chegar às alturas, hoje, com certeza eu já não estou querendo tanto, é melhor subir degrau por degrau, sem querer pula-los. E foi ai que eu achei um jeito de sair desse presídio aberto.
- As janelas!
Brilhante! As janelas, claro! Posso descer, me segurando nas janelas, vai ser complicado, mas não tem outro jeito há não ser pular. Então comecei com a minha grande ideia. Primeiro, me segurei firme no ferro que tinha em volta do prédio, e daí, consegui pisar na grade da janela mais próxima a mim, depois, fui descendo devagar, e assim, fiz com mais cinco janelas, até que uma forte dor de cabeça veio a calhar. Era uma dor horrenda, não era comum, até que então, as janelas não se encontravam em minhas mãos e sim o ar.
Parecia que tinha algo me possuindo, não sei muito bem, mas perdi o controle do meu corpo. Eu deveria estar parecendo um louco, caindo de um prédio, com o punho fechado e mirando o chão, como se eu fosse soca-lo. O incrível mesmo, é que... Não era eu! Estava quase fechando os olhos pelo impacto do vento, e por falta de força. Minha cabeça parecia prestes a explodir, e eu parecia brincar de super-herói.

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Antes de tocar o chão eu já não estava mais acordado, mas quando acordei, me senti um raio em uma circunferência. Eu estava exatamente no meio de um circulo rachado e grande. Deveria ter uns três metros de circulo a minha volta. Era como se eu tivesse dado sorte com o punho fechado, e feito com que o chão, sentisse mais o impacto do que eu. Mas ei! Estou vivo? Como assim?
Se eu parecia um louco antes, agora então, era como se a loucura, tivesse me dominado por completo me infestando de perguntas, sobre como estou vivo.
Horas depois, eu já estava em casa, de banho tomado, e pelo visto, não sei como fui parar ali, estava realmente, começando a ficar preocupado, com essa mudança de estado.
- Onde você estava durante essas horas todas? – Perguntou o Wilson, se apoiando na porta, e se mostrando furioso com o ocorrido. – Hein? Ainda não me respondeu.
- Não sei. – Olhei fixamente nos olhos dele, e segurando as lágrimas, eu consegui completar. – Só me lembro de ter saído pra jantar, e quando sai do restaurante, acordei em cima de um prédio, de no mínimo quarenta andares – Me levantei do sofá, passei por ele em direção à cozinha. – tentei descer o prédio pelas janelas, e então cai, acordei no chão, e depois só me lembro de estar em casa.
- Tonny? Você não esta se drogando não, não é?
- Eu? Um drogado?
- Você parece estar alucinado... Falando essas coisas então.
Depois de ouvir isso, eu me senti furioso de tal maneira, que me escapou a minha personalidade, e então gritei com o Wilson:
- Acha que estou me sentindo como? Eu vivo umas coisas totalmente estranhas, não sei o que aconteceu comigo, só tenho – Dou um soco na parede e fixo meu punho no local. – você! – Grito com mais força, e aumento ainda mais, meu tom de voz. – É só você que eu posso confiar nesse lugar cheio de gente, e ai você vem me perguntar se estou me drogando? Ah, pelo amor de Deus!
Dou as costas e vou para o meu quarto, e me jogo na cama, e só ai, percebo que tem minha mão, está com tinta de parede presa em meu punho.
As coisas não estavam andando muito bem, e esse era apenas o primeiro dia de muito que eu viveria ali. Jantei, e voltei para o meu quarto, me tacando novamente em minha cama, e dali, só sai na manhã do dia seguinte, quando o relógio despertou, me mostrando que já era hora do meu segundo dia de aula.
Estava um fraco frio, então aproveitei para colocar meu casaco predileto. Ele era todo branco, mas nas mangas, tinha um elástico por dentro do tecido, que fazia com que prendesse pouco abaixo do cotovelo.

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Na escola, encontrei a Isabela Melo entre amigas toda sorridente, resolvi não desfazer o assunto delas, e já que ela nem sabia meu nome, pode ser constrangedor se ela já tiver me esquecido.
- Ei! – Gritou a Isabela atrás de mim.
- Oi! – Falei me virando com a certeza de que era ela.
- Você é novo aqui, deixa eu te apresentar minhas amigas, – Falou a Isabela me puxando até o grupo dela. – gente, esse aqui é o... – Ela me olhou esperando que eu me apresentasse, já que ela não sabia meu nome.
- Tonny! Tonny Martin. – Respondi fazendo que sim com a cabeça em forma de cumprimento.
- Olá Tonny! – Responderam conjunto as três amigas de Isabela.
- Bom, gostaria de conversar com vocês, mas tenho que estudar. – Falei enquanto saia acenando. – Até outra hora!
Sai de fininho. Não queria conversar, e nem estava com cabeça pra isso, então, fui direto para sala de aula. Costumava sentar no meio da sala, mas desta vez, sentei na ponta e me encostei á parede.
Fiquei pensando no que tinha acontecido comigo. Aquela noite, saindo de um restaurante e acordando no terraço de um prédio sem saber nem como eu fui parar lá. Aquele soco que dei na parede e arranquei um pouco de massa dela. O que estava acontecendo comigo? Era engraçado como a Isabela sorria. Pelo visto ela sempre tampava a boca com a mão, pra não mostrar seu sorriso. Acho que ela não sabe que é tão lindo quanto ela.
- Ei! – Ouvi alguém gritando em sala, e só assim despertei, estava fora do ar e nem foquei na aula, e só agora observei que era a professora que estava falando, e comigo. – Qual seu nome? – Perguntou apontando para mim.
- Eu? – Perguntei nervoso, mas logo em seguida respondi. – É... Me chamo Tonny professora.
- Ah sim, Tonny. – Falou em um tom irônico. – Está conseguindo entender a aula?
- Estou! – Respondi rapidamente. – Quero dizer... – Fiz que não com a cabeça, mas deixando um sorriso no rosto para que a situação não ficasse chata.
- Entendi. – Falou enquanto se aproximava de mim. – É desse planeta também? – Perguntou a professora, fazendo com que todos rissem de mim.
Fiquei calado, afinal, não tinha o que responder contra ela, pois era minha professora. A aula passou, e só no final que fui entender de que estava estudando biologia, e que o nome dela era Rosane.

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 Logo depois, quando a aula dela acabou, entrou outro professor. Desta vez, era professor de história, e pelo visto, é outro que não foi com a minha cara.
- Olá, - Perguntou o professor de história me estendendo a mão para me cumprimentar. – qual é o seu nome?
- Tonny Martin, - Falei o cumprimentando sem vontade. – e antes que pergunte, eu sou desse planeta sim.
Ele riu, colocou sua mão sobre meu ombro e disse:
- Qualquer coisa, se precisar é claro. Pode contar comigo! Às vezes agente pensa que algo de bom esta para acontecer, só que não somos capazes de ver que temos um destino muito maior para seguir, algo... Muito maior do que pensamos.
Não entendi muito bem, mas assenti agradecendo, até porque, não fez nenhuma brincadeira de mau gosto, e melhor, nem me perguntou de que planeta eu era. Só por isso já estava sendo meu professor mais legal.
Horas se passaram, e mais duas aulas também, só então, finalmente o sinal de ir pra casa tocou.
- Finalmente acabou essa aula chata! – Falou algum aluno próximo a mim.
Fui o primeiro a me levantar e quase fui o primeiro a sair de sala. Quando sai de sala, percebi que minha turma foi à última a sair do colégio, pois nosso horário era maior do que as demais. Fui à biblioteca pegar um livro para fazer um trabalho de biologia que a professora tinha passado, demorei mais ou menos trinta minutos, tempo suficiente para o colégio ficar completamente vazio.
- É, vou levar esse aqui, - Falei entregando o livro a moça da biblioteca. – preciso te entregar alguma coisa?
- Só sua identificação de estudante. – Falou a moça da biblioteca.
- Está aqui, - Entreguei minha carteira de estudante. - mais alguma coisa?
- Não... Tonny Martin, - Disse enquanto sorria para mim. – é só isso mesmo, tem o prazo de uma semana para a devolução do livro.
- Certo!
- Se quiser estender o prazo, tem que vim aqui pedir o aumento do prazo, e você vai ter de assinar um papel para que a responsabilidade do livro seja totalmente sua.
- Ta certa, pode deixar. Obrigado!
Quando sai, vi a Isabela no portão do colégio, e estava saindo também. Quando cheguei mais perto, vi que ela estava parada no meio da rua, olhando

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para o céu, como se tivesse algo incrível passando. Mas só quando eu vi as pessoas correndo desesperadas pra longe do local, é que eu fiquei nervoso.
-Socorro! – Gritava alguém do lado de fora do colégio.
Corri até o portão o mais rápido que pude, e então, vi uma grande pedra com o formato de uma bola caindo na direção da Isabela. Aquela pedra deveria pesar mais um menos o peso de cinco elefantes, mas isso não fez com que meu instinto protetor ficasse fora de ação.
Corri até a Isabela e a abracei, pensei em correr com ela dali, mas quando olhei de novo para o alto, a pedra estava a um metro de nos esmagar.

                                                            ... 


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